quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Incrível Huck

Meu novo artigo:


A grande mídia global continua a fazer gato e sapato do Brasil. Constrói narrativas sociais e políticas, o ponto e o contraponto sempre em prol do Mercado financeiro, de uma elite predadora contrária aos interesses do povo e do País.

A marcha batida desse sistema de alianças - grande mídia, especuladores rentistas, grupos internacionais, parcelas de uma elite colonizada - está à vista com a desconstrução da nação.

A implosão das instituições democráticas, direitos sociais, privatização das empresas estatais, o desmonte do parque industrial que já vinha aos frangalhos, ameaças à internacionalização da Amazônia com riqueza calculada em 23 trilhões de dólares.

Uma sociedade marcada pela profunda desigualdade, o crescimento brutal da criminalidade e da violência em todos os níveis e contra todos, além de uma juventude massacrada nas periferias.

Nuca se reivindicou com tanta justeza os direitos das mulheres, das minorias, contra as manifestações de racismo. E no entanto cresceram exponencialmente as manifestações de intolerância, fobias, várias delas importadas de outras formações culturais, antropológicas que, mesmo não sendo as nossas próprias heranças e mazelas já conhecidas, foram internacionalizadas a ferro e fogo pela globalização financeira.

O consumo enlouquecido virou o deus da sociedade na ausência de referências a uma nação de 210 milhões de habitantes, como um continente desgovernado. E em meio a essa tragédia encontra-se a grande mídia, a governança da Nova Ordem mundial.

Assomou uma ideologia padronizando as ideias do capital parasitário, não dos indivíduos e da sociedade. O golpe no Brasil que formalizou a cultura do ódio de um contra todos, todos contra qualquer um, é novela que segue adiante.

Eles não pretendem intermediários. É vital a destruição completa da vida política, das instituições democráticas. Daí que surge o incrível Huck ventríloquo perfeito da grande mídia, do Mercado, abonado por Fernando Henrique Cardoso.

A saída para um golpe tão monstruoso clama em outubro pela união das forças progressistas, democráticas e patrióticas através da luta política. De um novo projeto nacional que reaglutine a sociedade frente à ausência de rumos, à dispersão geral, escabrosos abismos sociais, em defesa do Brasil e do desenvolvimento. É uma corrida contra o tempo.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Outros tempos

Meu novo artigo:


Em 1963 a comédia norte-americana Deu a Louca no Mundo, em inglês It’s a Mad, Mad, Mad, Mad World do diretor Stanley Kramer foi sucesso de bilheteria no Brasil e em todo o mundo, transformando-se num clássico.

Trata-se de uma história hilária sobre pessoas que ficam sabendo de uma fortuna roubada por gângsteres que sofrem um acidente automobilístico fatal em uma estrada, deixando um mapa do dinheiro enterrado.

Daí que várias pessoas, famílias, indivíduos, policiais, iniciam uma tresloucada corrida, atravessando de carro metade dos EUA para ver quem se apoderaria do butim escondido.

Comparado ao tempo atual é um filme suave, ingênuo como quase tudo da época, mesmo com as sombras da Guerra Fria ameaçando o planeta, os golpes de Estado etc.

Hoje podemos afirmar que a ofensiva insana do rentismo parasitário vem promovendo uma verdadeira epidemia global de loucuras e terror, especialmente após a crise financeira em 2008.

Alguns Países como a China, Rússia, que mantiveram ou reconquistaram a soberania sobre seus interesses nacionais, adequaram-se aos outros desenhos da Nova Ordem mundial, tornaram-se atores de 1a grandeza na emergência do novo cenário geopolítico mundial.

Esses tempos atuais são distintos da bipolarização mundial da Guerra Fria. O País que não é dono do próprio nariz vira refém é da agenda da banca financeira global.

Já nos EUA a candidata Hillary Clinton que representa os interesses dos altos executivos de Wall Street, de grande parte das celebridades do show business, foi derrotada por Donald Trump, um destemperado bilionário eleito pelo americano endividado, sem esperanças, desempregado, casa hipotecada, longe do glamour da vida milionária, dos holofotes de Hollywood. Em séria crise, os EUA fraturaram ao meio.

