quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Alagoas 200 anos

Meu novo artigo semanal:


A comemoração do bicentenário da independência de Alagoas é de grande importância em um Estado da federação que, apesar de penúltimo em dimensões físicas, possui marcante contribuição cultural, artística, política ao País.

Em seu itinerário mostrou-se capaz de afirmar-se na permanência das tradições, aliada às renovações, apesar das diferenças econômicas e sociais abissais, herdadas ao longo dos tempos.

E que continuam a exigir desafios de superações por uma economia mais desenvolvida, sustentável, diversificada, junto às vicissitudes de crescimento econômico da região nordestina em relação ao Sul, Sudeste do País, além da atual recessão que atinge a nação, consequência de uma política econômica subordinada aos ditames do Mercado financeiro.

Alagoas sempre caracterizou-se pela firmeza na defesa da unidade nacional. É esse o seu maior legado ao longo da História do Brasil, marca de protagonista em tempos decisivos da nossa pátria.

A contribuição de Alagoas no âmbito nacional é desproporcional à sua dimensão territorial e continua causando em áreas intelectuais, acadêmicas, visões maniqueístas numa interpretação vulgar da História brasileira.

Além de análises distorcidas da sinuosa formação, consolidação de um País que mantém, apesar de vários conflitos separatistas, das tentativas em desconstruí-lo política, social, fisicamente, a inteireza continental, o protagonismo geopolítico global. Como o atual governo Temer, subproduto primário do Mercado financeiro, messianismos corporativos, interesses geopolíticos internacionais escancarados.

Alagoas legou ao Brasil Floriano Peixoto, consolidador da República, personalidades públicas, ministros, intelectuais militantes como Otávio Brandão, músicos populares, eruditos como Hekel Tavares, grandes mulheres como Nise da Silveira, poetas como Jorge de Lima, Graciliano Ramos genial escritor regional-universal, marca de sobriedade, aversão a bairrismos e rigor realista que definiu a alma do alagoano, o nordestino. E tantos mais.

A comemoração pelo governo do Estado dos 200 anos de Alagoas, em uma época que nega o contínuo Histórico às novas gerações é iniciativa louvável, com jovens artistas, música clássica, grupos de tradições populares, debates etc. Como disse Tolstoi, se queres ser universal, começa a pintar a tua aldeia.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Valor inestimável

Meu novo artigo semanal:


No 7 de setembro, a comemoração da independência do Brasil reveste-se de um valor inestimável. Só quem continua a lutar pela libertação da sua pátria, em algumas partes do mundo, sabe o significado de se ter a sua terra livre da escravidão colonial ou neocolonial.

Na hegemonia do Mercado financeiro rentista, existe uma intensa tentativa de se constituir entre as novas gerações um desdém, quando não aversão, ao espírito de pertencimento a um povo, uma nação livre e soberana.

E, em seu lugar, a falsa ideia de que todos somos cidadãos globais, que essa ideia de pátria, território, identidade cultural é coisa ultrapassada.

O bombardeio da grande mídia hegemônica, associada ao capital financeiro especulativo, à sua governança mundial, busca desconstruir o sentimento nacional entre a população, anular o espírito comum de brasileiros.

Na verdade, a única globalização é a do Mercado rentista que avança sobre as riquezas dos povos, seus ativos financeiros, indústrias, estatais estratégicas, a própria integridade territorial.

Os patrimônios culturais inestimáveis das nações, como no Brasil, são tratados com absoluto desdém, quando não combatidos agressivamente para repor em seu lugar uma ideologia desse próprio Mercado, pasteurizando gostos, consumo, conceitos, movimentos, todos difundidos através das mídias hegemônicas que fazem parte dos interesses e projetos da globalização financeira, na maior ofensiva de alienação coletiva em todos os tempos.

Parte da intelectualidade, inclusive acadêmica, encantou-se, de uma forma ou de outra, pelos desígnios do Mercado e sua ideologia, enquanto outra falsa “intelectualidade” é produzida nos laboratórios dos centros “globais” e vendida como referências politicamente corretas dos tempos contemporâneos, assimilada de forma absolutamente acrítica.

Confundem propositalmente a importância da cultura universal, da qual devemos incorporar todas suas contribuições inestimáveis, com a massificação mercantilizada, colonizada das sociedades, de forma criminosa.

José Bonifácio, arquiteto e patriarca da independência do Brasil, gênio de sua época, sempre buscou construir uma espécie de cimento que desse sentido à reunião e um propósito coletivo aos brasileiros. Hoje, mais que nunca, essa luta continua na ordem do dia como resistência inadiável.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A reserva mineral

Meu novo artigo semanal:


A liberação pelo governo Michel Temer de uma reserva mineral na Amazônia, entre os Estados do Pará e Amapá, Reserva Nacional do Cobre e Associados (RENCA) que tem as dimensões do estado do Espírito Santo, transformou-se em uma polêmica internacional.

Como todas as iniciativas desse governo estão vinculadas aos interesses do Mercado, contrárias à soberania nacional, ao patrimônio estatal estratégico, com abate das garantias trabalhistas históricas, esse decreto, provisoriamente sustado pela justiça federal, também merece o contundente repúdio do povo brasileiro.

Porque o que está em curso é mais um dos grandes negócios de lesa pátria que já viraram banais na gestão Temer. Ao lado desse clamor contra a liberação para exploração da reserva RENCA existem outras questões seríssimas, porque trata-se de uma área riquíssima em outros minerais além do cobre, ouro etc.

Existe a imperiosa necessidade da preservação de todo um ecossistema, incluindo as reservas indígenas na região. Porém, ao lado da polêmica internacional e nacional há igualmente os costumeiros movimentos de certas ONGs globais, associadas aos objetivos estratégicos do Mercado financeiro e mais especificamente às políticas para a Amazônia brasileira por grandes potências mundiais.

Várias ONGs estão a serviço de grupos financeiros, determinadas nações como a Grã-Bretanha e outros Países, difundem uma espécie de fundamentalismo ambiental sectário, atraem os incautos, mas pretendem a internacionalização da Amazônia brasileira, suas riquezas estratégicas que incluem vários minerais nobilíssimos e o domínio da maior reserva aquífera do planeta.

Para essas ONGS internacionais e filiais nativas não há a palavra soberania nacional, a combinação científica e sustentável do ecossistema com a exploração criteriosa dos incalculáveis recursos minerais da região em prol dos interesses do País, da sociedade brasileira.

É falsa a ideia de que a Amazônia é um santuário global intocável. Esconde objetivos geomilitares expansionistas de grandes potências, vide documentos públicos conhecidos, tanto como não há preocupação estratégica com a Defesa Nacional da região. É o caso do governo antinacional, antissocial de Michel Temer. Assim, na defesa da Amazônia o que está em jogo é a sobrevivência do Brasil como nação soberana.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Barbárie

Meu novo artigo semanal:


O anúncio pelo governo Michel Temer de privatizar a Eletrobrás e a Casa da Moeda demonstra, mais uma vez, o que todos já sabem: a razão da sua existência é a liquidação do patrimônio nacional e dos ativos financeiros do Estado brasileiro.

Tudo o mais que sucede no País encontra-se, de uma forma ou de outra, subordinado a esse assalto do Mercado financeiro, do rentismo parasitário e predador, a esse objetivo de lesa pátria criminoso, que está acontecendo, a olhos vistos e à luz do dia, perante a sociedade brasileira.

Trata-se na verdade de uma nova etapa da ofensiva neoliberal sobre as riquezas nacionais porém, sob condições mais favoráveis ao capital financeiro, às forças da globalização rentista, em relação à primeira onda privatista na década de noventa passada, sob a batuta dos governos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Tal orientação está associada à maior campanha de criminalização da política, sob a batuta de corporações, identificadas intelectualmente, doutrinariamente, com as estratégias do Mercado global, da Governança Mundial, através de intensa cooptação intelectual, e de inteligência, em escolas de Economia e Direito, nas universidades norte-americanas.

Para tanto, instalou-se no Brasil a mais agressiva campanha de desconstrução da sociedade, jamais vista antes, com o objetivo de fracioná-la em grupos opostos que se digladiam uns contra os outros.

Instituindo-se em vários segmentos médios a intransigência, intolerância, a intimidação, o ódio generalizado de todos contra qualquer um e de qualquer um contra todos, enquanto o Brasil real, aquele citado por Machado de Assis, de centenas de milhões de habitantes, a esmagadora maioria da população, vive uma realidade social gravemente doentia.

A grande mídia hegemônica, associada ao Mercado financeiro, onde atua desenvolto o megaespeculador George Soros e sua Open Society, é responsável pela promoção das duas agendas: a liquidação do nosso patrimônio e a que mantém nichos da sociedade fraturada em um falso cosmopolitismo onde as relações de povo, identidade, cultura, objetivos comuns são negadas.

Não há democracia, ou luta pela justiça social, se não existe um sentido de pertencimento nacional, com passado, presente e um futuro para nos identificarmos como povo, nação democrática, livre, soberana.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Sociedade em chamas

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A globalização financeira vem promovendo desde o final da década de oitenta um tipo de hegemonia mundial e de sociedade que já mostra a olhos vistos uma furibunda decadência, quer seja no âmbito das relações internacionais, quer nas estruturas sociais, erigidas nos mais diversos Países em todo o planeta.

Através da captura de várias organizações internacionais, com a associação da grande mídia hegemonizada pelo discurso político, econômico e cultural, com o predomínio das estratégias do capital rentista, armou-se uma espécie de ditadura do pensamento único onipresente, que vai desde noções pseudocientíficas sobre fenômenos naturais, à uniformização global das estruturas sociais que permeiam a evolução do povos, das nações.

