sexta-feira, 22 de julho de 2016

Segunda Guerra Fria

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Há convulsões de todas as formas acontecendo no mundo. Desde as permanentes ameaças e consecuções do terrorismo fundamentalista no continente europeu, nos Estados Unidos, associadas às sistemáticas agressões aos direitos trabalhistas, que revelam explosivo caldo de cultura nas sociedades.

Os fatos indicam que estamos atingindo uma nova etapa, para além dos conflitos regionais que sacudiram fortemente várias regiões do planeta, mais especificamente a partir do início do século XXI, notadamente na Ásia e continente africano, fomentados por interesses geopolíticos dos EUA e do capital financeiro global.

O golpe “suave” perpetrado contra o regime democrático e a presidente Dilma Rousseff em nosso País, o processo contínuo de desestabilização contra a soberania da Venezuela, a ascensão ao poder do presidente Macri na Argentina, depois de intensa campanha de difamação dos governos progressitas anteriores, são parte desse movimento.

Assim como a escalada de ataques políticos midiáticos contra os governos da Bolívia e Equador, mostram claramente que a América Latina entrou definitivamente no alvo de subversões perpetradas pela sanha imperial norte-americana e do capital rentista.

O cerco à Rússia no teatro geopolítico global indica igualmente a existência de uma perigosa escalada militar que pode se intensificar, aumentando as possibilidades de situações imprevisíveis do ponto de vista de um confronto bélico em larga escala.

Acertou o historiador Moniz Bandeira ao concluir sobre a existência de uma Segunda Guerra Fria nos tempos atuais, cujos alvos centrais são os BRICS mas que se estendem para outras nações como Portugal, cuja população teve a “ousadia” de eleger um governo progressista e se mostra irredenta com as exigências brutais da banca financeira.

Não tem sido casual o ressurgimento do nazifascismo, com suas nuances, por todos os lados. Como em nosso País, onde ser de extrema direita virou moda em setores das elites, extratos médios, coisa considerada abominável algum tempo atrás.

O golpe contra a presidente Dilma Rousseff foi urdido com um largo tempo de preparação, e sofisticado, onde a grande mídia joga papel ideológico e de desinformação. Assim, é justo considerar que no Brasil a luta democrática e social, pela soberania nacional, será tenaz e prolongada.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Os rumos da nação

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Diante da profunda crise das instituições da República, a debacle do farsesco, interino, governo Michel Temer, da ofensiva neoliberal contra o País promovida pelo capital financeiro global e seus prepostos nativos, há que se perseguir os caminhos de superação da atual, dramática realidade em que se encontra o Brasil, através da luta política concreta.

Esse caminho terá rumo consequente através do combate intenso em defesa de um Projeto Nacional de Desenvolvimento Estratégico que promova a luta contra o retrocesso golpista em curso, na reafirmação do contínuo Histórico do País, da sociedade, interrompido, como em outras épocas, pela ação das forças nativas retrógradas, antidemocráticas, entreguistas, associadas à banca rentista, aos objetivos imperiais.

Com tal ideário é possível compor amplo leque de alianças sociais, políticas, que possibilite aglutinar setores dispersos, fragmentados por um movimento golpista cuja intensidade e complexidade ainda não foi suficientemente compreendido pela grande maioria do povo brasileiro.

Esse golpe é na verdade uma sofisticada, agressiva ação autoritária, antidemocrática, que fere gravemente os interesses nacionais, jogando-se com ferocidade sobre as garantias sociais arduamente conquistadas ao longo de décadas, e com ambição de desmantelar as estruturas produtivas brasileiras, públicas, mistas, privadas.

O que se busca é o desmantelamento do Estado, construído com avanços e recuos, especialmente de 1930 aos dias atuais. Uma sanha predadora que tem como artífice mor o capital financeiro.

E conta com o apoio decisivo da grande mídia no intuito de desestabilizar profundamente a vida democrática, consolidar o golpe contra a presidente da República, semear a cizânia, incitar o ódio, articular um campo social retrógrado em setores médios.

