sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Alternativa ao totalitarismo

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

 
 
Após a debacle da União Soviética e do chamado campo socialista europeu a humanidade viu surgir um outro tipo de civilização que apesar de herdar elementos capitalistas fundamentais da etapa anterior caracteriza-se por modificações substanciais nas relações econômicas, geopolíticas, sociológicas e ideológicas.

Mesmo com a presença de um significativo campo distinto ao sistema estabelecido, especialmente a China e outros Países de projetos socialistas, além dos Países emergentes, os BRICS, novo polo global alternativo à hegemonia das nações capitalistas centrais, ainda é determinante a nova ordem mundial consolidada definitivamente em escala planetária no início dos anos noventa do século passado.

Uma dominação brutal, avassaladora, atingindo todos os continentes, destruindo sistematicamente conquistas arduamente alcançadas durante os últimos sessenta e sete anos desde o final da Segunda Guerra Mundial, especialmente nos Países de capitalismo avançado em virtude das lutas dos trabalhadores e demais camadas assalariadas mas também como estratégia à crescente influência das ideias sociais provenientes do campo socialista que em seu apogeu contabilizava dois terços da humanidade.

Nessas circunstâncias havia uma intensa polarização ideológica, permanente luta política, consideráveis espaços para movimentos de longo curso, como dos não alinhados, lutas de libertação contra o neocolonialismo, por caminhos nacionais soberanos, independentes.

Nesse período foi intensa a vida intelectual em todos os aspectos, filosófico, artístico, científico, e havia no ar uma convicção no progresso como condição essencial ao futuro da humanidade.

Com a hegemonia da nova ordem mundial neoliberal, após o final da guerra fria que custou aos EUA parte fundamental da sua atual dívida pública interna, impôs-se a destruição do espírito libertário dessa época, em seu lugar emergiu um tipo de civilização baseada na deificação do mercado global, do indivíduo sob tutela, na liberdade sub judice direcionada ao consumo.

Essa ordem mundial totalitária que escraviza a força de trabalho internacionalizada está conduzindo a humanidade a uma crise econômica, multilateral, inigualável e que apesar de ainda dominante encontra-se exaurida com claros sinais de contestação das nações, dos trabalhadores, em luta por uma alternativa de civilização renovada, emancipadora, democrática.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Dor indescritível

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


O assassinato de vinte crianças e seis adultos em uma escola primária dos Estados Unidos, revela uma tendência patológica crescente na sociedade norte-americana que se expressa na sequência de episódios idênticos ocorridos nos últimos anos com um grande número de vítimas fatais.

Demonstra igualmente os sinais mais que evidentes da exaustão, infelizmente não em estágio final, de um tipo de civilização regressiva, militarizada, totalitária, erigida pela nova ordem mundial da qual a nação americana, como o grande e único império da era contemporânea, tem sido tutora e guardiã armada.

O capital financeiro global, o complexo industrial militar norte-americano, associados à megaestrutura midiática mundial  de informação, propaganda, são os que determinam os desejos das pessoas, os sonhos de consumo, a cultura, a ideologia dominante na maior parte do planeta nos últimos anos.

Na mesma linha a indústria cinematográfica dos Estados Unidos deu a sua horrível parcela de contribuição para que se assentasse em escala planetária a visão alienante, distorcida, paranoica, bélica, desse mesmo tipo de civilização regressiva.

A violência na sociedade norte-americana tem as suas próprias especificidades mais profundas que o fenômeno da delinquência desenfreada. É produto da visão de que cada norte-americano é um guerreiro super-homem, invencível, armado até os dentes, confrontando a humanidade, associada a um puritanismo repressor.

Assim, ao que parece a realidade superou a ficção transformando Laranja Mecânica, livro de Anthony Burgess sobre a patologia da violência e maldade insanas adaptado para o cinema por Stanley Kubrick, numa espécie de versão edulcorada dos fenômenos reais da sociedade americana.