Porém nesse novo cenário falta um ator que é o quinto maior País do planeta, detém papel geopolítico estratégico, imensas riquezas naturais e aos trancos e barrancos é a sétima economia mundial: o Brasil.

Mas o Brasil foi imobilizado pela hegemonia do capital rentista, a desqualificação e fragmentação do Estado nacional, a ausência de um projeto de desenvolvimento ousado, competitivo, tanto interno como externo. A centralidade do protagonismo geopolítico brasileiro, o desenvolvimento econômico são os desafios incontornáveis que temos pela frente.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

O Tibete é aqui

Meu novo artigo:


Segundo o escritor André Araújo, ou o Brasil recentraliza o Estado nacional em torno de um poder executivo com as suas atribuições refortalecidas ou a nação vai continuar descarrilada, sem um governo efetivo, devido ao processo contínuo do fatiamento das suas atribuições.

Esse fenômeno do enfraquecimento das prerrogativas do poder executivo central vem da estratégia do capital financeiro, seus economistas nativos, em implantar no País o Estado Mínimo.

O objetivo é a privatização dos ativos financeiros, riquezas naturais, quebra das históricas conquistas trabalhistas, apropriação das empresas estatais lucrativas. Ao Estado restariam as funções que não interessam ao rentismo global.

A fragmentação do poder executivo ao longo das últimas décadas, e que tanto atrai os adeptos do novo anarquismo do século XXI, gerou a existência de “núcleos de poder autônomos” centrais, que como todo o poder disputa, antropofagicamente, o poder entre si.

E isso não produz a democracia mas o contrário; o autoritarismo, o estado de exceção em que vivemos, além da atual flagrante ingovernabilidade. Quando todos mandam ninguém manda, afirma André Araújo invocando as lições da História mundial.

O Brasil vive uma das maiores desindustrializações da História da economia global, reduzida a menos de 12% da produção nacional. Já uma entidade internacional afirma que 1% dos brasileiros é mais rico que a metade da população.

O general de Exército Eduardo Villas Bôas falou em recente palestra sobre a necessidade de um projeto nacional multidisciplinar sob bases democráticas que retome o desenvolvimento e a identidade da nação.

Afirma que hoje a beligerância imperialista é substituída por ações sofisticadas como na Amazônia, que recebe visitas “sigilosas” como a do rei da Noruega e outras nobrezas “filantrópicas”.

O cerne da questão está na ambição da internacionalização da Amazônia, cuja riqueza é calculada em 23 trilhões de dólares. Villas Bôas faz alusão à reclamada, por potências e propalada pela grande mídia, independência do Tibete pelas riquezas e interesses geoestratégicos. Diz que a Amazônia corre o risco de ser o nosso Tibete.

Assim, os problemas do Brasil são graves, cabe aos democratas e patriotas a lucidez e a união necessárias em defesa do futuro e do que nos legaram os nossos antepassados.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Impasse agravado

Meu novo artigo:


A condenação do ex-presidente Lula mostra que o País vive um estado de exceção, mesmo com as instituições funcionando, visto que será difícil convencer os brasileiros, ou os estrangeiros, de que o seu julgamento não tenha sido fundamentalmente político, já que figuras proeminentes da República em situações idênticas em quesitos de denúncias e ou processos, Aécio Neves só para citar um exemplo, continuam incólumes, lépidos e fagueiros.

Em outras palavras, a condenação do ex-presidente vem sendo vista como primordialmente política e eleitoral, abstraindo-se as controversas nuances jurídicas, tendo em conta o enorme potencial da sua candidatura, líder em todas as pesquisas de opinião pública.

Mas os fatores da gravíssima crise brasileira são bem mais profundos que o julgamento que condenou o ex-presidente, alastram-se para o conjunto das instituições republicanas e ameaçam a própria existência do Estado nacional.

