quarta-feira, 18 de julho de 2018

Razões de Estado e Capital

Meu novo artigo:


O decano dos jornalistas norte-americanos, Gay Talese, afirmou: “o politicamente correto é tão opressivo e tão ditatorial... é a ideia da (falsa) virtude. E a pior coisa do mundo é a (falsa) virtude. É a justiça desses novos crentes. Caso contrário és um infiel, e deve-se matar o infiel. E tem que se seguir um certo código de conduta e ter uma atitude ortodoxa, sem poder desviar um mínimo”.

Dias atrás um dos veículos online da grande mídia publicou: às vezes uma fake news, notícia falsa, é incontornável, mesmo que contrarie o fato real. Ou seja, às vezes, é melhor a mentira que a verdade.

Que isso tenha se tornado uma rotina na mídia global é algo óbvio, mas que tenha adquirido conceito normativo é a Pós-verdade, a Pós-História.

Mas não se deve ficar surpreso com tais afirmações, elas representam hoje as razões de certos Estados nações, combinadas com as do Grande Capital, do rentismo predador.

Em certo sentido o Politicamente Correto é sucedâneo das formulações na Guerra Fria, mesmo que diferente dos argumentos utilizados durante aquele período.

Mas ele tem a função de substituir um certo vazio deixado pela chamada Guerra Ideológica da época, arregimentando ativistas de setores médios em função de certas causas, como no politicamente correto, com vistas a preencher um deserto de ideologias que foram determinantes entre 1945 e 1989, no século XX.

O professor Viriato Soromenho Marques da universidade de Lisboa diz que Charles de Gaulle, líder da resistência na 2a Guerra Mundial e presidente francês, afirmou que a Guerra Fria, inclusive a ideológica, só podia ser entendida considerando os interesses de Estado da ex-URSS e dos EUA à época.

E que para tanto, afirma Viriato, é necessário entender as teses de Carl von Clausewitz em seu clássico Da Guerra, cuja essência está em quatro formulações:
1- Os sujeitos da guerra moderna são os Estados dotados de interesses potencialmente idênticos. 2- A guerra é a continuação da política por outros meios. 3- O objetivo da guerra é a vitória que se atinge quando se impõe a nossa vontade política ao inimigo. 4- A vitória implica, geralmente, a destruição militar do inimigo.

Os conceitos de Clausewitz continuam atuais, embora o mundo tenha mudado, até porque a Guerra Fria adquiriu hoje as novas formas da Guerra Híbrida.

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Soberania e democracia

Meu novo artigo:


A grave crise que vive o País aponta para um processo de refundação das estruturas nacionais, que indique a necessidade de uma nova Constituição, de novos rumos em uma desgovernança multilateral das estruturas do Estado brasileiro.

Porque a verdade é que os desencontros que o Brasil está vivendo não encontram respostas factíveis no atual quadro que presenciamos nem se trata de uma situação conjuntural. Pelo contrário, deita raízes em um impasse de evidentes fadigas de material bem mais profundas.

Nessas condições, gravíssimas, duas questões são fundamentais: a defesa da soberania e o profundo apego à democracia. Porque sem a soberania, a nação não tem significado. E sem a democracia qualquer alteração de rumos é profundamente falsa.

Sem a via democrática os caminhos resvalam para um cenário de mil desertos, onde a aridez de soluções pontua, porque é consequência da ausência do debate democrático, sem a opinião pública, enfim, do povo brasileiro.

A nação se encontra agredida por uma Guerra Híbrida cuja finalidade tem sido a desconstrução do País. Nesse sentido, o objetivo tem sido o esmaecimento não só da democracia, mas da própria existência do Estado nacional.

A maioria das forças políticas não está se dando conta dos imensos perigos que vivemos, encontram-se desorientadas por plataformas meramente específicas, conduzidas por agendas eleitorais que abstraem a gravidade dos problemas em que estamos submergidos, dos movimentos geopolíticos que tornam o País alvo de ações desestabilizadoras seríssimas.