Essa ideologia dominante, a serviço de uma governança mundial da nova etapa do rentismo predador, forma o que atualmente costumam proclamar a sociedade global pós-moderna, onde reinam os enunciados do politicamente correto, cuja finalidade precípua é a desconstrução das identidades nacionais ou regionais, no afã de sentenciar como marginal qualquer forma de resistência a esses conceitos.

De tal maneira é o cerceamento à luta dos povos e nações na batalha pela afirmação de seus valores do passado, presente, a confiança no futuro, que tentam imputar aos que propugnam pela solidariedade à nação como portadores de ideias condenáveis.

O historiador britânico Eric Hobsbawm em seu livro O Breve Século XX já alertava para o que chamou, ao final da década de noventa passada, como “a desconstrução do contínuo Histórico que ameaça as novas gerações do milênio que se inicia”.

O que assistimos são os sinais trágicos de um terremoto em um tipo de comunidade que só serve aos ditames do Mercado. Afirmou recentemente o ex-presidente FHC, gestor mor do neoliberalismo no Brasil, sobre as atuais insatisfações sociais que são generalizadas, “alguns segmentos se beneficiaram, mas a sociedade ainda paga um preço alto”. Assim é que o individualismo delirante virou mais que um altar, transformou-se em algo “sagrado”.

Mas em decorrência de tantos males visíveis vai ficando claro no Brasil que a única alternativa, a esse modelo dantesco, é a união das grandes maiorias em defesa da soberania nacional, dos direitos do povo, da democracia, violentamente agredidos.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Uma grave crise

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A situação da Venezuela possui vetores que alimentam uma crise que não mostra sinais de arrefecimento, em verdade tende a se agravar. De qualquer maneira é fundamental prevalecer o princípio indeclinável da autodeterminação e soberania das nações no cenário mundial.

No entanto essa máxima, que se encontra assinada pelas nações signatárias da Carta das Nações Unidas, não tem sido aplicada, muito menos nas primeiras décadas do século XXI.

Ao contrário, proliferam as intervenções, especialmente no Oriente Médio, cujos objetivos são geomilitares, e a guerra de rapina por riquezas naturais, como o petróleo, a principal matriz energética do planeta.

Independente de equívocos, voluntarismos, que possam estar sendo cometidos pelo governo da Venezuela, a campanha uníssona feita pela grande mídia global, associada ao Mercado, mostra que a ação para desestabilizar a Venezuela é escancarada.

Um País que é um dos grandes produtores mundiais de petróleo, membro da OPEP. E por esse motivo foi alvo de ações intervencionistas no século XX, com a soberania ameaçada, onde prepostos a serviço das grandes empresas petrolíferas quase sempre governaram essa nação sul-americana.

Hoje, além do petróleo, há uma nova realidade multipolar com a ascensão dos BRICS. Em consequência, surgem múltiplas reações sangrentas anglo-americanas em vários continentes.

A presença de grupos mascarados na Venezuela, que estrearam nas chamadas primaveras árabes, como também no Brasil, e se transformaram em uma espécie de franquia internacional louvada na grande mídia global, de facções incendiárias, depredadoras, pseudo-anarquistas, é sinal do que está em marcha contra esse País.

O Brasil, com 2.199 quilômetros de fronteiras com a Venezuela, abdicou, sob o governo Temer, da sua histórica liderança no hemisfério sul, avassalou a sua grande tradição diplomática ao Mercado, aos objetivos geopolíticos anglo-americanos.

A ofensiva do Mercado, dos EUA, abre um teatro para conflitos na região que até agora consegue viver distante dos cenários de grandes operações militares globais.

O recrudescimento da crise venezuelana não interessa aos povos latino-americanos. Cabe ao Brasil recuperar seu protagonismo de mediador, de potência regional solidária, como membro dos BRICS, na transição para uma nova ordem mundial.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

É o rentismo

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Parodiando o grande escritor inglês: há muita coisa de podre no reino do rentismo parasitário do Brasil. A começar pela incógnita dessa grande mídia global hegemônica, que possui tantos poderes acumulados em décadas e múltiplos instrumentos ilusionistas, que é capaz de insistir, com alguma possibilidade de convencimento a parcelas da população, que a noite na verdade é o dia ou vice versa.

Depois de “convencer” os incautos que o inútil Michel Temer seria a “salvação da pátria” esse mesmo polvo midiático, com mil tentáculos, resolveu apeá-lo do poder, por razões ainda desconhecidas dos míseros mortais cidadãos brasileiros.

Mas de uma coisa não há a menor dúvida, essa grande mídia hegemônica está intimamente associada aos interesses antinacionais do rentismo parasitário, os grandes beneficiários da crise econômica e institucional no País.

Na verdade, tal é o seu poder que é possível afirmar que no Brasil atual consagrou-se a tese do partido único dominante, tão temida e contra ela vociferada como exemplo maléfico em outros Países.

O capital financeiro especulativo e essa grande mídia global hegemônica foram introduzindo, já há alguns anos, uma espécie de presidencialismo-parlamentarista de ocasião. Tendo como força definidora, como um falso poder moderador, eles próprios, casta superior dos mandarins tupiniquins, que tudo podem e manipulam.

O alvo tem sido a soberania nacional, as riquezas estratégicas brasileiras, abocanhar os ativos financeiros da nação, que bem ou mal, ainda é a sétima economia mundial.

Dessa forma, o Brasil tem sido conduzido a tempestades de ódios difusos, premeditadamente dividido, para nele reinar o rentismo, essa mídia global, igualmente nocivos.

Não é algo inédito, na França, de grandes tradições republicanas, foi eleito um desconhecido afilhado dos banqueiros Rothschild, deram-lhe um partido novinho em folha. Sim porque instituíram que a chave é o “novo”. Não importa se esse novo é a desgraça da nação e do povo.

Nas novas condições de uma governança global sob o comando do capital rentista e da grande mídia associada, as relações institucionais vigentes encontram-se atordoadas. Só a mais ampla união e a luta em torno da nação e do povo brasileiro pode encontrar o rumo da soberania, do desenvolvimento, das mudanças sociais impostergáveis.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

O Brasil e o excepcionalismo

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A concepção do excepcionalismo norte-americano como sustentação da superioridade do indivíduo e da civilização anglo-saxônica ao que tudo indica parece estar perdendo a sua liderança nesse mundo multipolar que avança a passos rápidos nas primeiras décadas do século XXI.

Até mesmo com a campanha ideológica, difundida através da grande mídia global, com uma diuturna agenda de promoção desses valores como se fossem o espelho de todas as sociedades no planeta, das subserviências acadêmicas que, aberta ou discretamente, reverenciam nos planos das ciências sociais todas essas teses artificialmente importadas, como se elas fossem paradigmas científicos a serem seguidos sem contestações.

Assim entronizaram também no Brasil a antropologia anglo-americana como modelo a ser seguido, sustentado desde a grande mídia a intelectuais, setores universitários, de tal forma que qualquer visão crítica aos seus modelos apriorísticos é transformada em forte campanha difamatória.

Isso, seja nas redes sociais, ou nos grandes veículos de comunicação do País que determinam o Brasil oficial, das instituições do Estado, das estruturas corporativas, que se encontram hoje em dia distantes do Brasil real, enfatizado por Machado de Assis, e que corresponde atualmente a, mais ou menos, 200 milhões de habitantes.

O País real acorda, almoça e janta a cultura ditada pelo excepcionalismo anglo-americano, apesar das milhares de resistências que estão a somar-se.

De tal forma que o “mundo” oficial descolou da nação real e, embora hegemônico e determinante, inclusive em função do poder do capital financeiro especulativo, navega em uma realidade paralela muito longe dos trópicos que habitamos.

Daí é que, ao invés da rica História do Brasil, a nossa real formação civilizacional, antropológica e perspectivas futuras, parece que nos impuseram um transplante mecânico das sociedades inglesa, estadunidense, como um vírus digital, ou tendo sofrido ataques de algum hacker.

No mundo multipolar, que vai se consolidando, o esforço pelo conhecimento científico e tecnológico, o desenvolvimento econômico, a justiça social ampla e profunda, a soberania, são inseparáveis da compreensão cultural de como somos, como nos fizemos, onde desejamos chegar como nação, abertos ao mundo, mas sem estereótipos.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

A crise do liberalismo

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O liberalismo econômico clássico adquiriu nova forma desde os anos oitenta do século XX e reinou absoluto a partir do novo milênio, juntamente com a hegemonia unipolar dos Estados Unidos, depois da debacle da União Soviética.

Essa nova cara do liberalismo que se tornou hegemônico é o neoliberalismo, uma etapa bem mais agressiva do capital financeiro especulativo, do rentismo. Nesse período mudou-se drasticamente a face do mundo, não só no aspecto econômico.

Como também na geopolítica mundial, nas relações sociais, assim como entre o monopólio dessa nova fase do capital e as estruturas de poder que determinam os rumos entre as nações e nas relações políticas dentro dos Estados nacionais.

O monopólio do capital parasitário alterou radicalmente o espírito da atividade política, subvertendo-a aos seus interesses estratégicos, determinando também outras ideias, concepções, nas relações sociais provocando imensa regressão nos sentimentos coletivos e individuais nas comunidades.

Nas primeiras décadas do século XXI testemunhamos a quintessência do individualismo, da competição desenfreada nas sociedades. Tantas modificações profundas foram acompanhadas por uma massificante argumentação ideológica e midiática, com o objetivo de se fazer incontestável a mundialização do capital rentista e a ideia do indivíduo globalizado na condição de força de trabalho móvel.

Mas as crises financeiras da Nova Ordem mundial abateram as ilusões sobre o reinado do capital parasitário, do fim da História profetizado pelo guru do neoliberalismo, o nipo-americano Francis Fukuyama.

O surgimento de outra ordem multipolar, com o crescente protagonismo dos BRICS, começou a abalar a hegemonia unipolar dos EUA sequenciando conflitos em várias partes do planeta.

