sexta-feira, 19 de abril de 2013

Muita Paz nessa hora

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertao, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Passeata pela paz em Bogota no dia 9 de abril


Num planeta imerso em guerras, crise econômica profunda, a América Latina e o Caribe ressaltam-se como regiões diferenciadas por melhorias no desenvolvimento apesar das graves, históricas desigualdades de origem secular que persistem.

Esse ciclo positivo iniciou-se, de modo heterogêneo, desde o início do século XXI e prossegue aos dias atuais mesmo no auge da crise estrutural capitalista que atinge especialmente os Países da Europa e os Estados Unidos da América.

Todavia, presenciamos nos demais continentes uma perigosa escalada de variados conflitos e guerras que se espalham pelo Oriente Médio, Ásia, África quase todos envolvendo direta ou indiretamente o consórcio anglo-americano cujas motivações estão ligadas a objetivos geopolíticos e à posse por recursos naturais renováveis ou não.

A América Latina que durante séculos tem sido uma região estagnada, desapropriada de suas riquezas, mão de obra e matérias primas por colonizadores e neo-colonizadores, experimenta atualmente a possibilidade de trilhar, através de muita luta e determinação, um ciclo mais favorável de emergência das suas potencialidades através da construção, bastante árdua, da união dos seus Estados através do MERCOSUL e da CELAC.

O que exige a reafirmação da soberania desses Países que constituem esses dois blocos internacionais, por um logo período de paz entre as suas fronteiras, coisas que com muito esforço político, diplomático, vem sendo conquistadas.

Essa reinvindicação da paz pressupõe a necessidade da superação das abissais desigualdades econômicas, sociais, que ainda mantêm a região sob um brutal atraso interno em cada nação, como entre os povos latino-americanos como um todo.

A vitória eleitoral de Maduro, do movimento bolivariano na Venezuela é reveladora de avanços substanciais principalmente no combate decidido, sereno às ações provocadoras das forças reacionárias que desejam o retorno ao antigo status quo.

Por isso é emblemática a gigantesca marcha pela paz dos bravos na Colômbia reunindo centenas de milhares de pessoas exigindo uma nova era ao País que se caracteriza pela sua histórica riqueza cultural, de gente séria, acolhedora e altiva.

Assim, a luta pela paz é elemento indispensável ao progresso das nações latino-americanas que devem mostrar igualmente atitude militante, solidariedade aos povos ameaçados por intervenções ou agressões em qualquer parte do mundo.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A contra-revolução de Margaret Thatcher

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


A morte da ex-primeira ministra da Grã Bretanha Margaret Thatcher é uma espécie de canto dos cisnes de uma “contra-revolução mundial conservadora”, econômica, multilateral, cultural, ainda hegemônica em boa parte do planeta desde os anos setenta aos dias atuais.

Thatcher iniciou o seu governo em 1979 e nos dezoito anos seguintes as estratégias neoliberais mantiveram o domínio sobre os destinos do Reino Unido em uma agressiva onda de privatizações de todos os segmentos da economia britânica.

Quando o partido Trabalhista retornou ao poder as modificações nas relações de produção, sociais, jurídicas, da sociedade já tinham alcançado tal ponto de inflexão que não era mais possível reeditar, sem uma ruptura política, as linhas econômicas Keynesianas do Estado de Bem Estar Social até então em vigor na Europa ocidental após a Segunda Guerra Mundial.

Daí, o partido Trabalhista inglês também começou a fazer sua própria transformação, com outras agremiações sociais democratas, para uma plataforma neoliberal mitigada com políticas sociais.

A aliança entre os Conservadores de Margaret Thatcher com o governo norte-americano de Ronald Reagan associada à queda do muro de Berlim, à debacle da União Soviética, deu início à “mundialização do capital financeiro”, à “ditadura global dos credores”, o regime absolutista neoliberal no planeta.

Para o êxito do projeto consagrou-se algo decisivo, a incorporação da grande mídia em instrumento de divulgação unilateral dessa estratégia geral do capital rentista, da nova etapa expansionista militar imperialista.

