Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
A crise estrutural financeira internacional associada à desintegração da nova ordem mundial, precocemente senil, vem provocando a falência de um determinado tipo de civilização, erigida conforme as necessidades do atual processo de acumulação, centralização do capitalismo, mais enfaticamente no século XXI.
Por outro lado, grande parte das sociedades passaram a assemelhar-se, com raras exceções, em uma espécie de espelho distorcido e farsesco, com as idiossincrasias culturais, ideológicas, antropológicas da sociedade norte-americana, essa nova Roma dos tempos pós-modernos, incorporando inclusive antinomias próprias da maior potência imperial de todos os tempos.
O fenômeno objetivo da expansão capitalista provocou a relativização da soberania dos Estados nacionais, impulsionou o ambicionado projeto do governo mundial dessa nova ordem, desfigurou o espírito moderador originário das Nações Unidas, gestou os grandes males que afligem a humanidade na atualidade.
E não há como dissociar esse processo da função imperial que exercem os Estados Unidos como um exército sem fronteiras, acima de quaisquer convenções, acordos internacionais referendados pela comunidade das nações ou até mesmo aqueles que venham a ser assinados.
Apesar da emergência de uma nova realidade geopolítica econômica, comercial, militar, o que ainda determina mesmo são as estruturas constituídas por essa nova ordem mundial provocando um encadeamento de crises de múltiplas faces que não arrefecem, ao contrário, se estendem e se intensificam pelo planeta.
A débâcle financeira alastra-se, agrava-se como, por exemplo, a tragédia da Grécia em crise agônica, os crescentes sinais de desintegração da Espanha além da maré de desemprego que avança por toda a Europa.
O Oriente Médio conflagrado, o continente Africano imerso numa escalada de violentos conflitos armados "inter-étnicos", entre as nações da região, de caráter neo-colonialista, além da corrida armamentista dos Estados Unidos na Ásia circundando a China.
Quanto ao Brasil o que se pretende é evitar um inadiável projeto de desenvolvimento nacional soberano, cooperação econômica e solidariedade política junto aos povos irmãos da América do Sul, sem o que irá afundar no pântano da crise global e das ambições expansionistas contra as suas riquezas, população e território continental cobiçado.
sábado, 1 de dezembro de 2012
sábado, 24 de novembro de 2012
Poder assimétrico
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
A reeleição de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos foi divulgada pelo complexo hegemônico mundial de informação e correias de transmissão nos Países, como uma vitória da paz global e do bom senso.
Com o eleitorado norte-americano literalmente dividido ao meio entre Republicanos e Democratas "os especialistas da grande mídia" concluíram que a resposta do presidente aos estragos provocados pelo furacão Sandy foi decisiva para sua recondução à Casa Branca.
Na campanha mais cara de toda a história dos EUA, Obama gastou um bilhão de dólares, o Republicano Mitt Romney 800 milhões, apesar da crise estrutural que abala a economia da nação devorando dezenas de milhões de empregos.
No Brasil, e no mundo, foi intensa a cobertura obsequiosa da grande mídia hegemônica, com interpretações sem um mínimo balanço dos interesses do País nos aspectos das relações comerciais, econômicas, científicas, geopolíticas, diplomáticas com os Estados Unidos.
Mas através da mídia interna norte-americana sabe-se que para a reeleição além dos bilhões foi decisivo para Obama o apoio às ações militares de Israel contra a Palestina, o Irã, como o sinal verde à corrida armamentista do complexo industrial militar dos EUA na Ásia.
Na verdade estamos diante da famosa Pax Romana sob a liderança de uma espécie de César pós-moderno com um porrete em uma das mãos e uma agenda social global na outra, com o objetivo de criar uma base de apoio ou ao menos a neutralidade de segmentos da população mundial.
Diante da crise econômica, falência da civilização da nova ordem mundial, proliferação de regiões explosivas, insubordinação social crescente, os EUA vão recrudescer as ações militares combinadas com uma maior ofensiva do complexo ideológico-cultural e de propaganda.
Por mais bizarro que possa parecer, esse poder global assimétrico, a lógica imperial, o capital financeiro global, vão levar a humanidade ao aumento dos conflitos armados, intensificação dos mecanismos de desregulamentação das economias, maior perda da autonomia relativa dos Estados nacionais, imensa fragilização no mundo do trabalho.
Assim, torna-se cada vez mais inadiável para a sobrevivência da humanidade, dos indivíduos, a luta pela soberania das nações, o progresso econômico-social, a autodeterminação cultural dos povos, por uma civilização mais solidária, alternativa a essa da barbárie e do totalitarismo.
A reeleição de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos foi divulgada pelo complexo hegemônico mundial de informação e correias de transmissão nos Países, como uma vitória da paz global e do bom senso.
Com o eleitorado norte-americano literalmente dividido ao meio entre Republicanos e Democratas "os especialistas da grande mídia" concluíram que a resposta do presidente aos estragos provocados pelo furacão Sandy foi decisiva para sua recondução à Casa Branca.
Na campanha mais cara de toda a história dos EUA, Obama gastou um bilhão de dólares, o Republicano Mitt Romney 800 milhões, apesar da crise estrutural que abala a economia da nação devorando dezenas de milhões de empregos.
No Brasil, e no mundo, foi intensa a cobertura obsequiosa da grande mídia hegemônica, com interpretações sem um mínimo balanço dos interesses do País nos aspectos das relações comerciais, econômicas, científicas, geopolíticas, diplomáticas com os Estados Unidos.
Mas através da mídia interna norte-americana sabe-se que para a reeleição além dos bilhões foi decisivo para Obama o apoio às ações militares de Israel contra a Palestina, o Irã, como o sinal verde à corrida armamentista do complexo industrial militar dos EUA na Ásia.
Na verdade estamos diante da famosa Pax Romana sob a liderança de uma espécie de César pós-moderno com um porrete em uma das mãos e uma agenda social global na outra, com o objetivo de criar uma base de apoio ou ao menos a neutralidade de segmentos da população mundial.
Diante da crise econômica, falência da civilização da nova ordem mundial, proliferação de regiões explosivas, insubordinação social crescente, os EUA vão recrudescer as ações militares combinadas com uma maior ofensiva do complexo ideológico-cultural e de propaganda.
Por mais bizarro que possa parecer, esse poder global assimétrico, a lógica imperial, o capital financeiro global, vão levar a humanidade ao aumento dos conflitos armados, intensificação dos mecanismos de desregulamentação das economias, maior perda da autonomia relativa dos Estados nacionais, imensa fragilização no mundo do trabalho.
