quinta-feira, 27 de julho de 2017

O Brasil e o excepcionalismo

Meu novo artigo semanal:


A concepção do excepcionalismo norte-americano como sustentação da superioridade do indivíduo e da civilização anglo-saxônica ao que tudo indica parece estar perdendo a sua liderança nesse mundo multipolar que avança a passos rápidos nas primeiras décadas do século XXI.

Até mesmo com a campanha ideológica, difundida através da grande mídia global, com uma diuturna agenda de promoção desses valores como se fossem o espelho de todas as sociedades no planeta, das subserviências acadêmicas que, aberta ou discretamente, reverenciam nos planos das ciências sociais todas essas teses artificialmente importadas, como se elas fossem paradigmas científicos a serem seguidos sem contestações.

Assim entronizaram também no Brasil a antropologia anglo-americana como modelo a ser seguido, sustentado desde a grande mídia a intelectuais, setores universitários, de tal forma que qualquer visão crítica aos seus modelos apriorísticos é transformada em forte campanha difamatória.

Isso, seja nas redes sociais, ou nos grandes veículos de comunicação do País que determinam o Brasil oficial, das instituições do Estado, das estruturas corporativas, que se encontram hoje em dia distantes do Brasil real, enfatizado por Machado de Assis, e que corresponde atualmente a, mais ou menos, 200 milhões de habitantes.

O País real acorda, almoça e janta a cultura ditada pelo excepcionalismo anglo-americano, apesar das milhares de resistências que estão a somar-se.

De tal forma que o “mundo” oficial descolou da nação real e, embora hegemônico e determinante, inclusive em função do poder do capital financeiro especulativo, navega em uma realidade paralela muito longe dos trópicos que habitamos.

Daí é que, ao invés da rica História do Brasil, a nossa real formação civilizacional, antropológica e perspectivas futuras, parece que nos impuseram um transplante mecânico das sociedades inglesa, estadunidense, como um vírus digital, ou tendo sofrido ataques de algum hacker.

No mundo multipolar, que vai se consolidando, o esforço pelo conhecimento científico e tecnológico, o desenvolvimento econômico, a justiça social ampla e profunda, a soberania, são inseparáveis da compreensão cultural de como somos, como nos fizemos, onde desejamos chegar como nação, abertos ao mundo, mas sem estereótipos.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

A crise do liberalismo

Meu novo artigo semanal:


O liberalismo econômico clássico adquiriu nova forma desde os anos oitenta do século XX e reinou absoluto a partir do novo milênio, juntamente com a hegemonia unipolar dos Estados Unidos, depois da debacle da União Soviética.

Essa nova cara do liberalismo que se tornou hegemônico é o neoliberalismo, uma etapa bem mais agressiva do capital financeiro especulativo, do rentismo. Nesse período mudou-se drasticamente a face do mundo, não só no aspecto econômico.

Como também na geopolítica mundial, nas relações sociais, assim como entre o monopólio dessa nova fase do capital e as estruturas de poder que determinam os rumos entre as nações e nas relações políticas dentro dos Estados nacionais.

O monopólio do capital parasitário alterou radicalmente o espírito da atividade política, subvertendo-a aos seus interesses estratégicos, determinando também outras ideias, concepções, nas relações sociais provocando imensa regressão nos sentimentos coletivos e individuais nas comunidades.

Nas primeiras décadas do século XXI testemunhamos a quintessência do individualismo, da competição desenfreada nas sociedades. Tantas modificações profundas foram acompanhadas por uma massificante argumentação ideológica e midiática, com o objetivo de se fazer incontestável a mundialização do capital rentista e a ideia do indivíduo globalizado na condição de força de trabalho móvel.

Mas as crises financeiras da Nova Ordem mundial abateram as ilusões sobre o reinado do capital parasitário, do fim da História profetizado pelo guru do neoliberalismo, o nipo-americano Francis Fukuyama.

O surgimento de outra ordem multipolar, com o crescente protagonismo dos BRICS, começou a abalar a hegemonia unipolar dos EUA sequenciando conflitos em várias partes do planeta.

Assim como a exacerbada apologia ao Mercado e suas formas egocêntricas de como os cidadãos deveriam tratar os demais e a si próprios fomentaram uma crise social, e de caráter individual, sem precedentes no mundo.