Esse processo de concentração de poder do capital rentista impulsionou a hegemonia ideológica quase que total da chamada nova ordem mundial submetendo valores universais conquistados pela humanidade.

Impondo em seu lugar a exacerbação do individualismo antagonista procurando anular as organizações classistas dos trabalhadores e demais movimentos que lutam por avanços sociais, soberania das nações, as maiorias destituídas de futuro mais digno.
 
Thatcher a "dama de ferro" morreu no auge da fadiga estrutural do sistema que ela ajudou a criar vendo a Europa, os EUA em decadência com dezenas de milhões de desempregados, um planeta saturado por agressões armadas imperialistas, a emergência de outra ordem global multilateral, a vigorosa retomada de lutas dos cidadãos pelos seus direitos e um mundo melhor.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Os vendedores de vento e o sabão de coco

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


As exigências do grande capital rentista para não promover uma guerra de classes contra os governos de coalizão sob a liderança do Partido dos Trabalhadores foram três questões tidas como dogmas macroeconômicos na economia do mercado global: metas de inflação, câmbio flutuante, superávit primário nas contas públicas.

Mesmo assim e apesar disso o País assiste a uma fuzilaria através da grande mídia nacional e respectivas matrizes norte-americanas, inglesas, contra as medidas adotadas pela presidenta da República, ações concretas que provocam a queda sistemática dos juros, acusando o governo de interferência nas leis do mercado, “alertando sobre os perigos de surto inflacionário iminente”.

Como remédio ao suposto fantasma inflacionário rondando os lares dos brasileiros propõe-se a receita neoliberal ortodoxa, ou seja, novas altas dos juros básicos (taxa Selic) e como sinal de que não estão blefando, agências globais reforçam a iniciativa através do rebaixamento das classificações de risco dos bancos públicos do País.

De acordo com a revista Resenha Estratégica os especuladores  financeiros nem se dão ao trabalho de amenizar o profundo desprezo às amplas camadas sociais, propondo frear o crescimento econômico, precário devido à insuficiência de investimentos em infraestrutura e à crise capitalista, gargalos, não só os únicos, a um grande salto no desenvolvimento.

Já um ex-diretor de assuntos internacionais do Banco Central, declarou que “a saída é frear a economia, é demitir mesmo. Não se faz omelete sem quebrar os ovos”.

Na linha contrária, coisas da História, está, entre muitos, o ex-ministro, economista Delfim Neto para quem essa mídia, o capital rentista são “vendedores de vento, da riqueza imaginária, os derivativos cáusticos, espremidos pela baixa do juro, dependendo de alta da Selic para manter lucros estratosféricos ludibriando pequenos investidores, setores médios, propondo aos mais pobres que voltem a tomar banho com sabão de coco”.
 
A grande mídia, o capital rentista, impuseram ao País uma agenda fragmentária, com alguns temas auto-justificáveis, mas diversionista em questões cruciais da nação. Promovem a chantagem econômica, a evidente tentativa da dispersão política, exigindo como solução o firme combate por um projeto nacional soberano estratégico, a intensa luta pela unidade e a emanciapção social do povo brasileiro.
 

sexta-feira, 29 de março de 2013

Os sentidos do Multiculturalismo

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Durante o auge da doutrina neoliberal na década de noventa, Francis Fukuyama, teórico oficial da Nova Ordem mundial recém imposta aos povos, profetizava, com a soberba típica dos poderosos, que a História tinha acabado.

A tradução literal de tamanho disparate era a falsa conclusão de que haviam desaparecido as contradições antagônicas entre as classes sociais e de quebra extinguia-se também a existência de uma potência militar imperialista e o seu papel agressor contra os Países no planeta.

Mais que uma constatação propositalmente errônea, era a conclamação aos trabalhadores e demais camadas assalariadas e às nações que lutavam por um lugar ao sol, à mais óbvia capitulação da luta social emancipadora e da soberania nacional.

