quarta-feira, 30 de março de 2016

Como uma farsa

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O quadro institucional que já estava mudando de cenário em questão de dias, agora transmuta-se na base de horas. Na semana passada setores da sociedade civil incluindo juristas, artistas, intelectuais, jornalistas, religiosos, movimentos sociais, ergueram-se contra a possibilidade da instauração no País de um Estado de exceção policialesco apoiado pela grande mídia hegemônica.

Diante desse perigo real levantam-se personalidades brasileiras, independente da simpatia ou não pelo governo da presidente da República, considerando que a ferocidade dos fatos e ações perpetradas contra as garantias individuais e coletivas dos cidadãos deixavam-nas sob iminente perigo numa situação assemelhada ao golpe de 1964, apesar das evidentes diferenças.

Agora sob o comando do presidente da Câmara Eduardo Cunha e o apoio do vice-presidente da República Michel Temer boa parte do PMDB resolve desembarcar do governo numa óbvia ação para enfraquecer a base do governo federal, facilitar o processo de deposição da presidente Dilma Rousseff.

Mas o fato importante nesse imbróglio do PMDB é que suas principais lideranças nacionais não estavam presentes no ato de terça-feira além da ausência de representantes dos seus governadores no Nordeste do País.

Assim permanece incontestável a frase do presidente do Senado Renan Calheiros de que: impedimento sem crime de responsabilidade tem outro nome. E o nome para tais manobras chama-se golpe.

Portanto a luta continua nas ruas mas o centro da batalha agora é o Congresso Nacional embora não se possa descartar novas investidas policiais para desestabilizar ainda mais a crise política.

As ações para depor a presidente da República passam a ser lideradas por uma figura marcada por processos de cassação de mandato e por um vice-presidente sem protagonismo nacional que nas pesquisas jamais passou de 1% das intenções de voto no País. Mas aos conspiradores há, de sobra, vontade irrefreável de empalmar o poder a todo custo.

Na verdade os episódios fazem jus à frase de Marx de que a História só se repete uma segunda vez como farsa. A luta em defesa da democracia vai exigir ampla, intensa mobilização de vários setores da sociedade civil, o convencimento de deputados, senadores pela legalidade constitucional, pela soberania nacional, contra o golpe em marcha.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Vertigem totalitária

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O cerco à residência do Ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki seguido de demonstrações de virulência e agressões verbais é uma claro sinal da escalada sôfrega de uma onda fascista no País.

A demonstração de ódio incontido ao magistrado decorreu do seu parecer em fazer retornar ao Supremo, para análise, o processo relativo à suspensão da posse do ex-presidente Lula como Ministro da Casa Civil da presidência da República, além de solicitar ao juiz Sergio Moro explicações sobre vazamento de escutas telefônicas para setores da grande mídia hegemônica.

Sendo esse, ou qualquer outro motivo, dos atos contra um membro da suprema corte da nação, o que se avulta é a extrema coação moral, associada a ameaças físicas, típicas da antessala de um Estado policial, na tentativa de prevalecer sobre 200 milhões de brasileiros a vontade de grupos inspirados nos modos da violência, truculência, da ascensão fascista na Itália de Mussolini e na Alemanha nazista de Hitler.

Na verdade essas manifestações de grupos fanatizados que vêm se espalhando por vários lugares do País contra artistas, jornalistas, entidades da sociedade civil, partidos políticos etc., atinge o auge, pelo menos por enquanto, no cerco à casa de um membro da mais alta corte de justiça do Brasil com o propósito de acovardar, intimidar a sociedade nacional, as instituições da República e empalmar o poder. Disso não há a menor dúvida.

Portanto há que se dissociar o direito inalienável à divergência de opiniões e manifestações públicas, características da vida democrática, desses grupos fundamentalistas, cujo objetivo central é golpear mortalmente o regime democrático, conquista árdua, penosa do povo brasileiro.

