quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Totens

Meu novo artigo:


Segundo informações da Bloomberg, o restrito clube de bilionários globais acrescentou às suas fortunas em 2017 mais de 1 trilhão de dólares, perfazendo um total de 5,3 trilhões em 26 de dezembro, um aumento de 20,4% em relação à mesma data do ano passado, sendo os dos setores de tecnologia os que mais enriqueceram.

No mesmo período as desigualdades sociais entre os povos e nações aumentaram substancialmente. Trata-se de um retrato irretocável dos tempos contemporâneos, do capital financeiro mundial, onde esses indivíduos especulam suas fortunas.

Essa estratosférica acumulação de capital adquiriu tal dimensão a partir da virada do 2o milênio com a total desregulação dos fluxos financeiros, beneficiados com o fim da chamada Guerra Fria desde os idos dos anos 80 do século XX.

O domínio do Mercado ultrapassa o aspecto econômico, vai ao campo das ideias, exercendo implacável ditadura do pensamento único onde a agenda dominante, difundida através da grande mídia e redes sociais, é uniforme para quase todos os Países, à exceção dos que reconfiguraram seus paradigmas para o novo milênio como, por exemplo, a China e a Rússia, destacadamente.

No mundo ocidental esse processo da financeirização global promoveu o aumento das desigualdades econômicas e sociais em escala abissal, além de uma perplexidade cultural, política, e uma desorientação geral com o desmoronamento de conceitos que soçobraram com a Velha Ordem.

Em seu lugar o Mercado impôs, sem “ditaduras”, por formas “democráticas”, critérios ideológicos e comportamentais que facilitam sua estratégia hegemônica.

O mundo ocidental viu-se em um shopping ideológico, com prateleiras enfileiradas de causas que o “consumidor” tem para chamar de suas, como totens de espuma e recicláveis, ausentes de sentido comum, universal ou nacional.

Uma sensação de orfandade em literalmente todas as direções, a emergência de fundamentalismos, intolerâncias, a primazia do “ativista” emocional pseudorradical contra o esforço analítico, o utilitarismo como regra. Mitos são erguidos e derrubados no volátil tempo digital.

O Brasil encontra-se enredado nessa arapuca, até pela sua condição geopolítica, e dela só conseguirá sair através da luta política democrática unitária. E um projeto estratégico de desenvolvimento adequado às condições do novo milênio.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A questão nacional

Meu novo artigo:


Um tema que antecede aos outros questionamentos fundamentais na realidade brasileira é a questão nacional. Daí, tantos falam sobre a necessidade de refundação de um projeto que reoriente o País nas turbulências do 2o milênio.

Nenhuma nação, protagonista das épocas atuais, abdicou um centímetro sequer da primazia dos seus objetivos estratégicos, especialmente aquelas que por dimensões continentais, condições geopolíticas, econômicas, riquezas naturais, possuem características Históricas de liderança regional ou global.

E o Brasil, como já se falou, é grande demais para ser pequeno, no teatro da geopolítica mundial.

Somos herdeiros de um vasto território continental que manteve a sua unidade, apesar de várias lutas separatistas em sua formação como País, seja no período colonial ou até mesmo no século XX.

Enquanto a chamada América espanhola fragmentou-se em dezenas de nações, apesar do imenso sacrifício libertador e unitário de Simon Bolívar, que ao fim da sua vida já não tinha nem mais uma pátria pela qual lutar e por ela morrer, como afirmou Gabriel García Márquez.

Essa herança dos nossos recentes antepassados é um fato objetivo porque esse é o Brasil atual, real, mesmo que alguns historiadores tentem negá-lo ou que as correntes econômicas do novo liberalismo, educados em Wall Street ou na City de Londres, procurem destruí-la com esmero.

Ou então algumas mentalidades autodenominadas como “progressistas” que olham com desprezo para o nosso contínuo Histórico, vários aferrados a fórmulas esquemáticas, sem entenderem que elas obedeceram a contextos específicos e que “fórmulas sociais” como se fossem mágicas, sejam quais forem, só se repetem como “farsa ou tragédia”.