Por outro lado é fundamental sempre assinalar que nos Estados modernos civilizados, qualquer alternativa a um impasse, seja de que magnitude for, acontece através da política e pela via democrática.

Mas a política representa pactos de gerência dos assuntos e interesses institucionais entre grupos, classes sociais etc., assim como democracia é a maneira mais civilizada que a humanidade concebeu de lidar com os conflitos inevitáveis nas sociedades complexas modernas.

No entanto, nem a democracia ou a política encerram em si próprias a solução das vicissitudes de uma nação. Elas não são “a pedra filosofal” ou o caminho “místico” onde basta invocá-las que os problemas do Brasil passam, como uma solução mágica, a ser resolvidos.

Atualmente o Brasil é um país totalmente à deriva, dividido em “tribos de poder” que disputam entre si o protagonismo central e se digladiam entre elas, estimuladas por uma grande mídia que não é mídia, mas “o grande poder” que manipula as demais “tribos” a serviço do Mercado financeiro rumo a um perigosíssimo impasse.

É fundamental a vontade nacional, a união do povo brasileiro em torno de um projeto estratégico, democrático, uma liderança consciente capaz de liderar um País soberano com dimensões continentais, imensas riquezas naturais, uma população de 200 milhões de habitantes que aos trancos e barrancos ainda é a sétima economia global.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O coreano e o Brasil

Meu novo artigo:


A partir do Consenso de Washington em 1980 os Países, não exclusivamente os emergentes, foram induzidos ou forçados às orientações internacionais que difundiam o livre comércio como a solução definitiva, a “Maravilha curativa” para os imbróglios financeiros de várias nações do primeiro mundo, assim como a redenção definitiva aos ditos emergentes.

Segundo o economista sul-coreano Ha-Joon Chang, hoje quando olhamos para os Países ricos, em sua maioria, eles realmente o praticam e achamos que foi com essa receita e dessa maneira que se tornaram efetivamente ricos e se desenvolveram.

Mas, olhando em retrospectiva, o que aconteceu foi exatamente o inverso, eles enriqueceram praticando o protecionismo privado e com as empresas estatais, diz Chang. E só a partir daí é que propugnaram o livre comércio, impondo-o aos demais.

Ele lembra que a Inglaterra procurou forçar os Estados Unidos e a Alemanha à fórmula do livre comércio no século XIX. E afirma que foi dessa maneira que o Reino Unido tornou-se objetivamente rico.

A Inglaterra ao dizer que os demais Países não podem usar o protecionismo é como alguém que após subir no topo da escada, chuta a escada para que os outros não possam usá-la novamente, afirma o sul-coreano.

E foi exatamente com as políticas de proteção das suas economias, estatais e privadas, que os Estados Unidos com base nas orientações de Alexander Hamilton (1789-1795), Secretário do Tesouro dos EUA, a Alemanha no século XIX, Suécia, Coréia do Sul e Taiwan no século XX conseguiram o salto ao desenvolvimento.

Chang fala que a política de austeridade, regra do capital financeiro global, vem sendo usada várias vezes no Brasil desde as décadas de 1980 e 1990 aos dias atuais. E cita Albert Einstein: a real definição de loucura é fazer a mesma coisa várias vezes e esperar resultados desejados mas quando não acontecem culpam a realidade.

A indústria de transformação já foi responsável por 35% da produção nacional, hoje é menos de 12%. O processo de desindustrialização no Brasil é o mais trágico da História entre as nações, pelas sucessivas abordagens neoliberais e da globalização financeira rentista, como agora na gestão Temer.

Por isso a desorientação generalizada. Só o desenvolvimento econômico soberano pode trazer novos ventos promissores ao povo brasileiro.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O que já está aí

Meu novo artigo:


A crônica política vai se desdobrando com certa velocidade na conjuntura brasileira, de tal forma que já é possível fazer um retrato falado e escrito do que estamos vivenciando além de algumas alternativas possíveis para o seu desfecho.

É claro que em matéria de política o imponderável sempre foi e continua sendo algo absolutamente comum, paradoxalmente rotineiro.

