Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
O surgimento de episódios políticos característicos de tentativa de desestabilização da atual realidade geopolítica regional deve aumentar a preocupação de todos os interessados no desenvolvimento econômico, na soberania dos Países da América do Sul.
O crescimento de bases militares norte-americanas na região, especialmente na Colômbia, sob o pretexto de combater as plantações de cocaína, só consegue enganar os ingênuos porque setores do sistema financeiro internacional, inclusive dos Estados Unidos, têm sido os principais beneficiários de lucros estratosféricos do narcotráfico internacional através da lavagem desses recursos.
O responsável por essa afirmação é o Gabinete de Drogas e Crime das Nações Unidas conhecido pela sigla ODC que revela dados surpreendentes como por exemplo, o fato de que durante essa crise econômica global entre 2008 e 2009 cerca de 352 bilhões de narcodólares foram injetados em grandes bancos mundiais para evitar problemas de escassez e liquidez.
Um outro relatório indica que a heroína vem inundando atualmente a União Europeia e a Rússia, proveniente do Afeganistão, o maior produtor global de opiáceas, principalmente durante o período de intervenção militar americana naquele País.
O mesmo dossiê aponta que os fluxos totais de dinheiro "sujo" do crime organizado transnacional é de mais de 1 trilhão de dólares ou 1,5% do PIB global, sendo que 70% desse montante é lavado através de instituições financeiras, sendo os EUA os maiores consumidores de drogas pesadas do mundo.
Como a maior potência militar da Terra, detentora de recursos tecnológicos, satélites de alta precisão capazes de detectar uma pessoa de bicicleta numa rua em qualquer aldeia remota do mundo, não consegue detectar ou dizimar extensas plantações de drogas ?
Por que essa mesma incrível malha de inteligência, repressão seletiva e de massas, presente hoje em todos os lugares do planeta, não tem êxito contra o dinheiro "sujo" que circula em organizações financeiras globais, várias dos Estados Unidos ?
O aumento de bases norte-americanas na Colômbia, a sucessão de eventos exóticos, acontecimentos políticos insólitos em vários Países possuem a clara intenção de circundar militarmente o continente e a área Amazônica, desestabilizar nações em uma região que vem afirmando gradativamente independência e soberania aviltadas durante séculos.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Tempos voláteis
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
A profusão de pseudomovimentos que emergem à luz da vida social incentivada pela grande mídia hegemônica mundial refletindo-se quase que instantaneamente nas avenidas das principais cidades brasileiras é o novo fenômeno dos dias atuais deixando a inequívoca impressão de uma produção laboratorial.
A grande maioria dessas atividades públicas cobertas entusiasticamente por esse complexo midiático hegemônico possui um ponto em comum, a ausência de um espírito maior e universal com relação à coletividade geral, o que nos conduz a uma leitura de que cada um deve cuidar do seu interesse restrito ou do círculo das suas afinidades seletivas.
Tudo isso pode ser traduzido como apologia a um individualismo egocêntrico de grupo, típico das épocas em que a humanidade ainda estava subdividida em comunidades tribais, e seguramente essa é a filosofia que se encontra subjacente.
Na verdade corre-se mesmo é o risco da abdicação coletiva sobre o destino da nação para indivíduos ou grupos com interesses forâneos enquanto esses movimentos irrompem aqui e ali tendo horizontes absolutamente limitados, desconexos e fragmentados.
A impressão que também se forma é que há uma espécie de supermercado ideológico com as prateleiras abastecidas de variadas "causas", a maior parte importada, sempre sob os auspícios de ONGs robustamente subsidiadas especialmente pelos Estados Unidos e Grã Bretanha.
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês que tem estudado o comportamento das sociedades sob a matriz totalitária da nova ordem mundial e as suas consequências, considera que a resultante destes tempos de cultura política volátil é a desintegração da solidariedade nacional e o recuo da interação nas comunidades soberanas.
Mas a real natureza do capital global, a crueldade nessa desordem mundial do lucro ensandecido sem fronteiras, especialmente a atual crise financeira do capitalismo, vão trazendo as pessoas à realidade concreta.
Demonstrando a necessidade da organização e ampla união das grandes maiorias em torno das bandeiras fundamentais ao desenvolvimento e progresso dos povos, nações, a defesa dos direitos gerais e individuais tão aviltados na atualidade.
Porque o crescimento econômico saudável reivindica a reconfiguração dos grandes espaços nacionais de participação coletiva, a retomada da solidariedade social ativa, essencial para se construir um mundo melhor.
A profusão de pseudomovimentos que emergem à luz da vida social incentivada pela grande mídia hegemônica mundial refletindo-se quase que instantaneamente nas avenidas das principais cidades brasileiras é o novo fenômeno dos dias atuais deixando a inequívoca impressão de uma produção laboratorial.
A grande maioria dessas atividades públicas cobertas entusiasticamente por esse complexo midiático hegemônico possui um ponto em comum, a ausência de um espírito maior e universal com relação à coletividade geral, o que nos conduz a uma leitura de que cada um deve cuidar do seu interesse restrito ou do círculo das suas afinidades seletivas.
Tudo isso pode ser traduzido como apologia a um individualismo egocêntrico de grupo, típico das épocas em que a humanidade ainda estava subdividida em comunidades tribais, e seguramente essa é a filosofia que se encontra subjacente.
Na verdade corre-se mesmo é o risco da abdicação coletiva sobre o destino da nação para indivíduos ou grupos com interesses forâneos enquanto esses movimentos irrompem aqui e ali tendo horizontes absolutamente limitados, desconexos e fragmentados.
A impressão que também se forma é que há uma espécie de supermercado ideológico com as prateleiras abastecidas de variadas "causas", a maior parte importada, sempre sob os auspícios de ONGs robustamente subsidiadas especialmente pelos Estados Unidos e Grã Bretanha.
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês que tem estudado o comportamento das sociedades sob a matriz totalitária da nova ordem mundial e as suas consequências, considera que a resultante destes tempos de cultura política volátil é a desintegração da solidariedade nacional e o recuo da interação nas comunidades soberanas.
Mas a real natureza do capital global, a crueldade nessa desordem mundial do lucro ensandecido sem fronteiras, especialmente a atual crise financeira do capitalismo, vão trazendo as pessoas à realidade concreta.
Demonstrando a necessidade da organização e ampla união das grandes maiorias em torno das bandeiras fundamentais ao desenvolvimento e progresso dos povos, nações, a defesa dos direitos gerais e individuais tão aviltados na atualidade.
Porque o crescimento econômico saudável reivindica a reconfiguração dos grandes espaços nacionais de participação coletiva, a retomada da solidariedade social ativa, essencial para se construir um mundo melhor.
Evo: Economia verde é mais uma forma de colonialismo
Contundente discurso de Evo Morales na Rio +20:
Aplaudido três vezes pela plateia presente na conferência dos chefes de Estado na Rio+20, o presidente boliviano Evo Morales criticou nesta quinta-feira (21) o sistema capitalista e o conceito de economia verde, que classificou como um novo termo para fazer prosperar o colonialismo. Ele ressaltou ainda a importância de os recursos naturais dos países não ficarem nas mãos de empresas privadas e, sim, sob o comando do Estado.
"Sinto informar que analisei com seriedade e acompanhei o que convencionou se chamar de economia verde. Isso não passa de um novo colonialismo para submeter os povos mais pobres ao capitalismo. Vamos refletir sobre isso. Se queremos que esse evento seja histórico, não temos outra alternativa a não ser acabar com essas políticas do lucro, acabar com o humanicídio", afirmou.
