terça-feira, 8 de dezembro de 2015

O manifesto

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:



Nessa terça-feira, o PCdoB lançou manifesto à nação, conclamando todos os brasileiros à defesa da legalidade. Onde reafirma: a hora é de união, de inclusão, de uma ampla frente democrática suprapartidária. O confronto não é entre apoiadores e críticos do governo Dilma mas, entre democratas e golpistas.

Continua a nota “todos que resistem ao golpe são nossos aliados neste momento crucial. E há ainda a missão de persuadir, com fatos e argumentos, a parcela hoje enganada com a onda midiática golpista... O golpe é contra o Brasil, o povo e a democracia... É preciso rechaçá-lo, defender a Constituição, salvar a democracia, para que o Brasil supere a crise econômica, volte a crescer, avance nas conquistas, não retroceda.

Concita nosso povo à luta, às ruas, numa campanha nacional contra a trama golpista” diz, entre outras coisas, o manifesto.

O PCdoB com 93 anos de existência possui larga experiência de lutas sempre em defesa da democracia, dos interesses populares, intransigente combate patriótico. Ao longo de muitos episódios foi e tem sido força destacada para soluções lúcidas nas grandes encruzilhadas da História do País.

Nessa semana intensificou-se a conspiração golpista, a pirotecnia, com manobras através do presidente Eduardo Cunha que além de agredirem a Constituição ferem o regimento interno da Câmara dos Deputados que também é de natureza constitucional.

O furor golpista, com a ajuda da grande mídia hegemônica, precisa ser sustado pela ação consciente dos democratas, independente de posições políticas, a defesa da legalidade, da Constituição fruto de longa, sofrida batalha pelas liberdades contra o arbítrio.

É óbvia a conspirata irresponsável em relação ao profundo sentimento de apego da maioria dos brasileiros às mais amplas liberdades políticas que nos têm sido tão caras ao longo da nossa História de jovem nação.

A ânsia de provocar uma ruptura, por exemplo, entre o PMDB, partido majoritariamente de centro-democrático, e a presidente é manobra primária em política com objetivo de isolar, golpear não só o governo mas a Constituição, a democracia, as liberdades, o convívio democrático na sociedade nacional.

Nada, nem coisa alguma, legitima um golpe contra o Estado de Direito democrático no Brasil. Como afirma o manifesto: vivenciamos dias que valem por anos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Escalada autoritária

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Nos tempos atuais o “Mercado” difunde através dos seus aparelhos midiáticos uma saraivada de teses que logo parecem se tornar verdades inquestionáveis, cláusulas pétreas. É a verdade dos potentados contra a dos outros, não importa qual seja a realidade objetiva.

Já à constituição do País foram impostas reformas não como resposta às janelas civilizacionais mas para atender aos interesses da globalização da Nova Ordem mundial.

Durante a década de 90 essas “reformas constitucionais” transformaram-se num verdadeiro festim de privatizações das empresas patrimônios do Estado, da sociedade nacional.

E o pior, em sua maioria vendidas com moedas podres, através de financiamentos públicos com juros irrisórios, prazos a se perder de vista.

Tudo sob a justificativa do suposto gigantismo do aparelho de Estado, a falsa ineficiência das empresas estatais, a chantagem para o Brasil mergulhar de cabeça na era da “modernidade” neoliberal.

Setores estratégicos ao desenvolvimento do País foram vendidos a grupos internacionais, sócios nativos, a preço de banana, vários com recursos públicos.

Como a neoliberalização e a financeirizacão da economia estavam ainda incompletas, articulou-se o milionário segundo mandato de FHC com apoio da grande mídia hegemônica.

Os que se opuseram ao neoliberalismo foram taxados como dinossauros, jurássicos. Boa parte dos nossos problemas atuais advém desse período, muito embora deitem raízes em décadas de crescimentos pífios ou insuficientes ao desenvolvimento incontornável.

Hoje, para além do óbvio combate à corrupção, o que há na verdade é a pressão do capital financeiro para tomar de assalto o poder, avançar sobre empresas estatais como a Petrobrás, solapar a soberania nacional, privatizar riquezas naturais estratégicas, com ênfase para a Amazônia, mudanças na legislação contra os diretos sociais dos assalariados, engordar ainda mais os cofres do capital dentista.