Daí o mistério dessa atividade que sempre cativou os seres humanos, desde a época da Grécia antiga, mesmo que de tempos em tempos se transforme na Geni dos versos de Chico Buarque de Holanda, e os males, transtornos, deformações da sociedade a ela sejam exclusivamente atribuídos.

A verdade é que o cenário está sendo armado, como um palco de espetáculo na arena institucional para a coroação em outubro de um candidato sem intermediários do Mercado financeiro, marquetado pela imensa capacidade de fogo da grande mídia hegemônica, associada a esse rentismo predador.

O golpe, de aparência democrática, não é de direita, centro, muito menos de esquerda. Essas são categorias políticas que a globalização financeira, a sua governança mundial que exerce o poder global à exceção de alguns Países como a China, Rússia etc. contornou após o final da Guerra Fria.

Assim o capital financeiro já ensaia os seus candidatos como o apresentador de televisão Luciano Huck entrevistado por uma hora no Faustão domingo passado, ou mesmo Henrique Meirelles homem dos especuladores na praça.

O “mundo da política” erra pela sua antropofagia geral onde uns devoram os outros, sem rumos ou propostas à nação ou por falta de iniciativa, inapetência, ou por não entenderem os fatores da grave crise estrutural, econômica e política que vive o País.

Mas o “Mercado” vai passando a Caterpillar nas lideranças nacionais sejam o Lula, as referências do centro político, ou até o histriônico Bolsonaro, preparando a unção, pelo voto é verdade, de um fantoche dos especuladores financeiros.

Ao tempo que a grande mídia promove uma agenda social do ódio de um contra todos e todos contra qualquer um, claro diversionismo dos graves problemas nacionais e fragmentação da sociedade.

É urgente um projeto que indique rumos econômicos, sociais e políticos, reunifique as maiorias sociais, suste a tentativa de esquartejamento físico, espiritual e cultural do Brasil.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

O que vem aí

Meu novo artigo:


Durante as festas de confraternização passadas vários conhecidos reunidos conversaram sobre 2017 e chegaram à conclusão que esse foi definitivamente um ano muito ruim, para ser esquecido mesmo.

Infelizmente, vamos ter pela frente uma meteorologia política, econômica desaconselhável aos de coração frágil. Há previsão de chuvas, trovoadas e turbulências inusitadas.

O período em que vivemos, na verdade iniciado com as manifestações de 2013, deve continuar com a mesma intensidade, agravada com as eleições de outubro próximo, especialmente a presidencial.

O Brasil vive um período particular, mas não incomum, em sua História, marcado por um processo de flagelação dos interesses nacionais, quebra das conquistas trabalhistas adquiridas ao longo da História.

Movido por intenso ataque do Mercado financeiro contra o seu patrimônio, além da tentativa de acoelhamento do protagonismo do País como potência industrial, econômica de porte médio a nível mundial.

Trata-se, em última instância, de verdadeira ofensiva contra a soberania em vários aspectos, cuja finalidade é desviar a trajetória de uma nação independente, incorporando-a, pela força das ações escancaradas, a um espécie de continente desgovernado rumo ao abismo, da perda de suas referências fundamentais.

Movido pela ação da grande mídia hegemônica, comete-se uma espécie de assassinato da vida política democrática, enquanto a voracidade do capital financeiro, e prepostos nativos, promove a desconstrução do País.

Conduzida por essa mídia global, a nação vê-se mergulhada em uma agenda que, se em vários aspectos são auto justificáveis, na verdade possui o óbvio propósito de desviar a atenção de segmentos sociais, inclusive pelas redes sociais, das questões fundamentais que o agridem com violência inusitada.

O Mercado rentista busca constituir grupos mergulhados em um falso cosmopolitismo sem vínculos com as vicissitudes nacionais. Nesse sentido, sob falsa aparência democrática, o País vive sob uma ditadura do pensamento único do “Mercado” global.

