quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Além dos limites

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Em 1999 dois coronéis da nova geração de militares chineses, Qiao Liang e Wang Xiangsui publicaram o livro: A Guerra Além dos Limites. Conjecturas sobre a Guerra e a Tática na era da Globalização.

Em substancial ensaio sobre arte militar, questões financeiras, tecnológicas, geopolíticas, eles dizem que a primeira regra do que consideram como Guerra Irrestrita é a de que não existem regras, nada é proibido.

Desde os grandes ataques especulativos financeiros, considerados por eles como capazes de efeitos devastadores equivalentes aos maiores conflitos militares da era contemporânea, à “fabricação” de guerras regionais cujos fins são a posse das riquezas naturais, espaços geomilitares.

Nesses 16 anos do século XXI as opiniões dos analistas chineses mostraram-se acertadas, e mais, os instrumentos da “Guerra sem limites” aperfeiçoam-se na medida em que as inovações tecnológicas avançaram.

Mas o caminho bélico continua a determinar a conquista das riquezas em disputa. É o que acontece, por exemplo, com o que já é possível chamar a estratégica Batalha da Síria.

Ali a velha Ordem encontra-se atolada em uma junção de fatores catastróficos tendo que enfrentar a sofisticada capacidade militar russa, que defende o Estado Sírio e seu governo contra grupos fanáticos terroristas, dos quais os EUA e aliados perderam as rédeas, acontecendo atentados como os de Paris.

Além de uma vaga de centenas de milhares de refugiados rumo à Europa fugindo dos conflitos movidos pelo controle de riquezas naturais, geopolíticos, no Oriente Médio e África.

Mesmo longe do principal teatro de operações, o Brasil, que faz parte dos BRICS, também tem sido atingido pela Guerra sem Limites via sistemática campanha de desconstrução da sua autoestima, identidade cultural, institucional, fragmentação social.

O País vem sendo empurrado através de meticulosa, difusa tempestade midiática, na tentativa de uma conflagração interna com vistas a se impor um novo tipo de Estado de exceção.

Para que quando anêmico, convulsionado, dividido, fragilizado, fiquem expostas suas riquezas naturais, integridade territorial.

Assim, é essencial defender os valores democráticos, a soberania nacional, a legitimidade do governo Dilma, as instituições republicanas, e melhor assimilarmos os fenômenos globais dos novos tempos.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A encruzilhada

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Só há sentido na existência do Estado se existe a comunidade nacional. A sociedade brasileira, como as demais, é formada pelo seu contínuo histórico, suas permanências e renovações.

O desenvolvimento das nações não é linear, acontece por meio de contradições algumas antagônicas, outras secundárias.

Sempre, ao longo do processo de construção nacional, desenvolve-se uma permanente luta entre forças conservadoras do status quo versus as grandes maiorias que pelejam pelas grandes transformações.

Essas anseiam pelo desenvolvimento econômico, a distribuição justa da renda nacional, o investimento maciço em infraestrutura, a geração de empregos, salários dignos, uma estrutura de saúde pública eficiente para a sociedade.

Mesmo que todas essas premissas estejam presentes, elas seriam incompletas se for ausente ou precário o investimento estratégico em educação. Desde um excelente ensino básico às universidades públicas de qualidade, que garantam o acesso das maiorias à cultura, ao conhecimento, ao mercado de trabalho em condições justas na disputa por um lugar ao sol.

Qualquer discurso hoje sobre a sociedade brasileira baseada nos critérios do mérito, a “meritocracia”, é falso porque, salvo exceções, só camadas das elites, e alguns setores médios, têm condições de disputar com êxito um espaço no arco das profissões, acesso a funções bem remuneradas via concurso público, porque a realidade age como um estreito funil para as maiorias.

O Brasil avançou na luta contra as desigualdades sociais, a miséria diminuiu substancialmente, as condições de vida melhoraram muito, mas a necessidade de grandes saltos continua urgente para que a nação supere a realidade de um País elitista e socialmente apartado.