Essa mesma grande mídia mundial hegemônica procura agora, diante da recorrência quase endêmica dos brutais assassinatos como os ocorridos na escola primária de uma pequena cidade dos EUA, produzir a sua opinião centrada na constatação de que existem nas mãos de civis 300 milhões de armas de fogo vendidas em milhares de lojas espalhadas no País.
 
Esse é um lado tenebroso do diagnóstico embora a verdade seja mais trágica, o povo norte-americano está pagando alto preço em sofrimento e dor indescritíveis pela cultura que lhes foi imposta para forjar o "destino manifesto" de indivíduos superiores imbatíveis, acima do bem e do mal, da sua própria vida e a do próximo.
 

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Objetos não identificados

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


A nova ordem mundial continua ditando em múltiplos aspectos a agenda a ser seguida pelas nações e os povos sempre tendo como centro ideológico, midiático, a complexa, poderosa rede de difusão, propaganda anglo-americana.

Uma das suas faces é a agenda social global que por denominação não reflete projetos nacionais, conjunturais, programáticos partidários mas a sua própria escala mundial determinada originariamente.

Não é de se estranhar assim, a relativização na interpretação dos fenômenos Históricos de abrangência global ou regional correspondente à permanente desconstrução ideológica dos acontecimentos econômicos, sociais e políticos.

Daí é que vem o alerta do falecido historiador Eric Hobsbawm para o qual as novas gerações que herdaram um mundo unipolar da nova ordem mundial estariam submetidas a uma espécie de presente contínuo em que o passado, mesmo o passado recente, não representa valor algum.

Assim é que se observa, através da chamada terceira revolução tecnológica na comunicação, uma gama de informações fragmentárias, desconexas, uma cultura de mosaico em que tudo é ao mesmo tempo significativo e nada é importante, segundos após aparecer num "site" da Internet ou nas redes sociais.

Igualando na mesma escala de grandeza a desestabilização de continentes pela subversão armada através da grande potência imperial, os pródigos litígios ambientais na Amazônia brasileira, a gravidez da princesa bretã, a difusão das imagens de uma onça adotando um gato órfão em um zoológico europeu ou o vídeo de um hipotético objeto voador não identificado, UFO, filmado nos gélidos Países nórdicos.

Mas como em política inexistem objetos voadores não identificados, o tsunami institucional que estamos assistindo diariamente através da grande mídia nacional hegemônica, por exemplo, pode ser traduzido como luta pelo poder, independente dos seus desdobramentos ou consequências.

O que estamos presenciando é algo maior que a ante sala de uma sucessão ordinária, estão em curso sinais inequívocos de uma séria crise política que avança a cada dia que passa, urdida com riqueza de detalhes como se fosse uma novela, capítulo a capítulo, cujo objetivo central é a vacância presidencial.

Não se tem claro qual a tática do governo mas ou ele reage, defende-se dos intensos ataques, dentro da legalidade constitucional, ou a médio prazo, corre grave risco de se espatifar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Niemeyer

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


A morte de Oscar Niemeyer na noite desta quarta-feira de Dezembro gerou imediatamente um dilúvio de notícias no País e ganhou as páginas digitais dos principais órgãos de comunicação do planeta. Pode-se dizer com absoluta tranquilidade e segurança que o Brasil ficou sem a presença física de uma figura singular, um arquiteto de talento excepcional mas em compensação a eternidade ganhou um gênio universal.

Além dessa genialidade que deixou sua marca em Brasília, no Rio de Janeiro, em Pampulha, no Memorial da América Latina em São Paulo e tantos mais mundo afora, Niemeyer foi um comunista íntegro, firme nas suas convicções emancipadoras denunciando as injustiças no Brasil e as incoerências de uma civilização regressiva, totalitária, gerada pela nova ordem mundial.

Em 2003 tive o privilégio de conhecê-lo quando secretário de cultura do Estado de Alagoas na tentativa de convencê-lo a desenhar um memorial em homenagem à Graciliano Ramos e para minha surpresa ele não só concordou com a ideia como disse que o faria sem cobrar um tostão do governo alagoano. Infelizmente a ideia nunca foi posta em prática.

