sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Fenômenos

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:


Outro dia uma jovem famosa, possivelmente talentosa atriz de novelas de televisão, declarou em um programa que era contra essa história de nos grandes shows dividir os famosos em camarotes de “vipão” e “vipinho” uma espécie de nova hierarquia classificativa das celebridades usada em ambientes festivos.
A revolta da estrela midiática tem alguma razão de ser se olharmos atentamente para a extrema volatilidade em que se transformou a cultura de mercado global dessa pós-modernidade que nos é imposta em escala planetária, integralmente assimilada pela grande mídia no Brasil, reproduzida através da internet, das redes sociais.
Nessa semana o pastor de uma obscura seita religiosa no Gabão, Franck Kabele de 35 anos, conseguiu atingir o ápice da fama mundial por algumas horas, embora tenha desaparecido para sempre, o seu corpo não foi encontrado, ao virar notícia em todas as mídias quando tentou andar sem sucesso sobre as águas, como Jesus Cristo, em uma praia de Libreville tendo como testemunhas centenas de fiéis e seguidores “absolutamente decepcionados”.

Essas são sequelas destes tempos em que impera a ideologia da nova ordem mundial, com o surgimento de uma miríade de movimentos que parecem estar dispostos nas prateleiras de um supermercado, acondicionados, prontos para consumo em qualquer lugar do planeta.

É certo que alguns deles nada têm de inocentes, são financiados e utilizados até para desestabilizar nações em várias partes do mundo, cujos líderes, pelo menos vários deles, são treinados diz-nos Moniz Bandeira, por uma tal de Freedom Foundation com sede nos EUA que agora vê-se às voltas com a Al Qaeda, seus pupilos antes do 11 de setembro, ocupando áreas do Iraque tentando derrubar o governo sírio.

Essa cultura do volátil, da “famosidade”, do sucesso a qualquer custo, do presente contínuo, sem passado, mesmo o mais recente, instaurada a ferro e fogo pelo capital financeiro além do complexo midiático global, tem provocado, infelizmente, situações tragicômicas.

Fazendo parecer realista O Dia do Gafanhoto, uma sátira do escritor norte-americano Nathanael West sobre os EUA ao afirmar que: em Hollywood o papel é feito para se parecer com madeira, a madeira para se parecer com borracha, a borracha para se parecer com aço, o aço para se parecer com queijo. É isso aí.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Política e Mercado

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

Já se disse que na atual época em que vivemos onde impera por quase todo planeta o monolítico pensamento único do Mercado, a hegemonia global do capital financeiro, resta aos povos a luta política como um espaço ainda não capturado de todo pelo rentismo internacional.
Porque é exatamente através da Política que se expressam os mais diversos setores da sociedade organizada, representada pelas mais distintas correntes de pensamento que apresentam seus ideários às nações na pluralidade e contradições dos segmentos que a compõem.

Pela sua via são eleitos os representantes do povo em um certo período estipulado pelas constituições cujos mandatos são aprovados ou rechaçados pelas grandes maiorias indicando a sua continuidade ou negando-se a sua recondução.

É no exercício da Política que são expostas as virtudes e mazelas das sociedades, seus avanços, insuficiências, antigos vícios ou mesmo novos fisiologismos, as conquistas históricas ou hábitos execráveis indignos à construção de uma democracia madura, ao trato da coisa pública.

É na militância da atividade Política que as mais amplas massas representativas dos interesses verdadeiramente nacionais, ou de algum segmento minoritário, expressam suas satisfações ou repúdios nas ruas, praças, escolas, no campo, nas cidades.

A democracia só pode sobreviver interligada com a Política e seu aperfeiçoamento exige bem mais consequência numa escala ascendente ao ponto em que estejam conquistados tantos níveis de avanços sociais quantos sejam necessários à libertação das camadas oprimidas das distorções econômicas, sociais, castradoras da autonomia e consciência cidadã quer seja em uma metrópole ou numa remota vila rural.