O que a grande mídia hegemônica golpista, o “Mercado” rentista, as elites que detêm 1% da riqueza nacional mais temem é esse salto estratégico que, pasmem, são, na verdade, reformas no âmbito de País capitalista para alcançar índices de nação desenvolvida. O que mostra o nível das forças retrógradas no País.

O Brasil, que não está condenado à eterna condição de emergente, vive numa encruzilhada: ou avança rumo ao desenvolvimento soberano, industrializado, com justiça social, ou vê passar a chance de, em meio à crise global, alcançar novos patamares entre a comunidade das nações.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Os guardiões

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O “Mercado” financeiro global adquiriu tamanha força que é espetacularmente desproporcional ao conjunto das instituições que compõem o espectro das sociedades. Mais que isso, ele possui hoje a capacidade de capturar para os seus interesses concretos o próprio Estado nacional.

Essa realidade não se restringe às nações emergentes mas também aos aparelhos dos Estados nas sociedades mais desenvolvidas, aquelas que estão situadas acima da linha do Equador cuja referência marítima é o Atlântico Norte.

Mas é uma tremenda falácia a tese do desaparecimento do Estado-nação, uma formulação associada à ideia do “Fim da História”.

Tese de Francis Fukuyama, um obscuro acadêmico nipo-americano, que do dia para a noite, financiado pelo Departamento de Estado norte-americano, alcançou notoriedade porque suas falsas conclusões serviram como uma luva aos interesses expansionistas dos EUA, ao tempo que era a apologia que faltava à supremacia do Mercado global.

Com o fim da bipolarização geopolítica mundial deu-se extraordinária centralização, concentração do capital, especialmente o parasitário, tanto como a consolidação da hegemonia unipolar do Estado norte-americano como instância imperialista sem precedentes.

Daí é possível afirmar que não existe supremacia dos interesses do “Mercado” financeiro parasitário dissociado dos objetivos estratégicos dos Estados Unidos e um seleto grupo de Países aliados, mas em plano subalterno aos EUA.

Nessas décadas de interesses convergentes, imbrincados, formou-se um imenso exército de intelectuais e “especialistas” cuja função central tem sido criar “consensos” para respaldar essas duas “divindades” via grande mídia hegemônica, parte inseparável de uma “governança mundial”.

Com a realidade dos BRICS, o relativo declínio imperial dos EUA, a prolongada crise capitalista, o “consenso” imposto através das ideias, finanças e armas transformou-se em dissenso, conflitos entre a velha ordem e os novos protagonistas.

É o que explica a função da grande mídia hegemônica, que deixou de ser “imprensa”, mesmo tendenciosa e elitista, para se tonar guardiã da Velha Ordem Mundial substituindo até os setores de oposição no Brasil. Cabe ao povo brasileiro a lucidez da luta em defesa do País, da democracia, e o protagonismo de nação solidária no cenário mundial.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A luta pelo poder

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O que está ocorrendo no Brasil é um outro olhar de uma velha prática política onde forças conservadoras procuram capturar ponderáveis segmentos sociais, especialmente médios, para justificar, consolidar o exercício do poder político.

Essa ambição de empalmar o poder por parte de segmentos que compõem a nata do capital financeiro especulativo, os interesses expansionistas do Mercado, as elites políticas mais retrógradas do País, só ganha fôlego com o apoio aberto da grande mídia oligopolista parte integrante da mundialização do rentismo nativo e global.

A “violência simbólica”, quer dizer, o exercício de uma hegemonia discursiva, ideológica, com que esses setores se lançam no assalto ao objetivo é mais articulada, instrumentalizada, monitorada que em 1964.

Até porque as condições do exercício dos interesses dos Estados Unidos são atualmente bem maiores, apesar de um mundo em transição a uma geopolítica multipolar.