Não custa ser redundante afirmar que sem o desenvolvimento econômico não há solução para a sociedade. E sem nação não há a sociedade brasileira. É exatamente esse o objetivo que determinadas pautas políticas e eleitorais procuram desviar: a discussão do presente, sobre o nosso futuro.

O esgarçamento das instituições do Estado indica que a manutenção da nossa sobrevivência como País soberano está em risco e é fundamental a nossa reestruturação estratégica.

A 5a maior nação do planeta vive um processo crônico de desintegração desde 2013 em que se multiplicam discursos superficiais ao nosso destino, movidos por agendas induzidas ou pelo capital financeiro ou de tipo neofascista, quando a saída é o desenvolvimento econômico, a sobrevivência como nação democrática.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

Uma agenda constitutiva

Meu novo artigo:


Desde a fase mais aguda da Guerra Híbrida contra o Brasil em 2013, cresceu na grande mídia, nas redes sociais, uma intensa campanha com vistas à fratura do espírito de identidade nacional.

Não há a menor dúvida sobre o caráter sofisticado dessa nova forma de conflito capaz de destruir um País sem a presença de tropas estrangeiras.

Esse é o traço determinante das formas de Guerra Híbrida, surgida nesse novo milênio com as revoluções científica, tecnológica, nas comunicações, que tornaram possível lançar via centros globais midiáticos movimentos cataclísmicos contra nações alvos.

A grande mídia global, associada ao capital financeiro, do rentismo predador, transformou-se em uma arma vital para os objetivos desestabilizadores utilizados pelas grandes potências mundiais através desse novo instrumento militar tremendamente destruidor.

Mas para tanto é preciso que seja disseminada a cizânia em estágio avançado, a cooptação de setores médios e acadêmicos e acima de tudo a formação de “enxameamentos sociais” antagônicos, a estratégia da desesperança, a perda da perspectiva da identidade em comum.

Por exemplo, não assistimos, salvo iniciativas isoladas, apesar de ótimas condições técnicas e artísticas, uma grande peça de teatro, um filme que mostre as contradições (digamos, dialéticas) típicas da História sobre a epopeia da construção de Brasília, os anos JK, a interiorização geopolítica do País, a época áurea da música popular, do Cinema Novo, que continuam encantando o mundo.

Ou a Revolução de 1930 que iniciou a transformação de um Brasil agrário em industrial urbano, incluindo históricos direitos trabalhistas.

Ou então a Batalha de Guararapes em Pernambuco que gestou o nosso espírito de nação. Nem mesmo sobre nossos personagens na literatura, ciência etc. Não devem existir porque esses são temas constitutivos, distintivos da nossa formação.

As ONGs dos megaespeculadores não financiam tais iniciativas, só aquelas que fraturam ou, exclusivamente, as “culturas transversais”.

Parte da intelectualidade, inclusive da militância progressista, se encontra intimidada pela onda do “politicamente correto”, paralisada por um sentimento de impotência. O Brasil é inevitável, mas em todas as áreas, cultural ou política, é fundamental a luta por essa agenda que nos seja constitutiva.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Quando a alma não é pequena

Meu novo artigo:


Nesses tempos de apostasia nacional, e das culturas transversais, como substituição ao sentimento de pertencimento comum a uma nação como a nossa, vale a pena refletir sobre o significado da seleção brasileira e das cores que ela representa.

Não importa, meus caros amigos, se a seleção canarinha será ou não campeã mundial de futebol, mas a verdade é que o selecionado brasileiro, mais uma vez desde 1958, tem sido o mais acompanhado pela imprensa esportiva de todo o mundo.

O cordão de isolamento que segue disciplinando os jornalistas, fotógrafos nos estádios da Rússia quando entra o time brasileiro é, segundo a imprensa mundial, inigualável a qualquer outra seleção do mundo.

Essa coisa de não torcer pelo Brasil é, no mínimo, uma grande besteira, ninguém em sã consciência vai achar que o nefasto Temer será visto como menos nocivo e obtuso aos interesses nacionais se a seleção nacional ganhar ou perder a Copa do Mundo.