Não há solução de agendas, sejam elas econômicas ou até mesmo sociais, desligadas do destino nacional. Aqui e em todo o mundo não há cidadania ou democracia sem soberania. Assim as eleições em outubro vão ser estratégicas ao resgate do regime democrático e ao próprio futuro do Brasil.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Totens

Meu novo artigo:


Segundo informações da Bloomberg, o restrito clube de bilionários globais acrescentou às suas fortunas em 2017 mais de 1 trilhão de dólares, perfazendo um total de 5,3 trilhões em 26 de dezembro, um aumento de 20,4% em relação à mesma data do ano passado, sendo os dos setores de tecnologia os que mais enriqueceram.

No mesmo período as desigualdades sociais entre os povos e nações aumentaram substancialmente. Trata-se de um retrato irretocável dos tempos contemporâneos, do capital financeiro mundial, onde esses indivíduos especulam suas fortunas.

Essa estratosférica acumulação de capital adquiriu tal dimensão a partir da virada do 2o milênio com a total desregulação dos fluxos financeiros, beneficiados com o fim da chamada Guerra Fria desde os idos dos anos 80 do século XX.

O domínio do Mercado ultrapassa o aspecto econômico, vai ao campo das ideias, exercendo implacável ditadura do pensamento único onde a agenda dominante, difundida através da grande mídia e redes sociais, é uniforme para quase todos os Países, à exceção dos que reconfiguraram seus paradigmas para o novo milênio como, por exemplo, a China e a Rússia, destacadamente.

No mundo ocidental esse processo da financeirização global promoveu o aumento das desigualdades econômicas e sociais em escala abissal, além de uma perplexidade cultural, política, e uma desorientação geral com o desmoronamento de conceitos que soçobraram com a Velha Ordem.

Em seu lugar o Mercado impôs, sem “ditaduras”, por formas “democráticas”, critérios ideológicos e comportamentais que facilitam sua estratégia hegemônica.

O mundo ocidental viu-se em um shopping ideológico, com prateleiras enfileiradas de causas que o “consumidor” tem para chamar de suas, como totens de espuma e recicláveis, ausentes de sentido comum, universal ou nacional.

Uma sensação de orfandade em literalmente todas as direções, a emergência de fundamentalismos, intolerâncias, a primazia do “ativista” emocional pseudorradical contra o esforço analítico, o utilitarismo como regra. Mitos são erguidos e derrubados no volátil tempo digital.

O Brasil encontra-se enredado nessa arapuca, até pela sua condição geopolítica, e dela só conseguirá sair através da luta política democrática unitária. E um projeto estratégico de desenvolvimento adequado às condições do novo milênio.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

A questão nacional

Meu novo artigo:


Um tema que antecede aos outros questionamentos fundamentais na realidade brasileira é a questão nacional. Daí, tantos falam sobre a necessidade de refundação de um projeto que reoriente o País nas turbulências do 2o milênio.

Nenhuma nação, protagonista das épocas atuais, abdicou um centímetro sequer da primazia dos seus objetivos estratégicos, especialmente aquelas que por dimensões continentais, condições geopolíticas, econômicas, riquezas naturais, possuem características Históricas de liderança regional ou global.

E o Brasil, como já se falou, é grande demais para ser pequeno, no teatro da geopolítica mundial.

Somos herdeiros de um vasto território continental que manteve a sua unidade, apesar de várias lutas separatistas em sua formação como País, seja no período colonial ou até mesmo no século XX.

Enquanto a chamada América espanhola fragmentou-se em dezenas de nações, apesar do imenso sacrifício libertador e unitário de Simon Bolívar, que ao fim da sua vida já não tinha nem mais uma pátria pela qual lutar e por ela morrer, como afirmou Gabriel García Márquez.

Essa herança dos nossos recentes antepassados é um fato objetivo porque esse é o Brasil atual, real, mesmo que alguns historiadores tentem negá-lo ou que as correntes econômicas do novo liberalismo, educados em Wall Street ou na City de Londres, procurem destruí-la com esmero.