A relevância das identidades culturais e do sentimento nacional coletivo, da união nacional, passou a tornar-se algo premente entre os povos. O mundo começa a entrar em nova etapa Histórica. O Brasil tem destacado papel de liderança solidária nesses novos tempos. Exatamente por isso sofre intenso processo de desestabilização.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

À deriva

Meu novo artigo semanal:


A condenação do ex-presidente Lula, com nítido caráter de perseguição política, o persistente e contínuo esfarelamento do governo Temer, associado ao anterior impeachment da ex-presidente Dilma, como retrato da vulgarização, banalidade, desse instituto constitucional ao longo da Nova República desde a promulgação da Constituição de 1988, a aprovação da reforma trabalhista profundamente contrária aos direitos dos assalariados, representam aspectos gravíssimos da atual crise estrutural brasileira.

Com a economia estagnada, desemprego crescente, desindustrialização persistente há décadas, a estratosférica remuneração do capital financeiro, especialmente do rentismo insaciável, sustentado pela chamada dívida pública da união, entre outras formas de rapinagem, a nação vê-se sem rumos, desprovida de um projeto estratégico de desenvolvimento que lhe dê sentido e perspectiva.

Além disso assistimos o Estado nacional fragmentado em corporações poderosas, outras com essa pretensão, que se invocam como alter ego da nação, mas nenhuma delas possui o sentimento e a responsabilidade de contributo aos destinos do País.

Desalentada e com crescente perda de autoestima, a sociedade brasileira acha-se sem norte, sul, leste ou oeste, ao sabor de uma tormenta institucional antropofágica que vai devorando a tudo e a todos, uns mais outros um pouco menos, mas a verdade é que ruma para a destruição da vida política nacional, instância decisiva da participação social na vida do País.

Dividido, o Brasil é alvo contínuo das ações de grandes potências, no aspecto econômico, comercial ou geopolítico e mesmo assim ainda é a sétima economia mundial, com uma população de 210 milhões de habitantes, um território continental, cujas áreas e riquezas estratégicas são extremante cobiçadas, como a Amazônia.

O País precisa voltar a crescer, reconstruir a unidade das grandes maiorias em torno de um projeto que seja mais que um rumo de desenvolvimento, mas um espírito de País, um Estado moderno, uma sociedade próspera com justiça social, como afirma o Manifesto pela União Nacional do ex-ministro Aldo Rebelo.

A atual crise vai continuar se desdobrando de forma desembestada, numa autofagia acelerada e vai demonstrar que só será superada em um patamar econômico, social e político superior da vida nacional.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Manifesto em defesa da nação

Lançado em Brasília, em 6 de junho, encabeçado pelo ex-ministro e ex-presidente da Câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, o manifesto suprapartidário pela união nacional para o enfrentamento da crise brasileira propõe uma agregação de forças para a superação do impasse político e da crise socioeconômica que travam o País. O manifesto político deve resultar na criação de um movimento pela união nacional, como é esperado. A seguir o texto na íntegra.



MANIFESTO PELA UNIÃO NACIONAL

“Não precisa o Brasil ser dividido, é melhor união progresso e paz”
(Geraldo Amancio, poeta e repentista)


O Brasil vive grave e profunda crise, que ameaça seu futuro de Nação livre, próspera e soberana. O esforço de nossos antepassados, sem temer sacrifícios nem renúncias para construir a País é posto à prova pela atual desorientação sobre que rumos seguir para ampliar a independência e a autonomia nacionais, elevar o bem-estar material e espiritual da população e proteger o convívio democrático entre os brasileiros. As rupturas operadas na ordem institucional geraram um quadro de aguda polarização, agravado pela recessão econômica, pelos altos níveis de desemprego e subemprego, e pela violência em suas variadas formas. A sociedade brasileira encontra-se dividida, desorientada e desalentada, com sua agenda pautada por atores e interesses minoritários, e mesmo antinacionais, ambiente ideal para a proliferação de várias formas de morbidez social, entre elas a corrupção.

Somente a união de amplas forças políticas, econômicas e sociais, em torno de uma proposta de reconstrução e afirmação nacional, pode abrir caminho para a superação da crise atual. Tal proposta não pode ser apenas uma plataforma de metas econômicas e sociais, mas deve buscar sua inspiração no estado de espírito capaz de mobilizar amplamente os diversos atores da sociedade, com o objetivo comum de ver o País progredir de forma que os benefícios do desenvolvimento sejam percebidos por todos eles, levando-os a se sentirem como seus protagonistas ativos. Este projeto exige como pressuposto que a defesa e o desenvolvimento do Brasil sejam o fundamento para assegurar a efetiva expansão dos direitos sociais e da democracia.