“A economia verde coloniza e privatiza a biodiversidade a serviço de poucos. Verticaliza os recursos naturais e transforma a natureza em uma mercadoria. Converte todas as fontes da natureza em um bem privado a serviço de poucos”, condenou.
Segundo Morales, é preciso acabar com o modelo econômico capitalista como forma de garantir o futuro do planeta. "Seria importante refletir sobre as gerações futuras, acabando com esse modelo de saques, de depredação dos recursos naturais, acabar com o capitalismo".
Morales acusou os países mais ricos de quererem obrigar os países do Sul a serem os guardiões pobres das florestas e afetarem sua soberania ditando como devem utilizar seus recursos naturais. “Querem criar mecanismos de intromissão, para julgar e monitorar nossas políticas nacionais com argumentos ambientalistas”, declarou.
"A indústria do norte transforma tudo em algo a ser vendido. Privatiza a riqueza e socializa pobreza. Usurpa a natureza, que é a herança comum de todo ser vivo", disse ao citar o líder cubano Fidel Castro.
Ele lembrou a realização da Eco-92, a conferência da ONU sobre meio ambiente realizada há 20 anos no Rio de Janeiro, e citou o discurso de Fidel no encontro. "Como um homem muito sábio que é, ele nos disse na época: 'vamos acabar com a fome e não com o homem, paguemos a dívida ambiental e não a dívida externa'. Se passaram vinte anos e ainda precisamos deixar de lado a dívida imposta pelo modo capitalista", afirmou.
Ao destacar que hoje é feriado na Bolívia para comemorar o festival do Sol, em uma homenagem à natureza, Morales criticou a privatização dos recursos naturais. "O sistema imperialista extrai cada recurso natural e transforma em um negócio, em lucro. O faz com visão de curto prazo, de privatização dessa riqueza para garantir mais ganhos. Colonializa a natureza, transformando uma fonte de vida em ativo privado para benefício de poucos".
O presidente também citou como exemplo a política adotada em seu país de nacionalizar os recursos naturais, antes nas mãos de grandes conglomerados internacionais, como o setor de petróleo. "Nossa economia mudou após recuperarmos a posse dos combustíveis fósseis. Com todo respeito, os países da África e todas as nações pobres precisam fazer o mesmo, precisam recuperar seus recursos naturais, que não devem ser de posse dos negócios privados", disse ao citar que na Bolívia os servidos de telefonia e água foram nacionalizados. "Isso é obrigação do Estado, não é um negócio internacional", completou.
No Vermelho com Agências.
Aplaudido três vezes pela plateia presente na conferência dos chefes de Estado na Rio+20, o presidente boliviano Evo Morales criticou nesta quinta-feira (21) o sistema capitalista e o conceito de economia verde, que classificou como um novo termo para fazer prosperar o colonialismo. Ele ressaltou ainda a importância de os recursos naturais dos países não ficarem nas mãos de empresas privadas e, sim, sob o comando do Estado.
"Sinto informar que analisei com seriedade e acompanhei o que convencionou se chamar de economia verde. Isso não passa de um novo colonialismo para submeter os povos mais pobres ao capitalismo. Vamos refletir sobre isso. Se queremos que esse evento seja histórico, não temos outra alternativa a não ser acabar com essas políticas do lucro, acabar com o humanicídio", afirmou.
“A economia verde coloniza e privatiza a biodiversidade a serviço de poucos. Verticaliza os recursos naturais e transforma a natureza em uma mercadoria. Converte todas as fontes da natureza em um bem privado a serviço de poucos”, condenou.
Segundo Morales, é preciso acabar com o modelo econômico capitalista como forma de garantir o futuro do planeta. "Seria importante refletir sobre as gerações futuras, acabando com esse modelo de saques, de depredação dos recursos naturais, acabar com o capitalismo".
Morales acusou os países mais ricos de quererem obrigar os países do Sul a serem os guardiões pobres das florestas e afetarem sua soberania ditando como devem utilizar seus recursos naturais. “Querem criar mecanismos de intromissão, para julgar e monitorar nossas políticas nacionais com argumentos ambientalistas”, declarou.
"A indústria do norte transforma tudo em algo a ser vendido. Privatiza a riqueza e socializa pobreza. Usurpa a natureza, que é a herança comum de todo ser vivo", disse ao citar o líder cubano Fidel Castro.
Ele lembrou a realização da Eco-92, a conferência da ONU sobre meio ambiente realizada há 20 anos no Rio de Janeiro, e citou o discurso de Fidel no encontro. "Como um homem muito sábio que é, ele nos disse na época: 'vamos acabar com a fome e não com o homem, paguemos a dívida ambiental e não a dívida externa'. Se passaram vinte anos e ainda precisamos deixar de lado a dívida imposta pelo modo capitalista", afirmou.
Ao destacar que hoje é feriado na Bolívia para comemorar o festival do Sol, em uma homenagem à natureza, Morales criticou a privatização dos recursos naturais. "O sistema imperialista extrai cada recurso natural e transforma em um negócio, em lucro. O faz com visão de curto prazo, de privatização dessa riqueza para garantir mais ganhos. Colonializa a natureza, transformando uma fonte de vida em ativo privado para benefício de poucos".
O presidente também citou como exemplo a política adotada em seu país de nacionalizar os recursos naturais, antes nas mãos de grandes conglomerados internacionais, como o setor de petróleo. "Nossa economia mudou após recuperarmos a posse dos combustíveis fósseis. Com todo respeito, os países da África e todas as nações pobres precisam fazer o mesmo, precisam recuperar seus recursos naturais, que não devem ser de posse dos negócios privados", disse ao citar que na Bolívia os servidos de telefonia e água foram nacionalizados. "Isso é obrigação do Estado, não é um negócio internacional", completou.
No Vermelho com Agências.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Vocação destrutiva
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
Quando da iminência da Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill, primeiro ministro inglês, concluiu que uma das causas responsáveis pelo surgimento do nazismo foram os pesados tributos de guerra decorrentes da Primeira Guerra Mundial cobrados à Alemanha derrotada.
Na realidade houve uma outra razão mais consistente que a reparação financeira que coube aos alemães pela responsabilidade do primeiro conflito militar em escala global da era moderna, foi a disputa do capital germânico pela hegemonia imperialista internacional cujas consequências redundaram nas duas carnificinas humanas nunca antes vistas.
Nos tempos atuais, promove-se uma sistemática lavagem cerebral exercida sobre os povos através de formidável complexo midiático hegemônico planetário a serviço do capital financeiro global, dos novos centuriões imperiais, os Estados Unidos, e potências menores, reeditando, sob novo cenário histórico, a fúria enlouquecida pelo lucro, responsável pelas duas grandes guerras mundiais.
Só que desta vez não existe uma contradição inter-imperialista determinante como antes mas a ação unilateral de um gigantesco império e seus satélites contra o resto da humanidade, construindo suas rotas de expansão, semeando guerras regionais, catástrofes lavadas em sangue, nomeando inimigos por todas as partes.
O poderio é de tal magnitude que enquanto o capital financeiro conduz a humanidade a uma brutal crise econômico-financeira, cuja bola da vez são as nações europeias subordinadas à estratégia recessiva alemã, os EUA cuidam de atear fogo no planeta e vão circundando militarmente as nações emergentes especialmente a China e a Rússia.