Assim como a exacerbada apologia ao Mercado e suas formas egocêntricas de como os cidadãos deveriam tratar os demais e a si próprios fomentaram uma crise social, e de caráter individual, sem precedentes no mundo.

A relevância das identidades culturais e do sentimento nacional coletivo, da união nacional, passou a tornar-se algo premente entre os povos. O mundo começa a entrar em nova etapa Histórica. O Brasil tem destacado papel de liderança solidária nesses novos tempos. Exatamente por isso sofre intenso processo de desestabilização.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

À deriva

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A condenação do ex-presidente Lula, com nítido caráter de perseguição política, o persistente e contínuo esfarelamento do governo Temer, associado ao anterior impeachment da ex-presidente Dilma, como retrato da vulgarização, banalidade, desse instituto constitucional ao longo da Nova República desde a promulgação da Constituição de 1988, a aprovação da reforma trabalhista profundamente contrária aos direitos dos assalariados, representam aspectos gravíssimos da atual crise estrutural brasileira.

Com a economia estagnada, desemprego crescente, desindustrialização persistente há décadas, a estratosférica remuneração do capital financeiro, especialmente do rentismo insaciável, sustentado pela chamada dívida pública da união, entre outras formas de rapinagem, a nação vê-se sem rumos, desprovida de um projeto estratégico de desenvolvimento que lhe dê sentido e perspectiva.

Além disso assistimos o Estado nacional fragmentado em corporações poderosas, outras com essa pretensão, que se invocam como alter ego da nação, mas nenhuma delas possui o sentimento e a responsabilidade de contributo aos destinos do País.

Desalentada e com crescente perda de autoestima, a sociedade brasileira acha-se sem norte, sul, leste ou oeste, ao sabor de uma tormenta institucional antropofágica que vai devorando a tudo e a todos, uns mais outros um pouco menos, mas a verdade é que ruma para a destruição da vida política nacional, instância decisiva da participação social na vida do País.

Dividido, o Brasil é alvo contínuo das ações de grandes potências, no aspecto econômico, comercial ou geopolítico e mesmo assim ainda é a sétima economia mundial, com uma população de 210 milhões de habitantes, um território continental, cujas áreas e riquezas estratégicas são extremante cobiçadas, como a Amazônia.

O País precisa voltar a crescer, reconstruir a unidade das grandes maiorias em torno de um projeto que seja mais que um rumo de desenvolvimento, mas um espírito de País, um Estado moderno, uma sociedade próspera com justiça social, como afirma o Manifesto pela União Nacional do ex-ministro Aldo Rebelo.

A atual crise vai continuar se desdobrando de forma desembestada, numa autofagia acelerada e vai demonstrar que só será superada em um patamar econômico, social e político superior da vida nacional.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Manifesto em defesa da nação

Lançado em Brasília, em 6 de junho, encabeçado pelo ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, o manifesto suprapartidário pela união nacional para o enfrentamento da crise brasileira propõe uma agregação de forças para a superação do impasse político e da crise socioeconômica que travam o País. O manifesto político deve resultar na criação de um movimento pela união nacional, como é esperado. A seguir o texto na íntegra.



MANIFESTO PELA UNIÃO NACIONAL

“Não precisa o Brasil ser dividido, é melhor união progresso e paz”
(Geraldo Amancio, poeta e repentista)


O Brasil vive grave e profunda crise, que ameaça seu futuro de Nação livre, próspera e soberana. O esforço de nossos antepassados, sem temer sacrifícios nem renúncias para construir a País é posto à prova pela atual desorientação sobre que rumos seguir para ampliar a independência e a autonomia nacionais, elevar o bem-estar material e espiritual da população e proteger o convívio democrático entre os brasileiros. As rupturas operadas na ordem institucional geraram um quadro de aguda polarização, agravado pela recessão econômica, pelos altos níveis de desemprego e subemprego, e pela violência em suas variadas formas. A sociedade brasileira encontra-se dividida, desorientada e desalentada, com sua agenda pautada por atores e interesses minoritários, e mesmo antinacionais, ambiente ideal para a proliferação de várias formas de morbidez social, entre elas a corrupção.

Somente a união de amplas forças políticas, econômicas e sociais, em torno de uma proposta de reconstrução e afirmação nacional, pode abrir caminho para a superação da crise atual. Tal proposta não pode ser apenas uma plataforma de metas econômicas e sociais, mas deve buscar sua inspiração no estado de espírito capaz de mobilizar amplamente os diversos atores da sociedade, com o objetivo comum de ver o País progredir de forma que os benefícios do desenvolvimento sejam percebidos por todos eles, levando-os a se sentirem como seus protagonistas ativos. Este projeto exige como pressuposto que a defesa e o desenvolvimento do Brasil sejam o fundamento para assegurar a efetiva expansão dos direitos sociais e da democracia.

A elaboração e implantação do projeto de construção e afirmação nacional não poderão limitar-se à classe política, mas terão que ser compartilhadas pelos mais diversos segmentos representativos da sociedade. Isto exige o afastamento de toda sorte de preconceitos motivados por ideologias e maniqueísmos, que se mostram insuficientes e limitados para permitir o entendimento da situação. Acima de tudo, é necessário abandonar a enganosa dicotomia entre Estado e Mercado, que tem servido apenas para mascarar a captura das estruturas do primeiro por coalizões de interesses particulares, substituindo-a por uma eficiente cooperação entre o poder público e a iniciativa privada, em prol do bem comum, como ocorreu e ocorre em todos os países que conseguiram enfrentar e remover os desafios no caminho do desenvolvimento duradouro e sustentável.

As gerações que nos antecederam ergueram material e espiritualmente o Brasil, em quatro grandes movimentos, a saber:

1) a formação da base física, a conformação do território, do ano zero de 1500 e da originária Terra de Santa Cruz, ao Tratado de Madrid, em 1750, que configurou de forma aproximada as atuais fronteiras nacionais e iniciou o processo de mestiçagem que caracterizou a formação social brasileira.

2) a epopeia da Independência, consolidada em 1822, representada nas figuras luminares de Tiradentes e José Bonifácio, Patriarca idealizador de um projeto de Nação que ainda guarda grande atualidade.

3) a fase da defesa e manutenção da unidade territorial, com D.Pedro I e D.Pedro II e que se encerra com a libertação dos escravos em 1888;

4) a República proclamada por Deodoro da Fonseca e consolidada por Floriano Peixoto, que tem o apogeu em Getúlio Vargas e seu ambicioso programa de industrialização e modernização do Estado, pondo em prática aspirações anteriores dos movimentos Sanitarista, Tenentista e da Nova Educação. A partir de Vargas o Brasil oscilou ao sabor das correntes varguista e anti-varguista, até os nossos dias.

Hoje, nos marcos da economia globalizada e com o País em condições mais favoráveis que no passado, temos a missão de iniciar um novo projeto nacional, o quinto movimento, em três direções e três objetivos:

1) ampliar a soberania nacional com o pleno desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e dos meios de defesa do País;

2) elevar a qualidade de vida do povo brasileiro com a redução das desigualdades sociais; proteção da infância e da maternidade, acesso à educação de qualidade, saúde e saneamento básico; combate sem tréguas ao crime organizado e valorização da segurança pública contra o banditismo em todas as suas formas;

3) fortalecer a democracia e a tolerância na convivência entre os brasileiros, com realização de uma reforma política que liberte nosso sistema político do controle de interesses corporativos e oligárquicos e assegure o predomínio dos grandes debates dos temas nacionais na esfera pública.

A crise nacional acontece em meio a um quadro global de mudança de época, marcado por:

a) agravamento das consequências socioeconômicas negativas da globalização dirigida pelas finanças especulativas internacionais;

b) alteração do eixo geoeconômico mundial para a Eurásia-Pacífico;

c) emergência de um cenário de poder multipolar, em contraposição à unipolaridade do período posterior ao fim da Guerra Fria;

d) novas revoluções científicas e tecnológicas e rápida introdução de tecnologias inovadoras (Quarta Revolução Industrial), com profundos impactos sobre as formas de produção de bens e serviços, níveis de emprego, relações de trabalho, qualificação da força de trabalho e as próprias relações sociais em geral.

Todos esses aspectos terão influência determinante para o necessário projeto nacional brasileiro, que, por sua vez, é condição decisiva para exercer influência sobre a dinâmica global. Por isso o projeto nacional brasileiro precisa contemplar a relevância continental do País, que ocupa metade da América do Sul, representa cerca de 50% da economia da região, faz fronteira com dez outros países e representa a força motriz potencial para a integração física e econômica do subcontinente. O Brasil deve assumir definitivamente o papel de liderança benigna e não hegemônica do bloco sul-americano, dando-lhe “massa crítica” para participar de forma eficaz e positiva na reconstrução da ordem mundial que está em marcha.

É fundamental que o sistema financeiro reoriente seus esforços para estimular e apoiar as atividades produtivas. Os títulos da dívida pública não podem continuar sendo o investimento mais rentável do País, como ocorreu no período de 2001-2016, muito acima de qualquer atividade produtiva. A aspiração ao desenvolvimento não pode ser bloqueada pelos interesses rentistas locais ou estrangeiros.

A reversão da desindustrialização que afeta o País é crucial. O Brasil tem regredido dramaticamente em capacidade industrial, principalmente no segmento de alta tecnologia, impactando as camadas médias da sociedade, com a perda de empregos qualificados e de melhor remuneração. A despeito da rapidez do processo, ainda temos uma das dez maiores e mais diversificadas bases industriais do mundo. Além de recuperar a capacidade produtiva, é determinante requalificar todo o setor industrial para enfrentar o desafio da Quarta Revolução Industrial, baseada em elevados índices de automação e conectividade, e intenso fluxo de inovações tecnológicas de ponta.

