quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

A defesa da nação

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

A nova ordem mundial, o Mercado financeiro internacional, continuam a impor a sua agenda aos povos mesclando massiva propaganda ideológica, verdadeira lavagem cerebral, com ações intervencionistas bélicas onde considerem que seus interesses estão sendo prejudicados ou em regiões em que se apresentam possibilidades expansionistas.
Assim é que avançam, como aves de rapina, contra a soberania de diversas nações como a Ucrânia submetida a brutal processo de desestabilização literalmente incendiada após as visitas do secretário de Estado norte-americano John Kerry, do senador republicano John McCain, que foram avalizar o golpe deflagrado dias depois.

Estudiosos da geopolítica dizem que o novo passo será o esquartejamento desse País já que metade da sua população, especialmente das regiões oriental e sul da Ucrânia, repudiam o golpe imposto por hordas de grupos armados, com antecedentes nazifascistas que remontam à expansão alemã-hitlerista na Segunda Guerra Mundial, fartamente financiados pelos Estados Unidos e União Europeia cujos motivos incluem a instalação de bases da OTAN além da incorporação de novos territórios ao Mercado e suas riquezas naturais não renováveis.

Expansão que se estende, como todos estão vendo, por várias regiões inclusive a América Latina onde o alvo central é a Venezuela virulentamente atacada pela grande mídia associada ao Mercado financeiro, aos Estados Unidos, através de grupos mercenários movidos a dólar treinados com o fim de arquitetar a ingovernabilidade, “legitimar” um governo provisório fantoche subserviente aos interesses dos EUA e do capital rentista.

O Brasil não se encontra ao largo dessa agressão movida pelo capital financeiro e sua guarda pretoriana, os Estados Unidos, ao contrário, está no foco mesmo que em um estágio ainda anterior ao da Venezuela, mas a crise estrutural do capital tende a agravar-se assim como já não se descarta o estouro de uma nova bolha financeira mundial e o Mercado deseja avançar sobre as riquezas do Brasil nação industrializada, detentora de fabulosas reservas naturais do planeta.

Assim impõe-se com firmeza a defesa da nossa soberania, a legalidade constitucional, liberdades democráticas, sob reais ameaças dessa nova ofensiva neofascista global encetada pelo Mercado, pelos Estados Unidos.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Soberania

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Enquanto a Ucrânia arde em chamas, a Venezuela sofre ondas de turbulências golpistas, todos assistem à ofensiva dos Estados Unidos, guarda pretoriana do mercado, da governança mundial do capital financeiro global, contra a soberania das nações através de intervenções armadas que se multiplicam pelos continentes.
Seja onde for há sempre um pretexto para que se desloquem exércitos, frotas navais, força aérea contra algum País precedidos por um bombardeio de saturação midiática em escala jamais vista pela humanidade promovendo intensa lavagem cerebral contra as sociedades, fenômeno só possível porque em torno dos EUA e do Mercado há em simbiose uma verdadeira ditadura global na área das comunicações.

De tal sorte que o que prevalece não é o fato jornalístico mas a sua versão difundida através das poderosas cadeias de informação mundializadas sempre tendo como eixo central especialmente as grandes redes midiáticas norte-americanas e britânicas.

Assim ao contrário do que se diz nós não vivemos uma época de radicalização dos processos de democratização ao estilo universal ocidental clássico mas o seu inverso, uma intensa regressão civilizacional dos parâmetros democráticos conhecidos, submetidos aos objetivos essenciais desse mercado, do lucro insaciável do capital financeiro.

Da acumulação rentista que aumenta na exata progressão geométrica em que avançam sobre os Países os efeitos da crise capitalista mundial que sacudiu os Estados Unidos, Europa mas que atinge igualmente todas as nações inclusive os BRICS minando possibilidades de maior crescimento econômico, de um salto robusto ao desenvolvimento econômico, melhores condições sociais às suas populações.

O que está em curso é a tentativa de pilhagem dos recursos não renováveis, a subtração das riquezas produzidas pelos povos emergentes como o Brasil, a destruição dos pactos democráticos substituídos pelo autoritarismo, nem que para isso queiram transformar a realização de uma Copa Mundial de Futebol em teatro de operações de guerra monitorado pela CIA, promovido de forma milimétrica, planejada.