E em meio a um planeta marchando a passos largos para uma espécie de conflito militar global de novo tipo, o capital financeiro, os Estados Unidos, ainda submetem às nações uma agenda social global fragmentária, artificial e diversionista.
Mas também é verdade que vai se aprofundando o abismo entre os povos de um lado e o apetite insaciável desse capital global, além da repulsiva e ensandecida expansão imperial.
A vida vai demonstrando que a vocação para a "criação destrutiva" da nova ordem mundial aniquila as liberdades, produz a barbárie, esmaga os países, exigindo resistência para ser superada por outro tipo de civilização que assegure a soberania das nações, a emancipação social, os direitos dos cidadãos.
Quando da iminência da Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill, primeiro ministro inglês, concluiu que uma das causas responsáveis pelo surgimento do nazismo foram os pesados tributos de guerra decorrentes da Primeira Guerra Mundial cobrados à Alemanha derrotada.
Na realidade houve uma outra razão mais consistente que a reparação financeira que coube aos alemães pela responsabilidade do primeiro conflito militar em escala global da era moderna, foi a disputa do capital germânico pela hegemonia imperialista internacional cujas consequências redundaram nas duas carnificinas humanas nunca antes vistas.
Nos tempos atuais, promove-se uma sistemática lavagem cerebral exercida sobre os povos através de formidável complexo midiático hegemônico planetário a serviço do capital financeiro global, dos novos centuriões imperiais, os Estados Unidos, e potências menores, reeditando, sob novo cenário histórico, a fúria enlouquecida pelo lucro, responsável pelas duas grandes guerras mundiais.
Só que desta vez não existe uma contradição inter-imperialista determinante como antes mas a ação unilateral de um gigantesco império e seus satélites contra o resto da humanidade, construindo suas rotas de expansão, semeando guerras regionais, catástrofes lavadas em sangue, nomeando inimigos por todas as partes.
O poderio é de tal magnitude que enquanto o capital financeiro conduz a humanidade a uma brutal crise econômico-financeira, cuja bola da vez são as nações europeias subordinadas à estratégia recessiva alemã, os EUA cuidam de atear fogo no planeta e vão circundando militarmente as nações emergentes especialmente a China e a Rússia.
E em meio a um planeta marchando a passos largos para uma espécie de conflito militar global de novo tipo, o capital financeiro, os Estados Unidos, ainda submetem às nações uma agenda social global fragmentária, artificial e diversionista.
Mas também é verdade que vai se aprofundando o abismo entre os povos de um lado e o apetite insaciável desse capital global, além da repulsiva e ensandecida expansão imperial.
A vida vai demonstrando que a vocação para a "criação destrutiva" da nova ordem mundial aniquila as liberdades, produz a barbárie, esmaga os países, exigindo resistência para ser superada por outro tipo de civilização que assegure a soberania das nações, a emancipação social, os direitos dos cidadãos.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
O meio ambiente da pobreza
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
O poder de fogo do complexo midiático hegemônico internacional associado às instâncias da governança global continua a fazer das suas e a ditar uma plataforma social na maioria dos Países através de várias instituições mundiais que por sua vez demonstram profunda dependência aos interesses do capital financeiro.
A chamada questão ambiental é um dos exemplos dessa constatação feita por um número cada vez mais expressivo de cientistas, jornalistas, acadêmicos e ativistas políticos de quase todos os Países.
Porque há uma agenda ideologizada transmitida à opinião pública desconsiderando o intenso debate, as profundas divergências no mundo científico acerca do chamado aquecimento da Terra em decorrência da emissão de gás carbônico na atmosfera.
Na verdade trata-se de uma campanha política, tendo como um dos seus cruzados o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, para alavancar o florescente capitalismo verde, novo segmento do grande capital financeiro.
Que vem movimentando crescente fortuna, ocupando espaço cada vez maior nas diretrizes da nova ordem mundial, além de promover um agressivo movimento contrário ao desenvolvimento dos Países emergentes e das nações mais pobres.
A campanha sobre o dito aquecimento global, locomotiva dos ambientalistas santuaristas, investe contra o Brasil e a floresta amazônica, a maior reserva florestal do mundo, além de fomentar intensas e perigosas articulações visando a sua internacionalização.
Mas na essência a grande tragédia ambiental do País, e outras nações emergentes, está mesmo nas ruas da lama e da fome, nas condições sub-humanas das poluídas cidades brasileiras, pequenas, médias ou grandes.
Na ausência de saneamento, nos esgotos a céu aberto correndo invariavelmente para os rios, riachos, lagoas, desembocando inclusive na orla marítima, degradando enormes extensões.
E infectando terrivelmente os espaços urbanos, imensos criatórios de doenças contagiosas, matando anualmente milhares de homens, mulheres e crianças, reintroduzindo nas comunidades epidemias que antes estavam debeladas.
As mais graves chagas ambientais do Brasil atual ainda são semelhantes àquelas denunciadas por Josué de Castro há décadas, a pobreza, a marginalidade das grandes maiorias periféricas. Coisa que não interessa ao Greenpeace ou ao britânico WWF (Fundo Mundial para a Natureza).
O poder de fogo do complexo midiático hegemônico internacional associado às instâncias da governança global continua a fazer das suas e a ditar uma plataforma social na maioria dos Países através de várias instituições mundiais que por sua vez demonstram profunda dependência aos interesses do capital financeiro.
A chamada questão ambiental é um dos exemplos dessa constatação feita por um número cada vez mais expressivo de cientistas, jornalistas, acadêmicos e ativistas políticos de quase todos os Países.
Porque há uma agenda ideologizada transmitida à opinião pública desconsiderando o intenso debate, as profundas divergências no mundo científico acerca do chamado aquecimento da Terra em decorrência da emissão de gás carbônico na atmosfera.
Na verdade trata-se de uma campanha política, tendo como um dos seus cruzados o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, para alavancar o florescente capitalismo verde, novo segmento do grande capital financeiro.
Que vem movimentando crescente fortuna, ocupando espaço cada vez maior nas diretrizes da nova ordem mundial, além de promover um agressivo movimento contrário ao desenvolvimento dos Países emergentes e das nações mais pobres.
A campanha sobre o dito aquecimento global, locomotiva dos ambientalistas santuaristas, investe contra o Brasil e a floresta amazônica, a maior reserva florestal do mundo, além de fomentar intensas e perigosas articulações visando a sua internacionalização.
Mas na essência a grande tragédia ambiental do País, e outras nações emergentes, está mesmo nas ruas da lama e da fome, nas condições sub-humanas das poluídas cidades brasileiras, pequenas, médias ou grandes.
Na ausência de saneamento, nos esgotos a céu aberto correndo invariavelmente para os rios, riachos, lagoas, desembocando inclusive na orla marítima, degradando enormes extensões.
E infectando terrivelmente os espaços urbanos, imensos criatórios de doenças contagiosas, matando anualmente milhares de homens, mulheres e crianças, reintroduzindo nas comunidades epidemias que antes estavam debeladas.
As mais graves chagas ambientais do Brasil atual ainda são semelhantes àquelas denunciadas por Josué de Castro há décadas, a pobreza, a marginalidade das grandes maiorias periféricas. Coisa que não interessa ao Greenpeace ou ao britânico WWF (Fundo Mundial para a Natureza).
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Violência, droga e criminalidade
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas e no Tribuna do Agreste:
Há três meses Auriceia, mãe de família, moradora de um bairro popular da capital levou um tiro na cabeça, entrou em coma e faleceu nessa terça-feira passada. Sábado o médico José Alfredo foi assassinado quando passeava com a sua bicicleta pelo corredor Vera Arruda na orla marítima, região nobre de Maceió.