Mas a conversa com o arquiteto que imaginava levaria alguns minutos em virtude da sua agenda cheia estendeu-se para nossa alegria por quase três horas em seu escritório de amplas e sinuosas janelas com vista para a Avenida Atlântica, Copacabana, numa manhã carioca.

Quando cheguei ao escritório, acompanhado pelos irmãos Vitor e Vinícius Palmeira, Niemeyer dava uma espécie de palestra informal para um bando de jovens arquitetos alemães, depois soube que aquilo fazia parte de uma romaria  internacional de estudantes, profissionais da Arquitetura ao escritório de Copacabana.

Ficamos ali esperando o fim da palestra intermediada por um tradutor quando Niemeyer denunciou como fascista o presidente Bush em meio a observações sobre linhas e traços para espanto e risos nervosos dos alemães.

Grande parte do tempo que passamos com Niemeyer o assunto girou sobre o que achávamos da política, da vida, sobre o partido etc. Sobre ele mesmo, coisa nenhuma, nada.
 
Por fim tiramos umas fotografias com uma máquina que na rua percebemos quebrada, corremos ao escritório, explicamos o constrangimento e depois de uma gostosa gargalhada, com ótimo humor, ele posou para novas fotos, uma das quais, ampliada, guardo com emoção em casa pendurada na parede do meu gabinete, para sempre.
 

sábado, 1 de dezembro de 2012

O Brasil na crise global

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


A crise estrutural financeira internacional associada à desintegração da nova ordem mundial, precocemente senil, vem provocando a falência de um determinado tipo de civilização, erigida conforme as necessidades do atual processo de acumulação, centralização do capitalismo, mais enfaticamente no século XXI.

Por outro lado, grande parte das sociedades passaram a assemelhar-se, com raras exceções, em uma espécie de espelho distorcido e farsesco, com as idiossincrasias culturais, ideológicas, antropológicas da sociedade norte-americana, essa nova Roma dos tempos pós-modernos, incorporando inclusive antinomias próprias da maior potência imperial de todos os tempos.

O fenômeno objetivo da expansão capitalista provocou a relativização da soberania dos Estados nacionais, impulsionou o ambicionado projeto do governo mundial dessa nova ordem, desfigurou o espírito moderador originário das Nações Unidas, gestou os grandes males que afligem a humanidade na atualidade.

E não há como dissociar esse processo da função imperial que exercem os Estados Unidos como um exército sem fronteiras, acima de quaisquer convenções, acordos internacionais referendados pela comunidade das nações ou até mesmo aqueles que venham a ser assinados.

Apesar da emergência de uma nova realidade geopolítica econômica, comercial, militar, o que ainda determina mesmo são as estruturas constituídas por essa nova ordem mundial provocando um encadeamento de crises de múltiplas faces que não arrefecem, ao contrário, se estendem e se intensificam pelo planeta.

A débâcle financeira alastra-se, agrava-se como, por exemplo, a tragédia da Grécia em crise agônica, os crescentes sinais de desintegração da Espanha além da maré de desemprego que avança por toda a Europa.

O Oriente Médio conflagrado, o continente Africano imerso numa escalada de violentos conflitos armados "inter-étnicos", entre as nações da região, de caráter neo-colonialista, além da corrida armamentista dos Estados Unidos na Ásia circundando a China.

Quanto ao Brasil o que se pretende é evitar um inadiável projeto de desenvolvimento nacional soberano, cooperação econômica e solidariedade política junto aos povos irmãos da América do Sul, sem o que irá afundar no pântano da crise global e das ambições expansionistas contra as suas riquezas, população e território continental cobiçado.

sábado, 24 de novembro de 2012

Poder assimétrico

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


A reeleição de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos foi divulgada pelo complexo hegemônico mundial de informação e correias de transmissão nos Países, como uma vitória da paz global e do bom senso.