O Brasil jamais viveu outro período de tanta fecundidade democrática mas ele deve estar associado à defesa da soberania nacional, das liberdades políticas conquistadas com muitas lutas, sofrimento e dor em passado recente.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Sementes do ódio

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

O criminalista Antônio Carlos Mariz de Oliveira diz que a sociedade brasileira encontra-se enferma em razão dessa onda indiscriminada de patologias de ódio generalizado.
Na verdade trata-se de um diagnóstico correto desde que esteja associado às razões dessa perigosa enfermidade social, o criminoso processo de regressão civilizatória imposto à humanidade nos últimos vinte anos através da ditadura do Mercado, da Nova Ordem mundial, da Governança Global, da grande mídia associada ao rentismo, difusora ideológica, política, dos padrões da barbárie coletiva, individual ditados aos povos inclusive ao Brasil.

Para que 1% da humanidade conseguisse acumular a exata metade da riqueza produzida pela soma de todos os demais indivíduos do planeta seria impossível a existência de um outro modelo de civilização que não fosse baseado na superexploração da mão de obra assalariada, na promoção de guerras de rapina dos recursos não renováveis dos Países.

Além da tentativa de supressão dos grandes valores universais construídos pela inteligência humana, que resistem em algum lugar na consciência dos povos, já denunciada na virada do século pelo historiador Eric Hobsbawm quando afirmou que as novas gerações estavam sendo forjadas em uma espécie de presente contínuo sem noção do passado mesmo o passado recente.

Essas são condições ideais, para não dizer perfeitas, ao desenvolvimento de movimentos nazifascistas que na História sempre representaram a forma mais agressiva do capital rentista à exploração das nações como das várias camadas sociais.

Os virulentos grupos mascarados que não brotam por geração espontânea “estreiam” no Brasil incitados pragmaticamente pela grande mídia para desestabilizar o governo federal, agora correm o risco de fugir ao controle dessas elites retrógradas mas desejosas de artifício golpista.

Mais que destruir a democracia, derrubar o atual governo federal legitimamente eleito, o Mercado, os EUA, apostam na fragmentação do tecido social, incentivam a luta de cada um contra todos e todos contra qualquer um, temendo que assaltado pela lucidez o povo brasileiro avance a um efetivo projeto de desenvolvimento nacional, erradique as históricas, abissais desigualdades sociais, construa através da democracia uma nação livre, soberana, desenvolvida, solidária.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A História nos ensina

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

 
A revelação das conversas do então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, com o embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, em pleno salão oval da Casa Branca confirmou os elementos, as provas do financiamento de uma conspiração contra João Goulart, o principal mandatário brasileiro nos idos dos primeiros anos da década de sessenta passada.
Na verdade, detecta-se o ódio a estigmatização contra Jango já na sua condição de Ministro do Trabalho do governo Getúlio Vargas muito mais pela singularidade de ser o herdeiro do trabalhismo de Vargas que pelo fato de decretar um aumento de 100% no salário mínimo dos trabalhadores resultando em sua demissão mas não na revogação do aumento concedido.
Daí foi implacável a perseguição política, o cerco sistemático de uma mídia conservadora, quando não abertamente golpista, iniciando-se na época a escalada hegemônica que se expressa abertamente nos dias atuais.

Jango foi deposto por uma conspiração civil-militar que esteve presente nas águas brasileiras com uma frota de navios de guerra e de um porta aviões dos EUA, na chuva de dólares para candidaturas oposicionistas em eleições gerais, na presença de milhares de agentes estadunidenses colhendo informações acobertados na “Aliança para o Progresso” onde deveriam hipoteticamente prestar serviços a programas sociais etc.

De acordo com recente livro publicado por Juremir Machado, doutor pela Universidade de Sorbonne “Jango, a vida e a morte no exílio” só na primeira semana pós golpe dez mil pessoas foram presas incluindo o ex-governador Miguel Arraes.

São cassados mandatos de 113 deputados federais, senadores, 190 deputados estaduais, 38 vereadores e 30 prefeitos, afastamento compulsório de vários ministros do Supremo Tribunal Federal através de atos institucionais discricionários com evidente intuito de alterar correlações de forças existentes iniciando uma trágica noite de arbítrio, censura que durou 21 anos.

Assim nas lutas políticas atuais o Brasil não pode ignorar o conhecimento histórico do passado recente sob pena de amnésico não compreender os fenômenos do presente para superá-los através de uma frente nacional, popular em defesa da democracia, do desenvolvimento independente e seu relevante papel no teatro geopolítico das nações neste século XXI.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O novo personagem

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

 
Dentre os fenômenos de massas a nível internacional em 2013, início de 2014, grande parte deles gestada pela brutal desordem econômica, social, do capital financeiro mundial, um deles se destaca: o surgimento do Papa Francisco como contraponto, liderança crítica ao neoliberalismo em consequência à ditadura global do Mercado, somando forças com aqueles que já estavam na luta de resistência.