Bem ao estilo da cartilha dos “golpes suaves” já encetados em várias partes do mundo onde a primazia da banca internacional, os objetivos geopolíticos dos EUA se impõem.

Voluntarismo, exclusivismo, hegemonismo não irão responder aos reclamos das grandes maiorias sociais, aos propósitos imediatos ou futuros da nação. Há que se constituir no curso da luta política objetiva, diária, os rumos de uma ampla frente democrática, patriótica. Em defesa do povo brasileiro, da nação, sob graves ameaças.

sábado, 9 de julho de 2016

Farsesco

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


É preciso constatar, como vários já o fizeram, que o golpe em curso em nosso País além de sequestrar mais de 54 milhões de votos, portanto a cidadania da maioria dos eleitores, vem acarretando enormes prejuízos aos propósitos da nação.

A sua consecução é, sem dúvida, fruto de um movimento regressivo, econômico, social, aos interesses nacionais, que não se limita ao Brasil mas estende-se à América Latina como um todo. Reflete uma contraofensiva do capital financeiro, em um período de grave crise estrutural do sistema capitalista mundial.

Assim a globalização financeira, seus instrumentos de poder, coerção contra os povos, vão se utilizando de todos mecanismos que dispõem para subjugar as sociedades, nações, que intentam algum projeto soberano de desenvolvimento nacional ou qualquer protagonismo no cenário geopolítico internacional, por menor que seja.

Quer dizer, a política adotada pelo capital rentista não abre mão da utilização de formidáveis prensas para esmagar os anseios de autonomia das nações. Da mais relativa que se possa constatar até aquelas mais consequentes que anseiam por um lugar ao sol, justo, solidário, no teatro das relações globais, seja econômico, comercial, industrial, cultural, diplomático etc.

Nos EUA, diante da crise econômica que os assola, o xadrez da política interna deixa terríveis opções eleitorais ao povo norte-americano que deverá optar entre uma candidata do establishment de Wall Street ou um personagem dos tempos sombrios com suas ameaças aos imigrantes, retrocesso daquilo que restou, em outras décadas, de progressista.

Esses são os períodos de crise profunda do capital financeiro global. Em passado não muito distante ascendeu o nazi-fascismo em meio a uma debacle econômica que arrastou a humanidade à ruína além de dezenas de milhões de mortos, no mais trágico conflito armado da História da humanidade.

O que acontece no Brasil é parte do atual contexto mundial. Mudam as características regionais, o papel estratégico de nação continente, a 7a economia mundial, as riquezas imensuráveis.

O governo Temer é uma farsa, grotesco. Mas as ambições contra o Brasil avultam superlativas. No plano tático é essencial a defesa de eleições presidenciais, via plebiscito. Estrategicamente assoma a luta democrática, patriótica em defesa da nação ameaçada.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Faíscas

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O plebiscito que deu vitória à saída do Reino Unido da zona do Euro é uma faísca numa pradaria ressecada.

Porque há insatisfação geral com as diretrizes para as nações que integram a comunidade europeia, que têm beneficiado o capital financeiro, penalizando a maioria dos Países, especialmente os setores médios e a classe trabalhadora.

É claro que existem outros fatores incidindo diretamente sobre as grandes maiorias no velho continente, como as formidáveis ondas de refugiados provenientes do Oriente Médio e África. Mas é preciso entender os imigrantes em sua forma clássica, e os refugiados.

Os primeiros sempre existiram em grande número, especialmente nos séculos XIX, XX e atual milênio, em decorrência da pobreza, oferta de trabalho, péssimas condições salariais e de vida no continente africano, Ásia e América Latina, alimentados pelo sonho de uma vida melhor seja na Europa ou nos Estados Unidos.