A elaboração e implantação do projeto de construção e afirmação nacional não poderão limitar-se à classe política, mas terão que ser compartilhadas pelos mais diversos segmentos representativos da sociedade. Isto exige o afastamento de toda sorte de preconceitos motivados por ideologias e maniqueísmos, que se mostram insuficientes e limitados para permitir o entendimento da situação. Acima de tudo, é necessário abandonar a enganosa dicotomia entre Estado e Mercado, que tem servido apenas para mascarar a captura das estruturas do primeiro por coalizões de interesses particulares, substituindo-a por uma eficiente cooperação entre o poder público e a iniciativa privada, em prol do bem comum, como ocorreu e ocorre em todos os países que conseguiram enfrentar e remover os desafios no caminho do desenvolvimento duradouro e sustentável.

As gerações que nos antecederam ergueram material e espiritualmente o Brasil, em quatro grandes movimentos, a saber:

1) a formação da base física, a conformação do território, do ano zero de 1500 e da originária Terra de Santa Cruz, ao Tratado de Madrid, em 1750, que configurou de forma aproximada as atuais fronteiras nacionais e iniciou o processo de mestiçagem que caracterizou a formação social brasileira.

2) a epopeia da Independência, consolidada em 1822, representada nas figuras luminares de Tiradentes e José Bonifácio, Patriarca idealizador de um projeto de Nação que ainda guarda grande atualidade.

3) a fase da defesa e manutenção da unidade territorial, com D.Pedro I e D.Pedro II e que se encerra com a libertação dos escravos em 1888;

4) a República proclamada por Deodoro da Fonseca e consolidada por Floriano Peixoto, que tem o apogeu em Getúlio Vargas e seu ambicioso programa de industrialização e modernização do Estado, pondo em prática aspirações anteriores dos movimentos Sanitarista, Tenentista e da Nova Educação. A partir de Vargas o Brasil oscilou ao sabor das correntes varguista e anti-varguista, até os nossos dias.

Hoje, nos marcos da economia globalizada e com o País em condições mais favoráveis que no passado, temos a missão de iniciar um novo projeto nacional, o quinto movimento, em três direções e três objetivos:

1) ampliar a soberania nacional com o pleno desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e dos meios de defesa do País;

2) elevar a qualidade de vida do povo brasileiro com a redução das desigualdades sociais; proteção da infância e da maternidade, acesso à educação de qualidade, saúde e saneamento básico; combate sem tréguas ao crime organizado e valorização da segurança pública contra o banditismo em todas as suas formas;

3) fortalecer a democracia e a tolerância na convivência entre os brasileiros, com realização de uma reforma política que liberte nosso sistema político do controle de interesses corporativos e oligárquicos e assegure o predomínio dos grandes debates dos temas nacionais na esfera pública.

A crise nacional acontece em meio a um quadro global de mudança de época, marcado por:

a) agravamento das consequências socioeconômicas negativas da globalização dirigida pelas finanças especulativas internacionais;

b) alteração do eixo geoeconômico mundial para a Eurásia-Pacífico;

c) emergência de um cenário de poder multipolar, em contraposição à unipolaridade do período posterior ao fim da Guerra Fria;

d) novas revoluções científicas e tecnológicas e rápida introdução de tecnologias inovadoras (Quarta Revolução Industrial), com profundos impactos sobre as formas de produção de bens e serviços, níveis de emprego, relações de trabalho, qualificação da força de trabalho e as próprias relações sociais em geral.

Todos esses aspectos terão influência determinante para o necessário projeto nacional brasileiro, que, por sua vez, é condição decisiva para exercer influência sobre a dinâmica global. Por isso o projeto nacional brasileiro precisa contemplar a relevância continental do País, que ocupa metade da América do Sul, representa cerca de 50% da economia da região, faz fronteira com dez outros países e representa a força motriz potencial para a integração física e econômica do subcontinente. O Brasil deve assumir definitivamente o papel de liderança benigna e não hegemônica do bloco sul-americano, dando-lhe “massa crítica” para participar de forma eficaz e positiva na reconstrução da ordem mundial que está em marcha.

É fundamental que o sistema financeiro reoriente seus esforços para estimular e apoiar as atividades produtivas. Os títulos da dívida pública não podem continuar sendo o investimento mais rentável do País, como ocorreu no período de 2001-2016, muito acima de qualquer atividade produtiva. A aspiração ao desenvolvimento não pode ser bloqueada pelos interesses rentistas locais ou estrangeiros.