Para que se possa superar a atual crise política, econômica, a evidente escalada autoritária que irrompe contra o País através de sucessivas crises institucionais articuladas via mídia hegemônica, no afã de provocar a fratura nacional, ruptura constitucional, torna-se vital retomar, na luta política concreta, os rumos de um projeto nacional de desenvolvimento estratégico, democrático.

sábado, 28 de novembro de 2015

Cenário conturbado

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Já se disse que nos tempos recentes não estamos presenciando exatamente um choque de civilizações, mais parece um choque de ignorâncias, com a velocidade das novas tecnologias somos expostos a todo tipo de informação sempre oriunda das mesmas fontes.

Assim é impossível ignorar o papel da grande mídia global na difusão dos fatos, interpretações, na promoção de fenômenos artificiais, a maneira como difunde “consensos” que são na maioria dos casos, evidentes projetos hegemônicos a serviço do capital financeiro internacional.

Sem dúvida, estamos presenciando uma época em que o Mercado rentista atingiu um poderoso espectro de domínio ideológico, financeiro, político, militar, em instância planetária, apesar do crescente protagonismo das nações emergentes que se colocam como alternativa real à geopolítica unipolar dominante há algumas décadas.

De tal maneira que esse novo campo multilateral da geopolítica mundial encontra-se permanentemente sob a contradição de força ascendente e ao mesmo tempo vive sob fogo cerrado de ataques do bloco dominante que por sua vez afunda-se cada vez mais em problemas gravíssimos, insolúveis.

Que vão da crise financeira crônica, os tormentos sociais do mundo do trabalho nos vários continentes, guerras de rapina, flagelos agudos como o dos milhões de refugiados rumo à Europa, terrorismo, desemprego massivo e acima de tudo a ausência de qualquer perspectiva aos povos.

É nesse cenário, muito resumidamente, que as lutas sociais, pela soberania das nações, se digladiam contra o permanente discurso autoritário, quando não neofascista, de uma pós-modernidade artificial, que nada mais tem a oferecer à humanidade, até porque jamais tiveram o que apresentar de alvissareiro às sociedades.

Trata-se de um terreno movediço, onde a luta de ideias adquire importância decisiva. E exatamente por isso o discurso hegemônico procura descaracterizá-la, criminalizá-la, quebrar a força cativante que as grandes causas adquirem quando atingem os corações e as mentes das sociedades.
 
Particularmente quando assimiladas como força motriz de um projeto nacional soberano, democrático, de desenvolvimento estratégico para nações fundamentais como o Brasil onde a luta política impõe-se como decisiva. Essa é a grande questão, inadiável, desses tempos conturbados.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Terror

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Os atentados terroristas em Paris na sexta-feira (13/11) “merecem o repúdio generalizado como crime abominável de lesa-humanidade... e mostram os perigos a que está exposta a humanidade” afirmou com justeza em nota oficial a direção nacional do PCdoB.

É fundamental identificar as causas desse barbarismo fanático de grupos fundamentalistas que atuam como se fossem uma espécie de franquia do ódio e violência doentios.

Cabe às nações que defendem a democracia, a soberania dos povos, a sensatez como diplomacia nas relações entre os indivíduos, sociedades, o combate a esse fenômeno brutal, repugnante.

Antes da primeira guerra do Golfo não existiam grupos terroristas que merecessem maiores preocupações dos órgãos de inteligência na Europa, Estados Unidos e no mundo ocidental.

Com a política de incentivar o caos no Afeganistão, sob o governo do presidente norte-americano Jimmy Carter, começou-se a fecundar o “ovo da serpente” através de um líder oriundo de uma milionária família saudita do petróleo, promovido a insurgente mor contra o Estado afegão. Seu nome, depois mundialmente conhecido, Osama Bin Laden, chefe da organização terrorista Al Qaeda.

Recentemente procurando estender o controle geopolítico sobre a Líbia, Iraque, Irã, destituir o governo de Assad na Síria, outra vez os EUA apoiaram uma organização brutal, terrível, o Estado Islâmico.

Os incentivadores desses grupos fanáticos perderam o controle sobre eles e desde 2001 a humanidade passou a conviver com dantescas ações de terror como o ataque contra as Torres Gêmeas em Nova York.

As ações criminosas em Paris resultam desse contexto, assim como a explosão do metrô em Madri anos atrás, e atentados ignominiosos no Oriente Médio, África etc.

As consequências de tudo isso tem sido o horror que ameaça as nações, a fragmentação do Oriente Médio, do continente africano, banhados em sangue, o flagelo social de milhões de refugiados rumo à Europa principalmente.