Enquanto o sistema capitalista apresentava índices de crescimento, principalmente durante os chamados “anos dourados” que se estenderam do pós Segunda Guerra Mundial ao início da implantação dos governos neoliberais via a primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher e o presidente dos EUA Ronald Reagan nos anos 70, os imigrantes foram relativamente tolerados. Ocupavam primordialmente serviços braçais ou outros desprezados na comunidade europeia.

Com a ascensão da Nova Ordem neoliberal, o grande crash sistêmico de 2008, a ruína das economias no primeiro mundo, a “prosperidade contínua”, vendida como ouro de tolo às pessoas pelos arautos da globalização do rentismo, espatifou-se. E com o desemprego em massa aflorou a intolerância aos imigrantes.

Já o fenômeno atual das ondas de refugiados rumo à Europa soma-se às guerras de rapina contra os Países do Oriente Médio e África, destruindo parcas infraestruturas em várias nações, restando aos respectivos povos a fuga em massa dos conflitos, da fome endêmica. É o caldo de cultura onde assenta a intolerância, a xenofobia e o terrorismo fundamentalista.

Não é possível entender a onda reacionária no Brasil, América Latina, dissociada da ofensiva do capital financeiro contra os povos, às riquezas dos Estados soberanos. São tempos de resistência democrática e patriótica no Brasil. De luzes contra o obscurantismo, em defesa da humanidade.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Prazo de validade

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Há ainda quem afirme que estamos num Estado de Direto Democrático, apesar do golpe parlamentar perpetrado contra uma presidente legitimamente eleita com mais de 54 milhões de votos.

O historiador Moniz Bandeira em entrevista publicada no site Vermelho afirmou que o que está em curso no País não será compreendido se nos “limitarmos à analise dos conflitos domésticos”.

Ou mesmo às ações da maioria parlamentar, como na Câmara dos Deputados, expostas pelo “circo dos horrores” durante a votação do impeachment da presidente Dilma, mostrada aos olhos da opinião pública nacional e internacional.

O que espanta é que o golpe é mais compreendido, em sua inteireza, fora do Brasil que dentro de suas fronteiras.

Isso porque a grande mídia, monopolista dos fatos, narrativas do cotidiano nativo, é parte central no putsch contra a nação e sua jovem democracia.

Uma mídia poderosa que age para “blindar” as versões sobre a via autoritária em que tentam mergulhar o País. Os ataques que vem sofrendo a chamada imprensa alternativa, que subsiste através da internet, é para silenciar a real natureza do golpe.

Ferindo o espírito democrático das várias interpretações dos fenômenos que incidem sobre a realidade política, social, cultural do momento que vivemos.

Que só é possível em um País continente, com mais de 200 milhões de habitantes, a 7a economia mundial, com a participação das elites retrógradas internas, do “Mercado” rentista e a “Governança Mundial”, o apoio efetivo dos EUA, seu azeitado aparato de inteligência e subversão agindo conta o Brasil.

Tem razão a presidente Dilma Rousseff ao afirmar que o golpe é contra a democracia, os “movimentos sociais”. Porém ultrapassa a isso. É a tentativa de recolonizacão do País, a destruição do Estado nacional, do seu protagonismo geopolítico, como nos BRICS.

Tanto como o assalto às suas riquezas estratégicas, a fragmentação da sociedade nacional, a autoestima, identidade como povo, o descortino do seu presente e futuro.

É uma operação sofisticada, com abate da vida democrática. O interino, ilegítimo governo Temer é peça menor, descartável, num projeto que visa uma nação subalterna. Tem prazo de validade.

Assim urge uma ampla frente democrática, patriótica, um plebiscito que antecipe eleições presidenciais em defesa da democracia, do Brasil.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Aldo Rebelo: Plebiscito visa resgatar a legalidade e legitimidade

Entrevista de Aldo Rebelo ao Valor Econômico, publicada nesta terça-feira, 21/06, reproduzida no Vermelho:


Aldo Rebelo, ex-ministro da Defesa e liderança do PCdoB, reforçou a proposta de plebiscito lançada pelo PCdoB como alternativa para enfrentar a crise política do país. “O plebiscito não é uma bandeira, é uma plataforma. A proposta do plebiscito tem o objetivo de resgatar os dois elementos decisivos para a governabilidade, que são a legalidade e legitimidade”, defendeu Aldo em entrevista ao jornal Valor Econômico.

