quinta-feira, 21 de junho de 2018

Rumos

Meu novo artigo:


Submetido a uma intensa Guerra Híbrida, o Brasil é atualmente uma nação sem rumo que possa aglutinar as grandes maiorias sociais em torno de um projeto de desenvolvimento factível que estabeleça um estado de espírito na sociedade minimamente razoável de identidade nacional.

Trata-se de um fenômeno inédito na História contemporânea do País. Já vivemos de tudo em nosso processo de formação de jovem nação mas jamais em circunstâncias idênticas.

As explicações podem variar mas dentre elas assume papel central uma campanha de desestabilização de múltiplas faces.

Que se expressa na atual realidade econômica, política, psicossocial, através de cataclismos de variadas intensidades desde as manifestações de 2013, saudadas com êxtase por setores neoanarquistas, neotrotskistas, neoliberais etc. cujas concepções díspares, aparentemente, antagônicas, encontram-se em um ponto de confluência comum.

Essas “ideologias” reaparecem na mídia hegemônica com novas indumentárias e velhas ideias, adaptadas ao novo milênio.

Colunistas da grande mídia transformam-se para setores médios em arautos da pós-verdade, do pós-moderno. Celebridades do show business nativo ditam as regras “filosóficas” do comportamento e das modas como um salto em direção ao nada absoluto.

Há em setores da Nova Esquerda e entre os Novos Neoliberais da economia uma aliança implícita. De tal forma que nas redes sociais as suas postagens se intercruzam, provocando imensa confusão. Ou melhor, desorientação.

Mas todos eles bebem na mesma fonte: a agenda da globalização financeira, do rentismo predador, dos megaespeculadores e suas ONGs que financiam a granel “causas” do “politicamente correto”, convenientes à desestabilização do Estados nacionais, das sociedades, dos povos do planeta que ficam sem referências dos rumos soberanos.

Mas o cenário geopolítico vem mudando rapidamente, a inconformidade das sociedades encontra-se na proporção direta ao quadro catastrófico produzido pela Nova Ordem mundial, inaugurada na viragem do novo milênio, com a ascensão de novos protagonistas no teatro da política mundial.

O Brasil precisa de rumos que só é possível encontrar com a centralidade dos interesses nacionais, o fomento da sua cultura que vem sendo massacrada. De uma visão política estratégica, que priorize o desenvolvimento econômico.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Nada espontâneo

Meu novo artigo:


Não só o Brasil, muitos Países também se encontram convulsionados pelos efeitos da globalização financeira. Assim, os fenômenos econômicos, políticos, sociais que varrem o mundo despertam o interesse de todos.

Com a velocidade das comunicações o planeta parece não ter fronteiras, o indivíduo é instado pelos profetas da “pós-verdade” a se sentir cidadão mundial onde tudo é rápido, o que vale são as novidades ininterruptas nesse falso presente contínuo definitivo. Até a História seria irrelevante.

Porém isso é obra de ficção porque a quem almeja alguma participação nos acontecimentos que envolvem a sociedade francesa, norte-americana, norueguesa etc. etc., exigem-se os direitos de cidadania ou será um zero à esquerda, se for imigrante ilegal um pesadelo terrível.

Portanto, como somos brasileiros, é aqui que devemos exercer o nosso protagonismo, o resto é quinquilharia.

Mas as notícias falsas, fake news, tornaram-se uma pandemia, por isso muitos retornam a atenção aos tradicionais jornalões em versão online, mesmo conscientes que suas linhas editoriais produzem notícias falsas, campanhas políticas, ideologizadas.

Porque sabe-se a origem de onde foram publicadas, embora a maioria delas faça parte da agenda cultural do capital financeiro, uma espécie de plataforma global do rentismo.

A informação é acompanhada sistematicamente de conteúdo “pilhado” para desconstruir os mecanismos racionais das pessoas, conduzi-las a um estado de espírito de ferocidade e intolerância, útil à manipulação “ideológica”.