Esses são dois exemplos trágicos, mas há um rosário imenso de ocorrências criminosas que se estendem por todo o Estado cujas vítimas principais são os cidadãos, atingindo também bancos, repartições públicas e estabelecimentos comerciais.
O veredicto consensual da população é que o Estado vem perdendo vertiginosamente a batalha contra a violência, a criminalidade desenfreada e o sentimento é o do terror coletivo, a certeza que todos somos vítimas ou porque já fazemos parte das frias estatísticas ou estamos sob perigo iminente.
Assim, ficamos submetidos à banalização da criminalidade e se instaura um forte temor na coletividade fruto do clima de insegurança que atinge a sociedade alagoana quase sem distinção de classes.
Por outro lado estudos demonstram que entre as principais causas da escalada da criminalidade em Alagoas, além das graves e históricas distorções sociais, desenvolvimento econômico insuficiente dificultando a modernização da estrutura produtiva por anos a fio, há um novo ingrediente extremamente maligno.
Esse catalisador da barbárie tem sido o crack, movimentando fortunas, fabricando dependentes químicos induzidos à paranoia, que cresce em escala geométrica, multiplicando criminosos, semeando a morte.
É um cenário que também cobre todo o território brasileiro que vive um processo de crescimento econômico estabanado, sem a construção de valores culturais, ideológicos, espirituais, onde se alastra o individualismo absoluto, a competição louca e propaga-se a ideia do "sucesso na vida" através do dinheiro fácil.
É um tecido social sem defesas morais, o que facilita a apologia do bizarro e da violência cujas vítimas têm sido a maioria da população, encontrando em Alagoas um elo débil, propiciando o avanço galopante do narco-crack.
Caso o governo do Estado não adote medidas severas resgatando os espaços perdidos para a droga, a criminalidade, a tendência será o surgimento em Alagoas de fenômenos típicos de uma sociedade encolerizada buscando outras formas de segurança e até de justiça paralela.
Há três meses Auriceia, mãe de família, moradora de um bairro popular da capital levou um tiro na cabeça, entrou em coma e faleceu nessa terça-feira passada. Sábado o médico José Alfredo foi assassinado quando passeava com a sua bicicleta pelo corredor Vera Arruda na orla marítima, região nobre de Maceió.
Esses são dois exemplos trágicos, mas há um rosário imenso de ocorrências criminosas que se estendem por todo o Estado cujas vítimas principais são os cidadãos, atingindo também bancos, repartições públicas e estabelecimentos comerciais.
O veredicto consensual da população é que o Estado vem perdendo vertiginosamente a batalha contra a violência, a criminalidade desenfreada e o sentimento é o do terror coletivo, a certeza que todos somos vítimas ou porque já fazemos parte das frias estatísticas ou estamos sob perigo iminente.
Assim, ficamos submetidos à banalização da criminalidade e se instaura um forte temor na coletividade fruto do clima de insegurança que atinge a sociedade alagoana quase sem distinção de classes.
Por outro lado estudos demonstram que entre as principais causas da escalada da criminalidade em Alagoas, além das graves e históricas distorções sociais, desenvolvimento econômico insuficiente dificultando a modernização da estrutura produtiva por anos a fio, há um novo ingrediente extremamente maligno.
Esse catalisador da barbárie tem sido o crack, movimentando fortunas, fabricando dependentes químicos induzidos à paranoia, que cresce em escala geométrica, multiplicando criminosos, semeando a morte.
É um cenário que também cobre todo o território brasileiro que vive um processo de crescimento econômico estabanado, sem a construção de valores culturais, ideológicos, espirituais, onde se alastra o individualismo absoluto, a competição louca e propaga-se a ideia do "sucesso na vida" através do dinheiro fácil.
É um tecido social sem defesas morais, o que facilita a apologia do bizarro e da violência cujas vítimas têm sido a maioria da população, encontrando em Alagoas um elo débil, propiciando o avanço galopante do narco-crack.
Caso o governo do Estado não adote medidas severas resgatando os espaços perdidos para a droga, a criminalidade, a tendência será o surgimento em Alagoas de fenômenos típicos de uma sociedade encolerizada buscando outras formas de segurança e até de justiça paralela.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
O novo pensamento autoritário
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas e no Tribuna do Agreste:
O recente artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre livro do sociólogo francês Alain Touraine é um sinal de novas tendências no campo doutrinário do chamado novo liberalismo.
Ao lançarem as bases do que propõem como paradigmas da política e da moral pública, FHC e Touraine indicam os caminhos que o pensamento hegemônico da nova ordem mundial deve tomar e as premissas ideológicas hasteadas pelo capital financeiro internacional.
Fernando Henrique afirma em primeiro lugar que daqui para frente o confronto central da civilização será entre o mundo do lucro e a defesa dos direitos humanos, do individualismo com responsabilidade social.
Mas isso aponta para a tentativa de se rebaixar, teoricamente, ou esconder os fatores econômicos nos destinos das sociedades e dos indivíduos.
O ex-presidente-sociólogo argumenta que os partidos políticos teriam perdido a sua lógica e razão de existir e deveriam ser substituídos por outras formas de organização que seriam consagradas por uma suposta Nova Era das sociedades onde os conceitos da "pós-política" e da "pós-economia" devem conduzir o futuro da humanidade.
É importante frisar que essas ideias não são originais tanto no âmbito da História quanto no pensamento político e estão em moda nesses últimos vinte anos via complexo midiático hegemônico internacional como propaganda ideológica de desestímulo à participação popular nos destinos políticos das nações.
Que também promove intensamente o engajamento das pessoas em causas fragmentárias, tópicas, atomizadas, especialmente através das ONGs, que são em última instância um sub-produto do neoliberalismo, cujas origem e essência residem na ideia da fragilização do caráter estratégico do Estado nacional.
O que aparece na verdade como novo é a negação explícita à existência dos partidos políticos, além da tentativa de criminalização da ciência econômica como instrumento fundamental para compreensão dos mecanismos das sociedades e por conseguinte dos caminhos para a sua transformação.
Assim é que surge agora a apologia de uma espécie de Nova Inquisição contra o pensamento científico. E com a falência generalizada da nova ordem mundial, das agremiações neoliberais ortodoxas mundo afora, já se pensa abertamente em doutrinas que justifiquem o retorno dos regimes autoritários como freio ao crescimento das nações e às lutas dos povos.
O recente artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre livro do sociólogo francês Alain Touraine é um sinal de novas tendências no campo doutrinário do chamado novo liberalismo.
Ao lançarem as bases do que propõem como paradigmas da política e da moral pública, FHC e Touraine indicam os caminhos que o pensamento hegemônico da nova ordem mundial deve tomar e as premissas ideológicas hasteadas pelo capital financeiro internacional.
Fernando Henrique afirma em primeiro lugar que daqui para frente o confronto central da civilização será entre o mundo do lucro e a defesa dos direitos humanos, do individualismo com responsabilidade social.
Mas isso aponta para a tentativa de se rebaixar, teoricamente, ou esconder os fatores econômicos nos destinos das sociedades e dos indivíduos.
O ex-presidente-sociólogo argumenta que os partidos políticos teriam perdido a sua lógica e razão de existir e deveriam ser substituídos por outras formas de organização que seriam consagradas por uma suposta Nova Era das sociedades onde os conceitos da "pós-política" e da "pós-economia" devem conduzir o futuro da humanidade.