E completa: “A legalidade do atual governo [da presidenta Dilma Rousseff] está viciada pela ausência de um crime de responsabilidade que justifique o afastamento da presidenta. E a legitimidade está afastada no momento em que o governo não obteve nas urnas a autoridade para governar. Diante disso a autoridade original que é o voto do eleitor constitui a única solução não só possível como duradoura”.

Aldo reforçou que a população tem “interesse numa saída que devolva ao país a expectativa de um governo que reúna legalidade e legitimidade”.

“Em vários momentos de nossa história esse conflito surgiu. No Fico [de D. Pedro I], na abdicação de D. Pedro I, do golpe da maioridade, na República, em 1930 e em 61, na aprovação do parlamentarismo. Em todos esses momentos você tinha um dos polos da governabilidade fragilizado, o da legalidade ou da legitimidade.”

Ele disse ainda que o objetivo é de que a proposta do plebiscito seja amplamente discutida pela sociedade. “Os detalhes de uma saída institucional ficam por conta da criatividade da política. O problema é que vai criar a solução. A ideia do plebiscito ou de outra alternativa vai nascer menos da articulação política que do mal-estar que toma conta do país em função do antagonismo das forças representadas por Dilma e Temer”, salientou.

Sobre o apoio a essa proposta, Aldo destacou que já conversou com todos os partidos e que o “apoio é aquele derivado da busca de uma solução que pacifique o país e que se torne um lenitivo para o drama e para os conflitos que enfrentamos atualmente, de natureza ideológica e política, de legalidade e legitimidade”.

Aldo apontou a crise de legitimidade do governo de Michel Temer (PMDB), que chamou de “autoevidentes”, a partir do fato de que “o governo luta desesperadamente para manter estabilidade, pela renúncia de três ministros em pouco mais de um mês e pelo esgarçamento da governabilidade”.

“Mas o governo não teve vitórias importantes no Congresso como a DRU e sinalizou rumo ao controle de gastos?”, questionou a jornalista Maria Cristina Fernandes. E Aldo respondeu: “Embora tenha sido importante alcançar maioria em votações importantes, as circunstâncias que envolvem a legitimidade deste governo no Congresso não asseguram que este cenário permaneça. O curto circuito no edifício da governabilidade, da coesão social e da unidade nacional faz com que seja necessário contemplar algo inusitado como a consulta fora do calendário eleitoral”.

Para o ex-ministro, a realização de um plebiscito e a realização de novas eleições daria um eixo de estabilidade ao governo. “Os fatores que reduzem o coeficiente de legalidade e legitimidade do Executivo têm uma causa muito clara que é o afastamento da presidenta e a ascensão do vice. É preciso encontrar na Câmara e no Senado os personagens que conduzirão este debate”, salientou.

Sobre as propostas de alteração na legislação de combate à corrupção, Aldo destacou que é tarefa do Congresso atualizar as leis “preservando o que há de virtuoso e coibindo ou modificando aquilo que se constituiu em deformidade”.

“A corrupção é uma manifestação da morbidez que atinge a política e que deve ser combatida para que não comprometa as elevadas decisões que a política tem que adotar. Os responsáveis por ela tanto na agenda pública quanto os agentes do mercado devem ser condenados”, declarou Aldo sobre a Lava Jato.