Por ser inesperado o protagonismo de Francisco tornou-se impactante colhendo simpatia, apreço, identificação com suas palavras por amplos segmentos religiosos, além da sua liderança no mundo católico, estendendo-se também aos laicos, agnósticos e ateus.

Em função da representatividade incontestável, apesar do declínio relativo nos últimos anos do Vaticano, temas pendentes inclusive com minorias, as posições do novo Papa receberam extraordinário acolhimento de centenas de milhões de pessoas em todos os Países.

E creio se essas palavras, atitudes, são muito positivas para a igreja Católica, foram bem vindas às pessoas sinceramente desejosas de novos tempos a essa civilização da nova ordem mundial, da Governança Global, do rentismo, imposta a ferro, fogo e bala em todos os lugares.

O mérito das ideias pregadas por Francisco tem sido a junção dos elementos da denúncia de um modelo econômico violentamente injusto, associada à conclamação e o alento mobilizador aos caminhos da esperança na mudança de uma ordem mundial desequilibrada em virtude da hegemonia de um pequeno punhado de nababos que a usufruem com sua guarda pretoriana armada, os EUA, protegendo-os e usurpando novos territórios.

Uma época que em duas décadas presenciou o escárnio de 85 pessoas mais ricas somarem mais fortuna que 3,5 bilhões dos seres mais pobres do planeta onde 1% dos indivíduos detém a exata metade da riqueza da Terra é alvissareira a serena indignação de Francisco, firme determinação em somar-se às alternativas de uma sociedade mais justa através de uma linguagem simples, humilde, acessível às multidões.

A vinda de Francisco ao Brasil em 2013, levando às ruas dezenas de milhões de pessoas num País conturbado por tempestades de ansiedades difusas, indefinidas, movimentos vários deles suspeitos, transplantados, revelou um repúdio ao Mercado e seu desprezo pela humanidade, compulsiva antropofobia.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A ditadura do Mercado

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

Segundo a entidade Oxfam International um grupo de 85 pessoas mais ricas do mundo concentra a fortuna equivalente aos 3,5 bilhões dos indivíduos mais pobres do planeta sendo que 1% da população mundial detém a metade da riqueza produzida ou seja, 110 trilhões de dólares.
Esse pode ser considerado um balanço macabro principalmente sobre as duas últimas décadas em que reinou inconteste a nova ordem mundial, a doutrina neoliberal produzindo um brutal processo de concentração de capital e renda jamais presenciado em épocas anteriores.

O reinado absoluto do rentismo, as contradições sistêmicas surgidas provocaram uma sequência de crises econômicas sendo que a última delas veio à tona em 2008 com a quebra fraudulenta dos grandes bancos norte-americanos socorridos pelo governo dos EUA na era Bush, depois pelo presidente Obama sob o argumento que eram “grandes demais para quebrar”.

Essa crise financeira espalhou-se pela economia mundial atingindo a todos gerando uma onda de choques provocando o desemprego de centenas de milhões de assalariados levando a falência setores do comércio, indústria principalmente nos Países desenvolvidos, especialmente no continente europeu e Estados Unidos.

O remédio “amargo” prescrito foi a recessão, cortes nos investimentos públicos atingindo os assalariados, classe média dessas nações que se viram sem as históricas conquistas sociais adquiridas após a 2ª Guerra Mundial.

Para que a nova ordem mundial pudesse impor aos povos tal espoliação subordinaram os organismos internacionais aos ditames do capital rentista à força hegemônica da maior potência militar da Terra os EUA que agem como a guarda pretoriana do Mercado, da “Governança Mundial”.

Daí a grande mídia global associada ao rentismo passou a exercer o papel de mentora ideológica da ordem neoliberal, formatando a ditadura do Mercado, num cenário de desorientação geral, ameaças à identidade cultural dos povos, aumento da criminalidade, guerra de rapina dos recursos não renováveis dos Países, o bilionário negócio global do narcodólar.