É de conhecimento geral que por trás de várias organizações fascistas que atuam no Brasil estão grupos internos reacionários, e o apoio externo das forças do mercado financeiro ávidos em esquartejar a sétima economia do mundo, internacionalizar radicalmente a cadeia produtiva nacional, avançar como abutres sobre as riquezas naturais do País.

Assim é fundamental aos democratas, patriotas, tenaz luta em defesa da legalidade constitucional, assim como a defesa da soberania nacional, ambas ameaçadas, num mundo envolto por grave crise do capitalismo e numa vertigem de sectarismos totalitários.

quinta-feira, 17 de março de 2016

A luta democrática

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Pesquisas da grande mídia sobre as manifestações desse domingo pela deposição da presidente da República, atestaram que os seus participantes continuam sendo representantes das elites e de segmentos da classe média, o que não constitui novidade, tanto como o protesto ser instrumento legítimo do regime democrático.

Mas o que surge como um fato novo em meio a essas manifestações, insufladas pela grande mídia, é a repulsa, o ódio bilioso e galopante à política em geral, além do ideário nazifascista com saudações à suástica hitlerista e tudo mais.

Combinado a ações truculentas, ataques físicos a pessoas, jornalistas, sindicatos, partidos políticos, organizações democráticas que se espalham pelo País contra tudo que não se coadune com o figurino difundido por essas lideranças do movimento com inspiração claramente autoritária.

Que não tinham protagonismo à exceção de personalidades grotescas que expunham suas intolerâncias contra minorias, como na Alemanha de Hitler ou na Itália fascista de Mussolini. Agora passam a defender à luz do dia a truculência de um regime totalitário.

Por outro lado assiste-se ao despertar da consciência cívica em defesa da democracia em múltiplos segmentos que, independentemente da simpatia pelo governo da presidente da República, erguem-se em prol do Estado de Direito, da democracia, da Constituição.

Tudo isso lembra-nos a frase contra o nazifascimso de Winston Churchill, o primeiro-ministro inglês durante a 2a guerra mundial: prefiro a democracia com os seus defeitos do que a melhor das ditaduras.

Assim o que urge no Brasil é a defesa daquilo que nos custou muito caro, as liberdades democráticas. Torna-se essencial um Não lúcido ao crescente ativismo sectário intolerante, assim como a rejeição a um Estado Policial que não representa as aspirações da grande maioria dos 200 milhões de brasileiros.

Figuras da oposição ao governo que compareceram às manifestações de domingo, vaiadas, escorraçadas, ameaçadas, provaram da intolerância obtusa. Estão com as barbas de molho.

É fundamental, na ação política concreta, constituir uma ampla frente em defesa da democracia, da soberania nacional, das conquistas fundamentais do povo brasileiro. Uma tarefa inadiável que galvanize as grandes maioria da nação contra o golpismo aberto, sem disfarces.

quarta-feira, 9 de março de 2016

O Ministro e os fatos

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


A entrevista do Ministro Marco Aurélio do Supremo Tribunal Federal, domingo passado, foi um alerta em defesa do Estado de Direito democrático.

Disse o Ministro que não se avança em relação às garantias individuais dos cidadãos ao se aplicar o ato da condução coercitiva sem que tenha havido a recusa do investigado em comparecer para depor. “Não se pode conduzir pessoas à vara”.

Afirmou que a Constituição é clara quanto ao principio da não culpabilidade dos cidadãos, o conceito da presunção da inocência até que se prove o contrário.

Quanto às delações premiadas, “essas só têm sentido se for através da cooperação espontânea em relação a inquéritos em andamento, diferente do que está ocorrendo”. “Fica-se preso indefinidamente até que, sob intensa coação, obtenha-se a delação”.

Alertou para o risco de um regime de exceção com interpretações extravagantes, ao arrepio das normas jurídicas constitucionais.

Depois referiu-se à condução coercitiva exercida contra o ex-presidente Lula: “se aconteceu com alguém que foi duas vezes eleito presidente da República, imagine o cidadão comum”.