Aldo destacou a importância da participação popular na definição dos rumos do país. “É preciso consultar a história, em busca do protagonismo em momentos cruciais da vida das nações. Quando [o poeta alemão] Goethe encontrou Napoleão, perguntou-lhe o que diferenciava a tragédia como destino na antiguidade e naquele momento. Ouviu de Napoleão que na antiguidade a tragédia era marcada pela renúncia dos homens ao seu destino, que estava nas mãos dos deuses. Com a política, o homem subtraiu dos deuses a previsão do destino. A política passou a ser fonte do destino e da tragédia. Ou a política se apropria do destino do país, ou a sociedade ficará à mercê dos deuses, de corporações ainda imaturas”, comparou.

Aldo afirmou que alguns poderiam apontar que tais “corporações” se trate do Judiciário, da mídia, empresas, “que buscam protagonismo sobre o destino e a tragédia”.

“Cada um se julga legítimo nesse papel. Mas só aquela que busca no voto a legitimidade do povo, essa unção, tem a capacidade de assumir sem uma contestação muito forte esse protagonismo. Não vejo outro poder que não o da política, com todos os seus vícios e virtudes, que são reflexo da própria sociedade. Isso serve para Napoleão e serve para o século 21. Fora da política é difícil encontrar quem possa conciliar os antagonismos da sociedade”, acrescentou.

“Independente de quem tenha maior receptividade a esta proposta, não se deve excluir ninguém. O Brasil só vai ter solução se recompuser a coesão em torno de seus desafios. O país dividido, misturado na desconfiança de seus setores médios da sociedade, não encontra energia para enfrentar seus desafios. O país não será capaz de encontrar essa energia no fosso que separa o povo e sua elite, uma elite que nos deu [José] Bonifácio e [Roberto] Simonsen. Ou o país busca uma unidade ou vai se exaurir em confrontos. Não tem solução para o Brasil sem englobar povo, classe média e elite. Qualquer solução excludente imobiliza”, defendeu o dirigente comunista.

Do Portal Vermelho, com informações do Valor Econômico

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Um cenário de crises

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O Brasil vive uma encruzilhada Histórica. Os fatos demonstram que ela exige soluções de conteúdo estratégico favoráveis ao povo brasileiro, à nação.

Especialmente diante do cenário de crise dos fundamentos da economia mundial onde os indicadores apontam para uma estagnação crônica ou mesmo os riscos do estouro de uma nova bolha financeira, assemelhada ao cataclismo de 2008.

De outro lado, o imbróglio da sociedade norte-americana é visível nas rotinas sociais, as políticas refletidas na atual campanha eleitoral, a grande tensão cultural, a decadência industrial.

A violência em suas atividades cotidianas, constantes ataques perpetrados por psicopatas cujas variadas motivações, como o massacre em uma discoteca essa semana, não mais escode a desorientação civilizatória, o delírio da intolerância fanática.

Já o continente europeu vive gravíssima situação que se manifesta nas imensas ondas de refugiados, fruto de guerras de agressões contra nações africanas e o Oriente Médio, só comparáveis às multidões em fuga do nazi-fascismo durante a 2a Guerra Mundial.

Além disso é cada vez maior a insatisfação social contra os cortes nos direitos trabalhistas como o recente protesto de mais de um milhão de assalariados em Paris.

O Brasil não foge aos efeitos nefastos da globalização do capital rentista nos âmbitos econômicos, sociais, civilizacionais.

A crise política que resultou no golpe contra a presidente Dilma é parte desse contexto, assim como o ilegítimo, interino governo Temer.

O País é a 7a economia mundial, a quinta nação em extensão territorial, uma população de 200 milhões de habitantes, riquezas naturais, posição geopolítica excepcionais.

Já o governo Temer busca implementar políticas neoliberais ortodoxas como nos casos do pré-sal e do setor nuclear. Mostra a que veio e a quem está alinhado.

Só a convocação de eleições presidenciais, através de plebiscito, supera o impasse institucional em que se encontra a nação.

O Brasil precisa definir, em largo itinerário, em um mundo de uma globalização imposta, que nação pretende ser, onde deseja ir, para conseguir atuar em suas variáveis sem, no entanto, “submeter-se ao seu comando”.