E não importa a linha “ideológica” mas que a pessoa seja “integrada” naquilo que chamam “efeito manada” cuja direção é irrelevante, tanto quanto a duração do “estouro da manada”.

Em pouco tempo, às vezes horas, logo se forma outra tempestade de ódios difusos e antagônicos. Vale dizer que o antagonismo é imperativo, o que não pode existir mesmo é o consenso.

Uma dessas celebridades nacionais disse numa entrevista que já foi humilhada quatro vezes nas redes sociais e entrou em depressão - uma outra pandemia - mas viu que horas depois a esqueceram, outros passaram a ser humilhados.

Diante da grave e profunda crise que vive o País é fundamental encontrar a saída para retomar o desenvolvimento, a vida democrática, a saúde mental da sociedade brasileira em meio a essa Guerra Híbrida.

sábado, 2 de junho de 2018

Pós-História

Meu novo artigo:


A Pós-verdade é uma necessidade impositiva de negar os valores da humanidade tidos como universais. Ela não surgiu de repente, foi evoluindo até adquirir a força destruidora da verdade.

Com o advento das redes sociais o fenômeno assumiu caráter de epidemia na medida em que não só os conceitos mas a verdade objetiva passou a ser questionada ao bel-prazer da ideologia de cada um. As informações sobre os acontecimentos adquiriram dimensão anárquica.

Isso assumiu tal proporção que a notícia de um episódio que realmente tenha existido pode não apenas ter várias versões mas ser substituída por outra absolutamente contrária à realidade.

Daí para o total nonsene foi um salto com as fake news que se transformaram em pesadelo para os indivíduos que desejam saber o que de fato é verdadeiro.

As fakes news atingiram tal sofisticação que a inverdade pode ser acompanhada de imagens e sons. A pós-verdade tornou-se tão poderosa que as pessoas menos atentas preferem o falso como informação que a narrativa fiel propriamente dita.

As redes sociais transformaram-se em incríveis veículos difusores das notícias falsas; as fake news com seus robôs manipuladores, a possibilidade de agentes políticos e econômicos influentes ditarem os rumos, as versões dos acontecimentos que lhes interessam.

O Historiador Eric Hobsbawm narrou o fenômeno profetizando, ainda no século XX, que as novas gerações corriam o risco de ser educadas “em uma espécie de presente contínuo, onde não há referências certas do passado, nem perspectivas de qualquer análise sobre o futuro”.

O sociólogo Zygmunt Bauman chamou os novos tempos de uma “sociedade líquida” que se amolda aos interesses dos sistemas hegemônicos, com graves transtornos psíquicos individuais e coletivos.

Cada um narra com suas inclinações “ideológicas”, como afirmar que Santos Dumont e seu 14 Bis nunca existiram ou que a Mona Lisa de Leonardo da Vinci é falsa porque obra de embusteiros.

Umberto Eco linguista e filósofo italiano alertou: há a paranoia psiquiátrica onde o paciente acha que está sendo perseguido pelo mundo. E existe nas redes sociais a paranoia social onde pessoas acham que o mundo persegue o seu grupo da internet.

Além disso tudo a pós-História, a pós-verdade, as fake news são armas usadas na chamada Guerra Híbrida, inclusive no Brasil.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Nação e democracia

Meu novo artigo:


A greve dos caminhoneiros expôs a política econômica recessiva do governo Temer, a linha fundamentalista de Mercado imposta à Petrobrás por Pedro Parente, que se desdobrou aos preços dos combustíveis e daí ao bolso dos cidadãos.

Mostrou o que todos já sabem, um fiasco de governo nascido de um voluntarismo autoritário que prevaleceu durante o impedimento da então presidente Dilma Rousseff a qual, por sua vez, adotava uma política econômica errática, o amadorismo, o isolamento político.

Há um exclusivismo político desde a promulgação da Carta de 1988 traduzido como um lema: “Fora todo mundo, menos eu”. Isso leva o derrotado nas urnas à desforra, inconstitucional, a fim de apear do poder o eleito, maligno à vida democrática, usada por todos os espectros da vida política.