Tanto uns como outros contornam o Brasil, sua formação antropológica, largas potencialidades, importam conceitos da agenda da globalização financeira e sua governança mundial. Na economia, sociologia etc., em uma espécie de cosmopolitismo colonizado.

A luta democrática vai se defrontar com outro teste de fogo em 2018. Mas a vida demonstra que as eleições, por si mesmas, não são a “maravilha curativa” de todos os nossos males. Sem um projeto estratégico de nação, vamos repetir, de uma maneira ou de outra, as crises estruturais nos acompanham como uma praga recorrente que não consegue ser erradicada.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Política real e virtual

Meu novo artigo:


Já se disse que estar conectado na redes sociais é menos custoso, em todos os sentidos, que estar “engajado” nas atividades concretas no mundo real, porém consideravelmente menos produtivo em seus efeitos, consequências na manutenção das conquistas individuais ou coletivas fundamentais.

Quem primeiro atinou para essa conclusão irrefutável foram exatamente os que mais se beneficiaram dessa nova modalidade dita pós-moderna: os donos do mundo.

Ou seja, o capital financeiro global e seus organismos internacionais hegemônicos, as suas ONGs que promovem incessantemente a agenda dominante do politicamente correto em uma sociedade de Mercado deificada, glorificada ao extremo.

Quando se diz “incessantemente” é útil atualizar o sentido da palavra. Isso quer dizer que não se passa um minuto, em termos planetários, sem a promoção de um conjunto de ideias hegemônicas incorporadas por vários estratos sociais, inclusive aqueles ditos “mais esclarecidos”.

As “forças sociais digitais”, aparentemente antagônicas entre si, utilizam-se dessas mesmas agendas, com modificações adaptáveis às suas visões de mundo, interesses ou privilégios adquiridos.

Apesar das opiniões nas redes sociais, quem continua dando as narrativas ideológicas e políticas continua sendo a grande mídia hegemônica global, também em versão digital, que promove as ideias do grande capital rentista.

Assim o poder de “enxame”, como abelhas, dos ativistas digitais é relativo. Quem dá as cartas é a luta real pelo poder. Isso explica, mais que outra coisa, a perda relativa de força das “correias sociais organizadas”. Mas não só delas.

O impedimento da ex-presidente Dilma e a entronização do nefasto Temer é revelador tanto para os que a defenderam quanto aos que propugnaram a sua queda. A “orfandade” geral sobressai nos 96% da rejeição ao “presidente”.

A criminalização da política “enojou” a muitos mas hoje, aqui, em qualquer lugar do planeta quem faz História, indica os rumos, são os confrontos entre os interesses nacionais, das grandes maiorias, com as elites globalistas vinculadas ao capital financeiro no Brasil e no mundo.

É vital a luta de ideias, o pulso da realidade, a definição dos aliados, ampliar, não se isolar, independência, lucidez. A vida não para, nem a política que converge para grandes choques em 2018.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A ideologia do liberalismo

Meu novo artigo semanal:


Tem razão o Papa Francisco ao afirmar: quando a sociedade (local, nacional, mundial) abandona na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos, recursos policiais ou de inteligência que possam assegurar, minimamente, a tranquilidade.

O pensamento ultraliberal, hegemônico a partir do 2o milênio, tem sido a mola propulsora de uma economia global excludente das grandes maiorias e constitui, igualmente, uma ideologia mundial que impulsiona um relativismo totalitário sobre todas as coisas que dizem respeito à vida humana.

Coabitamos uma dupla tragédia: uma exclusão social epidêmica, associada à quase absoluta ausência de rumos sobre nós enquanto indivíduos, comunidades, regiões, nações e humanidade.