Há certa dualidade de poder, o efetivo homologado pelas instituições da República e o outro, imposto, que faz o ministro questionar a prevalência da legalidade jurídica.

Além das críticas de Marco Aurélio, há a ação da grande mídia, que não é mais mídia, mesmo elitista, parcial, mas organização política apologista do golpe.

Ao integrar-se aos BRICS, apoiar a criação do seu Banco Mundial de Desenvolvimento, descobrir as reservas do pré-sal, o Brasil passou a ameaçar seriamente os interesses da Nova Ordem Mundial.

O cientista político, historiador Moniz Bandeira denunciou a ação do Departamento de Estado dos EUA na escalada desestabilizadora e do clima de ódio galopante no País, enquanto mais de R$120 bilhões do orçamento da nação vão para os juros da dívida pública. Leia-se capital rentista.

A nação está sendo levada, meticulosamente, planejadamente, à conflagração geral, à deposição da presidente da República, à instauração de um regime e um modelo econômico que desarticule a cadeia produtiva nacional, promova o botim das riquezas naturais, a completa dependência à Nova Ordem, ao capital rentista. Cabe-nos a luta contra o golpe, em defesa da legalidade democrática e do Brasil soberano.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Anatomia do golpe

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O clima golpista no País possui três vertentes, a política, a financeira e a geopolítica, conduzidas por forças retrógradas no País.

As razões estão no mesmo DNA dos alinhados à economia liberal dependente usada contra presidentes que ousaram cumprir metas desenvolvimentistas, justiça social, políticas que garantissem os interesses nacionais. São casos emblemáticos Floriano Peixoto, Getúlio, Juscelino, Jango.

Daí é possível entender que para o ataque à democracia, por parte desses grupos subordinados aos interesses forâneos, não é condição sine qua non a existência de programas de esquerda para se articularem conspirações com vistas a desestabilizar o País, as instituições da República, propagar a anomia social.

Esses apologistas da dependência nacional, sempre mutantes, hoje com viés neo-fascista, raras vezes conquistaram o poder pelo voto. Mas têm apoio em certos segmentos médios.

Uma base social sensível aos apelos ditados por intelectuais “formadores da opinião pública” de linhagem colonizada, que advogam a subalternidade do País à ideia do mercado absoluto, contra o protagonismo do Brasil no cenário mundial. A matriz do modelo de mercado total seriam os Estados Unidos.

Mas os EUA jamais abdicaram de um Estado imenso, forte, poderoso que garanta seus interesses econômicos, militares, imperiais. É o Estado nação que mais emprega funcionários, possui estruturas diretas, indiretas sem comparação no mundo.

O golpismo, mais que a crise capitalista, tem levado o País à quase paralisia econômica e política, com o apoio da grande mídia, usando como em outras épocas o mesmo mote, o Estado de Exceção, a ruptura das normas constitucionais.

O Brasil, integrante dos BRICS, está incluído há tempos na onda das “primaveras coloridas” monitoradas pelo Departamento de Estado dos EUA, além das pressões do capital financeiro, que já consome via serviço da dívida pública quase a metade do Orçamento da União, com taxas estratosféricas de juros penalizando os serviços públicos, investimentos em infraestrutura, os Estados da federação.

Assim, urge ampla mobilização em defesa do legítimo mandato da presidente Dilma, a luta contra a brutal espoliação do Brasil pelo capital rentista, um projeto nacional de desenvolvimento estratégico, a defesa da democracia e da nação soberana.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Apocalípticos e integrados

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O mundo literário lamenta o falecimento do grande pensador italiano Umberto Eco (1932-2016) e ao mesmo tempo celebra a rica produção intelectual de homem lúcido no mundo ocidental e dos tempos contemporâneos.