Com o potencial de transformar o País num laboratório de tempestades especulativas financeiras, pânicos midiáticos de toda espécie, construção cotidiana de múltiplos dissensos na sociedade nacional. De tal forma que esses “fatos” e a “opinião publicada” se confundem com a realidade.

Mesmo sem o fantasma da “Guerra Fria”, sem o apoio das Forças Armadas, voltadas para uma visão geopolítica da participação do Brasil num cenário geopolítico multipolar e sua integridade territorial, esses setores subalternos às ambições antinacionais almejam a privatização das riquezas do País, retomam o discurso que fazem há mais de 70 anos.

Como o Mercado seria para eles “virtuoso”, os grupos políticos de oposição impolutos, a riqueza nacional concentrada em mãos de 1% de nababos algo muito natural, os ganhos estratosféricos do capital financeiro especulativo, os maiores do mundo, seriam perfeitamente normais, fica assim óbvio o campo de alianças formado, com a mídia hegemônica, em torno dessa aventura golpista.

Sob virulento bombardeio da grande mídia o governo Dilma e aliados resistem. Já a fome de poder mostra-se insaciável por parte desses grupos conservadores. Nesse quadro político é fundamental apontar os rumos, na luta política concreta, de um projeto nacional de desenvolvimento estratégico que aglutine amplas forças sociais em defesa da nação e da democracia.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Enquanto isso...

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O relatório do Banco Credit Suisse informa que em 2015 o patrimônio dos biliardários, que representam apenas 1% da população do planeta, passa a acumular uma fortuna superior a todo o resto da população do mundo.

Ou seja a fortuna de 70 milhões de super ricos é superior à do restante dos sete bilhões da população, dos mortais comuns da Terra. Sendo que nos últimos cinco anos o processo de acumulação de capital das 62 pessoas mais ricas do globo cresceu 44% enquanto aquele em mãos de 44% da população mundial caiu 41% apesar do crescimento populacional em 400 milhões de pessoas.

Quer dizer, em plena crise da Nova Ordem mundial que ancora o sistema financeiro, a riqueza produzida no mundo ficou ainda mais concentrada nas mãos de um exclusivíssimo clube de incríveis potentados. Já as maiorias sociais do planeta viram encolher sua participação no conjunto da riqueza global.

Já o corte das garantias trabalhistas, sociais, tornou-se na Europa, EUA, a marca das políticas conservadoras, o “sacrifício necessário para superar a crise econômica” desses Países.

Para o capital rentista essa acumulação inédita da riqueza global é insuficiente, melhor dizer insaciável em sua lógica usurária, mesmo que a penúria, miséria, a debacle da nações continue se alastrando terrivelmente como se fosse uma grave epidemia que assola a Europa, que já contaminou a grande maioria da sua população especialmente dos segmentos assalariados.

Atualmente o discurso ideológico, político do capital parasitário é hegemônico e propagado diuturnamente pela grande mídia oligopolista que possui em cada nação suas associadas como no Brasil.

Tudo isso com a óbvia finalidade de escamotear entre as maiorias sociais a usurpação dessa riqueza global, via análise de “especialistas” e de uma nata de “intelectuais” que “justificam” diariamente tal violência.

A crise política que assola o Brasil, a ação premeditada contra a Amazônia, suas riquezas naturais, a insidiosa campanha contra nossas reservas petrolíferas e a Petrobrás são inseparáveis desse butim contra as riquezas dos povos.

Assim, além da urgência de um eficaz projeto nacional de desenvolvimento, o País necessita de políticas de contenção da sanha do capital rentista. E de estratégias que assegurem nesses tempos revoltos a sua integridade e soberania.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Círculo do ódio

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Desde o momento em que o Mercado parasitário, associado às injunções imperiais dos EUA, resolveu arquivar o patrocínio às ditaduras fardadas pelos continentes os povos começaram a ver as consequências das novas formas de desestabilização das nações especialmente aquelas que adotaram políticas internas, externas independentes.