A retomada do desenvolvimento brasileiro exige a estruturação de cadeias produtivas de maior valor agregado baseadas em conhecimento nacional. Isto, por sua vez, requer a ampliação dos investimentos públicos e privados em todas as dimensões da educação e geração do conhecimento e de sua aplicação inovadora na economia nacional, incluindo o apoio efetivo e criterioso à capacitação e elevação da produtividade das empresas nacionais. O Estado Nacional deverá passar também por uma profunda reforma que incorpore e internalize no seu sistema de controles o princípio da incerteza que rege a descoberta científica e a dinâmica da inovação, de forma a não travar a atividade de pesquisa ou inibir a criatividade do empreendedor.

Aos alarmantes índices de deficiências educacionais da população matriculada na rede de ensino, soma-se a crescente degradação do ambiente escolar, com o aumento da violência e o abandono das noções de disciplina e hierarquia, sem as quais o esforço de aprendizagem está fadado ao fracasso. A realidade tem demonstrado que além da destinação de recursos é urgente a retomada da questão educacional como prioridade central do Estado, que deve protegê-la dos vícios do corporativismo, enaltecer o papel do professor e restaurar sua autoridade dentro da sala de aula e na sociedade.

A agricultura, a pecuária e a agroindústria constituem ativos econômicos, sociais, culturais e geopolíticos de grande importância para o Brasil. Mesmo enfrentando a forte e subsidiada concorrência dos criadores e agricultores europeus e norte-americanos, nossos, pequenos, médios e grandes produtores abastecem o mercado interno e ganham cada vez mais espaço no comércio mundial de alimentos. O status de grande produtor de grãos e proteína gera para o Brasil, além de divisas, respeito crescente num mundo cada vez mais carente de segurança alimentar. O Brasil deve valorizar social e culturalmente seus trabalhadores, criadores e produtores rurais, protegê-los com financiamento, crédito e seguro; destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação para melhorar a produtividade de todas as atividades a eles relacionadas.

As Forças Armadas são instituições fundadoras da nacionalidade e do Estado Nacional e cumprem a dupla missão de defender e construir o País. Do programa nuclear ao nosso primeiro computador, da pesquisa espacial, indústria aeronáutica e defesa cibernética, as instituições armadas têm cumprido papel de vanguarda e pioneirismo. Cumprem missão humanitária socorrendo os índios e ribeirinhos da Amazônia ou as vítimas da seca no sertão nordestino sem perder o etos de organização de combate e de defesa da Pátria.

Portanto, é preciso valorizar e reconhecer as Forças Armadas brasileiras, seus feitos e seus heróis, seus valores, patriotismo e elevado espírito de generosidade e solidariedade para com a comunidade. Tal atitude deve ter sentido educativo para as crianças e para a juventude exposta ao ambiente de corrosão dos valores da nacionalidade com que convivemos no dia a dia.

A política ambiental deve refletir um real compromisso com o desenvolvimento sustentável do País, em vez de simplesmente se enquadrar em agendas formuladas por atores e interesses externos. Entre outras prioridades, deverá enfocar as deficiências em saneamento básico, disposição de lixo, ocupação irregular de áreas de risco, e a ampliação da infraestrutura de previsão e resposta a emergências causadas por fenômenos naturais.

Da mesma forma, é preciso uma urgente redefinição da política para as populações indígenas, compatibilizando-a com o direito de toda a população a uma evolução civilizatória digna, respeitando-se as suas tradições culturais e sua contribuição decisiva para a constituição da identidade nacional. Somente assim será possível assegurar-lhes uma integração gradativa à sociedade nacional, como cidadãos plenos e aptos a dispensar, eventualmente, a tutela permanente do Estado.

Alvo de pressões e cobiça internacional, a Amazônia clama por ações efetivas de controle e afirmação da soberania sobre seu imenso território, e por políticas públicos de estímulo e apoio ao seu desenvolvimento e de proteção de suas populações indígenas e ribeirinhas e da biodiversidade.

Nossa produção artística e cultural, em sintonia com os grandes movimentos da Nação, inventou o Brasil ao longo da sua história. É importante defender e promover o rico e variado patrimônio cultural da Nação brasileira, sua língua, suas tradições e múltiplas manifestações, sua criatividade e seu potencial de desenvolvimento econômico, enfrentando as práticas concentradoras e restritivas dos grandes conglomerados internacionais da mídia e da internet.

O Brasil deve promover e exaltar a participação da mulher na construção do País e reconhecer em nossas antepassadas indígenas, africanas e europeias relevante papel na constituição da Nação e na formação da identidade do povo brasileiro.

A luta sem trégua contra o preconceito racial no Brasil se impõe pela valorização da herança e contribuição africana na formação da cultura e da identidade nacional brasileira e pela celebração da mestiçagem como traço decisivo de nosso legado civilizatório. Devemos repudiar qualquer tentativa de se introduzir no Brasil modelos importados de sociedades que institucionalizaram o racismo em suas relações sociais.

O combate à corrupção deve ser um objetivo permanente da sociedade e do Estado, mas não se pode paralisar o País a pretexto de se eliminar um mal que é endêmico nas economias de todo o mundo.

O Brasil precisa voltar a crescer. Esta é a questão central. Não há como sanear as finanças públicas sem que a economia cresça e a arrecadação tributária aumente. Não há como se negar que o Brasil precisa de reformas que corrijam distorções, eliminem privilégios corporativos, facilitem a empregabilidade e o funcionamento da economia. Mas não haverá equilíbrio da Previdência se não houver emprego e arrecadação. Não haverá reforma que convença o empreendedor privado a investir se não houver perspectiva de demanda. E para o Brasil voltar a crescer, o primeiro consenso a ser alcançado é que todos se convençam disso. Nenhum homem ou mulher de boa vontade irá se opor a algum sacrifício se isso significar esperança para si e futuro para seus filhos. Mas todos precisam abrir mão de alguma coisa. São inaceitáveis reformas que descarreguem o peso do ajuste sobre os ombros dos mais fracos e protejam os interesses de grupos elitistas que concentram o patrimônio nacional.

O Brasil é um País rico, principalmente em recursos humanos. Se todos puderem compartilhar do desenvolvimento dessa riqueza ele será mais próspero e feliz. Ninguém é contra que os mais capazes e talentosos se enriqueçam. Ninguém é contra que quem empreenda tenha a justa recompensa pelo seu esforço. Mas o Brasil não precisa, não deve e não pode ser tão desigual. Esse é o grande acordo que precisa se estabelecer na sociedade brasileira. É em torno desse ideal transcendente de grandeza nacional e de justiça que devem se unir os brasileiros de todas as classes, profissões, origens, condições sociais e credos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Um projeto de Brasil

Meu novo artigo semanal:


Em relação ao esgarçamento das estruturas republicanas, das mais fraturadas são aquelas que representam o voto popular, por onde a sociedade expressa, bem ou mal, a sua participação nas questões decisivas aos destinos do País.

Já o governo Temer, nascido de uma óbvia conspiração que envolve múltiplos interesses, incluindo a grande mídia hegemônica como agente proeminente, associada aos objetivos de rapina do capital financeiro, do rentismo parasitário, encontra-se absolutamente encurralado pelas suas próprias circunstâncias de ilegitimidade.

As agressões ao regime de Direito Democrático sempre foram uma constante ao longo dos vários períodos das instituições republicanas, inclusive durante esses vinte e oito anos da Nova República, após a promulgação da Constituição de 1988.

Quanto ao constitucional processo de impeachment do presidente da República, tem sido usado várias vezes, muito menos observada a letra da carta magna, e bem mais por razões particularistas de grupos políticos derrotados nos pleitos eleitorais presidenciais.

Criou-se uma cultura, no tecido social, na mídia hegemônica, de que a associação de fatores de natureza econômica, externa e ou interna, com dificuldades, menores ou mais graves, na base de sustentação dos governos são fatores justificáveis para a derrubada do governante.

Assim foi que entronizou-se o ilegítimo Temer, via um leque de poderosos grupos econômicos e políticos que não aceitaram, porque simplesmente não queriam, a reeleição da ex-Presidente.

Formou-se uma espécie de “jurisprudência política” de que qualquer mandatário pode ser apeado do poder conferido pelo voto popular, desde que as circunstâncias assim o permitam.

Carlos Lacerda, justiça se lhe faça, golpista contumaz, conspirador nato, fez escola na política nacional.

No século XXI essa anomalia antidemocrática agravou-se com a revolução midiática, as redes sociais e a alucinógena pós-verdade.

Com a sociedade fragmentada em tempestades de ódios, o País necessita, além da autoestima perdida, do sentimento democrático vilipendiado, de um projeto estratégico de desenvolvimento.

Do sentido elevado de nação e brasilidade, em uma gravíssima crise institucional fruto de crônicos males Históricos que se repetem, como esse golpe do Temer, contrários ao País, ao povo brasileiro.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O entulho autoritário

Meu novo artigo semanal:


Rejeitado pela maioria dos brasileiros, quase 90% da população, o ilegítimo governo Temer transformou-se em um verdadeiro entulho autoritário, como se falava sobre os atos, legislações e decretos tirados da cartola pelo regime ditatorial, com o intuito de sobreviver à crescente impopularidade perante a opinião pública que o atingia.

Sim, porque o interino ocupante da cadeira presidencial sempre foi na verdade um preposto, ou um capataz, dos interesses de um poderoso consórcio corporativo que promoveu o golpe em curso no País, cujos objetivos centrais estão associados aos interesses do capital financeiro especulativo, do rentismo parasitário.

Associado a uma mídia hegemônica golpista, que já não é mais fonte de informação, mesmo que parcial, transformada no principal partido da nação, com poderes de tipo fascista, combinada ao processo espúrio da globalização do capital parasitário, de uma governança mundial de tipo neoliberal extremada e sectária, responsável, em grande parte, pelas tragédias econômicas, sociais e humanitárias que estão abalando os povos.