Especializado em filosofia, semiologista, medievalista, autor de vários tratados, obras de ficção de repercussão, Umberto Eco também foi, de várias maneiras, um crítico e ensaísta sobre a globalização, a matriz neoliberal e a ideologia dominante no atual período Histórico que vivenciamos.

Autor de O Nome da Rosa e o Pêndulo de Foucault, entre vários best-sellers, lançou em 2015 outro livro polêmico, Número Zero, uma narrativa ácida sobre o atual papel da grande mídia hegemônica global.

Com Apocalípticos e Integrados (1964) traça uma crítica à grande mídia mergulhada numa visão elitista e nostálgica da cultura, ao tempo em que numa atitude cúmplice divulga os produtos culturais ocultando o modo como são produzidos.

Em Número Zero mostra como a chantagem política seria o motor de um jornal que jamais seria publicado, mas sua edição experimental era o próprio mote de uma sórdida trama que, embora ficcional, correspondeu, de fato, à vida política italiana no final do século XX.

Para um dos seus personagens, essa grande mídia não é feita para revelar mas para encobrir as notícias que interessam aos grupos oligarcas que em última instância ditam as regras na sociedade.

As reflexões de Eco têm valor universal já que a preponderância das forças do Mercado financeiro, das corporações legais, ou mais ou menos subterrâneas, continuam dando as linhas editoriais da mídia hegemônica.

É o que acontece no Brasil, e na América Latina, quando os mesmos atores arquitetam o retorno econômico para a via ultraliberal e o democrático rumo a um Estado de Exceção.

Sob a idealização de que a retomada da democracia por si só resolveria os nossos grandes problemas, o País procura agora, imerso em substancial crise institucional, o norte que afirme um projeto nacional de desenvolvimento estratégico, as grandes reformas sociais inadiáveis, o Estado de Direito indeclinável, a soberania ameaçada.

Assim, nessa peleja não há uma terceira via. Ou se está com o progresso social, a autonomia nacional, ou, de um jeito ou de outro, alinha-se com o retrocesso econômico e institucional.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Além dos limites

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Em 1999 dois coronéis da nova geração de militares chineses, Qiao Liang e Wang Xiangsui publicaram o livro: A Guerra Além dos Limites. Conjecturas sobre a Guerra e a Tática na era da Globalização.

Em substancial ensaio sobre arte militar, questões financeiras, tecnológicas, geopolíticas, eles dizem que a primeira regra do que consideram como Guerra Irrestrita é a de que não existem regras, nada é proibido.

Desde os grandes ataques especulativos financeiros, considerados por eles como capazes de efeitos devastadores equivalentes aos maiores conflitos militares da era contemporânea, à “fabricação” de guerras regionais cujos fins são a posse das riquezas naturais, espaços geomilitares.

Nesses 16 anos do século XXI as opiniões dos analistas chineses mostraram-se acertadas, e mais, os instrumentos da “Guerra sem limites” aperfeiçoam-se na medida em que as inovações tecnológicas avançaram.

Mas o caminho bélico continua a determinar a conquista das riquezas em disputa. É o que acontece, por exemplo, com o que já é possível chamar a estratégica Batalha da Síria.

Ali a velha Ordem encontra-se atolada em uma junção de fatores catastróficos tendo que enfrentar a sofisticada capacidade militar russa, que defende o Estado Sírio e seu governo contra grupos fanáticos terroristas, dos quais os EUA e aliados perderam as rédeas, acontecendo atentados como os de Paris.

Além de uma vaga de centenas de milhares de refugiados rumo à Europa fugindo dos conflitos movidos pelo controle de riquezas naturais, geopolíticos, no Oriente Médio e África.

Mesmo longe do principal teatro de operações, o Brasil, que faz parte dos BRICS, também tem sido atingido pela Guerra sem Limites via sistemática campanha de desconstrução da sua autoestima, identidade cultural, institucional, fragmentação social.

O País vem sendo empurrado através de meticulosa, difusa tempestade midiática, na tentativa de uma conflagração interna com vistas a se impor um novo tipo de Estado de exceção.