De tal forma que até, como exemplo, o compositor anarco-contestatório dos anos setenta passados, Raul Seixas, que galvanizou e continua inspirando jovens, inclusive nas periferias da cidades, com suas toadas tipo “prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, esvaziou-se de sentido na rebeldia contra o sistema que os oprime.

O componente do relativismo na mensagem globalista hegemônica, através da grande mídia, transmitida via redes sociais, busca pulverizar as esperanças transformadoras.

E em seu lugar, impõe-se, é o termo que soa correto, uma tendência obsessiva que incita, continuamente, a começar recorrentemente sem sair do mesmo lugar, sem se ter em conta as lições apreendidas.

Como se o mundo estivesse em modo contínuo, começando sempre do zero ad infinitum. Daí a ambição de inaugurar-se até o ex-ser humano. Esse é, por exemplo, o espírito da Era da Falibilidade no livro do influente megaespeculador financeiro George Soros com suas ONGs e discursos do politicamente correto.

Há uma crescente insatisfação das grandes maiorias sociais, não importa religião, cor, opção sexual, nacionalidade, contra o status quo do Mercado financeiro global.

A sobrevivência do Brasil está ligada tanto à soberania econômica, territorial, quanto à sua identidade cultural, às permanências e renovações enquanto civilização singular. Na tenaz resistência à ideologia de terra arrasada da globalização rentista. Assim, faz-se incontornável a unidade do povo brasileiro em refundar um amplo projeto de nação, de sociedade promissora.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O Brasil real

Meu novo artigo semanal:


Pesquisa divulgada pela colunista do Valor Econômico, Maria Cristina Fernandes, mostra um retrato das grandes maiorias do Brasil.

Expõe igualmente aquilo que muitos acham sobre as agendas de setores esclarecidos, determinados estratos médios que habitam o mundo das chamadas “nuvens digitais”.

Esses segmentos movidos pelas narrativas pautadas através da grande mídia global e suas congêneres nativas hegemônicas, adotam o discurso do “politicamente correto” com as suas diversas variáveis.

Mas a grande verdade, constatada nessa e outras pesquisas, é que eles não entendem as grandes maiorias que compõem o Brasil nas confusas classificações sobre as classes sociais no País.

Para o Brasil real as questões são outras, dizem respeito às suas necessidades prementes, angústias que atingem seus cotidianos na vida dura das suas existências.

Eles podem não ser “cultos”, não frequentam os estratos acadêmicos descolados, com as pautas do discurso mundializado da nata intelectual que em todas as partes raciocinam, quase, as mesmas coisas, em bloco.

As grandes maiorias, diz a pesquisa, sabem da realidade em que estão afundados até o pescoço. Fala a jornalista: se fosse verdade que há um Brasil que não cabe no PIB, há outro que dele encontra-se excluído. E o governo Temer aprofundou esse fosso.

A visão é de vulnerabilidade, desemprego, violência, queda no consumo, baixa autoestima. A educação é fundamental: “nasce lá em Vila Nova Cachoeirinha e vê se a escola tem a qualidade da escola de gente rica”, fala uma pesquisada.

Uma outra entrevistada: “menos Estado? Já falta tudo, para faltar mais o que?”.

Diz uma moradora da periferia de Recife: “eles não sabem o que é ter um filho com asma, ter que pegar ônibus, metrô e um trem para ficar na fila do hospital”.

As maiorias são indiferentes à guerrilha de ódio nas redes sociais entre o “politicamente correto” e seus contrários também intolerantes.

Setores “esclarecidos” desprezam a cultura do povo brasileiro, “não estão prontos para seus enunciados ideológicos definitivos”. Já os outros dizem que eles não têm “capacidade para rejeitar os políticos podres”.

Mas é o contrário. Esses é que desconhecem suas aspirações, sentimentos, dramas. É inadiável um projeto que unifique os brasileiros rumo ao desenvolvimento econômico e a soberania plena.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Sociedade do desencanto

Meu novo artigo semanal:


Ao final da década de 90 passada, o historiador britânico Eric Hobsbawm expressou a preocupação na sua obra O breve século XX, o temor de que as novas gerações fossem levadas a uma espécie de presente contínuo, sem referências do passado nem a perspectiva de futuro.