Assim, torna-se cada vez mais inadiável para a sobrevivência da humanidade, dos indivíduos, a luta pela soberania das nações, o progresso econômico-social, a autodeterminação cultural dos povos, por uma civilização mais solidária, alternativa a essa da barbárie e do totalitarismo.
sábado, 17 de novembro de 2012
Civilização do mal-estar
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
O problema central das lutas por cidades mais humanas é um tipo de civilização regressiva imposta à humanidade decorrente da hegemonia mundial, quase que absoluta, do capital financeiro da chamada nova ordem mundial, de caráter multifacetário com abrangência planetária.
Nessas últimas duas décadas operou-se paulatinamente, sistematicamente, uma espécie de engenharia maligna com vistas à tentativa de desconstrução de qualquer manifestação ideológica, cultural, política, conquistada pelos povos através dos tempos relativa a um mundo mais solidário, menos injusto, mais tolerante, razoavelmente democrático.
As consequências políticas, econômicas, sociais estão por aí, a olhos vistos com a crescente violência, o aumento galopante da criminalidade, o fenômeno arrasador do negócio das drogas pesadas em escala global, a crise estrutural do desemprego, a criminalização do exercício da política para melhor controlar a própria política que sempre conduziu os destinos dos Países e jamais deixará de ser assim.
Há em todo mundo um cheiro crescente de enxofre, inclusive no Brasil, típico dos tempos autoritários especialmente nos momentos de contestação, avanço ou insubordinação da consciência social quanto ao sentimento de que os de baixo já não mais suportam tanta desgraça e exploração desenfreada por parte de uma ínfima minoria de privilegiados milhardários deslumbrados, flanantes bem vestidos, frequentadores de um clube privado de beneficiários da nova ordem mundial.
Mesmo no Brasil com as ações de transferência de renda pelo Estado nacional nesses 12 anos modificando as condições de vida de dezenas de milhões de pessoas que saíram da linha de pobreza, incorporando-as ao mercado de trabalho com acesso a bens de consumo, políticas compensatórias para atender segmentos sociais, é difícil sustar as consequências nocivas da nova ordem mundial sobre a nação e os seus efeitos totalitários.
Sobrepondo-se vertiginosa obsolência de produtos e pessoas, um presente contínuo, a ausência do passado, a inexistência de um futuro solidário, a aridez de valores humanos individuais, sociais, minimamente respeitáveis.
Assim, além de se travar a peleja pelo progresso social, aqui e agora, impõe-se tremenda luta política de ideias alternativa a essa civilização do mal-estar generalizado, excludente, que conduz a humanidade ao abismo econômico, social e espiritual.
O problema central das lutas por cidades mais humanas é um tipo de civilização regressiva imposta à humanidade decorrente da hegemonia mundial, quase que absoluta, do capital financeiro da chamada nova ordem mundial, de caráter multifacetário com abrangência planetária.
Nessas últimas duas décadas operou-se paulatinamente, sistematicamente, uma espécie de engenharia maligna com vistas à tentativa de desconstrução de qualquer manifestação ideológica, cultural, política, conquistada pelos povos através dos tempos relativa a um mundo mais solidário, menos injusto, mais tolerante, razoavelmente democrático.
As consequências políticas, econômicas, sociais estão por aí, a olhos vistos com a crescente violência, o aumento galopante da criminalidade, o fenômeno arrasador do negócio das drogas pesadas em escala global, a crise estrutural do desemprego, a criminalização do exercício da política para melhor controlar a própria política que sempre conduziu os destinos dos Países e jamais deixará de ser assim.
Há em todo mundo um cheiro crescente de enxofre, inclusive no Brasil, típico dos tempos autoritários especialmente nos momentos de contestação, avanço ou insubordinação da consciência social quanto ao sentimento de que os de baixo já não mais suportam tanta desgraça e exploração desenfreada por parte de uma ínfima minoria de privilegiados milhardários deslumbrados, flanantes bem vestidos, frequentadores de um clube privado de beneficiários da nova ordem mundial.
Mesmo no Brasil com as ações de transferência de renda pelo Estado nacional nesses 12 anos modificando as condições de vida de dezenas de milhões de pessoas que saíram da linha de pobreza, incorporando-as ao mercado de trabalho com acesso a bens de consumo, políticas compensatórias para atender segmentos sociais, é difícil sustar as consequências nocivas da nova ordem mundial sobre a nação e os seus efeitos totalitários.
Sobrepondo-se vertiginosa obsolência de produtos e pessoas, um presente contínuo, a ausência do passado, a inexistência de um futuro solidário, a aridez de valores humanos individuais, sociais, minimamente respeitáveis.
Assim, além de se travar a peleja pelo progresso social, aqui e agora, impõe-se tremenda luta política de ideias alternativa a essa civilização do mal-estar generalizado, excludente, que conduz a humanidade ao abismo econômico, social e espiritual.
sábado, 10 de novembro de 2012
Eleições nos Estados Unidos
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
A reeleição do presidente Barack Obama foi decisiva aos amplos segmentos do establishment alinhados ao partido Democrata, o empresarial, da informática, o industrial-militar, comercial, diplomático, midiático, mas também o ideológico.
Que exerce inquestionável liderança nas diretrizes culturais do País desde o governo Clinton com uma linha multiculturalista institucionalizada através de uma agenda global.
Já o partido Republicano representa a visão, o estilo de vida defendido pela metade dos norte-americanos, refratários às mudanças internas, externas, inadequado às novas estratégias expansionistas dos EUA.
Como potência imperial os Estados Unidos devem recrudescer suas investidas aumentando os perigos de novas intervenções armadas e guerras onde será preciso combinar a crescente força bruta com uma política ideológica flexível, exportável, assimilável a diversos setores sociais em escala mundial.
Setores sociais que se encontram à deriva, sem causas nacionais e populares galvanizadoras que os unifiquem, em decorrência da vitória global do projeto neoliberal, da perda relativa da autonomia dos Estados nacionais, da ausência de uma alternativa mais concreta de emancipação social.
Os Democratas conduzem essa agenda midiática-ideológica-cultural gestada pela "inteligência" norte-americana para consumo interno posteriormente difundida em escala mundial para o exercício da supremacia internacional visando amenizar os efeitos de uma política externa agressiva progressivamente contestada pelos povos.
Porque para os EUA em crise econômica estrutural é imprescindível garantir a "sustentabilidade planetária" dos privilégios imperiais ancorados na superioridade militar, no complexo de propaganda, na imposição dos seus padrões culturais.