Com o eleitorado norte-americano literalmente dividido ao meio entre Republicanos e Democratas "os especialistas da grande mídia" concluíram que a resposta do presidente aos estragos provocados pelo furacão Sandy foi decisiva para sua recondução à Casa Branca.

Na campanha mais cara de toda a história dos EUA, Obama gastou um bilhão de dólares, o Republicano Mitt Romney 800 milhões, apesar da crise estrutural que abala a economia da nação devorando dezenas de milhões de empregos.

No Brasil, e no mundo, foi intensa a cobertura obsequiosa da grande mídia hegemônica, com interpretações sem um mínimo balanço dos interesses do País nos aspectos das relações comerciais, econômicas, científicas, geopolíticas, diplomáticas com os Estados Unidos.

Mas através da mídia interna norte-americana sabe-se que para a reeleição além dos bilhões foi decisivo para Obama o apoio às ações militares de Israel contra a Palestina, o Irã, como o sinal verde à corrida armamentista do complexo industrial militar dos EUA na Ásia.

Na verdade estamos diante da famosa Pax Romana sob a liderança de uma espécie de César pós-moderno com um porrete em uma das mãos e uma agenda social global na outra, com o objetivo de criar uma base de apoio ou ao menos a neutralidade de segmentos da população mundial.

Diante da crise econômica, falência da civilização da nova ordem mundial, proliferação de regiões explosivas, insubordinação social crescente, os EUA vão recrudescer as ações militares combinadas com uma maior ofensiva do complexo ideológico-cultural e de propaganda.

Por mais bizarro que possa parecer, esse poder global assimétrico, a lógica imperial, o capital financeiro global, vão levar a humanidade ao aumento dos conflitos armados, intensificação dos mecanismos de desregulamentação das economias, maior perda da autonomia relativa dos Estados nacionais, imensa fragilização no mundo do trabalho.

Assim, torna-se cada vez mais inadiável para a sobrevivência da humanidade, dos indivíduos, a luta pela soberania das nações, o progresso econômico-social, a autodeterminação cultural dos povos, por uma civilização mais solidária, alternativa a essa da barbárie e do totalitarismo.

sábado, 17 de novembro de 2012

Civilização do mal-estar

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


O problema central das lutas por cidades mais humanas é um tipo de civilização regressiva imposta à humanidade decorrente da hegemonia mundial, quase que absoluta, do capital financeiro da chamada nova ordem mundial, de caráter multifacetário com abrangência planetária.

Nessas últimas duas décadas operou-se paulatinamente, sistematicamente, uma espécie de engenharia maligna com vistas à tentativa de desconstrução de qualquer manifestação ideológica, cultural, política, conquistada pelos povos através dos tempos relativa a um mundo mais solidário, menos injusto, mais tolerante, razoavelmente democrático.

As consequências políticas, econômicas, sociais estão por aí, a olhos vistos com a crescente violência, o aumento galopante da criminalidade, o fenômeno arrasador do negócio das drogas pesadas em escala global, a crise estrutural do desemprego, a criminalização do exercício da política para melhor controlar a própria política que sempre conduziu os destinos dos Países e jamais deixará de ser assim.

Há em todo mundo um cheiro crescente de enxofre, inclusive no Brasil, típico dos tempos autoritários especialmente nos momentos de contestação, avanço ou insubordinação da consciência social quanto ao sentimento de que os de baixo já não mais suportam tanta desgraça e exploração desenfreada por parte de uma ínfima minoria de privilegiados milhardários deslumbrados, flanantes bem vestidos, frequentadores de um clube privado de beneficiários da nova ordem mundial.

Mesmo no Brasil com as ações de transferência de renda pelo Estado nacional nesses 12 anos modificando as condições de vida de dezenas de milhões de pessoas que saíram da linha de pobreza, incorporando-as ao mercado de trabalho com acesso a bens de consumo, políticas compensatórias para atender segmentos sociais, é difícil sustar as consequências nocivas da nova ordem mundial sobre a nação e os seus efeitos totalitários.