Essa é a outra face da crise estrutural que vivenciamos. Da qual, só sairemos através de um projeto soberano de desenvolvimento estratégico.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A onda regressiva

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Eric Hobsbawm, um dos mais prestigiosos historiadores dos últimos tempos, dentre suas valiosas obras escreveu Ecos da Marselhesa. Uma abordagem sobre a revolução francesa de 1789, contra o absolutismo, que mudou a face da humanidade.

Os sistemas políticos nela inspiraram-se para as grandes transformações econômicas, sociais que culminaram com mudanças na História dos povos.

Hobsbawm declarou: até hoje ainda se ouvem os ecos da Marselhesa, o hino dos revolucionários franceses, cântico que empolga seu povo pela beleza, significado histórico.

A revolução francesa e sua Marselhesa consolidaram os conceitos de Liberdade, Igualdade, Fraternidade, o espírito das chamadas democracias clássicas ocidentais, a linha da divisão entre os poderes que dão substância constitucional efetiva: o executivo, legislativo, o judiciário.

É verdade que em nome dos princípios da revolução francesa cometeram atrocidades, agressões coloniais. Porém seus grandes ideais perpetuaram-se na tradição do Direito Universal.

Como a roda da História nem sempre se move para frente, os tempos atuais notabilizam-se pela regressão das conquistas do espírito de 1789 em pleno século XXI. Em seu lugar emerge uma virulência crônica de tipo fascista.

De tal forma que o intelectual norte-americano Noam Chomsky sentenciou que as democracias formais no Ocidente vêm desaparecendo, porque já não mais existem democracias reais. É o que está em curso no Brasil.

O Mercado, a Governança Mundial, sob a égide imperial dos EUA, frente à crise financeira global promovem brutal subversão contra os povos via mudanças de regime suaves ou não.

No Brasil os alvos são as riquezas estratégicas, as conquistas trabalhistas, o protagonismo externo, ceifar a democracia.

Na Europa, sob o jugo das corporações financeiras, vêm sendo levados à penúria os cidadãos do velho continente, à subtração da soberania de suas nações.

As ações contra a América Latina viraram provocações abertas. O golpe contra a presidente Dilma Rousseff, e o ilegítimo governo Temer, são fatos inseparáveis dessa onda regressiva.

Por isso assoma a resistência em defesa da nação ameaçada, da legalidade. Uma ampla plataforma política, programática, de elevada consciência social, democrática, patriótica, à altura dos históricos combates travados pelo povo brasileiro.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Crise desembestada

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


A jornalista Tereza Cruvinel em sua coluna referiu-se ao correspondente Pepe Escobar estudioso em geopolítica global. Segundo ele “o golpe em curso no Brasil é uma operação tipo guerra híbrida”.

Essa recente, sofisticada, forma de guerra contra os povos vem se intensificando em várias regiões do mundo. E aqui assumiu feição aberta desde as manifestações em 2013.

Acumulam-se fatos que apontam a presença do Departamento de Estado dos EUA no golpe que se desenrola no País fartamente denunciados pelo ex-agente da NSA norte-americana Edward Snowden ao afirmar: nos últimos anos o Brasil tem sido a nação mais espionada do mundo.

A estratégia de desestabilização, do tipo guerra híbrida, abrange os terrenos político, econômico, as instituições republicanas, a apropriação das riquezas naturais, como as imensas reservas do pré-sal brasileiro etc.

Em nosso caso, além das tempestades digitais virais, objetivam ações contra a legalidade democrática, o enfraquecimento do sentimento patriótico, a fragilização da soberania, deslocar o Brasil do campo dos BRICS, desmantelar o Estado nacional etc.

Já a crise institucional tem como ponto alto, até agora, a ação golpista que acedeu licença para o impedimento da presidente Dilma Rousseff via Câmara dos deputados. A luta democrática segue no Senado.