A vida demonstrou exatamente o contrário, jamais a humanidade presenciou em qualquer outra etapa da História do capitalismo uma exploração de classes com a brutalidade que assistimos nos tempos atuais e em nenhuma outra época o imperialismo, no caso o norte-americano, promoveu, com tanta impunidade, genocídios, guerras de agressão, espalhando o terror, a morte pelos continentes.

O capital financeiro desencadeou a mais violenta espoliação do mundo do trabalho gestando um modelo de civilização selvagem, da barbárie, destruindo sem o menor pudor os mais elevados valores construídos pela humanidade.

Acobertados por uma mídia hegemonizada em escala global e em cada País, o capital financeiro, os Estados Unidos da América, trataram de impor aos assalariados, às nações, a sua própria agenda, o multiculturalismo.

Cujo sentido é fomentar a ideia de que já não se trata de priorizar a luta pela soberania nacional e a emancipação social, substituindo-as por causas fragmentárias, setoriais, algumas auto-justificáveis, com o intuito de sustar a construção de projetos estratégicos de autonomia dos Países, promover o diversionismo, fragilizar a luta pela emancipação do mundo do trabalho.

A demonização de Hugo Chávez, da luta do povo venezuelano, tem essa marca de um “mau exemplo” aos povos latino-americanos porque ali se forjou uma unidade popular e um forte sentimento de luta pela soberania dessa nação sul-americana.
 
Sem os quais, inclusive no Brasil, os avanços serão passíveis de retrocesso, a consciência política esmaecida, a mobilização popular precária, a hegemonia conquistada incompleta, efêmera, temporária.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Tempos selvagens

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Nos tempos atuais a informação atingiu uma escala de poder, hegemonia sem precedentes desde o século vinte, uma opinião de classe imposta por centros difusores internacionais baseados nos Estados Unidos da América e na Grã-Bretanha que se encarregam de espalhar ao mundo, ao Brasil, a “notícia do momento”, a opinião política, a ideologia cultural do mercado globalizado.

Fenômeno que só pôde acontecer em virtude do intenso processo de expansão, concentração do capital financeiro a partir da Nova Ordem Mundial, da relativização da soberania dos Estados nacionais, das organizações internacionais outrora sustentadas por pactos fundados em equilíbrio de forças que já não mais existem.

Essas instituições que adquiriram credibilidade após a Segunda Guerra Mundial foram capturadas pelas novas condições geopolíticas surgidas no fim dos anos noventa e se transformaram em uma espécie de correias de transmissão dos interesses de uma única potência mundial do grande capital financeiro, referendando lucros estratosféricos e aventuras bélicas.

O que possibilitou a esse capital um espetacular domínio do planeta uniformizando hábitos e modos antes diferenciados pela diversidade das formações históricas, antropológicas, nacionais, regionais, um poder sem precedentes na História, determinando códigos, regras, leis, constituindo na prática uma espécie de governança global oficiosa.

Garantindo os interesses do mercado que instituiu padrão único de consumo, as variações são ditadas por alguns cartéis internacionais que impõem e combinam os preços das mercadorias, a cidadania das pessoas relativizada ou mesmo subtraída.

Com o fortalecimento dos BRICS, Brasil, Rússia, Índia, África do Sul e China que em poucas décadas transformou-se na segunda economia mundial, nascem as condições de um cenário internacional diferenciado ao tempo que eclode uma nova crise estrutural do capitalismo, dos seus mecanismos desvairados, delirantes de especulação.
 
A Nova Ordem envelheceu, entrou em decadência, com inquestionáveis traços de selvageria, totalitarismo, agressão às nações, aos povos etc. O grande desafio das forças patrióticas, progressistas, inclusive no Brasil, é de encontrar caminhos para a transição a um outro modelo de sociedade que reafirme a soberania das nações, um regime social avançado empenhado no efetivo desenvolvimento das potencialidades humanas coletivas e individuais.
 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Crise de uma civilização

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


São poucas as pessoas que se aventuram a declarar que estamos vivendo um período de avanço civilizacional sem confundir com a atual revolução científico tecnológica, mesmo que em vários Países existam políticas de resistência às consequências dos efeitos catastróficos do que se denomina Nova Ordem Mundial.