Surgiu um “messianismo salvacionista” das corporações do Estado. Uma caça às bruxas que partindo do justo combate a corrupção transformou-se numa cruzada sectária, com o apoio da grande mídia.

Evoca os anos de Terror da revolução francesa quando Danton condenado à guilhotina por Robespierre disse-lhe: “depois de mim serás o próximo”. E realmente foi.

Esse “messianismo salvacionista” transformou-se na única política de Estado emparedando o crescimento econômico, a via constitucional.

Mas agora surgiu um Brasil de quase 200 milhões de habitantes que assiste, na arquibancada, a uma interminável peleja ideologizada ao extremo entre setores médios que se digladiam a partir de uma agenda inflada pela grande mídia, jogando uns contra os outros, numa linha editorial insana cujos objetivos megalômanos de poder são ditados por seus comentaristas teleguiados.

Destacam-se também setores da “Nova Esquerda” guiada por uma agenda do “politicamente correto” importada de Países nórdicos e outros, como alternativa periférica aos graves problemas e desafios ao desenvolvimento nacional de emprego, saúde, segurança, educação, infraestrutura etc.

Emergem, em contraponto, figuras que içam bandeiras do falso moralismo, da intolerância. Como uma ópera bufa neofascista.

Sem dúvida os aproveitadores estão faturando com o sofrimento popular, ganham bilhões com a especulação rentista. Seja como for, a união em defesa da nação e da democracia vai prevalecer, apesar das aves de rapina que vendem o inferno como solução ao País.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Guerra Híbrida

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Os fluxos entre os Países em uma economia globalizada são uma realidade após o fim da bipolarização mundial, quando o mundo era dividido entre os blocos capitalista e socialista.

Com o fim do campo sob a liderança soviética - a China sempre teve a sua própria política externa - as repercussões foram concretas.

A queda do Muro de Berlim indicou o surgimento de uma hegemonia dos Estados Unidos e a Nova Ordem mundial.

Com a liderança geomilitar norte-americana avançou a globalização do capital especulativo que necessitava de por fim a quaisquer entraves à sua livre circulação, dissociada dos investimentos produtivos, mas sim aos lucros de curto prazo.

Mais nada é definitivo na História. A hegemonia dos EUA transitou para novos atores políticos, econômicos e militares. Entre esses destaca-se a China como potência econômica global, a Rússia herdeira da tecnologia militar soviética, riquezas naturais, liderança regional que remonta aos tempos do império czarista. Apesar de pontos em comum, cada um cuida dos seus próprios interesses nacionais.

Os anseios dos povos em defesa da soberania jamais cessaram, têm crescido apesar da pressão do Mercado financeiro com sua fantástica acumulação especulativa, de biliardários como George Soros etc.

As crises do capitalismo são mananciais astronômicos do rentismo que controla parte da grande mídia, promove a sua hegemonia através da agenda do “politicamente correto”, de suas ONGs, das “Revoluções Coloridas”.

No Brasil torna-se vital a defesa da nação, das suas riquezas naturais, da sua soberania financeira, territorial, desenvolvimento industrial, agrícola, científico, tecnológico etc.

O País vive atualmente uma Guerra Híbrida, cuja função é impedir seu papel de liderança regional, quebrar a unidade nacional, o seu protagonismo civilizatório inovador, saquear suas riquezas. E por aí vai.

Na 2a Guerra Mundial consolidou-se o termo Quinta Coluna, original da guerra civil espanhola, traduzido como aqueles que, por motivos e interesses inconfessáveis, agiam contra a soberania dos povos resistentes às hordas nazifascistas.

A Guerra Híbrida tem objetivo similar: quebra da nossa identidade, da união social em defesa da democracia, do desenvolvimento, fragilizar o sentimento em comum de pertencimento nacional. É o que está em curso no Brasil.

terça-feira, 15 de maio de 2018

Nação agredida

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O principal desafio nos tempos atuais do Brasil é encontrar, através da vida democrática, os caminhos da superação do imbróglio em que se encontra, cujo responsável central tem sido a Guerra Híbrida a que vem sendo submetido em enormes escalas, especialmente desde 2013.