Mas o nervo exposto do putsch é o governo Temer que tem provocado a rejeição de largos setores democráticos, legalistas, que cresce todos os dias nas ruas ou através de manifestos públicos.

O governo Temer, interino, ilegítimo, é resultante de uma das mais grotescas conspirações da História republicana cuja dependência à grande mídia e ao capital financeiro é absoluta.

Imerso em contradições diárias, exoneração de ministros, investigações jurídico-policiais, sem base social, rejeição interna, externa, o governo interino prenuncia um vácuo de poder.

Torna-se essencial a constituição de uma plataforma em defesa da nação e da democracia que aglutine anseios de dezenas de milhões de brasileiros.

Que seja ampla, suprapartidária, envolva personalidades nacionais destacadas, partidos políticos, associações, religiosos, sindicatos etc.

Indique, via plebiscito, eleições presidenciais antecipadas, com políticas e programa para superar a crise das instituições da República que avança desembestada.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

As alternativas

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Semana passada consideramos que a crise política segue sem uma saída à vista. Só a convocação de eleições presidenciais, a implementação de um projeto de desenvolvimento estratégico, assentado na centralidade do interesse nacional, pode sustar um eventual vazio de poder no País.

O impedimento contra a presidente legitimamente eleita com mais de 54 milhões de votos ampliou o desgaste das estruturas republicanas, abalando seriamente os pilares do Estado nacional.

Tudo isso em meio à mais grave crise mundial do sistema capitalista, desde o grande crash de 1929-1930, que também fustiga a economia brasileira, um elemento a mais no imbróglio político, institucional, social que nos atinge de várias formas.

Afastada provisoriamente a presidente Dilma Rousseff, assume interinamente o governo Temer, cujas diretrizes programáticas repousam no fato de não tê-las, absolutamente nenhuma, salvo a dependência ao capital rentista, a empresários retrógrados, ao monopólio midiático nativo, às potências avessas ao papel do Brasil junto aos BRICS, na geopolítica mundial.

Com ou sem crise institucional, financeira, o País é a 7a economia global, a quinta nação do planeta em extensão territorial, com imensas riquezas naturais, a maior reserva aquífera do planeta, a cobiçada, estratégica Amazônia, e uma população superior a 200 milhões de habitantes.

Atingiu densidade urbana que ultrapassa 80% da população. Uma sociedade complexa, diversificada, com demandas múltiplas, que exigem soluções para as características próprias à realidade brasileira.

Mas a nação segue numa encruzilhada, a democracia golpeada, além de uma profunda crise das estruturas republicanas que pode levar, até mesmo, ao inescrutável terreno de um vácuo de poder.

O governo Temer rejeitado por intensas manifestações de democratas, legalistas, move-se em rumos desconexos, além de ser alvo de processos policiais-jurídicos. Tudo aponta para uma brevidade quase anunciada.

Tornam-se decisivas eleições presidenciais antecipadas que assegurem os interesses nacionais, a democracia sobrestada.

E estratégias eficientes de governo capazes de superar impasses na administração, na economia, na relevância dos poderes da República, na justiça social, próprias, em Nicolau Maquiavel, à condução da “Virtù” em políticas de estadismo.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Temer

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


O governo interino, maculado por golpe institucional, mostra nítido confronto com as manifestações pela legalidade democrática, tanto como a formação da sua equipe ministerial, além das medidas iniciais tornadas públicas através da grande mídia nativa.

O “novo governo” nasceu envelhecido, sem legitimidade internacional, sob desconfiança de várias nações devido à forma como chegou ao poder.

Sem respaldo, carrega consigo a ausência do voto dos brasileiros e o “show de horrores” na votação do impedimento, notadamente na Câmara dos Deputados, registrado pela mídia mundial.

Sua equipe não tem o perfil dos setores médios pró golpe atraídos pela justificativa do mote contra a corrupção. Grande parte dos seus ministros responde a processos, indiciados nas sucessivas operações policiais em curso no País.