Trata-se de uma época iniciada nos anos noventa, portanto muito recente, quando a economia de mercado assumiu dimensões totalizantes livre das amarras impeditivas aos objetivos da expansão, centralização e concentração do grande capital em escala jamais vista em toda História.

Esse imenso salto da globalização do mercado, das finanças, reside principalmente em dois fatores: a natureza expansionista intrínseca ao próprio capitalismo, de acumulação sem limites ou fronteiras, e as condições políticas favoráveis às suas demandas e ambições.

A debacle do campo socialista na Europa destravou as amarras geopolíticas que obstaculizavam essa radical alteração, modificando a economia, fazendo retroceder em todos os aspectos a vida política, social, ideológica, cultural, comportamental, ambiental a nível mundial.

No início essa hegemonia foi tão intensa que qualquer contestação à nova doutrina econômica neoliberal passou a ser condenada como uma postura acadêmica, política jurássica, alusão ao período em que os dinossauros existiam na face da Terra.

Estaríamos assim no auge da harmonia final, as fronteiras nacionais inúteis, teríamos chegado ao término da História dizia o teórico neoliberal da moda o nipo-americano Francis Fukuyama.

Se olharmos hoje para o mundo o que vemos? Duas décadas de guerras sangrentas movidas pelas ambições de uma única potência militar, milhões de mortos e refugiados pelos continentes, a divinização da riqueza em substituição aos grandes valores universais, gerando em pouco tempo uma civilização de profundo mal estar.

A violência crônica, pandemias como a do crack alimentando os cofres do capital financeiro - escândalo divulgado pela mídia internacional, individualismo, o não diálogo, um salve-se quem puder, fobias, intolerâncias, milhões de desempregados na Europa e EUA, não foram gestados pelos cidadãos comuns mas por essa civilização em grave impasse.
 
Cabe às nações, aos povos encontrar a unidade, as alternativas reais a essa Idade Média pós-moderna imposta às maiorias em proveito de um restrito círculo de privilegiados.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Veias abertas da América Latina

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Nestes tempos de brutal hegemonia da nova ordem mundial do capital financeiro onde a grande mídia hegemônica global e as nacionais a ela subalternas, determinam o que é falso ou verdadeiro, certo ou errado, politicamente correto ou incorreto, a trajetória de luta de Hugo Chávez por uma Venezuela independente, socialmente mais justa é um marco de destemor patriótico de engajamento pela emancipação dos mais pobres, dos deserdados do seu País.

Combatido pelas forças reacionárias, agredido intensamente pelas grandes potências, em especial os Estados Unidos da América, que contra ele e o povo venezuelano promoveram várias tentativas de golpe de Estado, inclusive armado, Hugo Chávez foi firme na sua missão de transformar a realidade de um País secularmente rico, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, mas dominado por oligarquias predadoras, cercado de miséria por todos os lados.

O ódio ao sonho de Simon Bolívar de uma América soberana e de avanços sociais, abraçado por Chávez, atraiu a ira, a sistemática conspiração imperialista que mobilizou além das próprias armas políticas, financeiras, ideológicas, de inteligência como a CIA, ainda perfilou em torno dessa causa torpe suas reservas, a fina flor da reação fóbica em vários Países, especialmente da América do Sul que pretextando análises críticas ou acadêmicas, miram baterias de fogo midiáticas contra a Venezuela.

No Brasil o método de tratamento de punhos de renda combinado com o porrete fez e continua fazendo escola na América Latina por parte dos segmentos obscurantistas que apoiam de todas as maneiras efetivas, sem falar nas inconfessáveis, iniciativas que atentam contra a soberania das outras nações e dos seus respectivos povos.

A minha geração conviveu com esse tipo de coisas, de grupos que se refastelaram com o arbítrio, aqui no Brasil e no Cone Sul, sem nenhuma transparência jurídica dos seus lucros obscuros e hoje incorporam-se, como os EUA, em campanhas até sobre Direitos Humanos contra os quais, no mínimo, foram cúmplices.