De lá para os dias atuais suas previsões mostraram-se corretas, mas as coisas foram bem mais além, porque como diz recente estudo europeu, no século XXI emergiu uma nova constatação: desde o final da Idade Média pela primeira vez os mais jovens deixam de ter alguma esperança no futuro.

Afirma o referido estudo “o individualismo pós-moderno, a globalização financeira, vêm debilitando o desenvolvimento dos povos”, à exceção de alguns Países como a China, com seu grande salto econômico, e a Rússia, como novas potências globais etc.

Na verdade a civilização ocidental vem mergulhando em uma crise sem precedentes, conduzida a uma fragmentação dos vínculos entre as pessoas, no seio do próprio corpo social, no sentimento de pertencimento a uma comunidade nacional etc.

A globalização financeira, com sua agenda do politicamente correto, negação ao desenvolvimento dos Países, vem promovendo ataques contra os Estados nacionais e às respectivas sociedades civis, especialmente aqueles com destacado protagonismo como o Brasil, o quinto maior País do planeta, com dimensões continentais, mais de 200 milhões de habitantes, sétima economia do mundo, riquezas naturais estratégicas.

Existe um óbvio processo de tentativa de controle, através da interconectividade das redes, no mundo digital, dos extratos sociais mais propensos à tomada de consciência tanto do presente quanto ao futuro do País, uma clara fratura coletiva pautada pela grande mídia global.

Na promoção do ódio de uns contra todos e todos contra qualquer um, em selvagem canibalismo cultural e ideológico.

Na indução de agendas de grupos destituídas de qualquer horizonte de construto unificado e negação Histórica do País, através de movimentos quase sempre financiados por ONGs como a Open Society do megaespeculador financeiro George Soros. Onde tudo é permeável por um discurso efêmero, mutante e descartável.

Um Projeto de Brasil exige, além de propostas concretas, factíveis via soluções políticas amplas, a luta de ideias contra o obscurantismo dos tempos atuais.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A nação

Meu novo artigo semanal:


Torna-se cada vez mais evidente a crescente perda da soberania nacional frente ao interesses do capital financeiro especulativo e organismos internacionais a ele subordinados.

O conceito da inserção do Brasil na economia globalizada exige, ao contrário do discurso liberal, ou o neoliberal dos tempos atuais, a soberania efetiva do País em todos os níveis.

Para tanto, é fundamental um projeto estratégico de nação que oriente e aponte rumos ao desenvolvimento econômico, investimentos em infraestrutura, ciência e tecnologia, educação fundamental e superior etc.

Que indique rumos na política exterior conforme os interesses nacionais, na defesa de uma ordem mundial mais solidária, compartilhando junto aos BRICS e demais Países do planeta, uma nova etapa da humanidade mais justa, menos desequilibrada e agressiva, violenta mesmo.

Mas para isso o Brasil precisa superar o atual estágio de déficit geral em sua soberania que tem sido crescente e pautado através da grande mídia hegemônica associada ao capital rentista, além de um discurso acadêmico que promove a capitulação do sentimento de identidade nacional em vários aspectos da vida social.

A subordinação, dependência aberta aos jogos das finanças internacionais espalha-se através de uma visão ideológica, faz-se presente na vida diária como uma espécie de negação das nossas permanências e necessidades de renovações, fragmentação do espírito de pertencimento a um povo inventivo, de singular tradição cultural, que habita um território continental, o quinto maior do planeta, uma população de mais de 200 milhões de habitantes em uma economia que é a sétima do mundo.

O governo Michel Temer, rejeitado por mais de 95% dos brasileiros, é parte desse processo de desconstrução da herança e das bases reais das nossas conquistas Históricas.

Mas que vem já de algum tempo, possui múltiplos aspectos, variadas versões em matizes ideológicos, aparentemente distintos.