Como nada indica a contenção da voracidade do capital rentista nem o declínio da crise financeira cabe ao Brasil nesse cenário geopolítico adotar novas medidas em defesa da sua economia, integridade territorial, da própria soberania nacional.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Mundo melhor

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:


 
As variadas manifestações sociais que se apresentam no Brasil, e em quase todo o mundo, que geram tempestades sociais intuitivas sem projetos ou causas, refletem a desordem mundial que se instaurou no planeta nesses últimos vinte anos em que a globalização financeira vem ditando a linha econômica de maneira hegemônica.

Que tem como pressuposto a deificação absoluta do Mercado, seus mecanismos de lucros insaciáveis, em que o grande capital, através da doutrina neoliberal, promoveu uma extraordinária contrarrevolução civilizatória onde a concentração da renda foi o motor das radicais alterações que assistimos principalmente nas últimas décadas.

A concentração, em escala planetária, do grande capital financeiro, veio acompanhada, na maioria das nações, de um extraordinário poder unilateral de grandes grupos de comunicação hegemônicos, incorporando atualmente a mídia digital, redes sociais etc.

Um dos objetivos dessa nova ordem totalitária foi o desejo de pôr um fim às grandes causas humanistas de caráter social e econômico, a tentativa de anular todo e qualquer tipo de pensamento que indicasse rumo para algum tipo de sociedade solidária, sustasse a confiança dos indivíduos, tanto quanto dos Países, num futuro de progresso social que reafirmasse a identidade cultural dos povos, substituídos pela compulsão obsessiva pelo consumismo desenfreado, o individualismo surtado.

Assim, parte das novas gerações surgidas nesse período cresceram sob a estratégia dessas elites da política de terra arrasada, do deserto de utopias imposto pelas elites globais, sob intenso bombardeio de um estilo de vida agressivamente pragmático, inclemente, onde a máxima dominante é a do salve-se quem puder, a promoção da antropofobia, a negação da política como elemento decisivo na transformação das sociedades.

A determinação em negar uma realidade alternativa expressa-se na difusão de falsas teorias alarmistas, do catastrofismo, e da visão do pessimismo geral, onde omitem-se as verdadeiras origens dos vários fatores causadores de desastres humanos, sociais, ambientais etc.

A força do grande capital em apagar, esconder sua criminosa responsabilidade por esses inúmeros desastres que atingem as sociedades, as pessoas, exige uma renhida luta política e de ideias em defesa de um mundo melhor.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Fenômenos

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:


Outro dia uma jovem famosa, possivelmente talentosa atriz de novelas de televisão, declarou em um programa que era contra essa história de nos grandes shows dividir os famosos em camarotes de “vipão” e “vipinho” uma espécie de nova hierarquia classificativa das celebridades usada em ambientes festivos.
A revolta da estrela midiática tem alguma razão de ser se olharmos atentamente para a extrema volatilidade em que se transformou a cultura de mercado global dessa pós-modernidade que nos é imposta em escala planetária, integralmente assimilada pela grande mídia no Brasil, reproduzida através da internet, das redes sociais.
Nessa semana o pastor de uma obscura seita religiosa no Gabão, Franck Kabele de 35 anos, conseguiu atingir o ápice da fama mundial por algumas horas, embora tenha desaparecido para sempre, o seu corpo não foi encontrado, ao virar notícia em todas as mídias quando tentou andar sem sucesso sobre as águas, como Jesus Cristo, em uma praia de Libreville tendo como testemunhas centenas de fiéis e seguidores “absolutamente decepcionados”.

Essas são sequelas destes tempos em que impera a ideologia da nova ordem mundial, com o surgimento de uma miríade de movimentos que parecem estar dispostos nas prateleiras de um supermercado, acondicionados, prontos para consumo em qualquer lugar do planeta.

É certo que alguns deles nada têm de inocentes, são financiados e utilizados até para desestabilizar nações em várias partes do mundo, cujos líderes, pelo menos vários deles, são treinados diz-nos Moniz Bandeira, por uma tal de Freedom Foundation com sede nos EUA que agora vê-se às voltas com a Al Qaeda, seus pupilos antes do 11 de setembro, ocupando áreas do Iraque tentando derrubar o governo sírio.

Essa cultura do volátil, da “famosidade”, do sucesso a qualquer custo, do presente contínuo, sem passado, mesmo o mais recente, instaurada a ferro e fogo pelo capital financeiro além do complexo midiático global, tem provocado, infelizmente, situações tragicômicas.