Para que quando anêmico, convulsionado, dividido, fragilizado, fiquem expostas suas riquezas naturais, integridade territorial.

Assim, é essencial defender os valores democráticos, a soberania nacional, a legitimidade do governo Dilma, as instituições republicanas, e melhor assimilarmos os fenômenos globais dos novos tempos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A encruzilhada

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Só há sentido na existência do Estado se existe a comunidade nacional. A sociedade brasileira, como as demais, é formada pelo seu contínuo histórico, suas permanências e renovações.

O desenvolvimento das nações não é linear, acontece por meio de contradições algumas antagônicas, outras secundárias.

Sempre, ao longo do processo de construção nacional, desenvolve-se uma permanente luta entre forças conservadoras do status quo versus as grandes maiorias que pelejam pelas grandes transformações.

Essas anseiam pelo desenvolvimento econômico, a distribuição justa da renda nacional, o investimento maciço em infraestrutura, a geração de empregos, salários dignos, uma estrutura de saúde pública eficiente para a sociedade.

Mesmo que todas essas premissas estejam presentes, elas seriam incompletas se for ausente ou precário o investimento estratégico em educação. Desde um excelente ensino básico às universidades públicas de qualidade, que garantam o acesso das maiorias à cultura, ao conhecimento, ao mercado de trabalho em condições justas na disputa por um lugar ao sol.

Qualquer discurso hoje sobre a sociedade brasileira baseada nos critérios do mérito, a “meritocracia”, é falso porque, salvo exceções, só camadas das elites, e alguns setores médios, têm condições de disputar com êxito um espaço no arco das profissões, acesso a funções bem remuneradas via concurso público, porque a realidade age como um estreito funil para as maiorias.

O Brasil avançou na luta contra as desigualdades sociais, a miséria diminuiu substancialmente, as condições de vida melhoraram muito, mas a necessidade de grandes saltos continua urgente para que a nação supere a realidade de um País elitista e socialmente apartado.

O que a grande mídia hegemônica golpista, o “Mercado” rentista, as elites que detêm 1% da riqueza nacional mais temem é esse salto estratégico que, pasmem, são, na verdade, reformas no âmbito de País capitalista para alcançar índices de nação desenvolvida. O que mostra o nível das forças retrógradas no País.

O Brasil, que não está condenado à eterna condição de emergente, vive numa encruzilhada: ou avança rumo ao desenvolvimento soberano, industrializado, com justiça social, ou vê passar a chance de, em meio à crise global, alcançar novos patamares entre a comunidade das nações.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Os guardiões

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O “Mercado” financeiro global adquiriu tamanha força que é espetacularmente desproporcional ao conjunto das instituições que compõem o espectro das sociedades. Mais que isso, ele possui hoje a capacidade de capturar para os seus interesses concretos o próprio Estado nacional.

Essa realidade não se restringe às nações emergentes mas também aos aparelhos dos Estados nas sociedades mais desenvolvidas, aquelas que estão situadas acima da linha do Equador cuja referência marítima é o Atlântico Norte.

Mas é uma tremenda falácia a tese do desaparecimento do Estado-nação, uma formulação associada à ideia do “Fim da História”.

Tese de Francis Fukuyama, um obscuro acadêmico nipo-americano, que do dia para a noite, financiado pelo Departamento de Estado norte-americano, alcançou notoriedade porque suas falsas conclusões serviram como uma luva aos interesses expansionistas dos EUA, ao tempo que era a apologia que faltava à supremacia do Mercado global.

Com o fim da bipolarização geopolítica mundial deu-se extraordinária centralização, concentração do capital, especialmente o parasitário, tanto como a consolidação da hegemonia unipolar do Estado norte-americano como instância imperialista sem precedentes.