Sobrepondo-se vertiginosa obsolência de produtos e pessoas, um presente contínuo, a ausência do passado, a inexistência de um futuro solidário, a aridez de valores humanos individuais, sociais, minimamente respeitáveis.

Assim, além de se travar a peleja pelo progresso social, aqui e agora, impõe-se tremenda luta política de ideias alternativa a essa civilização do mal-estar generalizado, excludente, que conduz a humanidade ao abismo econômico, social e espiritual.

sábado, 10 de novembro de 2012

Eleições nos Estados Unidos

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


A reeleição do presidente Barack Obama foi decisiva aos amplos segmentos do establishment alinhados ao partido Democrata, o empresarial, da informática, o industrial-militar, comercial, diplomático, midiático, mas também o ideológico.

Que exerce inquestionável liderança nas diretrizes culturais do País desde o governo Clinton com uma linha multiculturalista institucionalizada através de uma agenda global.

Já o partido Republicano representa a visão, o estilo de vida defendido pela metade dos norte-americanos, refratários às mudanças internas, externas, inadequado às novas estratégias expansionistas dos EUA.

Como potência imperial os Estados Unidos devem recrudescer suas investidas aumentando os perigos de novas intervenções armadas e guerras onde será preciso combinar a crescente força bruta com uma política ideológica flexível, exportável, assimilável a diversos setores sociais em escala mundial.

Setores sociais que se encontram à deriva, sem causas nacionais e populares galvanizadoras que os unifiquem, em decorrência da vitória global do projeto neoliberal, da perda relativa da autonomia dos Estados nacionais, da ausência de uma alternativa mais concreta de emancipação social.

Os Democratas conduzem essa agenda midiática-ideológica-cultural gestada pela "inteligência" norte-americana para consumo interno posteriormente difundida em escala mundial para o exercício da supremacia internacional visando amenizar os efeitos de uma política externa agressiva progressivamente contestada pelos povos.

Porque para os EUA em crise econômica estrutural é imprescindível garantir a "sustentabilidade planetária" dos privilégios imperiais ancorados na superioridade militar, no complexo de propaganda, na imposição dos seus padrões culturais.

Não se deve perder de vista que Republicanos ou Democratas abraçam o mesmo "princípio teológico" que avoca para os EUA o "destino manifesto de nação" evangelizadora das nações, por bem ou pela força, moldando-as aos seus próprios "valores morais, políticos, religiosos".

Quanto à grande mídia hegemônica em vários Países, inclusive no Brasil, ela representa, em geral, linhas auxiliares a esse controle ideológico da informação com uma postura obsequiosa, reverencial, no papel subalterno de correias de transmissão desses valores, da "agenda social global", a mesma visão sobre o poder e a geopolítica mundial unipolar.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Soberania e eleições

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


A partir da segunda metade do século XX, em meados dos anos sessenta, intensificaram-se as grandes lutas de libertação nacional onde os Países do terceiro mundo foram emblemáticos na virada da página de um período histórico que representou a um só tempo entusiasmada esperança, incertezas e promessas de emancipação social.

Mas a última década do século passado iniciou-se sob o domínio da nova ordem neoliberal (com a hegemonia arrasadora do capital financeiro e o fundamentalismo de mercado) e suas devastadoras consequências de abrangência multilateral que se estendem aos dias atuais como tendência mundial ainda determinante.

A atual crise global do capitalismo apresenta explícitos sinais de fadiga do trinômio globalização/desregulamentação/privatização tanto no âmbito econômico como social, geopolítico. Dia após dia a realidade internacional fica mais instável, absurdamente perigosa, revelando uma civilização regressiva imposta à humanidade.

E mais uma vez as nações emergentes, especialmente da América Latina, demonstram sinais de resistência, agora contra as políticas da velha "nova ordem mundial".

Nesse contexto a vitória nas eleições municipais em São Paulo e grandes centros urbanos do campo político que se opõe às orientações neoliberais ortodoxas no Brasil, apresenta significativa acumulação de forças para as batalhas políticas que se avizinham.