Fazendo parecer realista O Dia do Gafanhoto, uma sátira do escritor norte-americano Nathanael West sobre os EUA ao afirmar que: em Hollywood o papel é feito para se parecer com madeira, a madeira para se parecer com borracha, a borracha para se parecer com aço, o aço para se parecer com queijo. É isso aí.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Política e Mercado

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

Já se disse que na atual época em que vivemos onde impera por quase todo planeta o monolítico pensamento único do Mercado, a hegemonia global do capital financeiro, resta aos povos a luta política como um espaço ainda não capturado de todo pelo rentismo internacional.
Porque é exatamente através da Política que se expressam os mais diversos setores da sociedade organizada, representada pelas mais distintas correntes de pensamento que apresentam seus ideários às nações na pluralidade e contradições dos segmentos que a compõem.

Pela sua via são eleitos os representantes do povo em um certo período estipulado pelas constituições cujos mandatos são aprovados ou rechaçados pelas grandes maiorias indicando a sua continuidade ou negando-se a sua recondução.

É no exercício da Política que são expostas as virtudes e mazelas das sociedades, seus avanços, insuficiências, antigos vícios ou mesmo novos fisiologismos, as conquistas históricas ou hábitos execráveis indignos à construção de uma democracia madura, ao trato da coisa pública.

É na militância da atividade Política que as mais amplas massas representativas dos interesses verdadeiramente nacionais, ou de algum segmento minoritário, expressam suas satisfações ou repúdios nas ruas, praças, escolas, no campo, nas cidades.

A democracia só pode sobreviver interligada com a Política e seu aperfeiçoamento exige bem mais consequência numa escala ascendente ao ponto em que estejam conquistados tantos níveis de avanços sociais quantos sejam necessários à libertação das camadas oprimidas das distorções econômicas, sociais, castradoras da autonomia e consciência cidadã quer seja em uma metrópole ou numa remota vila rural.

No afã de roubar o direito das sociedades, das camadas populares, o Mercado via grande mídia global associada tem encetado feroz campanha contra a Política jogando sobre ela as razões da pobreza, corrupção, dos abismos sociais, causas principais da miséria, do atraso das nações.

Omitindo as origens dessas indignidades sempre associadas ao próprio Mercado e seus prepostos dentro da Política, procurando marginalizá-la e com isso fechar o círculo autoritário.
Assim, o exercício da Política junto à democracia são os únicos antídotos efetivos, reais à ditadura inclusive à ideologia totalitária do Mercado.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Quem paga a conta

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

As maquinações da política externa norte-americana têm sido reveladas pelo ex-agente da NSA, agência de espionagem dos Estados Unidos, Edward Snowden, através de fartas denúncias sobre escutas, grampeamentos de lideranças políticas, além dos cidadãos comuns, empresas estratégicas das nações na busca de informações que garantam os interesses imperiais, chauvinistas, da maior potência do planeta.
O que não tem sido mostrado são os objetivos mais amplos da Inteligência dos EUA em que pesem os fundamentados relatos já divulgados por estudiosos, especialistas e jornalistas.

Também não são segredos as relações estreitas do grande complexo midiático hegemônico mundial com as orientações da CIA associadas às ações desestabilizadoras dos Estados Unidos contra os mais diversos Países do mundo. Esse não é um contexto recente, vem de longa data.

Em 2008 a jornalista inglesa Frances Stonor Saunders publicou um livro intitulado “Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura”, revelando o massivo financiamento do governo americano à organizações e associações de direita em nível global mas que em inúmeras vezes apoiou entidades culturais, grupos de escritores, intelectuais divergentes dos Países comunistas ou de orientação popular, bem como de governos soberanos, uma prática, ao que tudo indica, que jamais cessou.

Outro ex-agente da CIA e professor universitário, Chalmers Johnson recentemente falecido, publicou três volumes de grande repercussão entre eles o livro Blowback no mesmo diapasão de alertas sobre os custos e as consequências da política externa americana, as ações de espionagem e provocações dos vários governos norte-americanos.

O historiador Moniz Bandeira vem escrevendo várias obras sobre o mesmo tema lançando agora, em 2013, “A Segunda Guerra Fria” com substanciais informações sobre as manobras geopolíticas dos Estados Unidos que vêm treinando inclusive ativistas e mercenários de linha insurgente com o aberto intuito de desestabilizar nações emergentes.