Daí é possível afirmar que não existe supremacia dos interesses do “Mercado” financeiro parasitário dissociado dos objetivos estratégicos dos Estados Unidos e um seleto grupo de Países aliados, mas em plano subalterno aos EUA.

Nessas décadas de interesses convergentes, imbrincados, formou-se um imenso exército de intelectuais e “especialistas” cuja função central tem sido criar “consensos” para respaldar essas duas “divindades” via grande mídia hegemônica, parte inseparável de uma “governança mundial”.

Com a realidade dos BRICS, o relativo declínio imperial dos EUA, a prolongada crise capitalista, o “consenso” imposto através das ideias, finanças e armas transformou-se em dissenso, conflitos entre a velha ordem e os novos protagonistas.

É o que explica a função da grande mídia hegemônica, que deixou de ser “imprensa”, mesmo tendenciosa e elitista, para se tonar guardiã da Velha Ordem Mundial substituindo até os setores de oposição no Brasil. Cabe ao povo brasileiro a lucidez da luta em defesa do País, da democracia, e o protagonismo de nação solidária no cenário mundial.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A luta pelo poder

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O que está ocorrendo no Brasil é um outro olhar de uma velha prática política onde forças conservadoras procuram capturar ponderáveis segmentos sociais, especialmente médios, para justificar, consolidar o exercício do poder político.

Essa ambição de empalmar o poder por parte de segmentos que compõem a nata do capital financeiro especulativo, os interesses expansionistas do Mercado, as elites políticas mais retrógradas do País, só ganha fôlego com o apoio aberto da grande mídia oligopolista parte integrante da mundialização do rentismo nativo e global.

A “violência simbólica”, quer dizer, o exercício de uma hegemonia discursiva, ideológica, com que esses setores se lançam no assalto ao objetivo é mais articulada, instrumentalizada, monitorada que em 1964.

Até porque as condições do exercício dos interesses dos Estados Unidos são atualmente bem maiores, apesar de um mundo em transição a uma geopolítica multipolar.

Com o potencial de transformar o País num laboratório de tempestades especulativas financeiras, pânicos midiáticos de toda espécie, construção cotidiana de múltiplos dissensos na sociedade nacional. De tal forma que esses “fatos” e a “opinião publicada” se confundem com a realidade.

Mesmo sem o fantasma da “Guerra Fria”, sem o apoio das Forças Armadas, voltadas para uma visão geopolítica da participação do Brasil num cenário geopolítico multipolar e sua integridade territorial, esses setores subalternos às ambições antinacionais almejam a privatização das riquezas do País, retomam o discurso que fazem há mais de 70 anos.

Como o Mercado seria para eles “virtuoso”, os grupos políticos de oposição impolutos, a riqueza nacional concentrada em mãos de 1% de nababos algo muito natural, os ganhos estratosféricos do capital financeiro especulativo, os maiores do mundo, seriam perfeitamente normais, fica assim óbvio o campo de alianças formado, com a mídia hegemônica, em torno dessa aventura golpista.

Sob virulento bombardeio da grande mídia o governo Dilma e aliados resistem. Já a fome de poder mostra-se insaciável por parte desses grupos conservadores. Nesse quadro político é fundamental apontar os rumos, na luta política concreta, de um projeto nacional de desenvolvimento estratégico que aglutine amplas forças sociais em defesa da nação e da democracia.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Enquanto isso...

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O relatório do Banco Credit Suisse informa que em 2015 o patrimônio dos biliardários, que representam apenas 1% da população do planeta, passa a acumular uma fortuna superior a todo o resto da população do mundo.

Ou seja a fortuna de 70 milhões de super ricos é superior à do restante dos sete bilhões da população, dos mortais comuns da Terra. Sendo que nos últimos cinco anos o processo de acumulação de capital das 62 pessoas mais ricas do globo cresceu 44% enquanto aquele em mãos de 44% da população mundial caiu 41% apesar do crescimento populacional em 400 milhões de pessoas.