Ou então algumas mentalidades autodenominadas como “progressistas” que olham com desprezo para o nosso contínuo Histórico, vários aferrados a fórmulas esquemáticas, sem entenderem que elas obedeceram a contextos específicos e que “fórmulas sociais” como se fossem mágicas, sejam quais forem, só se repetem como “farsa ou tragédia”.

Tanto uns como outros contornam o Brasil, sua formação antropológica, largas potencialidades, importam conceitos da agenda da globalização financeira e sua governança mundial. Na economia, sociologia etc., em uma espécie de cosmopolitismo colonizado.

A luta democrática vai se defrontar com outro teste de fogo em 2018. Mas a vida demonstra que as eleições, por si mesmas, não são a “maravilha curativa” de todos os nossos males. Sem um projeto estratégico de nação, vamos repetir, de uma maneira ou de outra, as crises estruturais nos acompanham como uma praga recorrente que não consegue ser erradicada.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Política real e virtual

Meu novo artigo:


Já se disse que estar conectado na redes sociais é menos custoso, em todos os sentidos, que estar “engajado” nas atividades concretas no mundo real, porém consideravelmente menos produtivo em seus efeitos, consequências na manutenção das conquistas individuais ou coletivas fundamentais.

Quem primeiro atinou para essa conclusão irrefutável foram exatamente os que mais se beneficiaram dessa nova modalidade dita pós-moderna: os donos do mundo.

Ou seja, o capital financeiro global e seus organismos internacionais hegemônicos, as suas ONGs que promovem incessantemente a agenda dominante do politicamente correto em uma sociedade de Mercado deificada, glorificada ao extremo.

Quando se diz “incessantemente” é útil atualizar o sentido da palavra. Isso quer dizer que não se passa um minuto, em termos planetários, sem a promoção de um conjunto de ideias hegemônicas incorporadas por vários estratos sociais, inclusive aqueles ditos “mais esclarecidos”.

As “forças sociais digitais”, aparentemente antagônicas entre si, utilizam-se dessas mesmas agendas, com modificações adaptáveis às suas visões de mundo, interesses ou privilégios adquiridos.

Apesar das opiniões nas redes sociais, quem continua dando as narrativas ideológicas e políticas continua sendo a grande mídia hegemônica global, também em versão digital, que promove as ideias do grande capital rentista.

Assim o poder de “enxame”, como abelhas, dos ativistas digitais é relativo. Quem dá as cartas é a luta real pelo poder. Isso explica, mais que outra coisa, a perda relativa de força das “correias sociais organizadas”. Mas não só delas.

O impedimento da ex-presidente Dilma e a entronização do nefasto Temer é revelador tanto para os que a defenderam quanto aos que propugnaram a sua queda. A “orfandade” geral sobressai nos 96% da rejeição ao “presidente”.

A criminalização da política “enojou” a muitos mas hoje, aqui, em qualquer lugar do planeta quem faz História, indica os rumos, são os confrontos entre os interesses nacionais, das grandes maiorias, com as elites globalistas vinculadas ao capital financeiro no Brasil e no mundo.

É vital a luta de ideias, o pulso da realidade, a definição dos aliados, ampliar, não se isolar, independência, lucidez. A vida não para, nem a política que converge para grandes choques em 2018.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

A ideologia do liberalismo

Meu novo artigo semanal:


Tem razão o Papa Francisco ao afirmar: quando a sociedade (local, nacional, mundial) abandona na periferia uma parte de si mesma, não há programas políticos, recursos policiais ou de inteligência que possam assegurar, minimamente, a tranquilidade.

O pensamento ultraliberal, hegemônico a partir do 2o milênio, tem sido a mola propulsora de uma economia global excludente das grandes maiorias e constitui, igualmente, uma ideologia mundial que impulsiona um relativismo totalitário sobre todas as coisas que dizem respeito à vida humana.

Coabitamos uma dupla tragédia: uma exclusão social epidêmica, associada à quase absoluta ausência de rumos sobre nós enquanto indivíduos, comunidades, regiões, nações e humanidade.