Não se deve perder de vista que Republicanos ou Democratas abraçam o mesmo "princípio teológico" que avoca para os EUA o "destino manifesto de nação" evangelizadora das nações, por bem ou pela força, moldando-as aos seus próprios "valores morais, políticos, religiosos".
Quanto à grande mídia hegemônica em vários Países, inclusive no Brasil, ela representa, em geral, linhas auxiliares a esse controle ideológico da informação com uma postura obsequiosa, reverencial, no papel subalterno de correias de transmissão desses valores, da "agenda social global", a mesma visão sobre o poder e a geopolítica mundial unipolar.
A reeleição do presidente Barack Obama foi decisiva aos amplos segmentos do establishment alinhados ao partido Democrata, o empresarial, da informática, o industrial-militar, comercial, diplomático, midiático, mas também o ideológico.
Que exerce inquestionável liderança nas diretrizes culturais do País desde o governo Clinton com uma linha multiculturalista institucionalizada através de uma agenda global.
Já o partido Republicano representa a visão, o estilo de vida defendido pela metade dos norte-americanos, refratários às mudanças internas, externas, inadequado às novas estratégias expansionistas dos EUA.
Como potência imperial os Estados Unidos devem recrudescer suas investidas aumentando os perigos de novas intervenções armadas e guerras onde será preciso combinar a crescente força bruta com uma política ideológica flexível, exportável, assimilável a diversos setores sociais em escala mundial.
Setores sociais que se encontram à deriva, sem causas nacionais e populares galvanizadoras que os unifiquem, em decorrência da vitória global do projeto neoliberal, da perda relativa da autonomia dos Estados nacionais, da ausência de uma alternativa mais concreta de emancipação social.
Os Democratas conduzem essa agenda midiática-ideológica-cultural gestada pela "inteligência" norte-americana para consumo interno posteriormente difundida em escala mundial para o exercício da supremacia internacional visando amenizar os efeitos de uma política externa agressiva progressivamente contestada pelos povos.
Porque para os EUA em crise econômica estrutural é imprescindível garantir a "sustentabilidade planetária" dos privilégios imperiais ancorados na superioridade militar, no complexo de propaganda, na imposição dos seus padrões culturais.
Não se deve perder de vista que Republicanos ou Democratas abraçam o mesmo "princípio teológico" que avoca para os EUA o "destino manifesto de nação" evangelizadora das nações, por bem ou pela força, moldando-as aos seus próprios "valores morais, políticos, religiosos".
Quanto à grande mídia hegemônica em vários Países, inclusive no Brasil, ela representa, em geral, linhas auxiliares a esse controle ideológico da informação com uma postura obsequiosa, reverencial, no papel subalterno de correias de transmissão desses valores, da "agenda social global", a mesma visão sobre o poder e a geopolítica mundial unipolar.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Soberania e eleições
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
A partir da segunda metade do século XX, em meados dos anos sessenta, intensificaram-se as grandes lutas de libertação nacional onde os Países do terceiro mundo foram emblemáticos na virada da página de um período histórico que representou a um só tempo entusiasmada esperança, incertezas e promessas de emancipação social.
Mas a última década do século passado iniciou-se sob o domínio da nova ordem neoliberal (com a hegemonia arrasadora do capital financeiro e o fundamentalismo de mercado) e suas devastadoras consequências de abrangência multilateral que se estendem aos dias atuais como tendência mundial ainda determinante.
A atual crise global do capitalismo apresenta explícitos sinais de fadiga do trinômio globalização/desregulamentação/privatização tanto no âmbito econômico como social, geopolítico. Dia após dia a realidade internacional fica mais instável, absurdamente perigosa, revelando uma civilização regressiva imposta à humanidade.
E mais uma vez as nações emergentes, especialmente da América Latina, demonstram sinais de resistência, agora contra as políticas da velha "nova ordem mundial".
Nesse contexto a vitória nas eleições municipais em São Paulo e grandes centros urbanos do campo político que se opõe às orientações neoliberais ortodoxas no Brasil, apresenta significativa acumulação de forças para as batalhas políticas que se avizinham.
Pelejas que devem atingir intensidade no futuro próximo mas já apresentam claros sinais de ameaças à jovem democracia conquistada em 1985 com o fim do governo ditatorial de 21 anos.
O fato é que os regimes autoritários no País decorrem da ausência de base social das correntes conservadoras nos pleitos eleitorais decisivos em nossa História recente, da revolução de 1930 aos dias atuais.
As estruturas do aparelho de Estado e os legítimos representantes eleitos através do voto se conjugam porém representam aspectos distintos do mesmo sistema onde o primeiro sobrepõe-se ao outro como derradeira cidadela de classe social.
Assim, está em curso um movimento visando contrapor essas estruturas aos governos eleitos, a neutralização de setores médios através da grande mídia hegemônica associada ao capital financeiro e interesses forâneos no sentido de se antecipar a eventuais reformas estruturais, estratégicas ao progresso social, econômico e, em última instância, à própria soberania do Brasil.
A partir da segunda metade do século XX, em meados dos anos sessenta, intensificaram-se as grandes lutas de libertação nacional onde os Países do terceiro mundo foram emblemáticos na virada da página de um período histórico que representou a um só tempo entusiasmada esperança, incertezas e promessas de emancipação social.
Mas a última década do século passado iniciou-se sob o domínio da nova ordem neoliberal (com a hegemonia arrasadora do capital financeiro e o fundamentalismo de mercado) e suas devastadoras consequências de abrangência multilateral que se estendem aos dias atuais como tendência mundial ainda determinante.
A atual crise global do capitalismo apresenta explícitos sinais de fadiga do trinômio globalização/desregulamentação/privatização tanto no âmbito econômico como social, geopolítico. Dia após dia a realidade internacional fica mais instável, absurdamente perigosa, revelando uma civilização regressiva imposta à humanidade.
E mais uma vez as nações emergentes, especialmente da América Latina, demonstram sinais de resistência, agora contra as políticas da velha "nova ordem mundial".
Nesse contexto a vitória nas eleições municipais em São Paulo e grandes centros urbanos do campo político que se opõe às orientações neoliberais ortodoxas no Brasil, apresenta significativa acumulação de forças para as batalhas políticas que se avizinham.
Pelejas que devem atingir intensidade no futuro próximo mas já apresentam claros sinais de ameaças à jovem democracia conquistada em 1985 com o fim do governo ditatorial de 21 anos.