Daí é que surgiram as “Primaveras Coloridas” cujo teórico é o senhor Gene Sharp, espalhando-se por várias regiões onde os interesses do Mercado, os objetivos estratégicos dos Estados Unidos estejam ameaçados de alguma forma.

O livro de Sharp transformou-se em manual dos “movimentos” de origem duvidosa quando não abertamente orientados pelos órgãos de inteligência, insurgência especialmente dos EUA.

Porém o manual das “Primaveras Coloridas” só pode ser aplicado com certa eficácia se estiver devidamente respaldado pela mídia hegemônica e pelo Mercado via bombardeio cirúrgico de propaganda aberta ou subliminar contra a soberania dos Países.

No caso do Brasil, por exemplo, boa parte da crise capitalista global que o atinge é contaminada por forte componente político-midiático golpista. Só será superada com a incontornável iniciativa política. Ações contábeis, economicistas, são insuficientes para desatar esse nó.

Quanto às “insurgências coloridas” exitosas, ali estavam presentes grupos midiáticos ligados ao Mercado, aos EUA, que ainda ditam as políticas em grande parte do mundo à exceção de algumas nações como a China e a Rússia, como exemplos.

O notável é que todas as “Primaveras Coloridas” sempre terminam em regimes sangrentos, na fragmentação dos Estados nacionais onde são aplicadas, transformando tais sociedades em verdadeiros círculos de ódio difuso, desconexos.

Assim, alertam eminentes intelectuais, como o professor Moniz Bandeira, o que está em curso é a desestabilização do Brasil, a criminalização da política como expressão da democracia, a redução do papel estratégico das forças armadas na defesa da integridade territorial, das riquezas naturais e, se possível, a tutela de algum tipo de regime discricionário que vem sendo imposto em várias partes do mundo.

Urge aos segmentos progressistas, democráticos, patrióticos do País a lucidez de constituir uma ampla frente em defesa da democracia, da nação sob graves ameaças na atualidade.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Defender a nação

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:



O cenário geopolítico global é a comprovação de um quadro de instabilidade generalizada em que vive a chamada Nova Ordem mundial, onde se destacam zonas de conflitos por todos os continentes, além da grave crise econômica gestada pela incessante política de acumulação do capital financeiro parasitário.

Assim a grande superpotência do planeta, os Estados Unidos da América, convive paradoxalmente com intenso processo de aumento de gastos no setor armamentista associado a uma prolongada crise econômico-financeira como que a vasta extensão dos seus limites imperiais, interesses vários, tenham provocado a exaustão da dinâmica do seu modelo de crescimento capitalista de mais de um século.

De tal forma que essa contradição, que parece insolúvel, vem arrastando a humanidade para conflitos regionais sangrentos que se espalham pelos continentes e se mostram inesgotáveis em situações macabras, expondo aliados, incondicionais ou recalcitrantes, a episódios criminosos, terríveis como os recentes atentados terroristas em Paris.

É fato notório, via amplos meios de comunicação, que o drama dos refugiados que acorrem aos centenas de milhares à Europa ocidental como uma extraordinária vaga humana que parece interminável, vindos do Oriente Médio e da África, resulta das sistemáticas guerras de agressão neocoloniais capitaneadas pelos EUA.

Os grupos terroristas fanáticos que atuam hoje pelo mundo, inclusive no velho continente, foram treinados nas últimas duas décadas pelas forças especialistas em insurgência norte-americanas contra nações soberanas.

Neste momento reacendem zonas de conflitos como o imbróglio entre a Arábia Saudita e o Irã, a crise da Ucrânia, o “perigo nuclear norte-coreano”, a campanha diuturna contra a Venezuela, todos com a presença dos EUA.

Na verdade são movimentos geopolíticos, militares com objetivo a médio prazo de cercar a China e a Rússia. Quanto ao Brasil pretende-se neutralizar a liderança solidária do País na América do Sul, além de tentar evitar seu protagonismo junto os BRICS.