Tanto como é óbvia a crise sistêmica da Nova Ordem mundial, a presença do fascismo na Europa como força crescente, do ideário autoritário no mundo. O Brasil deve manter firme repúdio ao terrorismo, a defesa do Estado de Direito, da democracia, da soberania nacional, e acautelar-se em um cenário que aderna perigosamente para sérias tensões geopolíticas globais.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Cultura e desenvolvimento

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobal.org.br:


Adquiriu dimensão exacerbada o caráter irracional do sistema capitalista sob as políticas adotadas pela Nova Ordem mundial.

Em função do agravamento da crise financeira internacional, o aumento das tensões políticas, o alastramento dos focos das guerras de rapina no Oriente Médio, no continente africano, e a agenda diversionista divulgada através da grande mídia hegemônica com abrangência planetária.

Que determina a pauta das notícias a serem divulgadas e as demais que devem ser evitadas, ou discretamente noticiadas de maneira confusa, quase incompreensíveis aos cidadãos, mas sempre tendo algo em comum: a propagação do ceticismo em relação ao progresso, ao futuro, seja dos indivíduos, sociedades, Países.

É importante para o Mercado financeiro que as pessoas não se sintam cidadãos de uma nação em particular, assim como de uma região específica, que lhes impossibilitem a identidade comum na cultura, típica do pertencimento a um determinado povo.

É o contrário do que falou Tolstói: se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia. E assim por diante na escala dos insubstituíveis altos valores da humanidade.

Essa visão distorcida do conhecimento imposta às sociedades revela uma incrível pasteurização dos fenômenos culturais, ideológicos, políticos, um cosmopolitismo subalterno enunciado como síntese de uma pós-modernidade falsa.

Cuja finalidade é a uniformização dos padrões de consumo, difundido espertamente como evolução das sociedades, através da informação dita como asséptica.

Mas como já se disse: não há informação neutra, elas possuem conteúdo de classe. No caso atual, é o das forças hegemônicas do Mercado financeiro.

O desenraizamento dos indivíduos, comunidades, é um dos fenômenos mais danosos da atualidade, facilita a aculturação social em proporções industriais, perda de referências, do contínuo histórico, possibilitando nos dias atuais a reestreia do pensamento autoritário ou até neofascista.

Assim, um dos grandes desafios do Brasil, além da retomada do desenvolvimento sob bases mais avançadas, da luta democrática e a legalidade constitucional, é a batalha em defesa da nossa cultura, da nossa memória, identidade nacional  para que se possa ter os olhos voltados, e críticos, sobre o que há de avançado atualmente produzido pela humanidade.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Pedrinho um jovem de espírito elevado


Pedro Loureiro Tenório Bomfim, meu neto.

Em nossa convivência com Pedrinho tivemos o privilégio de perceber uma personalidade singular cujas características são distintas da sua idade cronológica.

Tendo que viver desde o seu nascimento com uma doença, jamais se queixou um só minuto, ao contrário, transformou essa vicissitude em um ensinamento de superação.

Praticou, durante a sua passagem entre nós, a bondade e o sentido da agregação entre as pessoas. Da simplicidade junto aos demais. Da ausência da vaidade, raiva ou desprezo por quem quer que fosse.

As pessoas que foram abraçá-lo no Parque das Flores, algumas centenas entre professores, colegas e amigos que ele construiu em seus 16 anos, não o fizeram por nenhum ato de formalidade, mas porque conviveram, sentiram e observaram a sua simplicidade e altivez precoces em um garoto encantado com 16 anos, mas que parecia, em suas atitudes, uma pessoa de idade avançada.

Os muitos católicos, cristãos em geral, que o conheceram disseram que ele foi sem escalas para o céu e os espíritas que dele se aproximaram falaram que ele é um espírito que está em uma dimensão elevada.

Para mim são coisas semelhantes porque apesar dos meus cabelos grisalhos Pedrinho me ensinou muito, aprendi muito com ele.

Pedrinho filho do meu filho Thiago e de Sandra sempre teve o amor de todos e assim correspondeu a todos seus familiares e centenas de amigos jovens e adultos. Pedrinho está conosco. Aqui segue um dos muitos depoimentos sobre Pedrinho por seu ortodontista, Dr. Vinicius. Beijão Pedrinho.

"O Pedrinho foi um menino diferente. Desde o primeiro dia que o vi, percebi. A sua educação e gentileza de fato não eram deste mundo. Convivemos mensalmente por cerca de três anos e a cada encontro, ele se mostrava mais humano do que a maioria das pessoas que eu conheci. Deus o fez diferente, não pela doença, mas pelas virtudes. Está agora junto do pai e foi sem escalas. Ele não precisava. Era um santo menino. Que Deus o tenha em sua infinita glória."