Se alguém acha que as cores nacionais são algo a ser repudiado porque representam “coxinhas” ou “petralhas” é muito equívoco já que as cores da seleção antecedem à intensa batalha política travada desde 2013, muito embora as coisas se embaralhem por aí.

Já que esse ano cabalístico é reivindicado tanto por direitistas que apearam a ex-presidente Dilma Rousseff, quanto por setores que se autointitulam protagonistas de uma Nova Esquerda neoanarquista, ou neotrotskista, alinhados ao discurso da agenda global do capital financeiro internacional, dos programas das ONGs de George Soros e companhia limitada.

Porque a equipe do selecionado brasileiro, assim como todas as outras do mundo, representam bem mais que um determinado governo de conjuntura específica, sinaliza as identidades e as cores de um povo. Como é o caso do Brasil.

Quando o País se encontra fraturado por uma dissensão política conjuntural é fundamental a união em torno da seleção nacional, mesmo que ninguém abra mão dos seus pontos de vista, haja vista que a questão aqui é a autoestima esgarçada por uma Guerra Híbrida externa direcionada contra o País.

Mas se você for um Novo Neoliberal também vale a pena torcer pela seleção brasileira porque ela é um extraordinário produto interno e especialmente de exportação.

Enfim, como disse o poeta luso: tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Rumos

Meu novo artigo:


Submetido a uma intensa Guerra Híbrida, o Brasil é atualmente uma nação sem rumo que possa aglutinar as grandes maiorias sociais em torno de um projeto de desenvolvimento factível que estabeleça um estado de espírito na sociedade minimamente razoável de identidade nacional.

Trata-se de um fenômeno inédito na História contemporânea do País. Já vivemos de tudo em nosso processo de formação de jovem nação mas jamais em circunstâncias idênticas.

As explicações podem variar mas dentre elas assume papel central uma campanha de desestabilização de múltiplas faces.

Que se expressa na atual realidade econômica, política, psicossocial, através de cataclismos de variadas intensidades desde as manifestações de 2013, saudadas com êxtase por setores neoanarquistas, neotrotskistas, neoliberais etc. cujas concepções díspares, aparentemente, antagônicas, encontram-se em um ponto de confluência comum.

Essas “ideologias” reaparecem na mídia hegemônica com novas indumentárias e velhas ideias, adaptadas ao novo milênio.

Colunistas da grande mídia transformam-se para setores médios em arautos da pós-verdade, do pós-moderno. Celebridades do show business nativo ditam as regras “filosóficas” do comportamento e das modas como um salto em direção ao nada absoluto.

Há em setores da Nova Esquerda e entre os Novos Neoliberais da economia uma aliança implícita. De tal forma que nas redes sociais as suas postagens se intercruzam, provocando imensa confusão. Ou melhor, desorientação.

Mas todos eles bebem na mesma fonte: a agenda da globalização financeira, do rentismo predador, dos megaespeculadores e suas ONGs que financiam a granel “causas” do “politicamente correto”, convenientes à desestabilização do Estados nacionais, das sociedades, dos povos do planeta que ficam sem referências dos rumos soberanos.

Mas o cenário geopolítico vem mudando rapidamente, a inconformidade das sociedades encontra-se na proporção direta ao quadro catastrófico produzido pela Nova Ordem mundial, inaugurada na viragem do novo milênio, com a ascensão de novos protagonistas no teatro da política mundial.

O Brasil precisa de rumos que só é possível encontrar com a centralidade dos interesses nacionais, o fomento da sua cultura que vem sendo massacrada. De uma visão política estratégica, que priorize o desenvolvimento econômico.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Nada espontâneo

Meu novo artigo:


Não só o Brasil, muitos Países também se encontram convulsionados pelos efeitos da globalização financeira. Assim, os fenômenos econômicos, políticos, sociais que varrem o mundo despertam o interesse de todos.