De tal forma que até, como exemplo, o compositor anarco-contestatório dos anos setenta passados, Raul Seixas, que galvanizou e continua inspirando jovens, inclusive nas periferias da cidades, com suas toadas tipo “prefiro ser essa metamorfose ambulante, do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”, esvaziou-se de sentido na rebeldia contra o sistema que os oprime.

O componente do relativismo na mensagem globalista hegemônica, através da grande mídia, transmitida via redes sociais, busca pulverizar as esperanças transformadoras.

E em seu lugar, impõe-se, é o termo que soa correto, uma tendência obsessiva que incita, continuamente, a começar recorrentemente sem sair do mesmo lugar, sem se ter em conta as lições apreendidas.

Como se o mundo estivesse em modo contínuo, começando sempre do zero ad infinitum. Daí a ambição de inaugurar-se até o ex-ser humano. Esse é, por exemplo, o espírito da Era da Falibilidade no livro do influente megaespeculador financeiro George Soros com suas ONGs e discursos do politicamente correto.

Há uma crescente insatisfação das grandes maiorias sociais, não importa religião, cor, opção sexual, nacionalidade, contra o status quo do Mercado financeiro global.

A sobrevivência do Brasil está ligada tanto à soberania econômica, territorial, quanto à sua identidade cultural, às permanências e renovações enquanto civilização singular. Na tenaz resistência à ideologia de terra arrasada da globalização rentista. Assim, faz-se incontornável a unidade do povo brasileiro em refundar um amplo projeto de nação, de sociedade promissora.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

O Brasil real

Meu novo artigo semanal:


Pesquisa divulgada pela colunista do Valor Econômico, Maria Cristina Fernandes, mostra um retrato das grandes maiorias do Brasil.

Expõe igualmente aquilo que muitos acham sobre as agendas de setores esclarecidos, determinados estratos médios que habitam o mundo das chamadas “nuvens digitais”.

Esses segmentos movidos pelas narrativas pautadas através da grande mídia global e suas congêneres nativas hegemônicas, adotam o discurso do “politicamente correto” com as suas diversas variáveis.

Mas a grande verdade, constatada nessa e outras pesquisas, é que eles não entendem as grandes maiorias que compõem o Brasil nas confusas classificações sobre as classes sociais no País.

Para o Brasil real as questões são outras, dizem respeito às suas necessidades prementes, angústias que atingem seus cotidianos na vida dura das suas existências.

Eles podem não ser “cultos”, não frequentam os estratos acadêmicos descolados, com as pautas do discurso mundializado da nata intelectual que em todas as partes raciocinam, quase, as mesmas coisas, em bloco.

As grandes maiorias, diz a pesquisa, sabem da realidade em que estão afundados até o pescoço. Fala a jornalista: se fosse verdade que há um Brasil que não cabe no PIB, há outro que dele encontra-se excluído. E o governo Temer aprofundou esse fosso.

A visão é de vulnerabilidade, desemprego, violência, queda no consumo, baixa autoestima. A educação é fundamental: “nasce lá em Vila Nova Cachoeirinha e vê se a escola tem a qualidade da escola de gente rica”, fala uma pesquisada.

Uma outra entrevistada: “menos Estado? Já falta tudo, para faltar mais o que?”.

Diz uma moradora da periferia de Recife: “eles não sabem o que é ter um filho com asma, ter que pegar ônibus, metrô e um trem para ficar na fila do hospital”.

As maiorias são indiferentes à guerrilha de ódio nas redes sociais entre o “politicamente correto” e seus contrários também intolerantes.

Setores “esclarecidos” desprezam a cultura do povo brasileiro, “não estão prontos para seus enunciados ideológicos definitivos”. Já os outros dizem que eles não têm “capacidade para rejeitar os políticos podres”.

Mas é o contrário. Esses é que desconhecem suas aspirações, sentimentos, dramas. É inadiável um projeto que unifique os brasileiros rumo ao desenvolvimento econômico e a soberania plena.