A desconstrução da via política, a crise sem precedentes das instituições da República, o espetáculo midiático que induz setores do aparato do Estado a uma espécie de exposição junto à opinião pública de atribuições que extrapolam suas funções constitucionais, provocando a quase falência democrática, são elementos muito graves à normalidade da vida nacional.

A necessidade de retomar um nível razoável de convívio civilizacional, fundamental à resolução dos graves problemas do País, que têm suas raízes concretas, encontra-se sistematicamente emparedada por uma histeria política, é permanentemente sustada por um clima de tempestades de ódios difusos e irreconciliáveis.

Cuja origem sempre tem sido pautada diuturnamente através da grande mídia-empresa hegemônica, associada ao capital financeiro especulativo, ao rentismo predador.

Nesse aspecto o País vem sofrendo intenso ataque especulativo com a alta vertiginosa do dólar cujas explicações atribuem à guerra comercial dos EUA com a China, entre outras causas, mas que decorre de violentos assaltos diários dos megaespeculadores do Mercado à nossa economia.

Paralisada e sem referências hierárquicas, os poderes da República à deriva, a nação tem sido presa fácil de toda espécie de ações contra seus interesses fundamentais, sejam suas riquezas naturais, seu patrimônio estatal, seu desenvolvimento industrial, agrícola, científico e tecnológico etc.

Quanto à sociedade, com as ações de grandes potências, dos seus representantes internos, há uma manipulação diária de fatos que açodam setores médios, os quais, inocentes úteis uns, outros nem tanto, afundam num desvario galopante que os afastam das questões centrais e decisivas ao seu destino.

O Brasil está envenenado por uma “revolução colorida”, a mais sofisticada aplicada até hoje, onde proliferam a agenda do “politicamente correto” e outras requentadas, para induzir à divisão e à cizânia geral.

O momento exige equilíbrio emocional, serenidade, unidade e muita lucidez política em defesa da nação e da democracia.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Nau dos insensatos

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A atual conjuntura política é farta em irresponsabilidades com os destinos do País. Basta ver os delírios que surgem em vários pronunciamentos.

O doutor Pérsio Arida, conhecido de todos nós, afirmou em entrevista, com destaque na grande mídia, que “a Constituição não pode engessar a economia”. Ou seja, às favas com a Constituição se os interesses que ele representa não prosperarem.

É o espírito do No tempo das diligências (1939) clássico norte-americano de faroeste, de uma terra sem leis, que está vigendo hoje no Brasil.

O problema é que o filme retrata os primórdios da consolidação dos Estados Unidos que sedimentou depois uma das constituições mais estáveis do mundo cujas disputas, legais ou ilícitas, são julgadas pela Suprema Corte, a qual aplica seus artigos até os dias atuais.

Os EUA não são superiores a ninguém em matéria constitucional, ao contrário. O que existe lá é o concerto onde a carta magna não deve ser atropelada ao sabor das crises conjunturais já que é garantia da continuidade do establishment norte-americano.

O seu poder imperial, grupos econômicos, as facções políticas dos partidos Democrata e Republicano, pactuaram que a Constituição é árbitro central das suas disputas. Assim como no sistema financeiro, no complexo industrial-militar etc. Regras vitais ao equilíbrio institucional.

Mas o senhor Arida resolveu pegar carona na moda onde aqui a Constituição nada vale. Muito menos os deveres dos cidadãos, garantias individuais, sociais, a estabilidade democrática, agredidas.

É óbvio que a economia brasileira precisa modernizar-se, a indústria tornar-se competitiva, alcançar novos patamares em um cenário globalizado, infestado de protecionismos, verdadeira lei das selvas.

O doutor Arida arvora-se em porta-voz do Mercado rentista, de grupos contrários aos interesses do País, em leiloar o patrimônio nacional, garantias sociais, as riquezas naturais e a própria democracia.