É vital ao Brasil, nessa quadra de graves instabilidades, a construção de um projeto de desenvolvimento econômico estratégico, democrático, uma diplomacia independente, altiva, zelar pela soberania territorial, das suas riquezas naturais que são ambicionadas desde sempre.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Patrimônio do Brasil

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:



A medicina tem prestado ao longo dos anos relevantes serviços à sociedade nacional através de inúmeras personalidades, mulheres e homens, em vários campos das ciências médicas, inclusive na pesquisa científica e sua aplicação prática.

No momento que o País encontra-se diante da recorrente epidemia da Dengue e suas variantes, é importante lembrar Oswaldo Cruz, eminente cientista, gestor público que combateu vitoriosamente doenças terríveis de altíssimos índices de mortalidade na população naqueles tempos.

Nascido em Paraitinga, São Paulo, em 1872, mudou-se criança para o Rio de Janeiro, então capital da República, onde formou-se em medicina em 1892 com a tese Veiculação microbiana pelas águas. Quatro anos depois especializou-se em Bacteriologia no Instituto Pasteur em Paris, centro de grandes nomes da ciência à época e até os dias atuais.

Quando regressava ao Brasil deparou-se no porto de Santos com a eclosão de violenta epidemia de peste bubônica engajando-se imediatamente no seu combate, já demonstrando ali sua capacidade científica, coragem pessoal e espírito cívico pelos quais orientou toda sua vida profissional e dedicação pública.

Em 1903 foi nomeado Diretor-Geral da Saúde Pública, equivalente hoje ao Ministro da Saúde. Apoiando-se no Instituto Soroterápico Federal deflagrou históricas campanhas de saneamento.

Iniciou a luta contra a febre amarela no Rio de Janeiro que tornou-se célebre entre 1897 e 1906 como túmulo dos estrangeiros, já que nesse período morreram quatro mil imigrantes conforme Ana Palma da FIOCRUZ à qual recorro como fonte.

Vendo a tragédia como um rastilho de pólvora ameaçando dizimar a capital, espalhar-se pelo País, Oswaldo Cruz iniciou férrea luta contra a febre amarela, adotando rigorosas medidas sanitárias que provocaram virulenta, injusta campanha da mídia insuflando a sociedade contra o sanitarista cujas consequências desaguaram na Revolta da Vacina pela população.

Além de combater a epidemia da febre amarela cujo transmissor era o mosquito Stegomyia Fasciata, hoje conhecido como Aedes aegypti, Oswaldo venceu outro flagelo, o da peste bubônica transmitida pela pulga de ratos.

Sua dedicação, da sua equipe, coragem, espírito público, salvou centenas de milhares de pessoas. Oswaldo Cruz é um exemplo a ser lembrado, patrimônio do Brasil.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Contra o obscurantismo

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O País não pode continuar sob a sistemática campanha de desestabilização a que vem sendo submetido desde as eleições presidenciais de 2014 sob pena de mergulhar em grave retrocesso multilateral, institucional, econômico, social etc.

A promoção, através dos segmentos que compõem a mídia hegemônica, do ódio difuso, tempestades de intolerância, assumiu elevado grau de paroxismo que já aponta à gravidade a que chegou o tecido social, de tal maneira que a irracionalidade de certas manifestações contra determinadas figuras públicas beiram às características do nazifascismo.

As contínuas agressões verbais que vem sofrendo, só como um entre inúmeros outros exemplos, o compositor, cantor, escritor Chico Buarque de Holanda, patrimônio da cultura nacional, não são unicamente reprováveis, mas apontam para o perigo de uma agressiva escalada do pensamento autoritário e o perigo que tais manifestações descambem para a perseguição física contra todos aqueles que ousarem manifestar opiniões divergentes do ideário retrógrado pautado diuturnamente pelo oligopólio midiático nativo e externo.