O fato é que os regimes autoritários no País decorrem da ausência de base social das correntes conservadoras nos pleitos eleitorais decisivos em nossa História recente, da revolução de 1930 aos dias atuais.
As estruturas do aparelho de Estado e os legítimos representantes eleitos através do voto se conjugam porém representam aspectos distintos do mesmo sistema onde o primeiro sobrepõe-se ao outro como derradeira cidadela de classe social.
Assim, está em curso um movimento visando contrapor essas estruturas aos governos eleitos, a neutralização de setores médios através da grande mídia hegemônica associada ao capital financeiro e interesses forâneos no sentido de se antecipar a eventuais reformas estruturais, estratégicas ao progresso social, econômico e, em última instância, à própria soberania do Brasil.
sábado, 27 de outubro de 2012
Como um bom vinho
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
A Era dos Extremos é um clássico de Eric Hobsbawm, em meio a uma extraordinária produção intelectual, que a distância temporal de quase vinte anos longe de esmaecer as suas principais conclusões fortalece-as, mesmo que se possa ter, aqui e ali, diferenças com suas análises.
Trata-se de um balanço multilateral, ricamente detalhado do século XX, apresenta sinalizações sobre o início do terceiro milênio ou ao menos acerca da sua primeira década que todos nós vivenciamos.
De formação marxista Hobsbawm tornou-se intelectual respeitado, com a sua erudição, profundidade, sobriedade e estilo elegante, para além daqueles que não se incorporam à sua corrente de pensamento.
Sua obra ultrapassa o sentido da História formal, tem fundamentos na economia, na sociologia, nos fenômenos estruturais, ideológicos, da humanidade.
Em O Breve Século XX o falecido autor tece várias conclusões, entre elas "que essa foi, paradoxalmente, uma época que se assentava na defesa dos benefícios para a humanidade, do progresso material sustentado pelos avanços da ciência e tecnologia", mas o seu ocaso revelou "a rejeição desse progresso por correntes que se pretendem representantes do pensamento ocidental como os apologistas do crescimento zero ou quase zero, em solução à crise ambiental".
Afirmou que essa seria uma das contradições do século XXI (além do mundo unipolar, a persistente centralização, concentração do capital, o monopólio, controle planetário da informação) especialmente entre setores abastados e médios do primeiro mundo, empresários do florescente capitalismo verde e os contingentes populacionais do terceiro mundo onde reside a grande maioria dos habitantes do planeta.
Ao refletir sobre o início do novo milênio, o historiador indica o surgimento de "estranhos apelos em favor de uma sociedade civil e de grupos, inespecíficos, não restando por aí outra maneira de entender as identidades das sociedades e grupos, senão através da exclusão" das demais pessoas, tornando irrelevantes os conceitos de classes sociais.
Como cientista Hobsbawm não era pessimista nem otimista, fundava seus estudos na análise rigorosa da realidade, utilizando sempre a dialética marxista, que ele entendia ser o instrumental para a abordagem dos fenômenos sociais, históricos. A vida demonstrou que as suas observações são como um bom vinho, quanto mais o tempo passa, melhores.
A Era dos Extremos é um clássico de Eric Hobsbawm, em meio a uma extraordinária produção intelectual, que a distância temporal de quase vinte anos longe de esmaecer as suas principais conclusões fortalece-as, mesmo que se possa ter, aqui e ali, diferenças com suas análises.
Trata-se de um balanço multilateral, ricamente detalhado do século XX, apresenta sinalizações sobre o início do terceiro milênio ou ao menos acerca da sua primeira década que todos nós vivenciamos.
De formação marxista Hobsbawm tornou-se intelectual respeitado, com a sua erudição, profundidade, sobriedade e estilo elegante, para além daqueles que não se incorporam à sua corrente de pensamento.
Sua obra ultrapassa o sentido da História formal, tem fundamentos na economia, na sociologia, nos fenômenos estruturais, ideológicos, da humanidade.
Em O Breve Século XX o falecido autor tece várias conclusões, entre elas "que essa foi, paradoxalmente, uma época que se assentava na defesa dos benefícios para a humanidade, do progresso material sustentado pelos avanços da ciência e tecnologia", mas o seu ocaso revelou "a rejeição desse progresso por correntes que se pretendem representantes do pensamento ocidental como os apologistas do crescimento zero ou quase zero, em solução à crise ambiental".
Afirmou que essa seria uma das contradições do século XXI (além do mundo unipolar, a persistente centralização, concentração do capital, o monopólio, controle planetário da informação) especialmente entre setores abastados e médios do primeiro mundo, empresários do florescente capitalismo verde e os contingentes populacionais do terceiro mundo onde reside a grande maioria dos habitantes do planeta.
Ao refletir sobre o início do novo milênio, o historiador indica o surgimento de "estranhos apelos em favor de uma sociedade civil e de grupos, inespecíficos, não restando por aí outra maneira de entender as identidades das sociedades e grupos, senão através da exclusão" das demais pessoas, tornando irrelevantes os conceitos de classes sociais.
Como cientista Hobsbawm não era pessimista nem otimista, fundava seus estudos na análise rigorosa da realidade, utilizando sempre a dialética marxista, que ele entendia ser o instrumental para a abordagem dos fenômenos sociais, históricos. A vida demonstrou que as suas observações são como um bom vinho, quanto mais o tempo passa, melhores.
sábado, 20 de outubro de 2012
O avesso
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
Nunca é demais retornar ao tema sobre a desordem financeira mundial, o controle sobre a informação, o monopólio ideológico do capital globalizado através de um poderoso aparato midiático internacional, a cooptação de organismos internacionais, antes instituições razoavelmente representativas para dirimir conflitos, desavenças entre a comunidade das nações.
Mesmo com o surgimento de uma outra geopolítica mundial através de novos atores como os BRICS, Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, o que permanece determinante, por enquanto, é mesmo a velha "nova ordem mundial" substrato de um poder mundial unipolar resultante da desintegração da URSS lá pelos idos do final da década de oitenta.
O que existe é uma resistência ascendente em contraponto às condições onde ainda predomina o mando desse capital financeiro globalizado cujo braço armado encontra-se sob a chancela da máquina de guerra norte-americana e aliados satélites.
Produzindo agressões contra a autodeterminação das nações, contabilizando em poucos anos centenas de milhares de mortos, outro tanto igual de feridos, mutilados, milhões de refugiados, muitos deles vegetando em acampamentos fétidos.