Declara sem subterfúgios que deseja “reformar” a Constituição, já aviltada, para aplicar no Brasil um fundamentalismo econômico liberal que já não é usado nem nos EUA.

Se a declaração sai da boca da oposição política ao caos no País seria uma gritaria. Na verdade estamos parecidos mesmo é com o clássico alemão da literatura A nau dos insensatos, de Sebastian Brant (1457-1521). No mínimo.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

Redes do ódio

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Existem nos dias atuais duas questões fundamentais que podem ajudar a reflexão sobre os rumos do País: a nação e a democracia. Sem elas é impossível qualquer raciocínio lúcido sobre a realidade brasileira que traga luzes ao cenário complexo, obscuro e dramático que vive a nação.

Simon Bolívar, o Libertador, em memorável texto do escritor Gabriel Garcia Márquez, prêmio Nobel de literatura, depois de lutar e conquistar a independência dos povos sul-americanos de colonização espanhola terminou batendo em retirada rumo ao exílio, em delírio pela febre alta da tuberculose, sem ter uma pátria pela qual lutar e morrer.

Salvo os pseudos internacionalistas de opereta, incentivados pela grande mídia-empresa global, associada ao capital financeiro, às ONGs de George Soros e megaespeculadores do rentismo, ninguém acredita em democracia sem a defesa da sua Pátria, História e cultura. Não há democracia no éter, ou nas redes sociais, sem a concretude da sua própria terra.

Mas a força do dinheiro, junto à grande mídia, pode muito inclusive construir personas voláteis que interpretam, como no teatro, performances produzidas conforme o roteiro que interessa aos grupos que desejam a fragmentação do País, seja nos “ultristas” da direita ou na esquerda.

É o que diz Clarice Gurgel, professora de Ciência Política e Artes, ao constatar o surgimento no início do século XXI de uma “Nova Esquerda”, uma espécie de neotrotskismo sem Trotsky, conveniente às agendas sociais globais do capital financeiro, que se tornaram hegemônicas em setores ativistas mundiais e nativos.

Útil à Guerra Híbrida contra o Brasil na desconstrução do tecido social, da vida política democrática, apropriação do patrimônio, riquezas, conquistas sociais e, quiçá, do território brasileiro.

A polarização de ódios induzidos, via grande mídia, na agenda política, como falsas hegemonias sequestradas da realidade, o fanatismo ideológico, são a pauta diária no País, a despeito dos problemas reais e concretos que são caros às grandes maiorias sociais.

Os histriônicos discursos de candidatos da extrema direita, os “salvacionistas” aspirantes à presidência, as intolerâncias absurdas, as “bolhas” de ativistas, o isolamento no 1o de maio, salvo as exceções, não condizem com a luta democrática, a defesa da nação, sob graves ameaças.

quarta-feira, 25 de abril de 2018

2018

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As demandas centrais que os institutos de pesquisas devem encontrar para as eleições de outubro de 2018, ao ouvirem a esmagadora maioria da sociedade, vão ser: emprego e renda, saúde, educação, segurança pública. Esse é o Brasil real, com mais de 200 milhões de habitantes.

Os candidatos à presidência, Congresso, Assembleias estaduais e governadores dos Estados melhor habilitados às disputas eleitorais serão aqueles que responderem de maneira convincente a esses quesitos. Ou que no exercício dos governos regionais melhor administram esses problemas em seus mandatos.

É óbvio que um projeto de governabilidade é bem mais abrangente, corresponde a um conjunto de questões complexas em uma nação de porte continental, o 5o País do mundo em dimensão territorial, atrás da Rússia, China, Canadá, Estados Unidos.

Qual o caminho para a retomada do crescimento, a forma de impulsionar uma economia estagnada por uma política monetária recessiva cujo objetivo é a meta da inflação, a remuneração do capital financeiro, os juros estratosféricos do rentismo no governo Michel Temer?