É importante frisar que essas ideias não são originais tanto no âmbito da História quanto no pensamento político e estão em moda nesses últimos vinte anos via complexo midiático hegemônico internacional como propaganda ideológica de desestímulo à participação popular nos destinos políticos das nações.
Que também promove intensamente o engajamento das pessoas em causas fragmentárias, tópicas, atomizadas, especialmente através das ONGs, que são em última instância um sub-produto do neoliberalismo, cujas origem e essência residem na ideia da fragilização do caráter estratégico do Estado nacional.
O que aparece na verdade como novo é a negação explícita à existência dos partidos políticos, além da tentativa de criminalização da ciência econômica como instrumento fundamental para compreensão dos mecanismos das sociedades e por conseguinte dos caminhos para a sua transformação.
Assim é que surge agora a apologia de uma espécie de Nova Inquisição contra o pensamento científico. E com a falência generalizada da nova ordem mundial, das agremiações neoliberais ortodoxas mundo afora, já se pensa abertamente em doutrinas que justifiquem o retorno dos regimes autoritários como freio ao crescimento das nações e às lutas dos povos.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
Sinal vermelho
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas e no Tribuna do Agreste:
A débâcle, nessa semana, de vários grandes bancos espanhóis acelera a crise financeira do país sacudido por imensas manifestações de trabalhadores, estudantes, pequenos, médios empresários, que se espalham de Madri à Catalunha.
Na verdade a Europa caminha a passos largos rumo a um sério impasse econômico, social, com desdobramentos políticos que já se manifestaram nas eleições francesa, grega e recentemente na Alemanha.
Mas o que está em cheque mesmo é a atual configuração da União Europeia e a suposição de que suas políticas fiscais são equânimes para todos os seus membros.
O que é uma verdadeira falácia porque essa pretensa igualdade nos direitos e deveres de cada nação associada ao Euro revelou-se na prática uma equação de dominação por parte das duas grandes potências econômicas, Alemanha e França, associada a uma profunda subordinação das demais sejam elas médias ou pequenas.
Ao insistir na estratégia da austeridade fiscal em detrimento das políticas de retomada do crescimento contra a crise, o governo Merkel secundado pela França do então presidente Sarkozy, ajudou a empurrar a Europa para o abismo, resultante das relações servis do Banco Central Europeu para com as poderosas instituições financeiras do velho continente.
O que se encontra em curso por lá é a aplicação do mesmo veneno que vitimou a América Latina e o Brasil, provocando a estagnação econômica, verticalizando os históricos abismos sociais existentes, sustando o crescimento por décadas.
Os desdobramentos da atual situação crítica que passa a Europa serão observados e medidos em questão de meses, tal é a sua gravidade. Deverá mergulhar no caos inicialmente Grécia, Portugal, Espanha, Itália, com grandes possibilidades, em cenário mais agudo, de por em cheque a existência do Euro.
O que pode suscitar uma nova onda de abalo na economia mundial já em crise desde 2008 com a explosão da "bolha imobiliária" nos Estados Unidos quando os governos Bush e Obama livraram a cara dos banqueiros e massacraram a população norte-americana.
Assim, o Brasil precisa ficar atento ao sinal vermelho que acendeu na economia mundial. O governo necessita intensificar novas estratégias de crescimento econômico, blindar o País contra as tentativas de assalto do capital especulativo e mover-se com cuidado em uma crise política global poucas vezes vista.
A débâcle, nessa semana, de vários grandes bancos espanhóis acelera a crise financeira do país sacudido por imensas manifestações de trabalhadores, estudantes, pequenos, médios empresários, que se espalham de Madri à Catalunha.
Na verdade a Europa caminha a passos largos rumo a um sério impasse econômico, social, com desdobramentos políticos que já se manifestaram nas eleições francesa, grega e recentemente na Alemanha.
Mas o que está em cheque mesmo é a atual configuração da União Europeia e a suposição de que suas políticas fiscais são equânimes para todos os seus membros.
O que é uma verdadeira falácia porque essa pretensa igualdade nos direitos e deveres de cada nação associada ao Euro revelou-se na prática uma equação de dominação por parte das duas grandes potências econômicas, Alemanha e França, associada a uma profunda subordinação das demais sejam elas médias ou pequenas.
Ao insistir na estratégia da austeridade fiscal em detrimento das políticas de retomada do crescimento contra a crise, o governo Merkel secundado pela França do então presidente Sarkozy, ajudou a empurrar a Europa para o abismo, resultante das relações servis do Banco Central Europeu para com as poderosas instituições financeiras do velho continente.
O que se encontra em curso por lá é a aplicação do mesmo veneno que vitimou a América Latina e o Brasil, provocando a estagnação econômica, verticalizando os históricos abismos sociais existentes, sustando o crescimento por décadas.
Os desdobramentos da atual situação crítica que passa a Europa serão observados e medidos em questão de meses, tal é a sua gravidade. Deverá mergulhar no caos inicialmente Grécia, Portugal, Espanha, Itália, com grandes possibilidades, em cenário mais agudo, de por em cheque a existência do Euro.
O que pode suscitar uma nova onda de abalo na economia mundial já em crise desde 2008 com a explosão da "bolha imobiliária" nos Estados Unidos quando os governos Bush e Obama livraram a cara dos banqueiros e massacraram a população norte-americana.
Assim, o Brasil precisa ficar atento ao sinal vermelho que acendeu na economia mundial. O governo necessita intensificar novas estratégias de crescimento econômico, blindar o País contra as tentativas de assalto do capital especulativo e mover-se com cuidado em uma crise política global poucas vezes vista.
Quem nos salvará dos super-heróis?
Na revista Carta Capital, "Blog do Eisenstein", de Vitor Knijnik, em seus “Blogs do Além”:
Nos seus primeiros anos de vida, logo após os irmãos Lumière o parirem, o cinema não passava de uma atração de feira e exposições. Ninguém via grande futuro naquela invenção. Porém, era uma curiosidade que fazia as pessoas literalmente caírem da cadeira. O olhar virgem da plateia não demandava que os protocineastas contassem histórias. Para causar sensação, bastava apenas registrar as coisas em movimento e depois exibir a película. Mais ou menos como são os filmes pornôs.
Mas o ser humano é um bicho enjoado e logo boceja quando não lhe apresentam novidades. Alguns pioneiros, então, decidiram contar histórias através do cinematógrafo para assim manter o interesse da audiência. Outros investiram no ramo da pipoca, apostando que no futuro ninguém conseguiria ficar duas horas sentado fazendo uma única coisa.
Uma das primeiras experiências narrativas relevantes aconteceu nos Estados Unidos, através das mãos de D.W Griffith. Ele introduziu novas formas de fazer cinema. Foi o primeiro a usar dramaticamente a montagem, alternando closes e movimentos de câmera. Por isso é conhecido como pai da linguagem cinematográfica. Da mãe sabe-se apenas que fugiu com um rico produtor de Hollywood.
Minha contribuição para a consolidação do cinema como expressão artística foi decisiva. Eu percebi que a montagem poderia ir além de uma mera ligação de imagens relacionadas. Acreditei que uma terceira ideia poderia ser gerada na cabeça do espectador com a justaposição de duas imagens independentes. Essas colisões de imagens permitiram manipular as emoções da audiência e libertaram a linguagem cinematográfica para a criação de metáforas, coisa que Stalin adorou.