No afã de roubar o direito das sociedades, das camadas populares, o Mercado via grande mídia global associada tem encetado feroz campanha contra a Política jogando sobre ela as razões da pobreza, corrupção, dos abismos sociais, causas principais da miséria, do atraso das nações.

Omitindo as origens dessas indignidades sempre associadas ao próprio Mercado e seus prepostos dentro da Política, procurando marginalizá-la e com isso fechar o círculo autoritário.
Assim, o exercício da Política junto à democracia são os únicos antídotos efetivos, reais à ditadura inclusive à ideologia totalitária do Mercado.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Quem paga a conta

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

As maquinações da política externa norte-americana têm sido reveladas pelo ex-agente da NSA, agência de espionagem dos Estados Unidos, Edward Snowden, através de fartas denúncias sobre escutas, grampeamentos de lideranças políticas, além dos cidadãos comuns, empresas estratégicas das nações na busca de informações que garantam os interesses imperiais, chauvinistas, da maior potência do planeta.
O que não tem sido mostrado são os objetivos mais amplos da Inteligência dos EUA em que pesem os fundamentados relatos já divulgados por estudiosos, especialistas e jornalistas.

Também não são segredos as relações estreitas do grande complexo midiático hegemônico mundial com as orientações da CIA associadas às ações desestabilizadoras dos Estados Unidos contra os mais diversos Países do mundo. Esse não é um contexto recente, vem de longa data.

Em 2008 a jornalista inglesa Frances Stonor Saunders publicou um livro intitulado “Quem pagou a conta? A CIA na guerra fria da cultura”, revelando o massivo financiamento do governo americano à organizações e associações de direita em nível global mas que em inúmeras vezes apoiou entidades culturais, grupos de escritores, intelectuais divergentes dos Países comunistas ou de orientação popular, bem como de governos soberanos, uma prática, ao que tudo indica, que jamais cessou.

Outro ex-agente da CIA e professor universitário, Chalmers Johnson recentemente falecido, publicou três volumes de grande repercussão entre eles o livro Blowback no mesmo diapasão de alertas sobre os custos e as consequências da política externa americana, as ações de espionagem e provocações dos vários governos norte-americanos.

O historiador Moniz Bandeira vem escrevendo várias obras sobre o mesmo tema lançando agora, em 2013, “A Segunda Guerra Fria” com substanciais informações sobre as manobras geopolíticas dos Estados Unidos que vêm treinando inclusive ativistas e mercenários de linha insurgente com o aberto intuito de desestabilizar nações emergentes.

Assim, o Brasil pela dimensão continental e papel geopolítico estratégico tem sido igualmente alvo desse movimento dos EUA onde estão incluídas também as ambições sobre a Amazônia brasileira e as recentes descobertas das riquíssimas jazidas petrolíferas submarinas em suas águas territoriais.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

As urnas do Chile

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

Nas últimas décadas o mando do capital financeiro fez-se avassalador, associado ao poder imperial unilateral dos Estados Unidos, impondo aos povos uma economia desastrosa pródiga em catástrofes de todas as maneiras onde as mais emblemáticas são a tragédia econômica-social que assola as nações europeias e a fome endêmica que atinge um terço da população do continente africano.
O processo de controle do grande capital não se restringiu às áreas econômica, militar, ocupou outros espaços com o objetivo de garantir a mais completa transformação das nações à sua imagem e semelhança, formatando a ideologia do pensamento único, apoiando-se para tanto no monopólio da informação de massas em escala mundial no intuito de combater qualquer pensamento crítico antissistêmico.

Um dos conceitos ditados pelo Mercado global foi a “política do possível” retida a projetos limitados, às ações de tipo “compensatórias” desprovidas de horizontes com um longo curso.