Quer dizer, em plena crise da Nova Ordem mundial que ancora o sistema financeiro, a riqueza produzida no mundo ficou ainda mais concentrada nas mãos de um exclusivíssimo clube de incríveis potentados. Já as maiorias sociais do planeta viram encolher sua participação no conjunto da riqueza global.

Já o corte das garantias trabalhistas, sociais, tornou-se na Europa, EUA, a marca das políticas conservadoras, o “sacrifício necessário para superar a crise econômica” desses Países.

Para o capital rentista essa acumulação inédita da riqueza global é insuficiente, melhor dizer insaciável em sua lógica usurária, mesmo que a penúria, miséria, a debacle da nações continue se alastrando terrivelmente como se fosse uma grave epidemia que assola a Europa, que já contaminou a grande maioria da sua população especialmente dos segmentos assalariados.

Atualmente o discurso ideológico, político do capital parasitário é hegemônico e propagado diuturnamente pela grande mídia oligopolista que possui em cada nação suas associadas como no Brasil.

Tudo isso com a óbvia finalidade de escamotear entre as maiorias sociais a usurpação dessa riqueza global, via análise de “especialistas” e de uma nata de “intelectuais” que “justificam” diariamente tal violência.

A crise política que assola o Brasil, a ação premeditada contra a Amazônia, suas riquezas naturais, a insidiosa campanha contra nossas reservas petrolíferas e a Petrobrás são inseparáveis desse butim contra as riquezas dos povos.

Assim, além da urgência de um eficaz projeto nacional de desenvolvimento, o País necessita de políticas de contenção da sanha do capital rentista. E de estratégias que assegurem nesses tempos revoltos a sua integridade e soberania.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Círculo do ódio

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Desde o momento em que o Mercado parasitário, associado às injunções imperiais dos EUA, resolveu arquivar o patrocínio às ditaduras fardadas pelos continentes os povos começaram a ver as consequências das novas formas de desestabilização das nações especialmente aquelas que adotaram políticas internas, externas independentes.

Daí é que surgiram as “Primaveras Coloridas” cujo teórico é o senhor Gene Sharp, espalhando-se por várias regiões onde os interesses do Mercado, os objetivos estratégicos dos Estados Unidos estejam ameaçados de alguma forma.

O livro de Sharp transformou-se em manual dos “movimentos” de origem duvidosa quando não abertamente orientados pelos órgãos de inteligência, insurgência especialmente dos EUA.

Porém o manual das “Primaveras Coloridas” só pode ser aplicado com certa eficácia se estiver devidamente respaldado pela mídia hegemônica e pelo Mercado via bombardeio cirúrgico de propaganda aberta ou subliminar contra a soberania dos Países.

No caso do Brasil, por exemplo, boa parte da crise capitalista global que o atinge é contaminada por forte componente político-midiático golpista. Só será superada com a incontornável iniciativa política. Ações contábeis, economicistas, são insuficientes para desatar esse nó.

Quanto às “insurgências coloridas” exitosas, ali estavam presentes grupos midiáticos ligados ao Mercado, aos EUA, que ainda ditam as políticas em grande parte do mundo à exceção de algumas nações como a China e a Rússia, como exemplos.

O notável é que todas as “Primaveras Coloridas” sempre terminam em regimes sangrentos, na fragmentação dos Estados nacionais onde são aplicadas, transformando tais sociedades em verdadeiros círculos de ódio difuso, desconexos.

Assim, alertam eminentes intelectuais, como o professor Moniz Bandeira, o que está em curso é a desestabilização do Brasil, a criminalização da política como expressão da democracia, a redução do papel estratégico das forças armadas na defesa da integridade territorial, das riquezas naturais e, se possível, a tutela de algum tipo de regime discricionário que vem sendo imposto em várias partes do mundo.

Urge aos segmentos progressistas, democráticos, patrióticos do País a lucidez de constituir uma ampla frente em defesa da democracia, da nação sob graves ameaças na atualidade.