Mas por que estou aqui a contar a história do cinema e a sublinhar minha importância? Ora, a intenção é justamente contrária. Sinto-me derrotado ao ver que o meu legado foi transformado. Imaginei que, com minhas descobertas, as narrativas se sofisticariam e a linguagem cinematográfica se expandiria sem limites. Nada disso. O cinema se desinteressou pelo mundo adulto. Virou uma indústria dedicada apenas a adular adolescentes ou a infantilizar os maiores. Veja o que está em cartaz neste momento (não importa qual). Cerca de 70% das salas estão tomadas por personagens que precisam salvar o mundo de uma grande ameaça. Das 30 maiores bilheterias de todos os tempos, 28 são dedicadas aos menores de 18 anos. Isso se você considerar que Avatar e Titanic têm temática adulta.
Há os que alegam que os filmes não precisam ser mais do que divertimento. Pode até ser. Mas, da mesma maneira que as primeiras plateias exigiram ver mais do que movimentos, as atuais pedem cada vez mais adrenalina. E os estúdios respondem fazendo filmes caricatos que se parecem com uma montanha-russa, só que sem aquela parte tranquila da primeira subida. As montagens estão tão frenéticas que, numa cena de luta ou perseguição, não sabemos quem é quem. Só sabemos que o herói vai sobreviver. É por isso que o balde de pipoca não para de aumentar.
Me despeço coerente com meus princípios. Deixo aqui três frases. Monte-as como quiser:
Heróis assassinos.
O cinema morreu.
Socorro, o 3D quer furar meu olho.
Nos seus primeiros anos de vida, logo após os irmãos Lumière o parirem, o cinema não passava de uma atração de feira e exposições. Ninguém via grande futuro naquela invenção. Porém, era uma curiosidade que fazia as pessoas literalmente caírem da cadeira. O olhar virgem da plateia não demandava que os protocineastas contassem histórias. Para causar sensação, bastava apenas registrar as coisas em movimento e depois exibir a película. Mais ou menos como são os filmes pornôs.
Mas o ser humano é um bicho enjoado e logo boceja quando não lhe apresentam novidades. Alguns pioneiros, então, decidiram contar histórias através do cinematógrafo para assim manter o interesse da audiência. Outros investiram no ramo da pipoca, apostando que no futuro ninguém conseguiria ficar duas horas sentado fazendo uma única coisa.
Uma das primeiras experiências narrativas relevantes aconteceu nos Estados Unidos, através das mãos de D.W Griffith. Ele introduziu novas formas de fazer cinema. Foi o primeiro a usar dramaticamente a montagem, alternando closes e movimentos de câmera. Por isso é conhecido como pai da linguagem cinematográfica. Da mãe sabe-se apenas que fugiu com um rico produtor de Hollywood.
Minha contribuição para a consolidação do cinema como expressão artística foi decisiva. Eu percebi que a montagem poderia ir além de uma mera ligação de imagens relacionadas. Acreditei que uma terceira ideia poderia ser gerada na cabeça do espectador com a justaposição de duas imagens independentes. Essas colisões de imagens permitiram manipular as emoções da audiência e libertaram a linguagem cinematográfica para a criação de metáforas, coisa que Stalin adorou.
Mas por que estou aqui a contar a história do cinema e a sublinhar minha importância? Ora, a intenção é justamente contrária. Sinto-me derrotado ao ver que o meu legado foi transformado. Imaginei que, com minhas descobertas, as narrativas se sofisticariam e a linguagem cinematográfica se expandiria sem limites. Nada disso. O cinema se desinteressou pelo mundo adulto. Virou uma indústria dedicada apenas a adular adolescentes ou a infantilizar os maiores. Veja o que está em cartaz neste momento (não importa qual). Cerca de 70% das salas estão tomadas por personagens que precisam salvar o mundo de uma grande ameaça. Das 30 maiores bilheterias de todos os tempos, 28 são dedicadas aos menores de 18 anos. Isso se você considerar que Avatar e Titanic têm temática adulta.
Há os que alegam que os filmes não precisam ser mais do que divertimento. Pode até ser. Mas, da mesma maneira que as primeiras plateias exigiram ver mais do que movimentos, as atuais pedem cada vez mais adrenalina. E os estúdios respondem fazendo filmes caricatos que se parecem com uma montanha-russa, só que sem aquela parte tranquila da primeira subida. As montagens estão tão frenéticas que, numa cena de luta ou perseguição, não sabemos quem é quem. Só sabemos que o herói vai sobreviver. É por isso que o balde de pipoca não para de aumentar.
Me despeço coerente com meus princípios. Deixo aqui três frases. Monte-as como quiser:
Heróis assassinos.
O cinema morreu.
Socorro, o 3D quer furar meu olho.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Um mundo melhor
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas e no Tribuna do Agreste:
Durante o século XX muitos das gerações que sucederam umas às outras tinham como pressuposto ético de vida pensar o mundo para melhor. Uns lutavam por transformações econômicas, sociais, radicais, outros desejavam reformá-lo, vários pensavam que ele já estava de boa medida, tratava-se apenas de ajustá-lo no que fosse possível.
Em uma visão simplista poderíamos definir essas tendências como revolucionárias, reformistas ou conservadoras, apesar do surgimento de fenômenos como o nazi-fascismo, durante os anos vinte aos quarenta, subproduto dos conflitos pela hegemonia capitalista-imperialista, ensejando a Segunda Guerra Mundial.
Mas no geral os confrontos políticos, filosóficos, ideológicos, teológicos, giravam sempre sobre a questão: como poderia ser esse mundo menos injusto, qual a maneira para aperfeiçoá-lo ou transformá-lo ?
No final do século vinte, com a débâcle do campo socialista ocidental, especialmente a URSS e o leste da Europa, pari passu ao movimento de centralização, concentração do capital financeiro mundial em escala mais agressiva, acontece uma inflexão profunda na geopolítica, na economia, nos conceitos gerais das sociedades como decorrência desse processo.
Pensadores marxistas definiram esse período da História surgido ao final do século como um "tempo inicial de sombras e trevas" que transcendia o aspecto da luta pela emancipação dos trabalhadores, estendia-se ao conjunto da atividade humana em todos os seus aspectos.
A vida mostrou que se tinha razão, nasce o pensamento único hegemônico imposto à base de um paradoxo, uma sociedade totalitária governada sob regras discricionárias, combinada com um individualismo sem fronteiras como princípio e fim da vida moral.
Entroniza-se assim outro conceito para as gerações, já não se trata de construir um mundo melhor como espírito ético da civilização, mas como, nessa ânsia hedonista infinita, o indivíduo realiza o melhor dos mundos para si próprio.
E se há novas vocações políticas, então que elas se realizem através de uma agenda social global unificada, pré-definida, nos marcos do sistema.
Mas as contradições estruturais do capital reaparecem em meio à brutal crise demonstrando a face totalitária, a exaustão econômica, um enorme cansaço social à ordem e à ideologia "globalizada", indicando que a alternativa a esse modelo de sociedade é mesmo a luta por um mundo melhor.
Durante o século XX muitos das gerações que sucederam umas às outras tinham como pressuposto ético de vida pensar o mundo para melhor. Uns lutavam por transformações econômicas, sociais, radicais, outros desejavam reformá-lo, vários pensavam que ele já estava de boa medida, tratava-se apenas de ajustá-lo no que fosse possível.