Para fazer crer que o futuro é uma inusitada recorrência ao mesmo ponto de partida, confiscando anseios, avanços estruturais, sonhos de saltos aos novos tempos, às aspirações de superar contextos nacionais incompletos, travando o necessário projeto soberano como se os Países estivessem ancorados numa espécie de maldição da eterna dependência, da subordinação infinita.

No intuito de fazer valer a cultura do pragmatismo elementar, do ativismo limitado, conformista, que pontificou nas últimas décadas, dentre as várias opções políticas, iniciativas institucionais nos Países inclusive aqueles de economia emergente.

As viragens na geopolítica mundial, a emergência dos BRICS, a crise do capital global, seus efeitos nos Países do 1º mundo, derrotaram essa doutrina mas que ainda se impõe, pela via do longo tempo de uso, como um mal estar em um esférico “presente contínuo” inclusive entre as novas gerações, como disse o historiador Eric Hobsbawm.

Um balanço crítico dos governos democráticos com políticas sociais na América Latina, as derrotas da ortodoxia neoliberal, a recente vitória no Chile de Michelle Bachelet podem ser vigorosos estímulos às lutas de resistência nacional, popular em pleno curso, às grandes utopias transformadoras de conteúdo histórico, universal, opostas a essa civilização em crise do Mercado global.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Civilização da barbárie

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:


A Nova Ordem Mundial determinou de maneira hegemônica, nas últimas três décadas, um modelo de civilização cuja primazia é a realização das vontades irrefreáveis do capital global acima do direito internacional, rasgando-o quando tem sido necessário.

Forjando um tipo de sociedade uniforme, presente em quase todas as nações do planeta onde a maioria das pessoas vive sob as diretivas compulsivas do lucro, do capital rentista, com uma agenda social global fragmentária, e o que importa é a exibição pública da riqueza, o culto à celebridade, à fama, levados ao limite.
Os grandes valores humanos, arduamente conquistados durante séculos contra o obscurantismo, intolerância, o enlouquecido fanatismo, o ódio, foram empurrados para algum lugar na consciência dos povos onde se processa a resistência.

Essa ideologia do pensamento único espalhada ao planeta, associada à economia neoliberal, constituiu além de hostil, feroz destruição financeira e social, uma profunda crise antropológica onde mais que em qualquer época recente nega-se a relevância, o lugar do ser humano na edificação das sociedades, substituído pela deificação da mercadoria.

Se em outros períodos esse fetiche típico do mercado era exercido com certo pudor em nome de algo fantasiosamente relevante, hoje o valor nominal do indivíduo reside na condição dele adquirir e exibir produtos diferenciados e quanto mais inacessíveis aos demais maior o seu prestígio na escala social.

Não é casual que atualmente cultue-se ideologicamente como algo absolutamente normal nas sociedades sob a chamada Nova Ordem Global o protagonismo da aparência física pessoal mas que transforma esses mesmos indivíduos em objetos-mercadorias na disputa pelas vagas ao mercado de trabalho.

Essa enxurrada cultural de valores artificiais provoca nas comunidades surtos de bestialidades constituindo o vazio fundamental para a selvageria individual, coletiva, inominável em que fenômenos de barbárie social como o ocorrido no estádio de futebol em Joinville tendem a se ampliar se não forem contidos dentro da lei.

Assim, é imprescindível o crescimento econômico sem o qual nada se constrói mas, impõe-se como decisivo, um outro projeto de sociedade humana a essa crise civilizacional em que o mundo se encontra mergulhado, inclusive o Brasil.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Sequestro da política

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

Foram a primeira-ministra da Grã-Bretanha, Margareth Thatcher, e Ronald Reagan, ex-presidente dos Estados Unidos, ator de quinta categoria do cinema americano, que deram início ao período neoliberal válido para quase todos os Países iniciando uma época dramática para a humanidade.
Com o domínio absoluto do capital rentista, associado à força unilateral da única superpotência efetiva, os EUA, consolidou-se a hegemonia do liberalismo fundamentalista, adaptado ao período contemporâneo.