Assim é que surge em seminário, realizado em Minas Gerais, a ideia de mudar as cores e dizeres da bandeira brasileira por figuras da grande mídia, como se nossas referências simbólicas pudessem ser modificadas ao sabor dos modismos de ocasião.

Torna-se incontornável um projeto estratégico de desenvolvimento, que devolva ao brasileiro o caminho de progresso, a confiança no futuro.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Desafio

Meu novo artigo semanal:


Nas condições atuais em que a hegemonia global do capital financeiro age de forma agressiva contra a nação, com vistas à sua desconstrução econômica, financeira, industrial, avança sobre sua integridade territorial, investe contra nossa formação cultural e civilizacional, massacra os direitos dos trabalhadores, conquistados há mais de meio século, torna-se premente a defesa do Brasil e do povo brasileiro.

Essa enorme tarefa, dadas as circunstâncias atuais extremamente graves, exige, através da ação política, enorme esforço para aglutinar os mais amplos segmentos da sociedade brasileira em torno de um projeto nacional.

Que possibilite rechaçar a ofensiva brutal contra o País, a defesa do Estado nacional, que só tem sentido de existência quando subsiste o espírito de pertencimento de um povo em torno do seu contínuo Histórico, incorporando aqui as suas permanências culturais e as renovações imprescindíveis.

Ao desenvolvimento em perspectiva ao seu presente e futuro como povo e civilização original que, em meio a profundas contradições e paradoxos sociais, legou-nos a tarefa do prosseguimento em busca de um futuro independente, socialmente mais justo.

Essa é uma empreitada que necessita a abrangência de amplos setores que compõem a complexa sociedade nacional, dos trabalhadores, força incontornável nesse processo, a indústria, agricultura, forças armadas, os cientistas e pesquisadores que conseguem, apesar dos pesares, enormes avanços em todas as áreas dos ramos do conhecimento, agregando-os às realizações tecnológicas.

O investimento em educação básica e superior é fundamental para que o Brasil supere o atual cenário pantanoso em que se encontra afundado, em um período trágico da sua História contemporânea que se expressa no fatídico governo Temer.

Em qualquer nação do planeta as contrafações da luta política incluem doses de pragmatismo na ação. É parte da vida e da própria atividade política, hoje criminalizada com vistas à substituição da via democrática por fantoches a serviço do capital rentista, excluindo a sociedade na participação do seu destino.

Mas a Grande Política tem como pressuposto central a construção de rumos em defesa do País, das grandes maiorias sociais, a democracia, o desenvolvimento econômico, ou patinhamos no charco. Esse é nosso grande desafio.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

A Nova Ordem

Meu novo artigo semanal:


O Brasil encontra-se efetivamente sob intenso ataque do capital financeiro especulativo internacional, que interfere diretamente nos assuntos referentes à soberania do País, às conquistas trabalhistas adquiridas ao longo da História, no butim das riquezas naturais, no desmonte do parque industrial especialmente dos setores de ponta do processo produtivo como a Petrobrás etc.

O que nós estamos vendo é a tentativa da recolonização da nação sob a égide do capital financeiro, tendo em conta objetivos estratégicos, visto que trata-se de impedir o protagonismo no cenário geopolítico do quinto maior país do planeta com dimensões continentais, integrante do grupo dos BRICS.

O capital rentista através de seus instrumentos de governança mundial, entre eles a grande mídia hegemônica, associada aos seus intentos de poder e cooptação, vem promovendo, particularmente no Brasil, ações com vistas a uma “revolução laranja” como na Ucrânia, ou às “primaveras árabes”, objetivando a fragmentação da sociedade brasileira, onde as questões relativas à soberania cultural, política e diplomática do País são varridas para debaixo do tapete.

E em seu lugar emerge uma agenda diversionista alheia à nossa formação antropológica, a promoção do ódio e dissenções generalizadas, baseadas na premissa de um contra todos e todos contra qualquer um, desde que não se promova um projeto de nação desenvolvida que unifique o povo brasileiro em torno de objetivos comuns.