Durante o regime nazista na Alemanha hitlerista e o fascismo na Itália de Mussolini, essa prática contra os intelectuais e artistas em geral virou rotina. E mais que isso, em política de Estado contra todos os que se opuseram ao regime brutal instaurado naqueles Países.

O pensamento reacionário com o qual grupos midiáticos oligopolistas vão bombardeando, dia sim, outro também, pela manhã, tarde e noite contra o imaginário da sociedade nacional, na sina obsessiva de orientar alguns e capturar incautos para uma cruzada fanática, reflete a agenda do Mercado rentista.

Uma agenda global difundida pelos continentes que representa o discurso obscurantista que busca implantar-se pelas nações, em especial os BRICS.

O objetivo é a fragmentação da sociedade que, destituída do raciocínio crítico, impossibilitada de compreender suas raízes, formação, identidade cultural, assimilaria a alienação imposta ou até consentida.

A luta política no Brasil, que vai crescendo substancialmente, com apoio de amplos segmentos, contra as ações golpistas no País, mostra que o verdadeiro combate a ser travado é entre os defensores da democracia contra os grupos mais retrógrados internos e das finanças globais.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Momentos decisivos

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A luta política no Brasil chegou a temperaturas elevadas em consequência do intenso confronto que já se estende desde as eleições presidenciais de 2014. E de lá para cá intensificou-se um agressivo movimento nitidamente conservador contra a legítima manifestação saída das urnas com a reeleição da presidente Dilma para um segundo mandato à frente da nação.

Caracterizado como uma espécie de um falso terceiro turno eleitoral, assumindo, ao longo dos meses que se seguiram, facetas de conteúdo golpista, porque contrário à legalidade constitucional, democrática, convergindo para uma batalha política assemelhada a outros episódios recentes da nossa jovem República como as ações contra os presidentes Getúlio, Juscelino, João Goulart etc.

Mas que também serve ao processo de amadurecimento da consciência das grandes maiorias que compõem a sociedade brasileira que, óbvio, só aprendem através da própria experiência, em cenários de fortes embates onde se conflitam interesses econômicos, financeiros, de reduzidos estamentos contra os anseios mais profundos do Brasil.

Ao longo dos 27 anos da promulgação da Carta Magna, todas essas tempestades além de por em prova a Constituição, com suas virtudes e defeitos, vão testando os alicerces do mais longo período de legalidade, democracia, na vida do País.

Porque é essa a questão central: o interesse primordial de uma nação independente, a indeclinável liberdade política para que as maiorias sociais exerçam o seu protagonismo de construtoras do seu destino, associado a um projeto de desenvolvimento estratégico.

Na verdade o capital financeiro global, associado a interesses forâneos, à mídia hegemônica e grupos retrógrados jamais aceitaram em nossa recente História republicana a ideia do povo brasileiro exercer o seu real papel de ator de primeira grandeza como cidadãos e patriotas.

O quadro institucional do País é muito grave. Mas é preciso entender a formação do povo brasileiro, seu amor tantas vezes comprovado às mais amplas liberdades, que se expressa mais uma vez em intensa mobilização nas ruas em defesa da democracia, contra qualquer ação autoritária.

Por isso, é que vivemos momentos decisivos para o futuro da nossa jovem democracia, o destino de nação soberana, protagonista, solidária no cenário geopolítico internacional.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O manifesto

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:



Nessa terça-feira, o PCdoB lançou manifesto à nação, conclamando todos os brasileiros à defesa da legalidade. Onde reafirma: a hora é de união, de inclusão, de uma ampla frente democrática suprapartidária. O confronto não é entre apoiadores e críticos do governo Dilma mas, entre democratas e golpistas.

Continua a nota “todos que resistem ao golpe são nossos aliados neste momento crucial. E há ainda a missão de persuadir, com fatos e argumentos, a parcela hoje enganada com a onda midiática golpista... O golpe é contra o Brasil, o povo e a democracia... É preciso rechaçá-lo, defender a Constituição, salvar a democracia, para que o Brasil supere a crise econômica, volte a crescer, avance nas conquistas, não retroceda.