Assim o neoliberalismo fecundou uma anarquia planetária, a insegurança coletiva, individual, uma espiral de violência, medo, ódio, caos, reação, barbárie, um tipo de civilização claramente regressiva.
Já as lutas históricas das sociedades pelos direitos humanos, meio ambiente, liberdades democráticas, de religião etc, são espoliadas pelo ubíquo controle ideológico do capital financeiro e EUA, usadas como pretextos às intervenções armadas, anexações territoriais.
Eles ressurgem, inescrupulosamente, como paladinos desses imprescritíveis reclamos da humanidade ao tempo que buscam destruir formas universais de lutas das organizações populares, decisivas aos combates pela soberania, emancipação social, travados sob condições trágicas em muitos Países, absolutamente incontornáveis em outros, como o Brasil.
Desejam assim inverter a equação, pondo-a de cabeça para baixo, uma espécie do avesso do que realmente pretendem, impor ao Brasil sua própria agenda política, exigindo muita lucidez das várias correntes em luta para, junto ao trato da diversidade nas questões sociais, erguer bem alto a defesa da unidade popular, fundamental em um País que ainda é muito desigual, com a soberania sob ameaças.
Nunca é demais retornar ao tema sobre a desordem financeira mundial, o controle sobre a informação, o monopólio ideológico do capital globalizado através de um poderoso aparato midiático internacional, a cooptação de organismos internacionais, antes instituições razoavelmente representativas para dirimir conflitos, desavenças entre a comunidade das nações.
Mesmo com o surgimento de uma outra geopolítica mundial através de novos atores como os BRICS, Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul, o que permanece determinante, por enquanto, é mesmo a velha "nova ordem mundial" substrato de um poder mundial unipolar resultante da desintegração da URSS lá pelos idos do final da década de oitenta.
O que existe é uma resistência ascendente em contraponto às condições onde ainda predomina o mando desse capital financeiro globalizado cujo braço armado encontra-se sob a chancela da máquina de guerra norte-americana e aliados satélites.
Produzindo agressões contra a autodeterminação das nações, contabilizando em poucos anos centenas de milhares de mortos, outro tanto igual de feridos, mutilados, milhões de refugiados, muitos deles vegetando em acampamentos fétidos.
Assim o neoliberalismo fecundou uma anarquia planetária, a insegurança coletiva, individual, uma espiral de violência, medo, ódio, caos, reação, barbárie, um tipo de civilização claramente regressiva.
Já as lutas históricas das sociedades pelos direitos humanos, meio ambiente, liberdades democráticas, de religião etc, são espoliadas pelo ubíquo controle ideológico do capital financeiro e EUA, usadas como pretextos às intervenções armadas, anexações territoriais.
Eles ressurgem, inescrupulosamente, como paladinos desses imprescritíveis reclamos da humanidade ao tempo que buscam destruir formas universais de lutas das organizações populares, decisivas aos combates pela soberania, emancipação social, travados sob condições trágicas em muitos Países, absolutamente incontornáveis em outros, como o Brasil.
Desejam assim inverter a equação, pondo-a de cabeça para baixo, uma espécie do avesso do que realmente pretendem, impor ao Brasil sua própria agenda política, exigindo muita lucidez das várias correntes em luta para, junto ao trato da diversidade nas questões sociais, erguer bem alto a defesa da unidade popular, fundamental em um País que ainda é muito desigual, com a soberania sob ameaças.
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Ideologia da nova ordem
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
Nesses últimos anos tem havido uma intensificação de opiniões, manifestações e de repulsa à atividade política em escala mundial, uma tendência agressiva, virulenta mesmo, com o objetivo de afastar o cidadão comum do engajamento nas causas transformadoras da realidade em que ele vive.
Um discurso falso - a política sempre determinou os rumos das sociedades em todas as épocas -, doloso porque está associado aos interesses de impedir a participação popular através de restrições democráticas, consolidando mais ainda o monopólio político, ideológico, nas mãos de reduzidos, poderosos grupos com capacidade decisória de abrangência global.
A perda relativa de autonomia dos Estados Nacionais submetidos às regras de organismos internacionais, antes razoavelmente representativas do equilíbrio internacional entre os Países, age como complemento a essa hegemonia e tem o mesmo fim, ou seja, a extraordinária concentração, centralização do capital financeiro a nível internacional.
Esse monopólio do poder, intimidação, dissuasão e intervenção, encontra-se associado à maior máquina de guerra que a humanidade já conheceu, coordenada pelos Estados Unidos da América, além de um fabuloso aparato midiático que controla a informação mundial, dissemina comportamentos, criminaliza opositores.
Assim, como em uma alquimia ideológica maligna, reivindicações generosas, auto-justificáveis, que sempre representaram anseios dos povos, nações, agora são usadas como justificativas de intervenção militar, estratégias para ambicionadas anexações territoriais como é o caso da Amazônia brasileira.
Por outro lado, a desconstrução da atividade política através da ideia de que "acreditar em mudar a vida da sociedade, e dos outros, não possui qualquer relevância para a sua própria vida", é um dos maiores venenos inoculados pela hegemonia neoliberal global.
Produzindo um individualismo doentio, enfraquecimento da solidariedade social, apostasia ideológica, o consumismo patológico, o incentivo ao aventureirismo político, caldo de cultura em todas as épocas às ambições totalitárias de tipo fascista.
As dramáticas consequências sociais da ordem neoliberal global, a crise da civilização por ela gerada, a sua aversão à humanidade, estão provocando a resistência das nações, sociedades, em defesa da liberdade, dignidade humana e até mesmo da sua própria existência.
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| Insubordinação do povo grego contra a desordem econômica mundial |
Nesses últimos anos tem havido uma intensificação de opiniões, manifestações e de repulsa à atividade política em escala mundial, uma tendência agressiva, virulenta mesmo, com o objetivo de afastar o cidadão comum do engajamento nas causas transformadoras da realidade em que ele vive.
Um discurso falso - a política sempre determinou os rumos das sociedades em todas as épocas -, doloso porque está associado aos interesses de impedir a participação popular através de restrições democráticas, consolidando mais ainda o monopólio político, ideológico, nas mãos de reduzidos, poderosos grupos com capacidade decisória de abrangência global.
A perda relativa de autonomia dos Estados Nacionais submetidos às regras de organismos internacionais, antes razoavelmente representativas do equilíbrio internacional entre os Países, age como complemento a essa hegemonia e tem o mesmo fim, ou seja, a extraordinária concentração, centralização do capital financeiro a nível internacional.