A ideia é a desorientação geral através de uma agenda pós-moderna que afaste o contínuo histórico cultural e civilizacional da sociedade e em seu lugar imponha um internacionalismo de opereta e falso, ao estilo do mega especulador George Soros em seu livro “A era da falibilidade” onde descreve suas ideias de um mundo pós-moderno e sem fronteiras tendo em vista a dominação global do rentismo mais predador.

A desestabilização das instituições republicanas, a miséria política e intelectual em que estamos metidos é parte de um processo de agressão ao País com destacado papel da grande mídia associada ao capital financeiro. Não são fenômenos isolados mas ações combinadas.

Só a união das grandes maiorias sociais em torno de um projeto nacional que indique os rumos democráticos, de desenvolvimento soberano, poderá apontar novos caminhos ao Brasil.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Truculência

Meu novo artigo semanal:


Diz uma colunista da grande mídia hegemônica que a notícia sobre a rejeição da segunda denúncia contra o desacreditado e carcomido presidente Michel Temer foi recebida com enfado na Faria Lima e adjacências, com um testemunho de um de seus representantes: deixe-nos trabalhar em paz, é só isso que queremos.

Ora, mas são os representantes do capital financeiro quem têm conduzido a nau dos insensatos levando o País ao fundo do poço onde se encontra, associados à grande mídia global, em um frenesi irrefreável, responsáveis pelo non sense reinante nas instituições republicanas onde medíocres como Michel Temer dão as cartas no jogo institucional esquizofrênico que impera no Brasil.

Os senhores do capital especulativo, seus executivos engravatados com ternos, camisas, sapatos importados, de grifes famosas, são os que lucram com essa miséria intelectual e política em que nos encontramos.

O que se traduz das afirmações dos representantes do rentismo é que Temer ultrapassou todos os limites “aceitáveis” de impopularidade para um presidente da República, mesmo sendo um marionete de quinta categoria como ele efetivamente, realmente tem sido.

O país encontra-se literalmente à deriva, à mercê do mais predador capital especulativo existente e de um governo cuja pauta é a destruição das mais elementares conquistas trabalhistas adquiridas desde a era de Getúlio Vargas, asseguradas há mais de meio século.

Fernando Henrique Cardoso quando assumiu seu primeiro mandato presidencial declarou que sua grande tarefa era destruir o legado de Getúlio e introduzir o projeto neoliberal no País. Mas as condições políticas, a correlação de forças à época, fizeram com que só conseguisse realizar em parte o seu intento.

A existência desse Temer deve-se à tentativa da entrega descarada dos ativos financeiros, riquezas naturais, destruição dos direitos sociais mesmo em uma sociedade primitivamente civilizada.

É um governo de extrema truculência, a serviço do capital especulativo, elevado ao poder via corporações messiânicas, grande mídia hegemônica, contrários a um projeto de País soberano.

Apesar de 95% de rejeição, em 2018 ele será substituído por um sósia qualquer se não existir ampla união em defesa da nação, sem exclusivismos táticos eleitorais, desprovidos dos mais elevados interesses nacionais.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Sociedade dos dissensos

Meu novo artigo semanal:


No final do século XX o velho diário londrino The Times publicou o comentário de que “há um grupo de homens mais ricos, poderosos e influentes do Ocidente que sempre se reúnem para planejar eventos que, depois, simplesmente acontecem”.

Essas reuniões, reservadas, podem ter nomes distintos mas agrupam a elite financeira mundial, em alguns casos com a participação de personalidades de áreas das ciências, exatas ou humanas, além de magnatas da mídia global.

Esses eventos e alguns menos importantes, mais abertos, badalados através da grande mídia internacional, representam o grande poder do capital financeiro.