Concita nosso povo à luta, às ruas, numa campanha nacional contra a trama golpista” diz, entre outras coisas, o manifesto.

O PCdoB com 93 anos de existência possui larga experiência de lutas sempre em defesa da democracia, dos interesses populares, intransigente combate patriótico. Ao longo de muitos episódios foi e tem sido força destacada para soluções lúcidas nas grandes encruzilhadas da História do País.

Nessa semana intensificou-se a conspiração golpista, a pirotecnia, com manobras através do presidente Eduardo Cunha que além de agredirem a Constituição ferem o regimento interno da Câmara dos Deputados que também é de natureza constitucional.

O furor golpista, com a ajuda da grande mídia hegemônica, precisa ser sustado pela ação consciente dos democratas, independente de posições políticas, a defesa da legalidade, da Constituição fruto de longa, sofrida batalha pelas liberdades contra o arbítrio.

É óbvia a conspirata irresponsável em relação ao profundo sentimento de apego da maioria dos brasileiros às mais amplas liberdades políticas que nos têm sido tão caras ao longo da nossa História de jovem nação.

A ânsia de provocar uma ruptura, por exemplo, entre o PMDB, partido majoritariamente de centro-democrático, e a presidente é manobra primária em política com objetivo de isolar, golpear não só o governo mas a Constituição, a democracia, as liberdades, o convívio democrático na sociedade nacional.

Nada, nem coisa alguma, legitima um golpe contra o Estado de Direito democrático no Brasil. Como afirma o manifesto: vivenciamos dias que valem por anos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Escalada autoritária

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Nos tempos atuais o “Mercado” difunde através dos seus aparelhos midiáticos uma saraivada de teses que logo parecem se tornar verdades inquestionáveis, cláusulas pétreas. É a verdade dos potentados contra a dos outros, não importa qual seja a realidade objetiva.

Já à constituição do País foram impostas reformas não como resposta às janelas civilizacionais mas para atender aos interesses da globalização da Nova Ordem mundial.

Durante a década de 90 essas “reformas constitucionais” transformaram-se num verdadeiro festim de privatizações das empresas patrimônios do Estado, da sociedade nacional.

E o pior, em sua maioria vendidas com moedas podres, através de financiamentos públicos com juros irrisórios, prazos a se perder de vista.

Tudo sob a justificativa do suposto gigantismo do aparelho de Estado, a falsa ineficiência das empresas estatais, a chantagem para o Brasil mergulhar de cabeça na era da “modernidade” neoliberal.

Setores estratégicos ao desenvolvimento do País foram vendidos a grupos internacionais, sócios nativos, a preço de banana, vários com recursos públicos.

Como a neoliberalização e a financeirizacão da economia estavam ainda incompletas, articulou-se o milionário segundo mandato de FHC com apoio da grande mídia hegemônica.

Os que se opuseram ao neoliberalismo foram taxados como dinossauros, jurássicos. Boa parte dos nossos problemas atuais advém desse período, muito embora deitem raízes em décadas de crescimentos pífios ou insuficientes ao desenvolvimento incontornável.

Hoje, para além do óbvio combate à corrupção, o que há na verdade é a pressão do capital financeiro para tomar de assalto o poder, avançar sobre empresas estatais como a Petrobrás, solapar a soberania nacional, privatizar riquezas naturais estratégicas, com ênfase para a Amazônia, mudanças na legislação contra os diretos sociais dos assalariados, engordar ainda mais os cofres do capital dentista.

Para que se possa superar a atual crise política, econômica, a evidente escalada autoritária que irrompe contra o País através de sucessivas crises institucionais articuladas via mídia hegemônica, no afã de provocar a fratura nacional, ruptura constitucional, torna-se vital retomar, na luta política concreta, os rumos de um projeto nacional de desenvolvimento estratégico, democrático.