Venderam a ideia de que esse modelo corresponde ao novo estágio de uma economia planetária integrada. O que assistimos não é uma inserção da nação em uma economia global, mas a destruição dos pilares centrais das estruturas produtivas brasileiras, a rapinagem da capacidade produtiva erguida desde o governo Getúlio Vargas, que a possibilitou crescer como uma das maiores economias do planeta.

As reformas trabalhista e previdenciária, assalto aos direitos do povo brasileiro, não são reformas mas a entrega de filões aos grupos privados internacionais.

Desejam, através de um Estado de exceção de tipo policial, o que não conseguiram pela via eleitoral, especialmente no auge da doutrina neoliberal nos governos do ex-presidente FHC.

O governo Temer seria o instrumento dessas políticas antinacionais e antissociais, impossíveis de serem levadas a cabo nas circunstâncias de um regime democrático e pelas vias legais do voto popular. Mas a conspirata não deu certo e o governo Temer virou um tremendo lixo autoritário.

Assim é fundamental a constituição de uma ampla frente democrática, em defesa da nação, que supere a farsa golpista e reconduza o País aos caminhos de uma nação democrática, socialmente justa e soberana.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Espírito de Vichy

Meu novo artigo semanal:


Tropas nazistas alemãs marcham sobre Paris e franceses choram humilhados



A crise brasileira vai atingindo tal estágio que já ameaça o seu futuro como nação soberana. Até porque as fraturas econômicas, geopolíticas e institucionais são visíveis a olho nu, enquanto forças políticas resolvem tratá-las como elementos conjunturais, adotando táticas exclusivistas, só convenientes aos seus projetos eleitorais em 2018.

Essas rupturas estão abalando o tecido institucional, ao ponto de levar de roldão o País, na ausência de qualquer perspectiva, como uma nau desgovernada sem tripulação.

A História nos ensina sempre, através de inúmeros exemplos, que a primeira vítima, nesses casos, é o Estado de Direito democrático que já se encontra extremamente agredido.

Depois, sucede a tormenta econômica absoluta, em seguida o caos social, assim como a integridade da soberania sob ataques das grandes potências mundiais no saque das nossas riquezas naturais, além do surgimento de algum tresloucado aventureiro de ocasião.

Segmentos das grandes elites nativas guiam-se pelo espírito de Vichy, como afirmou o professor Mangabeira Unger, evocando as elites econômicas e políticas francesas na capitulação vergonhosa, criminosa, diante da Alemanha nazista durante a 2a Grande Guerra mundial.

Entregando a França de mão beijada às hordas hitleristas, salva pela indômita luta da Resistência Francesa, a altivez do general Charles De Gaulle, depois eleito presidente.

Mangabeira Unger diz que quem sempre se identificou, inveteradamente, com a nação, foi o Brasil real; ou seja, as grandes maiorias do povo trabalhador e mestiço, síntese, por aqui, do excepcional sincretismo, da rica fusão dos africanos, índios, portugueses notadamente, posteriormente incorporadas por outros imigrantes que para cá vieram, dizia Darcy Ribeiro.

O Brasil está dividido, sem norte, alento e autoestima, em consequência de uma pauta política de figuras com objetivos antinacionais, outros, movidos, exclusivamente, por agendas minoritárias. Não defendem os anseios das grandes maiorias do Brasil real, nem os interesses soberanos da nação.

Além de um governo Temer ilegítimo e profundamente impopular, com suas reformas antissociais, sua genética vocação entreguista. Nesse caos é fundamental construir uma alternativa política ampla, democrática e patriótica que possibilite reencontrar os rumos do País.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Os Sete Pilares

Meu novo artigo semanal:


Em um Oriente Médio conflagrado por disputas políticas, religiosas, econômicas e geopolíticas, insurgência de organizações fundamentalistas terroristas financiadas por algumas nações em função de disputas por lideranças regionais, mas manipuladas por interesses imperialistas, ressurge, como no passado colonial, a presença nefasta da diplomacia e dos serviços de inteligência britânicos.

Durante a 1a Grande Guerra mundial destacou-se como sofisticado agente do serviço secreto inglês Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como T. E. Lawrence que ficou mundialmente famoso com o filme Lawrence da Arábia na década de 60, conduzido pelo diretor inglês David Lean, ganhador de 7 Oscars da academia de cinema de Hollywood.

Apesar do grande sucesso de crítica e público, ótima interpretação do ator britânico Peter O’Toole, o filme, um clássico do cinema, lança mais estereótipos sobre os árabes, como um povo inculto, bárbaro e desorganizado.

Ignorando toda sua contribuição na engenharia, matemática, filosofia, astronomia, arquitetura, sem a qual o mundo ocidental levaria séculos para dominar princípios de civilização avançada, cultural e tecnológica.

Que o digam os povos da península Ibérica, os espanhóis e os portugueses, estes últimos grandes desbravadores na época das imortais aventuras das Descobertas Marítimas, que equivale hoje em dia às viagens espaciais, atualmente estagnadas.

Lawrence além de membro do serviço de inteligência era um excelente arqueólogo, linguista, geógrafo, poeta, escritor, pensador. Sua missão, unir os povos árabes na guerra contra o império turco otomano, depois fragmentados pelo colonialismo britânico, que o deixou amargurado.

Da sua experiência surgiu a obra prima “Os Sete Pilares da Sabedoria” que, a exemplo do chinês Sun Tzu, serve até hoje como livro de referência filosófica, militar, política e deveria ser lido nos dias sombrios da globalização financeira, especialmente no Brasil.

Diz Lawrence: “a experiência, a vivência, sem a reflexão, corre o risco de repetir-se, incorrendo-se nos mesmos erros. A reflexão é da ordem do intelecto, o pensamento sem ação é vazio, a ação sem pensamento é vã. Sensatez exige quase a anulação da emoção e a elevação do pensamento estratégico. Já o exercício da intuição também ajuda”. E por aí vai T. E. Lawrence.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Hora de grandeza

Meu novo artigo semanal:


Qualquer nação de certo porte e dimensão como o Brasil, que é a sétima economia mundial, com dimensões continentais e uma população de 210 milhões de habitantes, só pode alcançar um protagonismo baseado em amplos pactos políticos, que articulem consensos entre as maiorias da sociedade nacional.

A nação vive um doloroso processo de desorientação, com substancial perda de autoestima e identidade própria, fruto de uma crescente marcha de autoritarismo onde predominam os interesses do Mercado financeiro internacional, do rentismo parasitário.

A agenda de privatizações do patrimônio nacional e abate de históricas conquistas trabalhistas adquiridas há décadas tem sido um atestado das verdadeiras intenções de um Estado de exceção de tipo policial, cujas estratégias podem-se especular mas ainda não são de todo conhecidas.

Na História do Brasil, que é um verdadeiro milagre geopolítico, econômico e civilizacional, dadas as insistentes tentativas de desconstruí-lo, a superação dos impasses aconteceram quando forças políticas consequentes deixaram de lado, momentaneamente, a busca de vantagens políticas táticas e colocaram em primeiro plano os interesses nacionais.

Até porque na atual quadra da crise nacional inexistem saídas que contemplem uma única organização partidária, ao contrário, a criminalização da vida política leva de roldão todas as siglas para o fundo do poço, e é esse exatamente um dos objetivos daqueles alinhados à escalada autoritária em curso, sob a liderança do Mercado.

Dessa maneira, é fundamental um amplo pacto político que indique um outro rumo ao País através de um novo projeto nacional institucional e de desenvolvimento estratégico que reconfigure um novo ciclo da vida do País.

É evidente que se esgotou uma etapa da nação, inaugurada desde a promulgação da Constituição de 1988, que vem se arrastando num quadro de sucessivas crises, mostrando que a solução dos gravíssimos problemas não vão acontecer nos marcos do atual contexto da conjuntura brasileira.

Muito menos sob o predomínio das políticas econômicas do capital financeiro que hegemonizam há tempos a orientação econômica da nação, ou mesmo nas condições de um governo Temer ilegítimo e isolado da sociedade nacional. É hora de grandeza política em defesa da nação e da democracia, ameaçadas.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Dois Brasis

Meu novo artigo semanal:


Desde 2013 vem à tona uma grave crise multilateral que vive o País, especialmente com a eclosão das grandes manifestações de rua que tomaram conta da nação, incentivadas pela grande mídia monopolista associada do Mercado financeiro global.

Mas a seríssima crise política, que cresceu e avantajou-se desde lá, reflete também os crônicos problemas estruturais que se acumulam no Brasil, quer seja no âmbito da economia e todas suas variáveis, quanto nas graves questões sociais.

Assim, sem a perspectiva, por parte das elites políticas, de um caminho que contemple um projeto de nação abrangente, tanto em relação às grandes maiorias sociais quanto à resolução dos rumos essenciais, o País, fragilizado, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, vê-se dividido, como dizia Machado de Assis, entre o Brasil oficial e o Brasil real.

O Brasil oficial compreende parcelas da população que se estendem das classes dominantes à classe média e mais alguns estratos esclarecidos, infelizmente descolados do Brasil real.

O País real é o Brasil profundo de quase 200 milhões de habitantes que, embora avaliados em pesquisas de opinião pública, continuam não sendo protagonistas das suas vidas, do seu destino político como cidadãos brasileiros, em uma nação profundamente desigual e socialmente injusta. Um dos fatores da crise atual é esse abismo entre as elites, em geral, e as verdadeiras aspirações do povo brasileiro.

Imerso em gravíssima crise econômica, à mercê dos interesses do capital financeiro internacional, do rentismo parasitário, dos objetivos das grandes potências, de um governo Temer sem qualquer legitimidade, a nação patina no limbo da desorientação pela ausência de um projeto factível que proponha rumos ao conjunto dos brasileiros.

A crise multilateral que vivemos resulta também da nova realidade geopolítica mundial, além das consequências danosas da globalização financeira que atingiu a nação em cheio em pouco mais de duas décadas, desnorteando a perspectiva dos povos, assim como o Brasil.