Chávez honrou a sua jornada na terra como lutador pela independência da sua pátria, abraçando a causa do desenvolvimento social. Cabe aos cidadãos venezuelanos, únicos detentores da própria soberania, continuar a luta titânica pelo desenvolvimento, o progresso humano entre as veias abertas, sangradas, da América Latina, como já disse Eduardo Galeano.

 

sexta-feira, 1 de março de 2013

Pesos e medidas

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:




Enquanto a jovem blogueira cubana em suas livres andanças pelo Brasil é acompanhada com um estardalhaço que só se justifica pela alergia insuportável que a grande mídia hegemônica externa-interna nutre pela nação cubana, a sua determinação de honrar o seu direito inalienável à soberania e integridade territorial, outro episódio, esse sim de extrema gravidade, é tratado com absoluto fastio pelos maiores órgãos de imprensa do mundo e no País.

Trata-se do caso do cidadão australiano Julian Assange exilado na embaixada do Equador em Londres, impedido de deixar o edifício da representação diplomática, cercada por acintoso aparato de segurança policial e da inteligência inglesa, impossibilitado de deixar a Inglaterra rumo à nação que lhe concedeu asilo.

Julian Assange é um ativista político dos recursos digitais que revolucionaram a comunicação democratizando a produção da informação, difusão das notícias, as relações entre as pessoas, indivíduos, comunidades em escala local, regional ou planetária.

Porém esse cidadão cometeu a ousadia máxima de denunciar ao mundo, através da Internet, documentos valiosos sobre as atividades clandestinas e subversivas das grandes potências, particularmente dos Estados Unidos e OTAN, as fraudes cometidas contra os cidadãos por parte das grandes corporações financeiras obtidas ilicitamente em uma época de crise econômica, falência de Estados nacionais, desemprego massivo dos assalariados no primeiro mundo.

Mesmo encurralado na embaixada do Equador Assange lançou um livro publicado no Brasil em janeiro deste ano reafirmando suas denúncias e ampliando suas observações sobre o que considera a grande ameaça da atualidade, o controle das pessoas, Países através da Internet pelas potências imperiais no maior sistema de vigilância, espionagem da História da humanidade.

Denuncia os perigos que pairam sobre a soberania dos Estados emergentes, que sob a justificativa de combater o crime organizado os EUA e aliados estariam construindo novo controle político, militar, sabotando as estruturas digitais, industriais e de governos nacionais no que os dirigentes norte-americanos classificam como a batalha do futuro, a ciber-guerra.
 
São pesos e medidas distintos usados pela grande mídia e os EUA sobre direitos humanos, liberdade e soberania das nações. Cabe aos povos encontrar formas de resistência contra graves ameaças com que se defrontam.
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Pressões e constrangimentos

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Henry Kissinger, ex-Secretário de Estado norte-americano.

O escritor francês Honoré de Balzac em meio a sua produção literária de valor universal tal como a Comédia Humana, resolveu catalogar desde 1830 as Máximas e Pensamentos de seu conterrâneo Napoleão Bonaparte e não é à toa que se disse que Balzac está para a literatura assim como Napoleão está para a História.

Assim o gênio de Napoleão ficou sistematizado através de minuciosa pesquisa de outro gênio, deixando-nos um legado sobre filosofia, arte, política, doutrina militar e geopolítica onde entre várias considerações há aquela em que ele afirma que uma nação se recupera de todos os reveses quando ela mantém a sua superfície.

Não foi com outra razão que a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados promoveu em 2002 um seminário, com a presidência do deputado Aldo Rebelo, sobre Política de Defesa para o Brasil no século XXI reunindo estudiosos da matéria.

Na justificativa do seminário, dizia Aldo Rebelo, a sociedade brasileira retomou a preocupação com temas que muitos julgavam definitivamente sepultados nos escombros do Muro de Berlim: Estado, soberania, independência nacional, forças armadas etc.