Assim foi possível edificar a mais contundente ditadura do pensamento único que a humanidade conheceu em todos os tempos expandindo-se sobre a cultura, mídia, artes, comportamento, economia, filosofia, conceitos “científicos”, relações internacionais etc, formatando a dita “Governança Mundial”.

Como vaticinou a Dama de Ferro tratava-se de pôr em prática a tese que “não existe a sociedade, o que existe são os indivíduos e o Mercado”, uma espécie de ligação direta, sem intermediários, entre a doutrina neoliberal ortodoxa e as populações.

Mas, para manter a “aparência civilizada” tornava-se vital a “Intermediação” entre as políticas neoliberais conduzidas por suas agremiações qualificadas, seguidoras dessa doutrina, e os indivíduos desprovidos da cidadania, retidos à condição primária de consumidores, ou seja, a manutenção da forma clássica de democracia representativa.

Daí porque a contínua tentativa de sequestro da própria atividade política do seio do Estado nacional, dos povos, para torná-la refém do círculo estreito do Mercado de onde, esse é o desejo, a política não deve extrapolar, ao tempo em que se busca divorciá-la das sociedades através da estratégia de sua criminalização, meticulosa propaganda de descrédito, deixando-a ao puro deleite dos prepostos do capital global.

Assim cabe aos brasileiros patriotas, democratas, progressistas desejosos em fazer avançar a luta por um projeto de desenvolvimento soberano, o fim das históricas, abissais desigualdades sociais, combater a dispersão e a fragmentação social pretendidas, protagonizar a solidez, a defesa do Estado nação, distinguir nos fenômenos a essência da aparência, apoiar a lúcida, organizada união popular através da luta política, verdadeiro, único caminho das mudanças aqui e em qualquer outro lugar do mundo.

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A grande encruzilhada

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

Quando a primeira-ministra da Grã-Bretanha Margaret Thatcher entronizou o neoliberalismo pelo mundo, ao lado de Ronald Reagan, ex-presidente dos Estados Unidos, invocando frases como: “não existe sociedade, o que existe são os indivíduos e o Mercado”, a humanidade não tinha noção do que esperava em termos de catástrofes econômicas, sociais, militares nas décadas vindouras.
Essa hegemonia edificada a ferro e fogo, ocupou todos os espaços nas ideias, política, literatura, economia, filosofia, ciência, mídia, artes etc., materializando, acredito, a mais contundente ditadura do pensamento único já conhecida pela História dos povos em todos os tempos.

Mas enquanto essa onda colossal arrastava de roldão a quase todos na Europa, Estados Unidos e grande parte dos Países já nos anos setenta passados, o Brasil em plena fase das mobilizações pela redemocratização conseguiu adiar por algum tempo essa violência contra o País.

E não é por outra razão que a Constituição de 1988 tem sido atacada até hoje através da grande mídia oligopolizada pelo Mercado aliada aos interesses da ortodoxia neoliberal, como o sociólogo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso além de um agrupamento de acadêmicos adotados por essa mídia que evocam argumentos divulgados há mais de 30 anos por Margareth Thatcher, a Dama de Ferro inglesa.

A Constituição não teve como eixo os conceitos privatistas, neoliberais, entreguistas porque surgiu de uma correlação de forças onde a forte energia social vinda das grandes jornadas nacionais, democráticas tinha muito peso levando aos trabalhos constituintes milhões de pessoas representando trabalhadores, estudantes, mulheres, comunidades indígenas, cientistas, empresários, agricultores etc.

Certo que depois a Constituição sofreu agressões ao sabor das pressões do grande capital, do continuísmo fisiológico, mas o fato é que permanece o nó górdio da encruzilhada Histórica.