A crise política reflete essas enormes disfunções onde a incontornável e insubstituível luta democrática precisa ser associada a um novo projeto nacional de desenvolvimento estratégico que galvanize perspectivas e esperanças, tanto materiais como espirituais, para o povo brasileiro.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O triunfo da emoção

Meu novo artigo semanal:


A crise brasileira já atingiu as raias do paroxismo. Ela não foi deflagrada agora, veio à tona em 2013 com as manifestações de rua, como tempestades de ansiedades difusas cobertas ao vivo por essa grande mídia global hegemônica que dá o tom da atual aventura autoritária.

E que foram denunciadas depois pelo ex-agente da NSA, serviço de espionagem dos EUA, Edward Snowden, como uma edição tupiniquim das “primaveras árabes” que desestabilizaram nações na região pautadas por interesses norte-americanos.

Mas quem se encontra por trás de todos os fatos desencadeados é um consórcio, que envolve além das estratégias hegemônicas dos EUA no Brasil, o monopólio midiático global.

A grande mídia, arquiteta das interpretações escatológicas da vida brasileira, ligada aos interesses do rentismo, associou-se a corporações que cresceram nos últimos anos graças à prática dum tipo de um falso republicanismo onde prevalece o esquartejamento do Estado, que se sobrepõe aos interesses estratégicos da nação.

E motivações explícitas vendem a ideia através do monopólio midiático, que o mal do País é a democracia, via campanha sistemática, de lavagem cerebral e fulminante contra a política.

Assim a democracia parlamentar, e todos os partidos, sem exceção, seriam o tumor maligno do País. Para isso contam com o concurso das forças retrógradas e grupos ultristas de vários matizes que soprados pela grande mídia dão o tom nas redes sociais.

É a tempestade perfeita: a atividade política seria então uma universidade de criminosos a ser extirpada da vida social, substituída pelo Mercado rentista, consórcios aliados e, no poder, um “insuspeito apolítico”.

A nação movida a surtos psicóticos de ódio é refém da máxima de propaganda explicitada no filme da cineasta Leni Riefenstahl, predileta do nazismo hitlerista, O Triunfo da Vontade: “a emoção deve se sobrepor à razão”.

Urge o esforço de amplas forças políticas num pacto que defenda o que ainda resta do Estado de Direito além da luta em defesa dos interesses nacionais, da soberania do País, solapados à luz do dia.

Com a nação à deriva impõem-se soluções democráticas e patrióticas, sem aventureirismos particularistas. O Brasil está à beira do precipício. Ou será o primado da vida democrática ou o triunfo fascista da emoção sobre a lucidez da razão.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O retorno à demência

Meu novo artigo semanal:


Mudaram as formas de comunicação através da revolução tecnológica mas, paradoxalmente, regredimos aos parâmetros políticos, sociais, institucionais, de décadas atrás. Na aparência a civilização atingiu novos patamares, mais sofisticados e civilizados. Mas só nas aparências.

O capital financeiro mundial passou a ditar como nunca os destinos dos povos e das nações.

A Europa encontra-se em grave crise onde é abundante a desorientação geral, o recurso à violência, o desemprego, a perda das Históricas conquistas trabalhistas dos cidadãos. Por lá continuam as vagas intermináveis de refugiados, vítimas da destruição de seus Países por meio das guerras, que não são provocadas por eles, mas fruto de intervenções das grandes potências em busca de riquezas naturais, que lhes pertencem, em seus territórios.

O terrorismo que assola a Europa é consequência de uma gama de fatores malignos e não por geração espontânea, brotada do nada ou como pretendem alguns: um choque de civilizações distintas.

A desertificação de Países, alguns de cultura milenar, em consequência dos saques de riquezas naturais ou motivos geomilitares estratégicos, explica a tragédia europeia e dos povos do Oriente Médio. O Papa Francisco tem sido uma voz lúcida na denúncia dessa diáspora criminosa.

Tudo isso em parceria com a grande mídia que já não é mais informativa, mesmo que parcial, é um verdadeiro condutor de propaganda do capital rentista e da desinformação dos povos.

A desorientação tem sido, quase, geral, onde forças políticas procuram algum sentido no caos, tal qual o demente Nero fazendo poesia com o incêndio de Roma por ele provocado.

Aqui, as coisas não são diferentes com o ilegítimo, interino presidente Michel Temer, que lembra o ator de filmes de terror Boris Karloff, com seus gestos manuais desconexos e a única coisa que o segura no poder: promover as reformas antinacionais, antipopulares, ao gosto da grande mídia, do Mercado financeiro.

Enquanto essa grande mídia impõe a agenda pós-moderna, corporativa, macarthista, politicamente correta, da pós-verdade, o brasileiro tem seus direitos elementares ameaçados, o País subtraído no papel de grande nação solidária no cenário internacional. Urge um projeto nacional, que una as grandes maiorias, e um novo rumo de desenvolvimento para o Brasil.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O grande órfão

Meu novo artigo semanal:


Rejeitado por 96% da população brasileira, o ilegítimo presidente interino Michel Temer continua na senda da sua única função, aprovar as reformas antinacionais e antipopulares no País.

O seu governo desastrado possui a condescendência e cumplicidade da grande mídia hegemônica nativa, uma das principais promotoras do Estado de Exceção que vivemos.

De tal maneira que desde algum tempo o Brasil é um País absolutamente à deriva, sem norte, sul, leste ou oeste.

Sem dúvida, essa é uma das maiores, senão a maior, crise política e institucional da nossa História. Que acontece no momento em que a nação alcançou o protagonismo como 7a economia mundial. Mas nada é por acaso.

Desde 2013 o País tem sido vítima de tempestades difusas, onde as redes sociais são usadas, a exemplo das famosas primaveras árabes, para a desestabilização do tecido social, fartamente denunciadas por Edward Snowden, ex-agente dos serviços de inteligência dos EUA.

O Brasil tem sido alvo preferencial do capital financeiro que compõe a chamada Governança Mundial, com as chamadas reformas previdenciária e trabalhista, quanto ao desmonte do parque industrial, agrícola, além das indústrias estratégicas de Defesa nacional.

Entre os objetivos do Mercado financeiro, das grandes potências, está a tentativa de impedir que a nação brasileira continue a ser um dos grandes protagonistas na emergência da nova ordem mundial multipolar.

Nesse sentido, tudo transformou-se em instrumento de desestabilização de qualquer forma de projeto nacional, com as instituições da República absolutamente sem rumo, numa visão corporativa das suas funções, destituídas assim de um caminho nacional.

Envolvida em uma discussão dicotômica, a política brasileira vê-se envolta num labirinto kafkaniano, em um processo propositalmente atabalhoado, onde não existe o sentido da identidade nacional que possibilite a união das grandes maiorias em torno de um projeto de desenvolvimento democrático estratégico do País.

Esse desnorteamento, a ausência de caminhos, é que faz com que o Brasil seja, por enquanto, o grande órfão global. Cabe aos segmentos progressistas, democráticos e patrióticos a reversão dessa desorientação proposital, no sentido de retomar o sentido Histórico de nação desenvolvida e solidária, que é o seu destino de grande País.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A crise nacional

Meu novo artigo semanal:


A atual crise nacional possui múltiplas faces, política, econômica, social, institucional. Mas em todos esses aspectos encontra-se presente um elemento importante: a ausência de perspectivas em relação ao quadro em que nos encontramos.

A gravidade do cenário brasileiro combina elementos conjunturais e outros de natureza estrutural, indicando que um determinado ciclo está chegando ao fim, ou já se esgotou completamente.

Qualquer tentativa de saída desse imbróglio e que não tenha como pressuposto a centralidade dos interesses nacionais, ou está fadada ao fracasso ou, então, é o aprofundamento da política de subalternidade econômica, diplomática, geopolítica que nos foi imposta.

O ilegítimo governo de Temer, um dos mais impopulares de toda a História do País, com 96% de rejeição segundo vários institutos de pesquisa, é sabido por todos nunca foi em momento algum protagonista de coisa alguma, trata-se de figura menor, bizarra, de um golpe orquestrado contra a democracia, os interesses nacionais e os Históricos direitos dos assalariados brasileiros.

Seu único papel é conduzir as reformas antinacionais e antissociais como a Trabalhista, a da Previdência e outras iniciativas de caráter entreguista do patrimônio nacional como a Petrobrás etc.

Trata-se de governo servil aos ditames do Mercado financeiro, acumpliciado e ao mesmo tempo refém da grande mídia hegemônica nativa. Esta sim, uma articuladora de peso no golpe em curso no País como de resto tem sido a sua trajetória ao longo de décadas na vida política nacional.

Esse contexto golpista de retrocessos democráticos, econômicos e sociais dá-se em meio ao aprofundamento de uma crise financeira internacional e no País provocando a recessão e o desemprego em níveis já escancarados.

O golpe só poderia ter acontecido num cenário de profunda instabilidade dos fundamentos econômicos, sem o que seria impossível plantar uma crise política de tal magnitude no Brasil.

É vital a constituição, através da política, de ampla frente democrática, patriótica de reconstrução nacional. É de Albert Einstein a opinião: nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou. Para encontrar novas respostas é necessário aprender a ver o mundo de uma maneira nova. Assim é fundamental encontrar outro rumo para o País.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Questão de Grandeza

Meu novo artigo semanal:


Sejam quais forem as dimensões das manifestações de rua nesta sexta-feira, decorrentes da greve geral convocada pelos sindicatos e organizações populares contra as reformas do governo Temer, muito especialmente a trabalhista e a da Previdência Social, uma coisa é certa, ela já está sendo profundamente vitoriosa.