As elites financeiras, camadas médias, que apoiaram o golpe contra a presidente da República clamavam contra os impostos, porém foram avisados pelo Ministro da Fazenda, Francisco Meireles, que “os impostos devem baixar, mas, por enquanto, vão aumentar ainda mais”.

Destaca-se igualmente a reforma ministerial que “enxugou” ministérios estratégicos aos interesses do País, à nossa identidade nacional, como a Cultura.

Assim, o governo anuncia políticas neoliberais ainda mais radicais que as impostas por FHC, nas áreas da saúde, educação, SUS, privatizações do patrimônio estatal etc.

O governo Temer vai deparar-se com a firme luta dos defensores da democracia, contrários às suas propostas baseadas em fundamentos monetaristas liberais sectários, que visam liquidar históricas conquistas trabalhistas, pensões, aposentadorias etc.

Terá dessa forma a oposição dos legalistas, democratas. E não se exclui a insatisfação geral dos apoiadores do impedimento.

Trata-se de governo interino, ilegítimo, sustentado pela banca financeira, grande mídia, grupos retrógrados do empresariado, todos ávidos de poder. Sua margem de ação política antinacional, antissocial é estreita, sem espaços para alcançar alguma popularidade.

A crise política segue sem nenhuma saída pactuada. Só a convocação de eleições presidencias, a implementação de lúcido, consistente projeto de desenvolvimento estratégico, assentado na centralidade do interesse nacional, pode evitar a grave eventualidade de um vazio de poder no País.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Em defesa da nação e da democracia

Meu artigo publicado na Gazeta de Alagoas, no Vermelho, na Tribuna do Sertão, no Tribuna do Agreste, no Santana Oxente e no pcdobalagoas.org.br:


Amplia-se a crise institucional agravada pela ação golpista com o afastamento da presidente Dilma Rousseff. O processo continua tramitando no Senado até a votação definitiva do impedimento mas a tempestade política, longe do seu final, segue por rumos turbulentos, imprevisíveis.

Tudo revela um roteiro pantanoso, surreal, assim como a crise tem sido ótimo negócio para o rentismo que aufere lucros superiores às atuais e extorsivas taxas de juros.

A nação resvala para o nonsense geral onde a legalidade democrática, a Constituição, a soberania popular são atropeladas. Os reais motivos da conspirata são subtraídos pelo monopólio da grande mídia nativa, parte indissociável, senão decisiva, na atual desestabilização das instituições da nação.

Montado dentro e fora do País, o script contra a legitimidade democrática não teria êxito, até agora, sem a grande mídia, que através do fogo de barragem destitui a realidade, impõe versões construídas em laboratório úteis à via antidemocrática.

Nessa batida autoritária, em que atores políticos centrais revelam-se figuras absolutamente descartáveis, encontra-se sob ameaça a soberania do País. Seja do ponto de vista da desfiguração do sentimento comum de pertencimento a uma sociedade democrática, quanto da autoestima nacional.

Há uma excitação do “Mercado” com o desejo do “apoderamento” das nossas riquezas naturais de extensão continental, com a redução à insignificância da cadeia produtiva brasileira.

Procura-se deslocar o Brasil não só do seu protagonismo rumo a uma sociedade mais desenvolvida, mas como integrante dos BRICS. Assim os objetivos do golpe são múltiplos.

Nesse cenário há a ação dos Estados Unidos no treinamento doutrinário e prático do putsch em curso através do financiamento de ativistas e organizações de fachada.

O capital financeiro, as grandes potências, formataram a “Governança Mundial” que dita as agendas globais hegemônicas, desviam a luta política, os interesses fundamentais dos Países soberanos, buscam a despolitização geral.

Com a crise capitalista mundial, o Brasil, imerso em grave desgaste das instituições republicanas, expostas pelo golpe em curso, deve lutar, como poucas vezes, pelos valores democráticos, a defesa do País ameaçado, por um projeto de desenvolvimento estratégico da nação.