Eles não são eleitos por ninguém em canto algum do mundo, mas definem a agenda financeira, política e social do planeta, à exceção de um reduzido número de Países que adquiriram condições para ditar suas próprias estratégias geopolíticas e neutralizar, em parte, as ações da seleta elite global financeira.

Indivíduos, como o mega especulador George Soros com suas ONGs, a exemplo da Open Society, difundem com o auxílio da grande mídia global as narrativas econômicas, financeiras, geopolíticas e sociais que parecem surgir nas sociedades ocidentais como “fenômenos naturais, espontâneos”.

Mas nada existe nas sociedades ao acaso, como se fosse uma equivalência à falsa teoria de Lamarck sobre a geração espontânea de certos animais. Tudo é fruto de interesses de grupos, de contradições, antagônicas ou não, nos segmentos sociais ou entre nações.

A hegemonia do capital rentista passou a exercer o domínio das políticas globais, numa escala jamais vista, em quase todas as esferas, procurando ditar as agendas que melhor lhe proveem, utilizando-se sempre do velho jargão imperial “divide et impera”.

O País é alvo destacado, pelas dimensões continentais, riquezas naturais, econômicas e população, de tal estratégia, como nas “Primaveras Árabes”, via fragmentação, “tribalização” dos estratos sociais mais aptos à ação consciente, enquanto o Brasil real das grandes maiorias dos 210 milhões de indivíduos fica à margem dos destinos da nação. É a sociedade dos dissensos.

O único antídoto a essa agenda maligna é a defesa da nação, do seu patrimônio físico, da sua identidade cultural, através de uma ampla política de união nacional, pela soberania e o desenvolvimento do Brasil.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O plebiscito

Meu novo artigo semanal:


Hoje em dia está claro que grande parte das tempestades de ódios e dissensos que vêm corroendo a sociedade brasileira provém de notícias viralizadas através da grande mídia nativa que por sua vez as retransmite da mídia global. Tanto uma como a outra encontram-se associadas aos interesses do capital financeiro, aos objetivos estratégicos de potências mundiais.

Mister Obama pousou suavemente em São Paulo, cobrou milhares de dólares a quem desejava assistir sua palestra e partiu olimpicamente, como se fosse um vestal do bom senso, sem uma crítica ao que disse, a favor ou contra. Mas ele foi responsável por muitas das guerras sangrentas que persistem até hoje após seus mandatos presidenciais, com Hillary Clinton responsável pela política exterior dos EUA.

Ninguém sabe pela grande mídia o que disse o ex-presidente norte-americano, se é que ele disse algo relevante. Se afirmou alguma coisa sobre as agruras de um planeta visivelmente atormentado, de que ele é em grande parte responsável, ninguém entendeu.

E como nada disse à mídia hegemônica, não viraliza nas redes sociais. Obama teve participação decisiva nos episódios que culminaram na queda de Dilma Rousseff. Mas Obama veio e foi embora sem admoestações de qualquer espécie, como se fosse um monge zen.

Já o plebiscito sobre a Catalunha, ao contrário de Obama, não para de ser notícia. Essa mídia global pauta a questão catalã como se fosse uma polêmica entre democracia versus nação. Desse jeito.

Como se a polêmica não implicasse nas razões Históricas da formação e vicissitudes do povo espanhol, nas manobras financeiras e os interesses da OTAN na Catalunha fossem desconhecidos por todos. Os espanhóis seriam apenas europeus.

Mas o que deseja a mídia hegemônica é propagar aos quatro ventos a tese do separatismo como uma nova agenda “pós-moderna” e assim abrir espaços no mundo e no Brasil na crise multilateral e profunda em que se encontra, para o pior dos sentimentos, desejos inconfessos de grupúsculos no País.

Gabriel Garcia Márquez disse que Simon Bolívar, o Libertador, em sua luta vitoriosa contra o colonialismo na América espanhola, frente à torpeza de alguns de seus liderados, acabou sem uma pátria pela qual morrer. Afora os desterrados, não existe democracia ou democratas sem uma pátria para exercê-la, assim, no abstrato.