Primeiro porque tratam-se de conquistas sociais Históricas, várias delas adquiridas desde a revolução de 1930 nos governos de Getúlio Vargas, e apesar de agredidas em governos de feição neoliberal, como o de Fernando Henrique Cardoso, através de reformas inspiradas pelos interesses do Mercado financeiro, persistem ainda os fundamentos essenciais dos direitos dos assalariados do País.

Segundo, e em decorrência, a greve geral tem o apoio da mais ampla e esmagadora maioria da população brasileira, que repudia a tentativa real e concreta de surrupiarem, de forma escancarada e à luz do dia, os seus direitos sociais mais elementares.

Terceiro porque a luta contra as reformas antipopulares do ilegítimo governo de Michel Temer possui um apoio maciço proporcional à espetacular rejeição ao seu governo, ou seja, mais de 96% da população.

E de nada adianta o apoio a essas reformas grotescas da parte do primeiro-ministro da Espanha Mariano Rajoy, dizendo que foram feitas reformas iguais por lá e que foram um sucesso.

Não para o povo espanhol, que amarga uma taxa de desemprego brutal onde mais de 40% da população jovem com idade de trabalho encontra-se desempregada, além de sofrer tremendas perdas em conquistas do Estado social desmantelado na Espanha.

Situação igual está sendo preparada aos franceses. Articularam um candidato bem vestido e jovem, Macron, construíram para ele um partido político, um cenário eleitoral ideal e desejam presenteá-lo com o poder. Trata-se porém de um legítimo banqueiro, candidato dos banqueiros e do Mercado financeiro.

Já o ilegítimo Temer é igualmente um representante do Mercado rentista e da grande mídia associada aos financistas. Sua única tarefa é conduzir as reformas antinacionais e antipopulares.

Assim é preciso canalizar a insatisfação ao governo Temer na articulação de uma ampla frente democrática e patriótica em defesa da nação e do povo brasileiro. Esse é o desafio, o tamanho da Grandeza que se impõe à luta política em curso.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Tempus fugit

Meu novo artigo semanal:


A prolongada crise nacional vai atingindo múltiplos aspectos da sociedade brasileira e nada indica que nesse rumo, ou na absoluta falta dele, as coisas vão chegar a um bom termo.

No plano econômico, mesmo com o denodado esforço da grande mídia hegemônica, a contínua queda dos indicadores econômicos aponta no sentido do agravamento da recessão, aumento galopante do desemprego, além do processo estrutural da desindustrialização do País.

No aspecto institucional, o que se observa é a afirmação de uma espécie de novo tipo de fascismo adequado às características e exigências do Mercado financeiro, e das oportunidades que usufruem as grandes empresas estrangeiras com o desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado.

No campo social são evidentes as ameaças, e concretizações destas, às Históricas conquistas trabalhistas adquiridas desde a revolução de 1930. De outro lado, tramitam no Congresso Nacional projetos que ameaçam a soberania e integridade nacional, como a venda criminosa de terras a grandes grupos estrangeiros, incluindo a Amazônia brasileira.

A nação já não vive um clima de legalidade democrática, encontra-se sob um verdadeiro Estado de Exceção, onde o poder executivo, a presidência da República, vítima de golpe de mão, não representa qualquer segmento da sociedade nacional, salvo os interesses do capital rentista, da mídia golpista e de aventureiros de ocasião cujos anseios estão a anos luz da grandeza que a nação exige.

O Congresso Nacional, salvo louváveis exceções já conhecidas, vai à deriva, abatido por si próprio tanto como pelos ataques cirúrgicos da grande mídia hegemônica, uma das protagonistas do golpe de Estado.

O açoitamento da política, caminho da participação social nos rumos do País, tem sido uma constante por essa mesma grande mídia hegemônica, que é recorrente na prática de arranjos autoritários para o País, como nos tempos atuais.

Por isso, tempus fugit: o tempo voa para que os democratas, patriotas e progressistas constituam um amplo pacto político, com intensa participação de variadas camadas sociais, que enseje a reconstrução nacional, a integridade do País, assegure os direitos trabalhistas dos cidadãos, aponte um novo rumo para a economia e o desenvolvimento, antes que alguma figura delirante empalme os destinos do Brasil.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O novo século

Meu novo artigo semanal:


O que acontece atualmente com o Brasil, com o golpe de Estado que entronizou no poder Michel Temer, é reflexo direto de uma encarniçada batalha geopolítica em curso.

O País é a 7a economia mundial e não chegou a tal escala de crescimento através de geração espontânea, como a falsa teoria de Lamarck, mas graças à condição peculiar de nação continental, detentora de múltiplas riquezas naturais como o petróleo, além de várias outras estratégicas como o Nióbio etc.

Possui imensa riqueza em águas, como a reserva aquífera da Amazônia, a maior do mundo. Uma situação geopolítica que o define, junto com suas dimensões geográficas, como um dos principais atores no atual tabuleiro de xadrez da arquitetura mundial.

Na verdade, há várias décadas o Brasil deixou de ser o País do futuro, definido pelo escritor austríaco Stefan Zweig, que aqui se exilou fugindo do nazismo na Europa.

Após a 2a Guerra Mundial a nação passou a trilhar, com idas e vindas, avanços e retrocessos, um protagonismo crescente, adquiriu sofisticada estrutura com quadros nos mais diversos estamentos do aparato estatal.

A economia brasileira foi atingindo, apesar dos percalços, a dimensão atual, e o caminho do desenvolvimento nacional mesclou a associação dos setores público e privado, característico dos Países em desenvolvimento.

No século XX, o século norte-americano, o Brasil não só sobreviveu às agruras da ação intervencionista dos EUA como chegou ao patamar que o define hoje como um dos integrantes dos BRICS. E a tendência de tornar-se em 2050 a 5a economia mundial, apesar das abissais desigualdades sociais, enorme déficit em infraestrutura etc.

Já disseram: se você controla o petróleo controla as nações... se controla o dinheiro controla o mundo.

O século XXI é o século do poder do Mercado financeiro global, da decadência agressiva dos EUA. Mas também da emergência geopolítica multipolar onde o Brasil é protagonista de nível médio.

O golpe de Estado, além de antidemocrático, tem a intenção de desconstruir a cadeia produtiva nacional, privada e estatal, pretende a subalternidade da nação frente às suas imensas possibilidades de ator geopolítico, de interlocutor progressista num mundo em rápida transformação. Por isso a necessidade de uma frente patriótica e democrática em defesa da reconstrução da nação.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Desenvolvimento e democracia

Meu novo artigo semanal:


O desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado, vem abatendo de chofre dezenas de milhares de postos de trabalho, muitos dos quais altamente qualificados, e atingiu no alvo a capacidade competitiva do País, provocando o desemprego generalizado como decorrência direta.

A nação vive uma onda autoritária seletiva que já é impossível escamoteá-la, em um brutal retrocesso que ameaça os valores democráticos mais elementares da sociedade.

Promove-se através de um governo profundamente ilegítimo, de Michel Temer, entronizado no poder via golpe de Estado, a desconstrução de Históricas conquistas trabalhistas.

Reformas como a da Previdência, a Trabalhista, atendem aos objetivos do capital especulativo e visam a privatização de setores fundamentais aos direitos dos assalariados brasileiros.

Assim o governo ilegítimo, com o apoio da grande mídia associada aos objetivos do Mercado rentista, que lucra espetacularmente com a crise nacional, comanda uma espécie de recolonização pós-modernosa da nação.

Ao tempo em que essa grande mídia-empresa oligopolizada, braço ideológico do Mercado Financeiro, propaga uma agenda substitutiva aos verdadeiros interesses nacionais, incitam pelos seus principais órgãos e pelas redes sociais, quase que diariamente, tempestades de intolerâncias e ódio com o objetivo claro de solapar a unidade das grandes maiorias do povo brasileiro.

A política econômica governamental, sob a falsa premissa de combate à inflação, encetada pelo governo ilegítimo, tem sido o eixo basilar de uma escalada recessiva que vai levando a nação ao fundo do poço alimentando os cofres do capital especulativo, os aventureiros rentistas em busca de lucros fabulosos e a curto prazo.

A criminalização da política, única via da participação popular nos destinos do país, é prova da aventura autoritária institucional galopante a que assistimos contra os princípios mais elementares da legalidade democrática. Já o Congresso Nacional encontra-se em séria crise de credibilidade.

Os vetores desse imbróglio rumam para um impasse imprevisível. Assim é vital a constituição de ampla frente patriótica, democrática, de reconstrução nacional, que assegure os direitos sociais, todos eles ameaçados. E retome, sob um novo pacto político, mais avançado, o desenvolvimento do Brasil.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Defesa da nação

Meu novo artigo semanal:


Ao final da Segunda Guerra mundial a humanidade viu-se frente a uma bipolarização global. De um lado um grande campo político, militar, territorial, que se estendia das imensidões da Ásia até grandes regiões da Europa Oriental e Central, sob a liderança da extinta União Soviética.

De outro lado, encontravam-se os Estados Unidos, que extremamente fortalecidos assumiam o papel de guardiães do sistema capitalista, “líder” do chamado mundo ocidental, já que as antigas potências coloniais, ou neocoloniais, praticamente ruíram após 1945.

O que sobrou de imponente do antigo passado colonial transformou-se em estertores decadentes de uma época, onde o maior exemplo foi o grande império britânico, o qual costumava afirmar “que nele o sol nunca se punha” porque sempre havia em qualquer rincão da Terra um pequeno ou grande território com a bandeira tremulando, representando os domínios de “Sua Majestade”.

Com a debacle da URSS, e o surgimento da unipolaridade mundial, a hegemonia dos Estados Unidos sobre os povos foi quase absoluta, a humanidade viu-se numa quadra de guerras intervencionistas que ainda persistem, apesar da reconfiguração geopolítica para um cenário de multilateralidade global.

A crise estrutural capitalista de 2008 provocou abalos no planeta, mudou a face da economia e da sociedade norte-americana, em clara decadência, indicou uma viragem geopolítica intensa e evidenciou os tentáculos do capital rentista com sua governança mundial sem território específico ou bandeira.