Porque ou avançamos rumo a uma sociedade cada vez mais democrática com desenvolvimento e soberania, que fortaleça a iniciativa popular, promova o espírito da solidariedade junto ao povo brasileiro, os direitos sociais das grandes maiorias, inclusivo às minorias, ou sucumbiremos aos interesses forâneos, imperiais, ao fantasma da senhora Thatcher que, aliás, continua bastante atuante.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Câmara dos Deputados homenageia os constituintes, nos 25 anos da Constituição

Publicada no Vermelho a matéria de Selma Villela:

O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, entrega a medalha Assembleia Nacional Constituinte a Eduardo Bomfim

Eduardo Bomfim, PCdoB, constituinte nota 10, recebe medalha da Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados realizou sessão solene na manhã desta quarta-feira, 27/11, no Plenário Ulysses Guimarães, para a entrega das medalhas Assembleia Nacional Constituinte aos constituintes, pela destacada atuação na promoção da cidadania e do fortalecimento das instituições democráticas.
Compuseram a mesa diretora dos trabalhos o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, o vice-presidente da República, Michel Temer, e o senador Mauro Benevides, vice-presidente da Assembleia Nacional Constituinte.



O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, lembrou que o evento faz parte das comemorações dos 25 anos da Constituição Federal e que as medalhas foram cunhadas pela Casa da Moeda do Brasil em 1988 a pedido de Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Constituinte.
As medalhas não foram entregues à época e, desde então, ficaram guardadas em um cofre na Câmara dos Deputados. Neste ano, após a aprovação de um projeto de resolução, Alves decidiu entregá-las aos constituintes de 1988 e colaboradores que atuaram na Assembleia Nacional Constituinte. O presidente da Câmara considera que as medalhas são um reconhecimento público ao trabalho de todos que contribuíram para a construção do texto constitucional. “A democracia que temos hoje foi resultado da ação determinada de deputados e senadores constituintes”, salientou.

Eduardo Bomfim foi deputado constituinte pelo PCdoB, considerado nota 10 pelo DIAP, entidade que acompanhou os trabalhos constituintes pelo movimentos sindical e amplos setores da sociedade civil. Eduardo Bomfim, eleito pelo estado de Alagoas, foi um dos agraciados com a medalha Assembleia Nacional Constituinte.
Segundo Ulysses Guimarães, Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, no texto A Constituição Cidadã, que acompanhou as medalhas, “Trabalhamos muito, sem dúvida. Trabalhamos bem, esperamos. Estas medalhas serão a memória dos serviços institucionais e de confraternização humana prestados pela Constituição de 1988”.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Movimentos

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

O esfacelamento da antiga União Soviética criou as condições objetivas de nova expansão capitalista a nível mundial, que avançou sobre novos territórios, ao tempo em que os Estados Unidos consagravam-se como a grande potência imperial global incontestável, além da entronização do neoliberalismo como doutrina e dogma no centro das decisões econômicas internacionais.
E sob tal espectro dessa hegemonia financeira, militar, midiática instaurou-se formalmente tanto quanto institucionalmente a chamada Governança Mundial cujo motivo foi a caducidade do conceito até então prevalente da soberania nacional, a autodeterminação dos povos, produzindo uma nova era de intensos, variados conflitos regionais de alta, média intensidades, resultantes da ação imperial e as consequentes resistências dos povos.

Em função dessa monopolização financeira e dos interesses estadunidenses formatou-se uma agenda social global cuja pauta em sua gênese é auto justificável como aspiração básica das sociedades, dos indivíduos, mas que tem sido revertida ideologicamente ao utilitarismo, à padronização do Mercado, às estratégias da política externa dos Estados Unidos.

De tal forma que em nome dessa agenda, por exemplo, agridem-se os Direitos Humanos, destrói-se a democracia, apequena-se o exercício essencial da política, avilta-se a soberania das nações, mata-se, tortura-se barbaramente, violenta-se o meio ambiente, a identidade cultural dos Países, impõem-se a moda, os costumes globais, a fragmentação do sentimento em comum de nação, lucra-se com a fome endêmica que grassa em muitas regiões como em África, numa espécie de avesso da realidade tal como um jogo de espelhos distorcidos.