Assim, o Brasil pela dimensão continental e papel geopolítico estratégico tem sido igualmente alvo desse movimento dos EUA onde estão incluídas também as ambições sobre a Amazônia brasileira e as recentes descobertas das riquíssimas jazidas petrolíferas submarinas em suas águas territoriais.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

As urnas do Chile

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

Nas últimas décadas o mando do capital financeiro fez-se avassalador, associado ao poder imperial unilateral dos Estados Unidos, impondo aos povos uma economia desastrosa pródiga em catástrofes de todas as maneiras onde as mais emblemáticas são a tragédia econômica-social que assola as nações europeias e a fome endêmica que atinge um terço da população do continente africano.
O processo de controle do grande capital não se restringiu às áreas econômica, militar, ocupou outros espaços com o objetivo de garantir a mais completa transformação das nações à sua imagem e semelhança, formatando a ideologia do pensamento único, apoiando-se para tanto no monopólio da informação de massas em escala mundial no intuito de combater qualquer pensamento crítico antissistêmico.

Um dos conceitos ditados pelo Mercado global foi a “política do possível” retida a projetos limitados, às ações de tipo “compensatórias” desprovidas de horizontes com um longo curso.

Para fazer crer que o futuro é uma inusitada recorrência ao mesmo ponto de partida, confiscando anseios, avanços estruturais, sonhos de saltos aos novos tempos, às aspirações de superar contextos nacionais incompletos, travando o necessário projeto soberano como se os Países estivessem ancorados numa espécie de maldição da eterna dependência, da subordinação infinita.

No intuito de fazer valer a cultura do pragmatismo elementar, do ativismo limitado, conformista, que pontificou nas últimas décadas, dentre as várias opções políticas, iniciativas institucionais nos Países inclusive aqueles de economia emergente.

As viragens na geopolítica mundial, a emergência dos BRICS, a crise do capital global, seus efeitos nos Países do 1º mundo, derrotaram essa doutrina mas que ainda se impõe, pela via do longo tempo de uso, como um mal estar em um esférico “presente contínuo” inclusive entre as novas gerações, como disse o historiador Eric Hobsbawm.

Um balanço crítico dos governos democráticos com políticas sociais na América Latina, as derrotas da ortodoxia neoliberal, a recente vitória no Chile de Michelle Bachelet podem ser vigorosos estímulos às lutas de resistência nacional, popular em pleno curso, às grandes utopias transformadoras de conteúdo histórico, universal, opostas a essa civilização em crise do Mercado global.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Civilização da barbárie

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:


A Nova Ordem Mundial determinou de maneira hegemônica, nas últimas três décadas, um modelo de civilização cuja primazia é a realização das vontades irrefreáveis do capital global acima do direito internacional, rasgando-o quando tem sido necessário.

Forjando um tipo de sociedade uniforme, presente em quase todas as nações do planeta onde a maioria das pessoas vive sob as diretivas compulsivas do lucro, do capital rentista, com uma agenda social global fragmentária, e o que importa é a exibição pública da riqueza, o culto à celebridade, à fama, levados ao limite.
Os grandes valores humanos, arduamente conquistados durante séculos contra o obscurantismo, intolerância, o enlouquecido fanatismo, o ódio, foram empurrados para algum lugar na consciência dos povos onde se processa a resistência.

Essa ideologia do pensamento único espalhada ao planeta, associada à economia neoliberal, constituiu além de hostil, feroz destruição financeira e social, uma profunda crise antropológica onde mais que em qualquer época recente nega-se a relevância, o lugar do ser humano na edificação das sociedades, substituído pela deificação da mercadoria.

Se em outros períodos esse fetiche típico do mercado era exercido com certo pudor em nome de algo fantasiosamente relevante, hoje o valor nominal do indivíduo reside na condição dele adquirir e exibir produtos diferenciados e quanto mais inacessíveis aos demais maior o seu prestígio na escala social.

Não é casual que atualmente cultue-se ideologicamente como algo absolutamente normal nas sociedades sob a chamada Nova Ordem Global o protagonismo da aparência física pessoal mas que transforma esses mesmos indivíduos em objetos-mercadorias na disputa pelas vagas ao mercado de trabalho.

Essa enxurrada cultural de valores artificiais provoca nas comunidades surtos de bestialidades constituindo o vazio fundamental para a selvageria individual, coletiva, inominável em que fenômenos de barbárie social como o ocorrido no estádio de futebol em Joinville tendem a se ampliar se não forem contidos dentro da lei.

Assim, é imprescindível o crescimento econômico sem o qual nada se constrói mas, impõe-se como decisivo, um outro projeto de sociedade humana a essa crise civilizacional em que o mundo se encontra mergulhado, inclusive o Brasil.