Com a velocidade das comunicações o planeta parece não ter fronteiras, o indivíduo é instado pelos profetas da “pós-verdade” a se sentir cidadão mundial onde tudo é rápido, o que vale são as novidades ininterruptas nesse falso presente contínuo definitivo. Até a História seria irrelevante.

Porém isso é obra de ficção porque a quem almeja alguma participação nos acontecimentos que envolvem a sociedade francesa, norte-americana, norueguesa etc. etc., exigem-se os direitos de cidadania ou será um zero à esquerda, se for imigrante ilegal um pesadelo terrível.

Portanto, como somos brasileiros, é aqui que devemos exercer o nosso protagonismo, o resto é quinquilharia.

Mas as notícias falsas, fake news, tornaram-se uma pandemia, por isso muitos retornam a atenção aos tradicionais jornalões em versão online, mesmo conscientes que suas linhas editoriais produzem notícias falsas, campanhas políticas, ideologizadas.

Porque sabe-se a origem de onde foram publicadas, embora a maioria delas faça parte da agenda cultural do capital financeiro, uma espécie de plataforma global do rentismo.

A informação é acompanhada sistematicamente de conteúdo “pilhado” para desconstruir os mecanismos racionais das pessoas, conduzi-las a um estado de espírito de ferocidade e intolerância, útil à manipulação “ideológica”.

E não importa a linha “ideológica” mas que a pessoa seja “integrada” naquilo que chamam “efeito manada” cuja direção é irrelevante, tanto quanto a duração do “estouro da manada”.

Em pouco tempo, às vezes horas, logo se forma outra tempestade de ódios difusos e antagônicos. Vale dizer que o antagonismo é imperativo, o que não pode existir mesmo é o consenso.

Uma dessas celebridades nacionais disse numa entrevista que já foi humilhada quatro vezes nas redes sociais e entrou em depressão - uma outra pandemia - mas viu que horas depois a esqueceram, outros passaram a ser humilhados.

Diante da grave e profunda crise que vive o País é fundamental encontrar a saída para retomar o desenvolvimento, a vida democrática, a saúde mental da sociedade brasileira em meio a essa Guerra Híbrida.

sábado, 2 de junho de 2018

Pós-História

Meu novo artigo:


A Pós-verdade é uma necessidade impositiva de negar os valores da humanidade tidos como universais. Ela não surgiu de repente, foi evoluindo até adquirir a força destruidora da verdade.

Com o advento das redes sociais o fenômeno assumiu caráter de epidemia na medida em que não só os conceitos mas a verdade objetiva passou a ser questionada ao bel-prazer da ideologia de cada um. As informações sobre os acontecimentos adquiriram dimensão anárquica.

Isso assumiu tal proporção que a notícia de um episódio que realmente tenha existido pode não apenas ter várias versões mas ser substituída por outra absolutamente contrária à realidade.

Daí para o total nonsene foi um salto com as fake news que se transformaram em pesadelo para os indivíduos que desejam saber o que de fato é verdadeiro.

As fakes news atingiram tal sofisticação que a inverdade pode ser acompanhada de imagens e sons. A pós-verdade tornou-se tão poderosa que as pessoas menos atentas preferem o falso como informação que a narrativa fiel propriamente dita.

As redes sociais transformaram-se em incríveis veículos difusores das notícias falsas; as fake news com seus robôs manipuladores, a possibilidade de agentes políticos e econômicos influentes ditarem os rumos, as versões dos acontecimentos que lhes interessam.

O Historiador Eric Hobsbawm narrou o fenômeno profetizando, ainda no século XX, que as novas gerações corriam o risco de ser educadas “em uma espécie de presente contínuo, onde não há referências certas do passado, nem perspectivas de qualquer análise sobre o futuro”.

O sociólogo Zygmunt Bauman chamou os novos tempos de uma “sociedade líquida” que se amolda aos interesses dos sistemas hegemônicos, com graves transtornos psíquicos individuais e coletivos.

Cada um narra com suas inclinações “ideológicas”, como afirmar que Santos Dumont e seu 14 Bis nunca existiram ou que a Mona Lisa de Leonardo da Vinci é falsa porque obra de embusteiros.