Mas a China, associada à ascensão dos BRICS, que resistiu em 1989 à tentativa de destruição do que eles denominam “socialismo combinado com economia de mercado”, da sua soberania, alavancou paradoxalmente, via crescimento econômico contínuo por décadas com variações relativamente pequenas, o surgimento de uma nova era geopolítica multilateral, em um momento histórico pleno de embates contra a hegemonia imperial, a Nova Ordem mundial, na luta pela autodeterminação das nações.

Enfim nesses tempos de ocaso do neoliberalismo a História, assim como a Terra, também se move, E pur si muove, como disse Galileu Galilei.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

A Segunda Guerra Fria

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

Em seu livro Formação do Império Americano publicado em 2009 o historiador, cientista político Moniz Bandeira narra as opiniões dos senadores Gary Hart, Democrata e Warren Rudman, Republicano, em 1999, ambos presidentes da Comissão Nacional para a Segurança/século XXI norte-americana, que os Estados Unidos continuariam como a principal força econômica, política, cultural do mundo, manteriam o domínio militar, pelo menos durante os próximos 25 anos.
Afirmaram que a “influência americana seria, ao mesmo tempo, aceita e crescentemente detestada”. De lá para cá muita água correu por debaixo da ponte, os EUA meteram-se em várias guerras, houve os atentados às torres gêmeas em Nova York etc., mas o fato é que as opiniões dos senadores mostraram-se corretas.

Agora Moniz Bandeira acaba de lançar outro livro sobre os atuais objetivos estratégicos dos Estados Unidos abordando, entre outras coisas, as recentes convulsões sociais na Eurásia, na África e no Oriente Médio.

Mas o que chama a atenção é o título: “A Segunda Guerra Fria”. Para o autor, prefaciado pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, em resenha de Marco Aurélio Weissheimer, nós estamos sob o espectro de uma Segunda Guerra Fria promovida pelos Estados Unidos cujo motivo central é conter o avanço econômico da China, evitar o soerguimento da Rússia, e acredito, sustar a ascensão das outras nações que compõem os BRICS incluindo é óbvio, o Brasil.

Como exemplo cita o programa norte-americano intitulado “full spectrum dominance” (dominação de espectro total) de manter a hegemonia com assassinatos seletivos, uso de Drones, espionagem global através do sistema Prism, a força militar com 750 bases militares em 350 Países.

Além do projeto “regime change”: ações desestabilizadoras “por meio da luta não violenta, via guerra psicológica, social, econômica, política” que tem como alvo a população de determinado País, “motivando ondas de protestos, boicotes, procissões, revoltas etc.” utilizando-se, claro, da grande mídia global sob controle absoluto.

O alerta contido no livro de Moniz Bandeira, mesmo com as diferenças geopolíticas, não deve ser subestimado pelos setores patrióticos, democráticos, progressistas brasileiros visto o cenário cada vez mais pesado da realidade política, econômica internacional.

sábado, 9 de novembro de 2013

Fenômenos engarrafados

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

A agenda global continua fomentando uma parafernália de movimentos e clichês na igual proporção em que agrava-se a crise estrutural capitalista, o declínio da outrora sociedade “maravilha curativa” onde o fim da História era anunciado para gáudio dos profetas do neoliberalismo incentivados pelo capital financeiro internacional.
Sobrepondo-se à agenda verdadeira, concreta das nações, suas necessidades estratégicas, semeando fragmentações, um caleidoscópio de ativismos quase alucinógenos que parecem brotar do nada mas, na verdade, são pautados pela informação midiática de classe, hegemônica.

