terça-feira, 20 de junho de 2017

Espírito de Vichy

Meu novo artigo semanal:


Tropas nazistas alemãs marcham sobre Paris e franceses choram humilhados



A crise brasileira vai atingindo tal estágio que já ameaça o seu futuro como nação soberana. Até porque as fraturas econômicas, geopolíticas e institucionais são visíveis a olho nu, enquanto forças políticas resolvem tratá-las como elementos conjunturais, adotando táticas exclusivistas, só convenientes aos seus projetos eleitorais em 2018.

Essas rupturas estão abalando o tecido institucional, ao ponto de levar de roldão o País, na ausência de qualquer perspectiva, como uma nau desgovernada sem tripulação.

A História nos ensina sempre, através de inúmeros exemplos, que a primeira vítima, nesses casos, é o Estado de Direito democrático que já se encontra extremamente agredido.

Depois, sucede a tormenta econômica absoluta, em seguida o caos social, assim como a integridade da soberania sob ataques das grandes potências mundiais no saque das nossas riquezas naturais, além do surgimento de algum tresloucado aventureiro de ocasião.

Segmentos das grandes elites nativas guiam-se pelo espírito de Vichy, como afirmou o professor Mangabeira Unger, evocando as elites econômicas e políticas francesas na capitulação vergonhosa, criminosa, diante da Alemanha nazista durante a 2a Grande Guerra mundial.

Entregando a França de mão beijada às hordas hitleristas, salva pela indômita luta da Resistência Francesa, a altivez do general Charles De Gaulle, depois eleito presidente.

Mangabeira Unger diz que quem sempre se identificou, inveteradamente, com a nação, foi o Brasil real; ou seja, as grandes maiorias do povo trabalhador e mestiço, síntese, por aqui, do excepcional sincretismo, da rica fusão dos africanos, índios, portugueses notadamente, posteriormente incorporadas por outros imigrantes que para cá vieram, dizia Darcy Ribeiro.

O Brasil está dividido, sem norte, alento e autoestima, em consequência de uma pauta política de figuras com objetivos antinacionais, outros, movidos, exclusivamente, por agendas minoritárias. Não defendem os anseios das grandes maiorias do Brasil real, nem os interesses soberanos da nação.

Além de um governo Temer ilegítimo e profundamente impopular, com suas reformas antissociais, sua genética vocação entreguista. Nesse caos é fundamental construir uma alternativa política ampla, democrática e patriótica que possibilite reencontrar os rumos do País.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Os Sete Pilares

Meu novo artigo semanal:


Em um Oriente Médio conflagrado por disputas políticas, religiosas, econômicas e geopolíticas, insurgência de organizações fundamentalistas terroristas financiadas por algumas nações em função de disputas por lideranças regionais, mas manipuladas por interesses imperialistas, ressurge, como no passado colonial, a presença nefasta da diplomacia e dos serviços de inteligência britânicos.

Durante a 1a Grande Guerra mundial destacou-se como sofisticado agente do serviço secreto inglês Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como T. E. Lawrence que ficou mundialmente famoso com o filme Lawrence da Arábia na década de 60, conduzido pelo diretor inglês David Lean, ganhador de 7 Oscars da academia de cinema de Hollywood.

Apesar do grande sucesso de crítica e público, ótima interpretação do ator britânico Peter O’Toole, o filme, um clássico do cinema, lança mais estereótipos sobre os árabes, como um povo inculto, bárbaro e desorganizado.

Ignorando toda sua contribuição na engenharia, matemática, filosofia, astronomia, arquitetura, sem a qual o mundo ocidental levaria séculos para dominar princípios de civilização avançada, cultural e tecnológica.

Que o digam os povos da península Ibérica, os espanhóis e os portugueses, estes últimos grandes desbravadores na época das imortais aventuras das Descobertas Marítimas, que equivale hoje em dia às viagens espaciais, atualmente estagnadas.

Lawrence além de membro do serviço de inteligência era um excelente arqueólogo, linguista, geógrafo, poeta, escritor, pensador. Sua missão, unir os povos árabes na guerra contra o império turco otomano, depois fragmentados pelo colonialismo britânico, que o deixou amargurado.

Da sua experiência surgiu a obra prima “Os Sete Pilares da Sabedoria” que, a exemplo do chinês Sun Tzu, serve até hoje como livro de referência filosófica, militar, política e deveria ser lido nos dias sombrios da globalização financeira, especialmente no Brasil.

Diz Lawrence: “a experiência, a vivência, sem a reflexão, corre o risco de repetir-se, incorrendo-se nos mesmos erros. A reflexão é da ordem do intelecto, o pensamento sem ação é vazio, a ação sem pensamento é vã. Sensatez exige quase a anulação da emoção e a elevação do pensamento estratégico. Já o exercício da intuição também ajuda”. E por aí vai T. E. Lawrence.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Hora de grandeza

Meu novo artigo semanal:


Qualquer nação de certo porte e dimensão como o Brasil, que é a sétima economia mundial, com dimensões continentais e uma população de 210 milhões de habitantes, só pode alcançar um protagonismo baseado em amplos pactos políticos, que articulem consensos entre as maiorias da sociedade nacional.

A nação vive um doloroso processo de desorientação, com substancial perda de autoestima e identidade própria, fruto de uma crescente marcha de autoritarismo onde predominam os interesses do Mercado financeiro internacional, do rentismo parasitário.

A agenda de privatizações do patrimônio nacional e abate de históricas conquistas trabalhistas adquiridas há décadas tem sido um atestado das verdadeiras intenções de um Estado de exceção de tipo policial, cujas estratégias podem-se especular mas ainda não são de todo conhecidas.

Na História do Brasil, que é um verdadeiro milagre geopolítico, econômico e civilizacional, dadas as insistentes tentativas de desconstruí-lo, a superação dos impasses aconteceram quando forças políticas consequentes deixaram de lado, momentaneamente, a busca de vantagens políticas táticas e colocaram em primeiro plano os interesses nacionais.

Até porque na atual quadra da crise nacional inexistem saídas que contemplem uma única organização partidária, ao contrário, a criminalização da vida política leva de roldão todas as siglas para o fundo do poço, e é esse exatamente um dos objetivos daqueles alinhados à escalada autoritária em curso, sob a liderança do Mercado.

Dessa maneira, é fundamental um amplo pacto político que indique um outro rumo ao País através de um novo projeto nacional institucional e de desenvolvimento estratégico que reconfigure um novo ciclo da vida do País.

É evidente que se esgotou uma etapa da nação, inaugurada desde a promulgação da Constituição de 1988, que vem se arrastando num quadro de sucessivas crises, mostrando que a solução dos gravíssimos problemas não vão acontecer nos marcos do atual contexto da conjuntura brasileira.

Muito menos sob o predomínio das políticas econômicas do capital financeiro que hegemonizam há tempos a orientação econômica da nação, ou mesmo nas condições de um governo Temer ilegítimo e isolado da sociedade nacional. É hora de grandeza política em defesa da nação e da democracia, ameaçadas.