Umberto Eco linguista e filósofo italiano alertou: há a paranoia psiquiátrica onde o paciente acha que está sendo perseguido pelo mundo. E existe nas redes sociais a paranoia social onde pessoas acham que o mundo persegue o seu grupo da internet.

Além disso tudo a pós-História, a pós-verdade, as fake news são armas usadas na chamada Guerra Híbrida, inclusive no Brasil.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Nação e democracia

Meu novo artigo:


A greve dos caminhoneiros expôs a política econômica recessiva do governo Temer, a linha fundamentalista de Mercado imposta à Petrobrás por Pedro Parente, que se desdobrou aos preços dos combustíveis e daí ao bolso dos cidadãos.

Mostrou o que todos já sabem, um fiasco de governo nascido de um voluntarismo autoritário que prevaleceu durante o impedimento da então presidente Dilma Rousseff a qual, por sua vez, adotava uma política econômica errática, o amadorismo, o isolamento político.

Há um exclusivismo político desde a promulgação da Carta de 1988 traduzido como um lema: “Fora todo mundo, menos eu”. Isso leva o derrotado nas urnas à desforra, inconstitucional, a fim de apear do poder o eleito, maligno à vida democrática, usada por todos os espectros da vida política.

Surgiu um “messianismo salvacionista” das corporações do Estado. Uma caça às bruxas que partindo do justo combate a corrupção transformou-se numa cruzada sectária, com o apoio da grande mídia.

Evoca os anos de Terror da revolução francesa quando Danton condenado à guilhotina por Robespierre disse-lhe: “depois de mim serás o próximo”. E realmente foi.

Esse “messianismo salvacionista” transformou-se na única política de Estado emparedando o crescimento econômico, a via constitucional.

Mas agora surgiu um Brasil de quase 200 milhões de habitantes que assiste, na arquibancada, a uma interminável peleja ideologizada ao extremo entre setores médios que se digladiam a partir de uma agenda inflada pela grande mídia, jogando uns contra os outros, numa linha editorial insana cujos objetivos megalômanos de poder são ditados por seus comentaristas teleguiados.

Destacam-se também setores da “Nova Esquerda” guiada por uma agenda do “politicamente correto” importada de Países nórdicos e outros, como alternativa periférica aos graves problemas e desafios ao desenvolvimento nacional de emprego, saúde, segurança, educação, infraestrutura etc.

Emergem, em contraponto, figuras que içam bandeiras do falso moralismo, da intolerância. Como uma ópera bufa neofascista.

Sem dúvida os aproveitadores estão faturando com o sofrimento popular, ganham bilhões com a especulação rentista. Seja como for, a união em defesa da nação e da democracia vai prevalecer, apesar das aves de rapina que vendem o inferno como solução ao País.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Guerra Híbrida

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Os fluxos entre os Países em uma economia globalizada são uma realidade após o fim da bipolarização mundial, quando o mundo era dividido entre os blocos capitalista e socialista.

Com o fim do campo sob a liderança soviética - a China sempre teve a sua própria política externa - as repercussões foram concretas.

A queda do Muro de Berlim indicou o surgimento de uma hegemonia dos Estados Unidos e a Nova Ordem mundial.

Com a liderança geomilitar norte-americana avançou a globalização do capital especulativo que necessitava de por fim a quaisquer entraves à sua livre circulação, dissociada dos investimentos produtivos, mas sim aos lucros de curto prazo.

Mais nada é definitivo na História. A hegemonia dos EUA transitou para novos atores políticos, econômicos e militares. Entre esses destaca-se a China como potência econômica global, a Rússia herdeira da tecnologia militar soviética, riquezas naturais, liderança regional que remonta aos tempos do império czarista. Apesar de pontos em comum, cada um cuida dos seus próprios interesses nacionais.

Os anseios dos povos em defesa da soberania jamais cessaram, têm crescido apesar da pressão do Mercado financeiro com sua fantástica acumulação especulativa, de biliardários como George Soros etc.