Sem o crescimento econômico não há desenvolvimento e diz o ditado popular: “casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”. Sem a retomada do desenvolvimento não há geração de emprego, a renda cai, a economia patina no charco, não existem recursos para investimentos inadiáveis nas áreas de infraestrutura, saúde, educação etc.

Assim é em segurança pública onde a criminalidade passou de grave problema para tornar-se questão de soberania nacional, no confronto direto com milionárias organizações que controlam o narcotráfico através de nossas fronteiras sul-americanas.

Tanto como os novos vetores para se ter uma indústria competitiva em uma economia globalizada, infestada de protecionismos, conflitos comerciais e guerras.

Como reduzir as profundas desigualdades sociais. Qual o papel do Estado nacional em um projeto estratégico de desenvolvimento. Como recuperar o equilíbrio democrático entre as instituições da República?

O mesmo dá-se com as agendas identitárias, de costumes, gênero, comportamento, via grande mídia e redes sociais, ideologizadas, polarizadas em setores médios. O País vai continuar a exigir, objetivamente, respostas aos seus rumos fundamentais. Ou persistirá no limbo do imobilismo, da estagnação.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Nova Guerra Fria

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O ataque dos Estados Unidos contra a Síria com o lançamento de 103 mísseis de última geração foi na verdade mais um espetáculo midiático, embora caracterize gravíssima agressão contra uma nação e sua população que já vive uma guerra cruenta de 7 anos. O próximo alvo será, como todos já sabem, o Irã.

Pouca gente acredita na justificativa norte-americana das “armas químicas” para lançar contra Damasco poderosos artefatos, interceptados em mais de dois terços pela defesa antiaérea Síria, equipada com sistema antimísseis de fabricação russa, um tremendo revés militar para os EUA.

Esse pretexto já foi utilizado outras vezes, como na invasão contra o Iraque, revelando-se depois uma grande farsa montada pelo governo dos Estados Unidos, com apoio maciço da grande mídia internacional.

A diferença atual é que a Rússia recuperou seu protagonismo de potência global, perdida com a debacle da extinta URSS e o período de Boris Yeltsin, além da meteórica ascensão da China como força de primeira grandeza na economia mundial e seu inquestionável arsenal bélico, atômico, que rivaliza com a Rússia e os EUA.

O ataque à Síria tem outros fatores como a política doméstica norte-americana, onde se trava uma guerra furiosa pelo poder desde a eleição de Donald Trump, histriônico e estabanado bilionário que derrotou Hillary Clinton, candidata do Mercado financeiro associado à grande mídia.

O fato é que a geopolítica mundial se alterou profundamente desde a entronização da Nova Ordem e a hegemonia unipolar dos Estados Unidos durante boa parte do segundo milênio. Vivemos hoje os tempos de uma Nova Guerra Fria com ingredientes cibernéticos que os especialistas chamam de Guerra de 4a geração.

Os ataques contra os Estados nacionais começam pela desestabilização econômica, cultural, as “polarizações induzidas”, a fratura do espírito de pertencimento, identidade social em comum na sociedade.

É o caso do Brasil onde as instituições da República estão à deriva e, através da grande mídia e do Mercado rentista, fomenta-se o ódio delirante e galopante.

Destroem a vida democrática, sequestra-se o sentimento nacional, semeiam a desorientação social, o narcisismo político, a ausência de rumos.

Torna-se urgente resgatar a união do povo brasileiro e a democracia, em uma das maiores ameaças da sua História.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Sob fogo intenso

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A prisão do ex-presidente Lula revela-se óbvia ação contra os direitos democráticos. O julgamento do pedido de habeas corpus a seu favor e a sua negação em um Supremo Tribunal Federal dividido indicam que existe também na Suprema Corte do País uma aberta batalha pela democracia no Brasil.

O que estamos assistindo, inclusive no STF, é um confronto de concepções opostas sobre o que diz a Constituição de 1988, entre a sua flexibilização em prol de um Estado autoritário cada vez mais presente e o efetivo respeito à sua interpretação.