Em uma visão simplista poderíamos definir essas tendências como revolucionárias, reformistas ou conservadoras, apesar do surgimento de fenômenos como o nazi-fascismo, durante os anos vinte aos quarenta, subproduto dos conflitos pela hegemonia capitalista-imperialista, ensejando a Segunda Guerra Mundial.
Mas no geral os confrontos políticos, filosóficos, ideológicos, teológicos, giravam sempre sobre a questão: como poderia ser esse mundo menos injusto, qual a maneira para aperfeiçoá-lo ou transformá-lo ?
No final do século vinte, com a débâcle do campo socialista ocidental, especialmente a URSS e o leste da Europa, pari passu ao movimento de centralização, concentração do capital financeiro mundial em escala mais agressiva, acontece uma inflexão profunda na geopolítica, na economia, nos conceitos gerais das sociedades como decorrência desse processo.
Pensadores marxistas definiram esse período da História surgido ao final do século como um "tempo inicial de sombras e trevas" que transcendia o aspecto da luta pela emancipação dos trabalhadores, estendia-se ao conjunto da atividade humana em todos os seus aspectos.
A vida mostrou que se tinha razão, nasce o pensamento único hegemônico imposto à base de um paradoxo, uma sociedade totalitária governada sob regras discricionárias, combinada com um individualismo sem fronteiras como princípio e fim da vida moral.
Entroniza-se assim outro conceito para as gerações, já não se trata de construir um mundo melhor como espírito ético da civilização, mas como, nessa ânsia hedonista infinita, o indivíduo realiza o melhor dos mundos para si próprio.
E se há novas vocações políticas, então que elas se realizem através de uma agenda social global unificada, pré-definida, nos marcos do sistema.
Mas as contradições estruturais do capital reaparecem em meio à brutal crise demonstrando a face totalitária, a exaustão econômica, um enorme cansaço social à ordem e à ideologia "globalizada", indicando que a alternativa a esse modelo de sociedade é mesmo a luta por um mundo melhor.
domingo, 6 de maio de 2012
Aquecimento global: as previsões furadas de Lovelock
Texto de José Carlos Ruy, publicado no Vermelho:
James Lovelock é um dos gurus da tese segundo a qual o aquecimento global, provocado pelo homem, vai esturricar a Terra. Agora, diz que estava errado. Um erro de consequências políticas monumentais.
James Lovelock é um dos principais ideólogos do catastrofismo ambiental em nossos dias e um dos gurus do movimento ambientalista. Autor de inúmeros livros, formulador da hipótese Gaia, que vê a Terra como se fosse um enorme organismo, ele é um cientista influente que chegou a prever a morte de bilhões de pessoas devido às mudanças climáticas que, em sua opinião, iriam esturricar o planeta. Foi um dos formuladores da tese de que a mudança climática decorre da ação humana sobre o ambiente.
Ele chegou a propor, em 2004, que o que restasse da humanidade só conseguiria viver no Ártico, onde o clima continuaria “tolerável”. E pregava, na linha do mais radical ambientalismo, a necessidade de um “melhor uso dos recursos” da Terra e isto significava, desde as reuniões do Clube de Roma, em 1968, e da ONU em Estocolmo, 1972, a contenção do desenvolvimento da economia. Isto é, contenção do desenvolvimento econômico dos países pobres, para, usando palavras de Lovelock, “sustentar a civilização o máximo de tempo” possível. A palavra “civilização” esconde, nesta frase, aquilo que realmente seu autor quer dizer: os países ricos e o modo de produção capitalista.
Lovelock é, assim, um dos principais - se não o principal - defensores da tese de que o aquecimento global decorre da ação humana. Na verdade, era. Numa entrevista ao site da rede americana MSNBC, em 23 de abril passado, o cientista britânico, de 92 anos de idade, na qual renegou o catastrofismo climático e ambiental e admitiu que exagerou. Reconheceu, sem rodeios: "Tudo bem, cometi um erro."
Naquela entrevista ele disse que o comportamento do clima da Terra desde o ano 2000 contrariou suas previsões mais pessimistas; admitiu que os estudos a respeito são insuficientes, faltando mais pesquisas para entender o futuro do planeta. Reconheceu ter ido “longe demais na extrapolação” sobre o aquecimento global, quando deveria ter sido mais cauteloso. "O problema é que não sabemos como o clima atua, embora achássemos que sabíamos 20 anos atrás. Isso levou à publicação de livros alarmistas, inclusive os meus", disse.
Além de sua própria postura catastrofista, Lovelock acusa também o ex-vice-presidente americano Al Gore e seu filme "Uma Verdade Inconveniente" como exemplo do alarmismo ambientalista.
"O clima continua fazendo os seus truques de sempre. Não tem nada de muito emocionante acontecendo agora. Deveríamos estar a meio caminho de fritarmos", mas não é isso que está acontecendo, disse. Ele estranha o fato de que a temperatura global da Terra não tenha aumentado nos últimos doze anos, embora os níveis de gás carbônico (ou dióxido de carbono) na atmosfera, demonizado como o principal gás do efeito estufa, continuam subindo e batendo recordes. O aquecimento previsto para os doze anos seguintes a 2000 não ocorreu. "Doze anos é um tempo razoável”, e a temperatura tem permanecido constante.
Embora sem abrir mão da tese de que as emissões humanas de dióxido de carbono possam levar a um aumento global na temperatura, ele concorda agora que faltaram estudos a respeito do efeito dos oceanos sobre o clima. O oceano pode ter um papel fundamental, admite. "Ele poderia fazer toda a diferença entre uma idade quente e uma idade do gelo", disse.
Há uma pergunta no ar: foi um erro? Lovelock foi um dos principais formuladores do ambientalismo como ideologia, baseado num “santuarismo” paralisante do desenvolvimento particularmente de países pobres, entre eles a China, a Índia e o Brasil. Entre a ciência e a política, sua ação abandonou a primeira para reforçar o conservadorismo capitalista dominante e a defesa da manutenção da distribuição do poder político e econômico no mundo a favor das potências industriais capitalistas.
Ele foi um dos principais esteios da condenação dos cientistas que não aceitavam a tese dos adeptos da corrente principal do pensamento ambiental segundo a qual a mudança climática seria resultado da ação humana. E que tentaram desqualificar esses críticos impondo-lhes o rótulo de “céticos”.
O rolo compressor de um autointitulado “consenso científico” simplesmente desconsiderou as críticas científicas solidamente fundamentadas que recusavam as “verdades” dogmáticas deste verdadeiro evangelho do santuarismo ambientalista que é o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o organismo da ONU dedicado ao problema) onde os questionamentos feitos pelos cientistas foram simplesmente ignorados. Lovelock foi um dos pilotos desse rolo compressor do conservadorismo ambientalista. Neste sentido, falar em “erro” pode ser simplório pois, na verdade, tratava-se de um dogma político que precisava ser impingido a países que defendiam seu direito ao desenvolvimento combinado com a defesa do meio ambiente. No mundo posterior à crise econômica de 2007/2008 e do rearranjo do quadro geopolítico internacional que veio na esteira dela, os dogmas do rolo compressor do aquecimento global simplesmente perderam o sentido e não colam mais. Qual será, agora, o próximo erro?
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| E a Terra não esquentou... |
James Lovelock é um dos gurus da tese segundo a qual o aquecimento global, provocado pelo homem, vai esturricar a Terra. Agora, diz que estava errado. Um erro de consequências políticas monumentais.