As crises do capitalismo são mananciais astronômicos do rentismo que controla parte da grande mídia, promove a sua hegemonia através da agenda do “politicamente correto”, de suas ONGs, das “Revoluções Coloridas”.

No Brasil torna-se vital a defesa da nação, das suas riquezas naturais, da sua soberania financeira, territorial, desenvolvimento industrial, agrícola, científico, tecnológico etc.

O País vive atualmente uma Guerra Híbrida, cuja função é impedir seu papel de liderança regional, quebrar a unidade nacional, o seu protagonismo civilizatório inovador, saquear suas riquezas. E por aí vai.

Na 2a Guerra Mundial consolidou-se o termo Quinta Coluna, original da guerra civil espanhola, traduzido como aqueles que, por motivos e interesses inconfessáveis, agiam contra a soberania dos povos resistentes às hordas nazifascistas.

A Guerra Híbrida tem objetivo similar: quebra da nossa identidade, da união social em defesa da democracia, do desenvolvimento, fragilizar o sentimento em comum de pertencimento nacional. É o que está em curso no Brasil.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Nação agredida

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O principal desafio nos tempos atuais do Brasil é encontrar, através da vida democrática, os caminhos da superação do imbróglio em que se encontra, cujo responsável central tem sido a Guerra Híbrida a que vem sendo submetido em enormes escalas, especialmente desde 2013.

A desconstrução da via política, a crise sem precedentes das instituições da República, o espetáculo midiático que induz setores do aparato do Estado a uma espécie de exposição junto à opinião pública de atribuições que extrapolam suas funções constitucionais, provocando a quase falência democrática, são elementos muito graves à normalidade da vida nacional.

A necessidade de retomar um nível razoável de convívio civilizacional, fundamental à resolução dos graves problemas do País, que têm suas raízes concretas, encontra-se sistematicamente emparedada por uma histeria política, é permanentemente sustada por um clima de tempestades de ódios difusos e irreconciliáveis.

Cuja origem sempre tem sido pautada diuturnamente através da grande mídia-empresa hegemônica, associada ao capital financeiro especulativo, ao rentismo predador.

Nesse aspecto o País vem sofrendo intenso ataque especulativo com a alta vertiginosa do dólar cujas explicações atribuem à guerra comercial dos EUA com a China, entre outras causas, mas que decorre de violentos assaltos diários dos megaespeculadores do Mercado à nossa economia.

Paralisada e sem referências hierárquicas, os poderes da República à deriva, a nação tem sido presa fácil de toda espécie de ações contra seus interesses fundamentais, sejam suas riquezas naturais, seu patrimônio estatal, seu desenvolvimento industrial, agrícola, científico e tecnológico etc.

Quanto à sociedade, com as ações de grandes potências, dos seus representantes internos, há uma manipulação diária de fatos que açodam setores médios, os quais, inocentes úteis uns, outros nem tanto, afundam num desvario galopante que os afastam das questões centrais e decisivas ao seu destino.

O Brasil está envenenado por uma “revolução colorida”, a mais sofisticada aplicada até hoje, onde proliferam a agenda do “politicamente correto” e outras requentadas, para induzir à divisão e à cizânia geral.

O momento exige equilíbrio emocional, serenidade, unidade e muita lucidez política em defesa da nação e da democracia.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Nau dos insensatos

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A atual conjuntura política é farta em irresponsabilidades com os destinos do País. Basta ver os delírios que surgem em vários pronunciamentos.

O doutor Pérsio Arida, conhecido de todos nós, afirmou em entrevista, com destaque na grande mídia, que “a Constituição não pode engessar a economia”. Ou seja, às favas com a Constituição se os interesses que ele representa não prosperarem.

É o espírito do No tempo das diligências (1939) clássico norte-americano de faroeste, de uma terra sem leis, que está vigendo hoje no Brasil.