Que justo se transformam no alfa e o ômega de alguns grupos logo ampliados pela lente multiplicadora da televisão monopolizada por carteis no Brasil e no mundo, pelos interesses do grande capital global, também repercutidos através das redes sociais.

Enquanto nações afundam em trágica crise na Europa, Estados Unidos, continentes fervem de violência e sangue como na África esquartejada, Oriente Médio, partes da Ásia, fruto da expansão armada imperial, nada mais útil para os nababos das finanças que a promoção e o elogio à truculência protofascista, confundir as classes subalternas, impedi-las de vislumbrar os verdadeiros responsáveis pelos males que as afligem.

No momento em que alguns analistas sociais correm afogueados a explicar os “fenômenos sociais de novo tipo do século XXI” sequiosos pelos 15 minutos de fama na mídia cartelizada, os graves problemas do Brasil continuam urgentes: educação, saúde, moradia, transportes públicos, segurança etc.

Além dos imensos lucros auferidos pelos grandes bancos, as taxas de juros fantásticas, quando na verdade o País necessita de fortes investimentos em infraestrutura, ciência, tecnologia, formação de quadros profissionais, mais geração de emprego, renda, crescimento econômico a patamares bem mais elevados.

Mas o fato é que vários estão atônitos diante de certas “causas flamejantes”, algumas engarrafadas e importadas para pronto consumo, sempre associadas a uma recorrente truculência com endereço certo: a inviabilização de um projeto de desenvolvimento nacional estratégico, a superação das históricas, abissais desigualdades sociais, a derrocada das liberdades democráticas tão duramente conquistadas pelo povo brasileiro.

sábado, 2 de novembro de 2013

Mobilidade nada urbana

Meu artigo na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Almanaque Alagoas e no Santana Oxente:

As consequências de um tipo de civilização extremamente autoritária imposta à humanidade, concentradora, que atende aos interesses exclusivos do grande capital internacional continuam a desnudar os intensos sinais de fadiga, vários impasses que se estabelecem por todos os lados.
Produzindo um tipo de sociedade onde a principal característica tem sido impor a todos os Países a abdicação ou o desaparecimento das suas particularidades culturais, nacionais e regionais.

Cujo objetivo é uniformizar o consumo das mercadorias, entendidas aqui como qualquer coisa que se possa vender, desde o celular, produção artística, a informação midiática de classe, de tal forma que seja qual for o lugar em que se esteja todos tenham a mesma escala de valores ideológicos, adquirindo o mesmo tipo de produto, pensando as mesmas coisas.

Essa é a política do capital financeiro após a imposição do neoliberalismo como doutrina hegemônica no planeta, a tradução mais óbvia do que vem a ser a ditadura do pensamento único do mercado, através da agenda global impositiva, onde todos podem agir, pensar desde que não se aventurem a exercitar o sentido crítico, contestador.

Já a diferença dos regimes autoritários anteriores, inclusive no Brasil, para os tempos atuais, é que naqueles as grandes maiorias lutaram por uma via democrática, soberana, de progresso social, enquanto que na ditadura do mercado a onipresença, o patrulhamento de poder do capital global faz-se de maneira indireta mas avassaladora.

Apesar da resistência dos povos, o surgimento dos BRICS, etc., a crise estrutural capitalista e suas consequências malignas geram forte impacto nas cidades, uma tempestade de ansiedades coletivas, fomentam graves problemas de segurança pública, saúde, mobilidade urbana, educação, pondo em cheque um modelo de civilização fundado basicamente na idolatria absolutista da mercadoria que se mostra nociva a toda humanidade.

Mesmo com o recente surgimento de governos democráticos, de políticas sociais mais avançadas, ainda tem sido determinante no Brasil nos últimos 23 anos, como na maioria do planeta, a ideologia dominante do mercado, do capital financeiro, exigindo da luta política a capacidade de encontrar os caminhos da sua superação, a busca de novos modelos alternativos de civilização.