Pelejas que devem atingir intensidade no futuro próximo mas já apresentam claros sinais de ameaças à jovem democracia conquistada em 1985 com o fim do governo ditatorial de 21 anos.

O fato é que os regimes autoritários no País decorrem da ausência de base social das correntes conservadoras nos pleitos eleitorais decisivos em nossa História recente, da revolução de 1930 aos dias atuais.

As estruturas do aparelho de Estado e os legítimos representantes eleitos através do voto se conjugam porém representam aspectos distintos do mesmo sistema onde o primeiro sobrepõe-se ao outro como derradeira cidadela de classe social.

Assim, está em curso um movimento visando contrapor essas estruturas aos governos eleitos, a neutralização de setores médios através da grande mídia hegemônica associada ao capital financeiro e interesses forâneos no sentido de se antecipar a eventuais reformas estruturais, estratégicas ao progresso social, econômico e, em última instância, à própria soberania do Brasil.

sábado, 27 de outubro de 2012

Como um bom vinho

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


A Era dos Extremos é um clássico de Eric Hobsbawm, em meio a uma extraordinária produção intelectual, que a distância temporal de quase vinte anos longe de esmaecer as suas principais conclusões fortalece-as, mesmo que se possa ter, aqui e ali, diferenças com suas análises.

Trata-se de um balanço multilateral, ricamente detalhado do século XX, apresenta sinalizações sobre o início do terceiro milênio ou ao menos acerca da sua primeira década que todos nós vivenciamos.

De formação marxista Hobsbawm tornou-se intelectual respeitado, com a sua erudição, profundidade, sobriedade e estilo elegante, para além daqueles que não se incorporam à sua corrente de pensamento.

Sua obra ultrapassa o sentido da História formal, tem fundamentos na economia, na sociologia, nos fenômenos estruturais, ideológicos, da humanidade.

Em O Breve Século XX o falecido autor tece várias conclusões, entre elas "que essa foi, paradoxalmente, uma época que se assentava na defesa dos benefícios para a humanidade, do progresso material sustentado pelos avanços da ciência e tecnologia", mas o seu ocaso revelou "a rejeição desse progresso por correntes que se pretendem representantes do pensamento ocidental como os apologistas do crescimento zero ou quase zero, em solução à crise ambiental".

Afirmou que essa seria uma das contradições do século XXI (além do mundo unipolar, a persistente centralização, concentração do capital, o monopólio, controle planetário da informação) especialmente entre setores abastados e médios do primeiro mundo, empresários do florescente capitalismo verde e os contingentes populacionais do terceiro mundo onde reside a grande maioria dos habitantes do planeta.

Ao refletir sobre o início do novo milênio, o historiador indica o surgimento de "estranhos apelos em favor de uma sociedade civil e de grupos, inespecíficos, não restando por aí outra maneira de entender as identidades das sociedades e grupos, senão através da exclusão" das demais pessoas, tornando irrelevantes os conceitos de classes sociais.

Como cientista Hobsbawm não era pessimista nem otimista, fundava seus estudos na análise rigorosa da realidade, utilizando sempre a dialética marxista, que ele entendia ser o instrumental para a abordagem dos fenômenos sociais, históricos. A vida demonstrou que as suas observações são como um bom vinho, quanto mais o tempo passa, melhores.

sábado, 20 de outubro de 2012

O avesso

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:


Nunca é demais retornar ao tema sobre a desordem financeira mundial, o controle sobre a informação, o monopólio ideológico do capital globalizado através de um poderoso aparato midiático internacional, a cooptação de organismos internacionais, antes instituições razoavelmente representativas para dirimir conflitos, desavenças entre a comunidade das nações.

Mesmo com o surgimento de uma outra geopolítica mundial através de novos atores como os BRICS, Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, o que permanece determinante, por enquanto, é mesmo a velha "nova ordem mundial" substrato de um poder mundial unipolar resultante da desintegração da URSS lá pelos idos do final da década de oitenta.