O problema é que o filme retrata os primórdios da consolidação dos Estados Unidos que sedimentou depois uma das constituições mais estáveis do mundo cujas disputas, legais ou ilícitas, são julgadas pela Suprema Corte, a qual aplica seus artigos até os dias atuais.

Os EUA não são superiores a ninguém em matéria constitucional, ao contrário. O que existe lá é o concerto onde a carta magna não deve ser atropelada ao sabor das crises conjunturais já que é garantia da continuidade do establishment norte-americano.

O seu poder imperial, grupos econômicos, as facções políticas dos partidos Democrata e Republicano, pactuaram que a Constituição é árbitro central das suas disputas. Assim como no sistema financeiro, no complexo industrial-militar etc. Regras vitais ao equilíbrio institucional.

Mas o senhor Arida resolveu pegar carona na moda onde aqui a Constituição nada vale. Muito menos os deveres dos cidadãos, garantias individuais, sociais, a estabilidade democrática, agredidas.

É óbvio que a economia brasileira precisa modernizar-se, a indústria tornar-se competitiva, alcançar novos patamares em um cenário globalizado, infestado de protecionismos, verdadeira lei das selvas.

O doutor Arida arvora-se em porta-voz do Mercado rentista, de grupos contrários aos interesses do País, em leiloar o patrimônio nacional, garantias sociais, as riquezas naturais e a própria democracia.

Declara sem subterfúgios que deseja “reformar” a Constituição, já aviltada, para aplicar no Brasil um fundamentalismo econômico liberal que já não é usado nem nos EUA.

Se a declaração sai da boca da oposição política ao caos no País seria uma gritaria. Na verdade estamos parecidos mesmo é com o clássico alemão da literatura A nau dos insensatos, de Sebastian Brant (1457-1521). No mínimo.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Redes do ódio

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Existem nos dias atuais duas questões fundamentais que podem ajudar a reflexão sobre os rumos do País: a nação e a democracia. Sem elas é impossível qualquer raciocínio lúcido sobre a realidade brasileira que traga luzes ao cenário complexo, obscuro e dramático que vive a nação.

Simon Bolívar, o Libertador, em memorável texto do escritor Gabriel Garcia Márquez, prêmio Nobel de literatura, depois de lutar e conquistar a independência dos povos sul-americanos de colonização espanhola terminou batendo em retirada rumo ao exílio, em delírio pela febre alta da tuberculose, sem ter uma pátria pela qual lutar e morrer.

Salvo os pseudos internacionalistas de opereta, incentivados pela grande mídia-empresa global, associada ao capital financeiro, às ONGs de George Soros e megaespeculadores do rentismo, ninguém acredita em democracia sem a defesa da sua Pátria, História e cultura. Não há democracia no éter, ou nas redes sociais, sem a concretude da sua própria terra.

Mas a força do dinheiro, junto à grande mídia, pode muito inclusive construir personas voláteis que interpretam, como no teatro, performances produzidas conforme o roteiro que interessa aos grupos que desejam a fragmentação do País, seja nos “ultristas” da direita ou na esquerda.

É o que diz Clarice Gurgel, professora de Ciência Política e Artes, ao constatar o surgimento no início do século XXI de uma “Nova Esquerda”, uma espécie de neotrotskismo sem Trotsky, conveniente às agendas sociais globais do capital financeiro, que se tornaram hegemônicas em setores ativistas mundiais e nativos.

Útil à Guerra Híbrida contra o Brasil na desconstrução do tecido social, da vida política democrática, apropriação do patrimônio, riquezas, conquistas sociais e, quiçá, do território brasileiro.

A polarização de ódios induzidos, via grande mídia, na agenda política, como falsas hegemonias sequestradas da realidade, o fanatismo ideológico, são a pauta diária no País, a despeito dos problemas reais e concretos que são caros às grandes maiorias sociais.

Os histriônicos discursos de candidatos da extrema direita, os “salvacionistas” aspirantes à presidência, as intolerâncias absurdas, as “bolhas” de ativistas, o isolamento no 1o de maio, salvo as exceções, não condizem com a luta democrática, a defesa da nação, sob graves ameaças.