O assunto não só se revelou atual como o cenário mundial mostra-se em processo de agravamento onde a “doutrina da intervenção em assuntos internos das nações” tornou-se um espetáculo grotesco transmitido pela mídia hegemônica como própria aos fundamentos da nova ordem global.

Acrescente-se à frase de Napoleão a superfície continental do Brasil e temos à vista os desafios de Defesa Nacional do povo brasileiro detentor em última instância da soberania do País numa época em que se multiplicam as pilhagens aos recursos naturais de nações indefesas em vários continentes.

Mesmo que não se dê crédito às inúmeras provas documentadas sobre as históricas ambições imperiais relativas ao Brasil, que se considere a frase do então vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, em 1989: Ao contrário do que os brasileiros pensam a Amazônia não é deles mas de todos nós.
 
Afinal, estão pondo em prática o conselho do estrategista mor dos Estados Unidos, Henry Kissinger, quando afirmou: Os Países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje se não tiverem à sua disposição os recursos não renováveis do planeta. Terão que montar um sistema de pressões e constrangimentos garantidores da consecução de seus intentos.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

No Mali ou em Caetité

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Extração de urânio: mina em Caetité, na Bahia

Um dos principais objetivos do complexo midiático hegemônico global é a desinformação da opinião pública internacional, além da promoção de uma agenda social ideológica diversionista em relação às questões cruciais na ordem do dia que dizem respeito aos interesses dos indivíduos e nações do mundo.

O papel determinante desse polvo de mil tentáculos com ramificações na grande maioria dos Países é fazer prevalecer condições à expansão do lucro do capital financeiro em escala planetária, em processo de centralização e concentração apesar da crise econômica ou mesmo utilizando-se dela.

Segundo informações divulgadas pela revista Resenha Estratégica, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Anders Fogh Rasmussen, disse que a Aliança Atlântica passa a ter “uma missão global, onde os Aliados considerem que os seus interesses estejam sendo prejudicados”.

O que deve ser traduzido como “Guerra sem Fronteiras por Recursos” onde a diplomacia vincula-se à intervenção militar aberta.

Assim os membros europeus da OTAN devem ampliar os gastos militares já que os Estados Unidos aumentaram a sua cota financeira com a Aliança de 63% para 72% nesses doze anos mesmo com a crise econômica que os atinge e à Europa.

Ao tempo em que crescem as notícias, através da grande mídia sob a batuta anglo-americana, de uma nova fase da “guerra ao terror e ao islamismo radical” na África que poderá “levar anos ou décadas”.

Mas o que está em jogo são os imensos recursos naturais do continente, sob ocupação militar da OTAN e do AFRICOM norte-americano, destacadamente o norte da região rico em jazidas de urânio, combustível para a energia atômica em franca expansão no primeiro mundo.

Já as reservas brasileiras de urânio somam hoje 309.307 toneladas, a sétima do mundo, devendo crescer ainda mais com o potencial da Província Uranífera de Lagoa Real em Caetité, Bahia.

Nessa guerra suja por recursos estratégicos o Brasil com a maior concentração de biodiversidade do planeta, a Amazônia, incontáveis recursos naturais extremamente cobiçados, tem sido alvo de intensas ações diversionistas  através da mídia hegemônica externa-interna.
 
O objetivo central tem sido a tentativa de fragmentação da unidade social, das organizações populares, a fragilização do sentimento nacional, fundamentais à luta indeclinável pela integridade territorial e soberania do País.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Civilização do desalento

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Existem dois tipos de indivíduos que vivem sob as condições da nova ordem global neoliberal hegemônica desde a década de noventa passada e assim seguindo nesses primeiros treze anos do novo milênio.

Aqueles que por razões econômicas, ideológicas, políticas, sentem-se contemplados e as grandes maiorias do planeta atordoadas pelos múltiplos fenômenos que atingem com violência os seus cotidianos.

São fenômenos resultantes das políticas impostas às nações através da oficiosa governança global, a nova etapa de acumulação do capital financeiro mundial, produzindo um tipo de civilização regressiva à época do fascismo derrotado ao fim da Segunda Guerra Mundial.  