A carta maior da nação foi um pacto celebrado por amplos setores da sociedade, com a participação da população brasileira.

Na sessão do STF acompanhada por toda a nação e os olhos e ouvidos da opinião pública mundial, alguns ministros se agigantaram com os seus votos apesar da violenta pressão, violenta é a palavra definitiva, da grande mídia global que é parte essencial da escalada autoritária antinacional e antidemocrática em curso.

Destaca-se, entre outros, o voto do ministro decano Celso de Mello, uma excepcional aula de Direito penal e constitucional, que lembra os momentos históricos do Direito nativo e internacional, honrando as grandes lições da advocacia e da justiça em toda sua trajetória.

O Brasil sofre, já faz alguns anos, uma Guerra Híbrida que é na verdade um sucedâneo da Guerra Fria, mas de igual ou maior periculosidade, com agressões e subversões contra os povos e os Estados nações.

A Guerra Híbrida vem se mostrando poderosíssima, instrumentalizada pela grande mídia global, pela revolução tecnológica e a cibernética com seus desdobramentos na internet, através das redes sociais propagadas como nova face das liberdades individuais, da informação democratizada.

Mas os fatos atuais, as denúncias sobejamente comprovadas mostram sua manipulação pelas grandes potências e os interesses do Mercado financeiro rentista.

Fomentam delírios galopantes, esgarçamento da sociedade, ódios incontidos, caracterizando uma guerra psicológica cujos alvos são a democracia, as liberdades políticas e individuais, a união do tecido social, a desconstrução do patrimônio nacional etc.

Mas o Brasil é inevitável em sua integridade física, na sua civilização tropical, original e promissora, na irredenta vocação pelas liberdades políticas do seu povo.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Delírio

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O clima de, quase, total desencontro em que vive a nação brasileira, moída em uma espécie de presente contínuo infindável, impede a capacidade de enxergar a complexidade e sofisticação da Guerra Híbrida a que o Brasil vem sendo submetido em movimentos ensaiados e sistemáticos.

As ações programadas, através da grande mídia, com vistas a satanizar a China, a expulsão dos diplomatas russos em Países da Europa ocidental, a campanha contra a cultura dessas e outras nações, criando um exército de reserva “pseudointernacionalista” de ativistas do “politicamente correto” a serviço do Mercado rentista, contra a soberania dos povos, não são apenas notícias: fazem parte de uma nova forma de guerra mundial e muito real que envolve o planeta.

Com a intenção do desmonte territorial, financeiro e cultural dos Países que possam vir a atuar com algum protagonismo na geopolítica global. Mas a intoxicação de vários estamentos pensantes é tal que muitos perderam o norte ou não querem refletir sobre o curso dos acontecimentos.

Alguns setores “ultristas” antípodas, inclusive fascistas, como dizia Darcy Ribeiro banido no índex do “politicamente correto” assim como o pernambucano Gilberto Freyre, atestam a cultura da intolerância, a desorientação de parte da Inteligência nativa.

O julgamento do ex-presidente Lula é parte desse cenário onde forças desagregadoras, com o firme apoio da mídia global associada ao Mercado especulativo, por mais que tentem negar, movem-se contra os interesses nacionais.

As instituições republicanas foram levadas, como uma novela, à descaracterização de suas funções constitucionais e, nesses casos, muitos dos seus representantes consumidos na imensa fogueira das vaidades, alimentada pela grande mídia num combustível altamente inflamável.

Os poderes da República estão à deriva, a Constituição, a democracia mutiladas. É o retrato do Brasil que vários se recusam a enxergar ou foram engolidos por uma onda de delírio galopante pautada pela mídia global e redes sociais, sobejamente comprovadas como agentes na manipulação da cidadania.

Hoje prevalece o esgarçamento do País, quando o Brasil necessita com rara urgência de lideranças e políticas de coesão nacional que aglutinem a sociedade em defesa de um novo projeto de desenvolvimento, da democracia, do seu protagonismo soberano e solidário.