Os povos convivem com os malefícios imperiais dos EUA, em estado de exaustão, mas enfrentam um poderoso adversário, o capital especulativo, as instituições globais por ele cooptadas, sua mídia hegemônica. Embora cada vez mais contestado pelas sociedades, inclusive pela via eleitoral.

O golpe de Estado no Brasil, com Michel Temer no poder, a sistemática criminalização da vida política, o autoritarismo ululante, a destruição do parque produtivo nacional, público e privado, o desmantelamento dos Históricos direitos trabalhistas. Tudo isso faz parte da ofensiva do capital rentista, pirata e insaciável.

É essencial a formação de uma frente nacional e democrática em favor do País, de suas riquezas ameaçadas, contra o abate implacável das conquistas sociais, a tenaz defesa do Estado brasileiro.

terça-feira, 21 de março de 2017

Alvo em movimento

Meu novo artigo semanal:


O recente protagonismo do Brasil na geopolítica internacional iniciou, a grosso modo, com a modernização efetivada pela revolução de 1930 sob a liderança de Getúlio Vargas.

Que implantou além das leis trabalhistas, a CLT, a criação das indústrias de base decisivas ao impulso industrial do País.

Esforço que implicou na visão dos interesses nacionais. Durante a Segunda Guerra mundial Vargas, com a iminência do País em combate na Europa, firmou um pacto com os EUA, uma ponte aérea militar entre Natal, Rio Grande do Norte, e Dakar, na África. Em tremenda luta dos povos contra o nazifascismo.

A contrapartida americana foi o apoio à construção da Siderúrgica de Volta Redonda, e outros projetos.

Visando a soberania nacional, Getúlio exigiu a desativação das bases militares dos EUA ao final da guerra, especialmente no Nordeste como, por exemplo, os esquadrões aéreos de caça a submarinos alemães que infestavam o Atlântico Sul afundando navios de carga e passageiros.

O que indica autoridade política, estadismo, que surgem às nações em ocasiões estelares, dizia Stefan Zweig.

Juscelino impulsionou a economia nacional com a indústria automotora, cumpriu o sonho da interiorização estratégica do País com a fundação de Brasília.

Enfrentou adversários que pretendiam o País mero exportador de produtos agrícolas in natura, atrasado.

O Brasil, incluindo também as gestões do presidente Lula e Dilma Rousseff, acumulou conhecimento, tecnologia, a participação de empresas brasileiras estatais e privadas no comércio exterior.

Com o golpe de Temer, e o argumento do combate à corrupção, o País encontra-se sob virulenta ação do Mercado financeiro, de potências mundiais, da grande mídia, com o objetivo de sustar seu protagonismo como liderança global de porte médio.

Dificultar investimentos estratégicos em educação, saúde, infraestrutura, a superação das desigualdades sociais Históricas, além de abater os direitos trabalhistas, privatizar as empresas estatais, aniquilar setores privados, todos fundamentais à condição de ator internacional.

Como dizem Lourdes Casanova e Julian Kassum em recente publicação: o Brasil é hoje um alvo em movimento. Portanto, cabe a defesa da nação, sua originalidade cultural e civilizacional, o direito de um lugar ao sol entre os povos, a legitimidade democrática.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Brasil e Mercado

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O processo de acumulação do capital parasitário atingiu uma dimensão nunca vista antes.

Fez-se uma inaudita destruição dos direitos dos povos, das identidades culturais das nações, a desqualificação das elevadas conquistas e valores da humanidade ao longo dos séculos.

Constituíram-se acima do espírito do Direto, convenções internacionais, uma Governança Mundial onde o Mercado incorporou organizações globais e a grande mídia, tornando-as associadas aos seus objetivos de acumulação parasitária.

Um poder gigantesco, difícil de ser nomeado, sem fronteiras, bandeira ou território, mas que exerce uma ditadura econômica, ideológica sem precedentes.

Boa parte das políticas internacionais, e das nações, dão-se através de personalidades públicas, ou grupos partidários, que foram cooptados ou aderiram às estratégias do capital rentista.

Aos olhos dos povos tornou-se difícil distinguir matizes programáticas antes óbvias, salvo determinadas posições sobre assuntos pontuais que não ameaçam a hegemonia do capital rentista e às vezes fazem parte da sua “agenda social global”.

Mas é crescente a insubordinação mundial contra os efeitos terríveis da globalização financeira, como agora no Brasil vítima de um golpe que “emponderou” o governo Temer sob a proteção da grande mídia e estamentos identificados com o Mercado.

Que desejam criminalizar a única forma da sociedade participar dos destinos da nação, a via política democrática, assim como as conquistas sociais, trabalhistas, promover o desmonte estatal e privado, anular o protagonismo do País conquistado em décadas, como liderança global de porte médio.

Estudo divulgado no El País, maior jornal espanhol, indica que o Brasil em 2050 será a quinta economia global depois da China, Índia, EUA, Indonésia, pela ordem.

É uma conclusão que provoca insônia entre as nações mais ricas, ou seja, das grandes economias quatro delas serão de Países emergentes em poucos anos, inclusive o Brasil.

Assim, por posição estratégica, extensão continental, imensas riquezas, população, capacidade industrial, originalidade civilizacional e cultural, é certo constatar que a onda autoritária, antinacional que vivemos é temporária, menor que o País e o seu futuro, desde que tenhamos como norte a centralidade da questão nacional e os direitos do povo brasileiro.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O que está em jogo

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É impossível entender o que acontece no Brasil se abstrairmos a geopolítica global, o processo de desconstrução de alguma coisa parecida com um projeto de Estado e a centralidade da questão nacional.

Porque o que se vem intentando é a total submissão do País ao Mercado financeiro, aos interesses estratégicos do EUA, por mais complicado que seja após as eleições presidenciais norte-americanas.

Além do alinhamento incondicional à ortodoxia neoliberal, que já não é praticada sequer nos EUA, grande parcela das elites brasileiras formada numa visão de subalternidade e dependência da nação, adotaram a política de completa subordinação ao capital financeiro, ao rentismo mundial.

O que assistimos no Brasil desde 2013 tem sido uma cortina de fumaça, com o apoio da grande mídia empresa associada ao Mercado financeiro, com o objetivo de sustar o ativo papel do Brasil nas relações multilaterais, no teatro da geopolítica mundial.

Para tanto fabricou-se uma “revolução colorida” como as que foram encetadas em várias partes do mundo, adequada às particularidades de um País de dimensões continentais, com um parque industrial complexo, uma população que supera duzentos milhões de habitantes, uma massa crítica intelectual desenvolvida, riquezas naturais imensas.

Busca-se retroceder o protagonismo do País, construído em décadas, a modernização implementada nas conquistas sociais do trabalhadores, destruir o parque industrial, comercial, empresarial, seja estatal, como a Petrobras, ou privado, desde que tenha relevância interna ou mundial.

A fragmentação do tecido social fomentada por tempestades de ódios difusos é uma rotina numa época em que é decisiva ampla unidade contra a globalização financeira neoliberal.

O Mercado vem procurando demonizar a crescente insubordinação dos povos contra as catastróficas resultantes da globalização financeira, da acumulação rentista em escala nunca antes vista, além da bancarrota dos Estados nações e respectivas sociedades.

À oposição ao governo Temer, e tudo que ele representa econômica, social, politicamente, também é essencial o combate aos que desejam conduzir o País à total subalternidade econômica e geopolítica. É fundamental ao povo brasileiro a união em torno de um projeto nacional, democrático de desenvolvimento estratégico e soberano.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A crise da crise

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Uma das maiores neuras, na atualidade, da grande mídia hegemônica nativa, além da profunda crise que corrói o governo Temer, é a onda de notícias falsas divulgadas nas redes sociais.

Em relação às noticias falsas, fake em inglês, idioma que tem avançado tremendamente nos últimos anos sobre o patrimônio linguístico e riquíssimo do português brasileiro, dizia o escritor prêmio Nobel de literatura José Saramago, esse assunto, o dos fakes, tem mexido com os nervos da grande mídia empresa monopolista.

A grande mídia está perdendo o protagonismo de criar suas próprias versões sobre os rumos do País. Sim, porque o monopólio midiático associado ao Mercado financeiro deixou de ser imprensa que informa, mesmo que parcial e de grupos.

Essa mesma mídia passou a ser um dos centros definidores de poder no Brasil. Mas as notícias falsas, ou fakes, plantadas nas redes sociais por robôs digitais, estão se transformando em sérios concorrentes ao seu papel ideológico onipresente que produz suas próprias realidades. O feitiço volta-se contra o feiticeiro.

Já se disse que na luta pelo poder em tempo real, e não virtual, em qualquer parte do mundo, uns ganham e outros perdem. E quando algum campo político perde é porque outros atores ganharam, já que nos jogos de poder não há variações ilimitadas.

Com a deposição da presidente Dilma através de articulação do monopólio da informação, do Mercado financeiro, grupos adversários do patrimônio nacional, entronizaram no poder Michel Temer que adotou política econômica, desmonte das conquistas trabalhistas, catastróficas, diluvianas.

Rejeitado em grandes manifestações de rua que pipocaram no carnaval, o governo Temer transformou-se numa ponte para o caos, o nada. Há sinais de que o Mercado, grupos políticos, a grande mídia, desejam descartá-lo. Só não sabem exatamente como substituí-lo e por quem. Ainda.

O País que vive grave quadra institucional, econômica, social, entra em novos dias turbulentos. A crise dos poderes da República é dramática. Uma nação continental com imensas riquezas, vasto potencial industrial perigosamente à deriva.

Urge uma frente política ampla que aglutine as grandes maiorias sociais em torno de um projeto nacional de desenvolvimento estratégico, democrático e soberano que reverta o cenário em que se encontra a nação.