Assim, é importante procurarmos entender essa contemporaneidade, combinado ao permanente combate contra as políticas neoliberais, às denúncias das incursões armadas do complexo imperial contra os povos, especialmente o anglo-americano, acobertadas pela mídia hegemônica ligada a esses interesses.

Ou então não será possível compreender a sensação geral de “sofrimento e dor associados ao desalento” que atinge as sociedades que anseiam atônitas por algum outro tipo de civilização, onde milhões procuram socorro espiritual em  dezenas de instituições religiosas eletrônicas.

São agressivos os mecanismos de controle social através da revolução eletrônica-cibernética, a criminalização das difusas manifestações de inconformismo das massas, as restrições das garantias individuais, tidas como “inevitáveis ao crescimento populacional”, na verdade resultantes de uma crise sistêmica, gerando o “vazio das subjetividades sociais”.

A concessão de existir em troca do pleno direito de viver, frase de Chico Buarque, tornou-se, de novo, sentença viva. Proliferam leis, regras de todos os tipos, estéticas, comportamentais, e os indivíduos vivem na iminência da penalização, que vão num crescendo porque esse tipo de civilização é manancial inesgotável de males.

Cidadãos forçados a padrões de consumo inatingíveis, desapropriados de valores humanistas, instados à lei da selva, hipocondrias, fobias, narcisismos, sob uma ordem desigual onde os responsabilizados não são os seus mentores.

Os fundamentos da globalização neoliberal permeiam tanto os regimes conservadores quanto governos socialmente mais democráticos como no Brasil. Um dos grandes desafios da atualidade será encontrar os caminhos para suplantá-los.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A solução final de Taro Aso

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Dias atrás o ministro das finanças do Japão, Taro Aso, setenta e dois anos, foi protagonista de uma declaração que resume, simboliza, o pensamento neoliberal da nova ordem mundial, o processo civilizatório hegemônico imposto ao mundo através da consigna: ao mercado, ao capital e ao lucro tudo, sem nenhum pudor ou limites.

Para o chefe de uma das três maiores economias do planeta, considerada padrão de qualidade de vida no primeiro mundo, "os idosos devem se apressar e morrer porque estão dando prejuízo às finanças nacionais".

A expectativa de vida no Japão é a segunda mais alta do mundo, 86 anos para as mulheres e 79 para os homens. Mas para o dito ministro, que inicia a própria trajetória de longevidade, esse avanço conquistado desde a segunda metade do século XX é absurdo.

Porém o seu raciocínio não é original, permeia o espírito atual de toda economia global de mercado, exerce intensa pressão em qualquer lugar do planeta, inclusive no Brasil. Inusitadas são as palavras contundentes vindas de uma autoridade desse País oriental que até pouco tempo atrás era conhecido pelo culto à sapiência dos anciãos como uma tradição.

Na verdade o ministro revelou o ponto de vista dominante da nova ordem global: as sociedades devem servir ao processo de acumulação, concentração da riqueza, jamais o seu contrário, a riqueza produzida coletivamente deve ser revertida para o usufruto, melhorias das condições de vida das populações.

As grandes empresas transnacionais de previdência privada, que auferem lucros fabulosos, devem estar exultantes com a sentença de Taro Aso, uma peça destacada, entre muitas, dos sinais desses tempos e civilização impostos por essa ordem global totalitária.

E nunca será demais lembrarmos que durante a ascensão do nazismo os povos levantaram-se politicamente, e em armas, inclusive contra a tese de Hitler da "Solução Final", cuja essência era a "eliminação dos deficientes físicos, excepcionais, homossexuais, idosos e doentes terminais, raças impuras, judeus, ciganos, além de comunistas" etc.

Assim o que o Sr. Taro propôs foi uma espécie de economia da solução final pós-moderna: apressem-se a morrer todos os idosos para o bem das finanças e pronto. Sob o fastio, a indiferença da grande mídia hegemônica mundial como se ele tivesse aconselhado aos japoneses que plantassem mais rosas ou camélias nos jardins das suas residências.