James Lovelock é um dos principais ideólogos do catastrofismo ambiental em nossos dias e um dos gurus do movimento ambientalista. Autor de inúmeros livros, formulador da hipótese Gaia, que vê a Terra como se fosse um enorme organismo, ele é um cientista influente que chegou a prever a morte de bilhões de pessoas devido às mudanças climáticas que, em sua opinião, iriam esturricar o planeta. Foi um dos formuladores da tese de que a mudança climática decorre da ação humana sobre o ambiente.
Ele chegou a propor, em 2004, que o que restasse da humanidade só conseguiria viver no Ártico, onde o clima continuaria “tolerável”. E pregava, na linha do mais radical ambientalismo, a necessidade de um “melhor uso dos recursos” da Terra e isto significava, desde as reuniões do Clube de Roma, em 1968, e da ONU em Estocolmo, 1972, a contenção do desenvolvimento da economia. Isto é, contenção do desenvolvimento econômico dos países pobres, para, usando palavras de Lovelock, “sustentar a civilização o máximo de tempo” possível. A palavra “civilização” esconde, nesta frase, aquilo que realmente seu autor quer dizer: os países ricos e o modo de produção capitalista.
Lovelock é, assim, um dos principais - se não o principal - defensores da tese de que o aquecimento global decorre da ação humana. Na verdade, era. Numa entrevista ao site da rede americana MSNBC, em 23 de abril passado, o cientista britânico, de 92 anos de idade, na qual renegou o catastrofismo climático e ambiental e admitiu que exagerou. Reconheceu, sem rodeios: "Tudo bem, cometi um erro."
Naquela entrevista ele disse que o comportamento do clima da Terra desde o ano 2000 contrariou suas previsões mais pessimistas; admitiu que os estudos a respeito são insuficientes, faltando mais pesquisas para entender o futuro do planeta. Reconheceu ter ido “longe demais na extrapolação” sobre o aquecimento global, quando deveria ter sido mais cauteloso. "O problema é que não sabemos como o clima atua, embora achássemos que sabíamos 20 anos atrás. Isso levou à publicação de livros alarmistas, inclusive os meus", disse.
Além de sua própria postura catastrofista, Lovelock acusa também o ex-vice-presidente americano Al Gore e seu filme "Uma Verdade Inconveniente" como exemplo do alarmismo ambientalista.
"O clima continua fazendo os seus truques de sempre. Não tem nada de muito emocionante acontecendo agora. Deveríamos estar a meio caminho de fritarmos", mas não é isso que está acontecendo, disse. Ele estranha o fato de que a temperatura global da Terra não tenha aumentado nos últimos doze anos, embora os níveis de gás carbônico (ou dióxido de carbono) na atmosfera, demonizado como o principal gás do efeito estufa, continuam subindo e batendo recordes. O aquecimento previsto para os doze anos seguintes a 2000 não ocorreu. "Doze anos é um tempo razoável”, e a temperatura tem permanecido constante.
Embora sem abrir mão da tese de que as emissões humanas de dióxido de carbono possam levar a um aumento global na temperatura, ele concorda agora que faltaram estudos a respeito do efeito dos oceanos sobre o clima. O oceano pode ter um papel fundamental, admite. "Ele poderia fazer toda a diferença entre uma idade quente e uma idade do gelo", disse.
Há uma pergunta no ar: foi um erro? Lovelock foi um dos principais formuladores do ambientalismo como ideologia, baseado num “santuarismo” paralisante do desenvolvimento particularmente de países pobres, entre eles a China, a Índia e o Brasil. Entre a ciência e a política, sua ação abandonou a primeira para reforçar o conservadorismo capitalista dominante e a defesa da manutenção da distribuição do poder político e econômico no mundo a favor das potências industriais capitalistas.
Ele foi um dos principais esteios da condenação dos cientistas que não aceitavam a tese dos adeptos da corrente principal do pensamento ambiental segundo a qual a mudança climática seria resultado da ação humana. E que tentaram desqualificar esses críticos impondo-lhes o rótulo de “céticos”.
O rolo compressor de um autointitulado “consenso científico” simplesmente desconsiderou as críticas científicas solidamente fundamentadas que recusavam as “verdades” dogmáticas deste verdadeiro evangelho do santuarismo ambientalista que é o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, o organismo da ONU dedicado ao problema) onde os questionamentos feitos pelos cientistas foram simplesmente ignorados. Lovelock foi um dos pilotos desse rolo compressor do conservadorismo ambientalista. Neste sentido, falar em “erro” pode ser simplório pois, na verdade, tratava-se de um dogma político que precisava ser impingido a países que defendiam seu direito ao desenvolvimento combinado com a defesa do meio ambiente. No mundo posterior à crise econômica de 2007/2008 e do rearranjo do quadro geopolítico internacional que veio na esteira dela, os dogmas do rolo compressor do aquecimento global simplesmente perderam o sentido e não colam mais. Qual será, agora, o próximo erro?
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Uma rara oportunidade
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas e no Tribuna do Agreste:
O primeiro de maio no mundo mostrou, pelas gigantescas manifestações acontecidas, a extensão e profundidade da crise do projeto neoliberal ortodoxo em vigência por quase todo o planeta, expõe os gargalos de natureza estrutural tanto do próprio sistema quanto desse modelo econômico imposto às sociedades pelo menos nos últimos vinte e cinco anos.
O primeiro de maio no mundo mostrou, pelas gigantescas manifestações acontecidas, a extensão e profundidade da crise do projeto neoliberal ortodoxo em vigência por quase todo o planeta, expõe os gargalos de natureza estrutural tanto do próprio sistema quanto desse modelo econômico imposto às sociedades pelo menos nos últimos vinte e cinco anos.
Um período caracterizado pela hegemonia absoluta do
neoliberalismo que alcançou uma abrangência multilateral permeando os espaços
da economia mas se estendeu também aos campos da cultura, comunicação,
diplomacia, política, além do inquestionável predomínio militar.
Uma época em que foram mutilados vários princípios
fundamentais da Carta das Nações Unidas, elaborada após a vitória dos aliados
contra o nazi-fascismo.
E tem sido tamanha a força política, militar, do
capital financeiro internacional e dos Estados Unidos, guardiões da nova ordem
mundial, que essa Carta foi reescrita na prática, adequando-a aos novos movimentos
de expansão, centralização do capital em nível global.
Produziu-se também um discurso teórico, ideológico
cujo objetivo central tem sido a manutenção da supremacia absoluta das
estratégias políticas e financeiras do capital, implementadas através dos organismos
que compõem a nova ordem mundial onde o complexo midiático internacional
hegemônico exerce papel determinante.
Esse centro de poder mundial, fenômeno que surgiu após
a débâcle da URSS, sustentado militarmente, elaborou uma "nova agenda
social" como falsa e fragmentada alternativa às fundamentais plataformas
universais das lutas dos trabalhadores e nações, partindo da problematização de
temas pertinentes e generosos, mas que passaram a ser ditados como a quinta-essência
da chamada "questão social".
Mas as consequências da atual crise sistêmica do
capital repõem na ordem do dia, de maneira objetiva, as principais bandeiras de
lutas relativas à emancipação dos povos, assim como o combate pela soberania
nacional, como elementos incontornáveis ao progresso social de qualquer País.
O Brasil na contramão da crise global precisa adotar estratégias
com vistas à construção de um projeto de nação (e de civilização) alternativos a
esses impostos pela nova ordem mundial que se encontra visivelmente esgotada. Em
um mundo que se encaminha para uma transição histórica, é uma rara oportunidade
que não pode ser desperdiçada.
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