O que existe é uma resistência ascendente em contraponto às condições onde ainda predomina o mando desse capital financeiro globalizado cujo braço armado encontra-se sob a chancela da máquina de guerra norte-americana e aliados satélites.

Produzindo agressões contra a autodeterminação das nações, contabilizando em poucos anos centenas de milhares de mortos, outro tanto igual de feridos, mutilados, milhões de refugiados, muitos deles vegetando em acampamentos fétidos.

Assim o neoliberalismo fecundou uma anarquia planetária, a insegurança coletiva, individual, uma espiral de violência, medo, ódio, caos, reação, barbárie, um tipo de civilização claramente regressiva.

Já as lutas históricas das sociedades pelos direitos humanos, meio ambiente, liberdades democráticas, de religião etc, são espoliadas pelo ubíquo controle ideológico do capital financeiro e EUA, usadas como pretextos às intervenções armadas, anexações territoriais.

Eles ressurgem, inescrupulosamente, como paladinos desses imprescritíveis reclamos da humanidade ao tempo que buscam destruir formas universais de lutas das organizações populares, decisivas aos combates pela soberania, emancipação social, travados sob condições trágicas em muitos Países, absolutamente incontornáveis em outros, como o Brasil.

Desejam assim inverter a equação, pondo-a de cabeça para baixo, uma espécie do avesso do que realmente pretendem, impor ao Brasil sua própria agenda política, exigindo muita lucidez das várias correntes em luta para, junto ao trato da diversidade nas questões sociais, erguer bem alto a defesa da unidade popular, fundamental em um País que ainda é muito desigual, com a soberania sob ameaças.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Ideologia da nova ordem

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:

Insubordinação do povo grego contra a desordem econômica mundial

Nesses últimos anos tem havido uma intensificação de opiniões, manifestações e de repulsa à atividade política em escala mundial, uma tendência agressiva, virulenta mesmo, com o objetivo de afastar o cidadão comum do engajamento nas causas transformadoras da realidade em que ele vive.

Um discurso falso - a política sempre determinou os rumos das sociedades em todas as épocas -, doloso porque está associado aos interesses de impedir a participação popular através de restrições democráticas, consolidando mais ainda o monopólio político, ideológico, nas mãos de reduzidos, poderosos grupos com capacidade decisória de abrangência global.

A perda relativa de autonomia dos Estados Nacionais submetidos às regras de organismos internacionais, antes razoavelmente representativas do equilíbrio internacional entre os Países, age como complemento a essa hegemonia e tem o mesmo fim, ou seja, a extraordinária concentração, centralização do capital financeiro a nível internacional.

Esse monopólio do poder, intimidação, dissuasão e intervenção, encontra-se associado à maior máquina de guerra que a humanidade já conheceu, coordenada pelos Estados Unidos da América, além de um fabuloso aparato midiático que controla a informação mundial, dissemina comportamentos, criminaliza opositores.

Assim, como em uma alquimia ideológica maligna, reivindicações generosas, auto-justificáveis, que sempre representaram anseios dos povos, nações, agora são usadas como justificativas de intervenção militar, estratégias para ambicionadas anexações territoriais como é o caso da Amazônia brasileira.

Por outro lado, a desconstrução da atividade política através da ideia de que "acreditar em mudar a vida da sociedade, e dos outros, não possui qualquer relevância para a sua própria vida", é um dos maiores venenos inoculados pela hegemonia neoliberal global.

Produzindo um individualismo doentio, enfraquecimento da solidariedade social, apostasia ideológica, o consumismo patológico, o incentivo ao aventureirismo político, caldo de cultura em todas as épocas às ambições totalitárias de tipo fascista.

As dramáticas consequências sociais da ordem neoliberal global, a crise da civilização por ela gerada, a sua aversão à humanidade, estão provocando a resistência das nações, sociedades, em defesa da liberdade, dignidade humana e até mesmo da sua própria existência.