Esse monopólio do poder, intimidação, dissuasão e intervenção, encontra-se associado à maior máquina de guerra que a humanidade já conheceu, coordenada pelos Estados Unidos da América, além de um fabuloso aparato midiático que controla a informação mundial, dissemina comportamentos, criminaliza opositores.
Assim, como em uma alquimia ideológica maligna, reivindicações generosas, auto-justificáveis, que sempre representaram anseios dos povos, nações, agora são usadas como justificativas de intervenção militar, estratégias para ambicionadas anexações territoriais como é o caso da Amazônia brasileira.
Por outro lado, a desconstrução da atividade política através da ideia de que "acreditar em mudar a vida da sociedade, e dos outros, não possui qualquer relevância para a sua própria vida", é um dos maiores venenos inoculados pela hegemonia neoliberal global.
Produzindo um individualismo doentio, enfraquecimento da solidariedade social, apostasia ideológica, o consumismo patológico, o incentivo ao aventureirismo político, caldo de cultura em todas as épocas às ambições totalitárias de tipo fascista.
As dramáticas consequências sociais da ordem neoliberal global, a crise da civilização por ela gerada, a sua aversão à humanidade, estão provocando a resistência das nações, sociedades, em defesa da liberdade, dignidade humana e até mesmo da sua própria existência.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Civilização em impasse
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
Se a prática da atividade política, como de resto na maioria dos ramos da atividade humana, baseia-se na análise concreta da realidade concreta, também não é menos verdadeiro que essa mesma humanidade é movida por esperanças fundadas nas causas, projetos, programas, que são formulados pelas correntes de pensamentos em todos os tempos, seja no passado, presente ou no futuro.
O historiador Eric Hobsbawm, falecido dias atrás, afirmou em recente entrevista, com a clareza dialética e visão universal dos fenômenos sociais, que a globalização, desregulamentação radical dos mercados mundiais, o fundamentalismo econômico da nova ordem mundial desses últimos vinte anos, levaram as sociedades ao grave impasse que estamos vivenciando, tendo como responsáveis os mesmos autores das grandes tragédias do século XX.
A crise financeira que tem jogado ao pântano social os Países da União Europeia e os Estados Unidos da América mas que se espalhou por todos os continentes atingindo as nações emergentes inclusive os denominados BRICS, dos quais o Brasil faz parte, é o ponto de inflexão e de estrangulamento do liberalismo ortodoxo capitalista responsável pelos fundamentos globais da economia assim como pela cara dessa atual civilização.
Os beneficiários desse processo foram os EUA que se tornaram, em virtude de circunstâncias históricas determinadas, a maior potência político-militar-cultural-ideológica que a humanidade já conheceu.
Ditando os rumos das estratégias financeiras globais, as diretrizes da geopolítica mundial, as informações centralizadas através de um complexo midiático planetário totalitário, fabricando em pouco tempo uma civilização à imagem desse império, condizente com os interesses do mercado desregulado.
Uma "sociedade volátil, de ligações frouxas e preceitos revogáveis" reduzida à tresloucada roda viva do consumo transformado em ideologia oficial, civilização de desigualdades, tensões, inquietações, medos coletivos e individuais, rejeição dos Estados nacionais, das identidades culturais e negação dos grandes valores humanistas, mergulhada na instabilidade crônica.
Mas essa civilização forjada a fogo e bala, do cidadão reduzido a um consumidor alienável está em colapso, num beco sem saída, recusada pela humanidade. Afinal, tinha razão Victor Hugo, gigante do pensamento universal: O homem, quando pensa, é um ser alado.
Se a prática da atividade política, como de resto na maioria dos ramos da atividade humana, baseia-se na análise concreta da realidade concreta, também não é menos verdadeiro que essa mesma humanidade é movida por esperanças fundadas nas causas, projetos, programas, que são formulados pelas correntes de pensamentos em todos os tempos, seja no passado, presente ou no futuro.
O historiador Eric Hobsbawm, falecido dias atrás, afirmou em recente entrevista, com a clareza dialética e visão universal dos fenômenos sociais, que a globalização, desregulamentação radical dos mercados mundiais, o fundamentalismo econômico da nova ordem mundial desses últimos vinte anos, levaram as sociedades ao grave impasse que estamos vivenciando, tendo como responsáveis os mesmos autores das grandes tragédias do século XX.
A crise financeira que tem jogado ao pântano social os Países da União Europeia e os Estados Unidos da América mas que se espalhou por todos os continentes atingindo as nações emergentes inclusive os denominados BRICS, dos quais o Brasil faz parte, é o ponto de inflexão e de estrangulamento do liberalismo ortodoxo capitalista responsável pelos fundamentos globais da economia assim como pela cara dessa atual civilização.
Os beneficiários desse processo foram os EUA que se tornaram, em virtude de circunstâncias históricas determinadas, a maior potência político-militar-cultural-ideológica que a humanidade já conheceu.
Ditando os rumos das estratégias financeiras globais, as diretrizes da geopolítica mundial, as informações centralizadas através de um complexo midiático planetário totalitário, fabricando em pouco tempo uma civilização à imagem desse império, condizente com os interesses do mercado desregulado.
Uma "sociedade volátil, de ligações frouxas e preceitos revogáveis" reduzida à tresloucada roda viva do consumo transformado em ideologia oficial, civilização de desigualdades, tensões, inquietações, medos coletivos e individuais, rejeição dos Estados nacionais, das identidades culturais e negação dos grandes valores humanistas, mergulhada na instabilidade crônica.
Mas essa civilização forjada a fogo e bala, do cidadão reduzido a um consumidor alienável está em colapso, num beco sem saída, recusada pela humanidade. Afinal, tinha razão Victor Hugo, gigante do pensamento universal: O homem, quando pensa, é um ser alado.
sábado, 29 de setembro de 2012
Ambições inconfessáveis
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
O recente encontro dos principais presidentes dos bancos centrais do mundo realizado na Basiléia concluiu que a crise financeira global será ainda mais forte e prolongada do que se imaginava. O espírito dominante foi de pessimismo e incertezas.
Porém as medidas de austeridade fiscal, cortes nos investimentos públicos, arrocho salarial etc. devem continuar demonstrando óbvia orientação conservadora nos governos das nações do primeiro mundo subordinados aos barões das elites financeiras mundiais.
De acordo com as conclusões surgidas dessa reunião a única certeza que se tem é que entraremos em uma rota de mais crises e desaceleração dos já péssimos fundamentos econômicos internacionais.
São sintomas inequívocos desse quadro a reversão das expectativas quanto a uma retomada moderada da economia norte-americana e as notícias de outro rebaixamento dos EUA por parte das agências internacionais de classificação de risco dos "bancos de investimentos".
Na Europa a débâcle vai atropelando as finanças onde os governos, em sua maioria reféns ou constituídos de ex-empregados dos monopólios financeiros, adotam brutais medidas de restrições dos gastos públicos, cortes salariais, provocando verdadeiros terremotos sociais, gigantescas manifestações de indignação, resistência popular, que se espalham pelo continente.
Nos EUA orientações econômicas ainda mais recessivas contra a maioria da sociedade, momentaneamente proteladas em razão das próximas eleições presidenciais de novembro, estão em curso.
Por outro lado a desconstrução da realidade, priorização de uma agenda social diversionista para com as identidades dos povos, tem sido a função precípua da mídia hegemônica mundial, produzindo um senso de alienação, marginalização, frustração dos indivíduos com a vida, grave atentado às utopias realizáveis.
Sem elas, diz Anatole France, os homens ainda viveriam em cavernas, miseráveis e nus, utopias que traçaram as linhas da primeira cidade, princípio de todo progresso, ensaio de um futuro melhor.
No Brasil setores retrógrados ligados ao grande capital financeiro planejam restrições democrático-institucionais, desmobilizar qualquer sentimento social relativo à soberania nacional, neutralizar a classe média, esmagar os movimentos populares unitários, já debilitados, além de outras ambições inconfessáveis, exigindo lúcida resistência.
O recente encontro dos principais presidentes dos bancos centrais do mundo realizado na Basiléia concluiu que a crise financeira global será ainda mais forte e prolongada do que se imaginava. O espírito dominante foi de pessimismo e incertezas.
Porém as medidas de austeridade fiscal, cortes nos investimentos públicos, arrocho salarial etc. devem continuar demonstrando óbvia orientação conservadora nos governos das nações do primeiro mundo subordinados aos barões das elites financeiras mundiais.
De acordo com as conclusões surgidas dessa reunião a única certeza que se tem é que entraremos em uma rota de mais crises e desaceleração dos já péssimos fundamentos econômicos internacionais.
São sintomas inequívocos desse quadro a reversão das expectativas quanto a uma retomada moderada da economia norte-americana e as notícias de outro rebaixamento dos EUA por parte das agências internacionais de classificação de risco dos "bancos de investimentos".
Na Europa a débâcle vai atropelando as finanças onde os governos, em sua maioria reféns ou constituídos de ex-empregados dos monopólios financeiros, adotam brutais medidas de restrições dos gastos públicos, cortes salariais, provocando verdadeiros terremotos sociais, gigantescas manifestações de indignação, resistência popular, que se espalham pelo continente.
Nos EUA orientações econômicas ainda mais recessivas contra a maioria da sociedade, momentaneamente proteladas em razão das próximas eleições presidenciais de novembro, estão em curso.
Por outro lado a desconstrução da realidade, priorização de uma agenda social diversionista para com as identidades dos povos, tem sido a função precípua da mídia hegemônica mundial, produzindo um senso de alienação, marginalização, frustração dos indivíduos com a vida, grave atentado às utopias realizáveis.
Sem elas, diz Anatole France, os homens ainda viveriam em cavernas, miseráveis e nus, utopias que traçaram as linhas da primeira cidade, princípio de todo progresso, ensaio de um futuro melhor.
No Brasil setores retrógrados ligados ao grande capital financeiro planejam restrições democrático-institucionais, desmobilizar qualquer sentimento social relativo à soberania nacional, neutralizar a classe média, esmagar os movimentos populares unitários, já debilitados, além de outras ambições inconfessáveis, exigindo lúcida resistência.
sábado, 22 de setembro de 2012
Idade Média cibernética
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
Foi ontem mas parece que muito mais tempo nos separa das "profecias" alardeadas pelos arautos do neoliberalismo e suas proclamações solenes sobre o fim da História, as delícias da nova ordem mundial, inaugurando um novo tempo sem conflitos de classes, um mundo sem fronteiras, imperialismos, guerras, concebido na paz.
O professor Luiz Gonzaga Belluzzo no recente artigo "Desordem na engrenagem da civilização", publicado no Valor Econômico, demonstra que a "financeirização e globalização extremadas por essa nova ordem mundial reverteu tendências à maior justiça entre os povos, nações, observadas após a Segunda Guerra mundial até final dos anos setenta".
Ao contrário do que diziam os filósofos da pós-modernidade capitalista as pessoas se "distanciaram na realização da utopia de trabalhar menos para viver mais, os avanços da microeletrônica, informática, automação dos processos industriais não permitiram vislumbrar a libertação das fadigas mas aumentaram os mecanismos da bolha financeira", concentração do capital e exploração da força do trabalho.
Quanto ao consumo forjou-se uma compulsão dos indivíduos, associada a um mar de hipocrisia totalitário-conservadora, onde o fetiche de uma volátil obsolescência da mercadoria propõe-se a substituir as ideologias, os grandes valores universais erigidos pela civilização, a arte, a cultura, determinar os rumos da política que ficaria assim desgovernada, sem norte ou bússola, nivelada pelo pragmatismo mais vulgar.
Nesse período contemporâneo nunca se viram tantas guerras de variadas intensidades espalhadas pelos quatro cantos do mundo fruto de intervenções militares sob a batuta do maior império da História, os Estados Unidos da América.
Uma potência militar imperial em evidente sinal de declínio mas por isso mesmo no encalço de mais territórios, riquezas, acumpliciada por uma mídia mundial hegemônica que detém o monopólio da informação, movida pelo ódio, soberba, além de uma indisfarçável vocação belicosa, golpista.
O desemprego, crise econômica global, a soberania dos Estados nacionais aviltadas, a intolerância para com a cultura, religião alheia, são os novos cavaleiros do apocalipse em uma espécie de Idade Média cibernética, exigindo a resistência social, espírito rebelde por novos tempos de emancipação coletiva, lucidez para mudar a face desse novo milênio que se iniciou de forma tão dramática.
Foi ontem mas parece que muito mais tempo nos separa das "profecias" alardeadas pelos arautos do neoliberalismo e suas proclamações solenes sobre o fim da História, as delícias da nova ordem mundial, inaugurando um novo tempo sem conflitos de classes, um mundo sem fronteiras, imperialismos, guerras, concebido na paz.
O professor Luiz Gonzaga Belluzzo no recente artigo "Desordem na engrenagem da civilização", publicado no Valor Econômico, demonstra que a "financeirização e globalização extremadas por essa nova ordem mundial reverteu tendências à maior justiça entre os povos, nações, observadas após a Segunda Guerra mundial até final dos anos setenta".
Ao contrário do que diziam os filósofos da pós-modernidade capitalista as pessoas se "distanciaram na realização da utopia de trabalhar menos para viver mais, os avanços da microeletrônica, informática, automação dos processos industriais não permitiram vislumbrar a libertação das fadigas mas aumentaram os mecanismos da bolha financeira", concentração do capital e exploração da força do trabalho.
Quanto ao consumo forjou-se uma compulsão dos indivíduos, associada a um mar de hipocrisia totalitário-conservadora, onde o fetiche de uma volátil obsolescência da mercadoria propõe-se a substituir as ideologias, os grandes valores universais erigidos pela civilização, a arte, a cultura, determinar os rumos da política que ficaria assim desgovernada, sem norte ou bússola, nivelada pelo pragmatismo mais vulgar.
Nesse período contemporâneo nunca se viram tantas guerras de variadas intensidades espalhadas pelos quatro cantos do mundo fruto de intervenções militares sob a batuta do maior império da História, os Estados Unidos da América.
Uma potência militar imperial em evidente sinal de declínio mas por isso mesmo no encalço de mais territórios, riquezas, acumpliciada por uma mídia mundial hegemônica que detém o monopólio da informação, movida pelo ódio, soberba, além de uma indisfarçável vocação belicosa, golpista.
O desemprego, crise econômica global, a soberania dos Estados nacionais aviltadas, a intolerância para com a cultura, religião alheia, são os novos cavaleiros do apocalipse em uma espécie de Idade Média cibernética, exigindo a resistência social, espírito rebelde por novos tempos de emancipação coletiva, lucidez para mudar a face desse novo milênio que se iniciou de forma tão dramática.
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Eleições em cenário real
Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Almanaque Alagoas, no Tribuna do Agreste e no Santana Oxente:
Vivenciamos a reta final do primeiro turno das eleições municipais em todo o território nacional onde se aguçam as lutas entre os campos políticos pelo poder como uma espécie de ante-sala às grandes batalhas de 2014 para presidente da República, Congresso Nacional, governos estaduais, Assembleias Legislativas.
É verdade que nesse período as paixões se acendem e raramente as grandes questões relativas aos problemas, projetos para as cidades brasileiras, são conduzidos sob a ótica mais lúcida que a cidadania exige.
No entanto, bem ou mal exercita-se a democracia de acordo com a realidade nacional e as condições políticas extremamente diferenciadas das várias regiões, dos milhares de municípios do País.
Pode-se dizer muitas coisas certas sobre a nossa ainda incipiente democracia, desde os abusos do poder econômico nas eleições, o clientelismo, as condições desiguais em que se encontram os partidos políticos, vestígios de mando do velho coronelismo com os seus crimes, ameaças de morte etc.
Mas quem já viveu sob regime ditatorial sabe que todos os males dessa atual realidade institucional nunca podem ser trocados pela longa noite do arbítrio que experimentamos durante vinte e um anos onde os partidos encontravam-se banidos, sindicatos, grêmios estudantis fechados, lideranças de oposição imobilizadas, clandestinas, presas, exiladas ou mortas, jornalistas e imprensa amordaçados etc.
O Brasil avançou nos últimos anos e, reconhecido internacionalmente, atingiu novos patamares de crescimento econômico onde foram retirados da faixa de pobreza absoluta milhões de brasileiros e outros milhões passaram a ter acesso a bens de consumo antes impensáveis.
Mas continuam terríveis as nossas dívidas sociais, os mecanismos necessários ao exercício à cidadania dos brasileiros através da escolha dos seus representantes ainda padecem de vícios que foram preponderantes no século passado.
Assim como há atualmente o esgotamento de um ciclo econômico, fundado basicamente no consumo da população, vai ficando claro que a própria dinâmica e necessidade do desenvolvimento nacional passa a exigir uma substancial renovação das ideias sobre a questão institucional em todas as suas esferas e ao exercício da cultura política de modo particular. Trata-se de um debate essencial que a implacável realidade objetiva vai tornando inadiável, urgente.
Vivenciamos a reta final do primeiro turno das eleições municipais em todo o território nacional onde se aguçam as lutas entre os campos políticos pelo poder como uma espécie de ante-sala às grandes batalhas de 2014 para presidente da República, Congresso Nacional, governos estaduais, Assembleias Legislativas.
É verdade que nesse período as paixões se acendem e raramente as grandes questões relativas aos problemas, projetos para as cidades brasileiras, são conduzidos sob a ótica mais lúcida que a cidadania exige.
No entanto, bem ou mal exercita-se a democracia de acordo com a realidade nacional e as condições políticas extremamente diferenciadas das várias regiões, dos milhares de municípios do País.
Pode-se dizer muitas coisas certas sobre a nossa ainda incipiente democracia, desde os abusos do poder econômico nas eleições, o clientelismo, as condições desiguais em que se encontram os partidos políticos, vestígios de mando do velho coronelismo com os seus crimes, ameaças de morte etc.
Mas quem já viveu sob regime ditatorial sabe que todos os males dessa atual realidade institucional nunca podem ser trocados pela longa noite do arbítrio que experimentamos durante vinte e um anos onde os partidos encontravam-se banidos, sindicatos, grêmios estudantis fechados, lideranças de oposição imobilizadas, clandestinas, presas, exiladas ou mortas, jornalistas e imprensa amordaçados etc.
O Brasil avançou nos últimos anos e, reconhecido internacionalmente, atingiu novos patamares de crescimento econômico onde foram retirados da faixa de pobreza absoluta milhões de brasileiros e outros milhões passaram a ter acesso a bens de consumo antes impensáveis.
Mas continuam terríveis as nossas dívidas sociais, os mecanismos necessários ao exercício à cidadania dos brasileiros através da escolha dos seus representantes ainda padecem de vícios que foram preponderantes no século passado.
Assim como há atualmente o esgotamento de um ciclo econômico, fundado basicamente no consumo da população, vai ficando claro que a própria dinâmica e necessidade do desenvolvimento nacional passa a exigir uma substancial renovação das ideias sobre a questão institucional em todas as suas esferas e ao exercício da cultura política de modo particular. Trata-se de um debate essencial que a implacável realidade objetiva vai tornando inadiável, urgente.
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