A reversão da desindustrialização que afeta o País é crucial. O Brasil tem regredido dramaticamente em capacidade industrial, principalmente no segmento de alta tecnologia, impactando as camadas médias da sociedade, com a perda de empregos qualificados e de melhor remuneração. A despeito da rapidez do processo, ainda temos uma das dez maiores e mais diversificadas bases industriais do mundo. Além de recuperar a capacidade produtiva, é determinante requalificar todo o setor industrial para enfrentar o desafio da Quarta Revolução Industrial, baseada em elevados índices de automação e conectividade, e intenso fluxo de inovações tecnológicas de ponta.

A retomada do desenvolvimento brasileiro exige a estruturação de cadeias produtivas de maior valor agregado baseadas em conhecimento nacional. Isto, por sua vez, requer a ampliação dos investimentos públicos e privados em todas as dimensões da educação e geração do conhecimento e de sua aplicação inovadora na economia nacional, incluindo o apoio efetivo e criterioso à capacitação e elevação da produtividade das empresas nacionais. O Estado Nacional deverá passar também por uma profunda reforma que incorpore e internalize no seu sistema de controles o princípio da incerteza que rege a descoberta científica e a dinâmica da inovação, de forma a não travar a atividade de pesquisa ou inibir a criatividade do empreendedor.

Aos alarmantes índices de deficiências educacionais da população matriculada na rede de ensino, soma-se a crescente degradação do ambiente escolar, com o aumento da violência e o abandono das noções de disciplina e hierarquia, sem as quais o esforço de aprendizagem está fadado ao fracasso. A realidade tem demonstrado que além da destinação de recursos é urgente a retomada da questão educacional como prioridade central do Estado, que deve protegê-la dos vícios do corporativismo, enaltecer o papel do professor e restaurar sua autoridade dentro da sala de aula e na sociedade.

A agricultura, a pecuária e a agroindústria constituem ativos econômicos, sociais, culturais e geopolíticos de grande importância para o Brasil. Mesmo enfrentando a forte e subsidiada concorrência dos criadores e agricultores europeus e norte-americanos, nossos, pequenos, médios e grandes produtores abastecem o mercado interno e ganham cada vez mais espaço no comércio mundial de alimentos. O status de grande produtor de grãos e proteína gera para o Brasil, além de divisas, respeito crescente num mundo cada vez mais carente de segurança alimentar. O Brasil deve valorizar social e culturalmente seus trabalhadores, criadores e produtores rurais, protegê-los com financiamento, crédito e seguro; destinar recursos para ciência, tecnologia e inovação para melhorar a produtividade de todas as atividades a eles relacionadas.

As Forças Armadas são instituições fundadoras da nacionalidade e do Estado Nacional e cumprem a dupla missão de defender e construir o País. Do programa nuclear ao nosso primeiro computador, da pesquisa espacial, indústria aeronáutica e defesa cibernética, as instituições armadas têm cumprido papel de vanguarda e pioneirismo. Cumprem missão humanitária socorrendo os índios e ribeirinhos da Amazônia ou as vítimas da seca no sertão nordestino sem perder o etos de organização de combate e de defesa da Pátria.

Portanto, é preciso valorizar e reconhecer as Forças Armadas brasileiras, seus feitos e seus heróis, seus valores, patriotismo e elevado espírito de generosidade e solidariedade para com a comunidade. Tal atitude deve ter sentido educativo para as crianças e para a juventude exposta ao ambiente de corrosão dos valores da nacionalidade com que convivemos no dia a dia.

A política ambiental deve refletir um real compromisso com o desenvolvimento sustentável do País, em vez de simplesmente se enquadrar em agendas formuladas por atores e interesses externos. Entre outras prioridades, deverá enfocar as deficiências em saneamento básico, disposição de lixo, ocupação irregular de áreas de risco, e a ampliação da infraestrutura de previsão e resposta a emergências causadas por fenômenos naturais.

Da mesma forma, é preciso uma urgente redefinição da política para as populações indígenas, compatibilizando-a com o direito de toda a população a uma evolução civilizatória digna, respeitando-se as suas tradições culturais e sua contribuição decisiva para a constituição da identidade nacional. Somente assim será possível assegurar-lhes uma integração gradativa à sociedade nacional, como cidadãos plenos e aptos a dispensar, eventualmente, a tutela permanente do Estado.

Alvo de pressões e cobiça internacional, a Amazônia clama por ações efetivas de controle e afirmação da soberania sobre seu imenso território, e por políticas públicos de estímulo e apoio ao seu desenvolvimento e de proteção de suas populações indígenas e ribeirinhas e da biodiversidade.

Nossa produção artística e cultural, em sintonia com os grandes movimentos da Nação, inventou o Brasil ao longo da sua história. É importante defender e promover o rico e variado patrimônio cultural da Nação brasileira, sua língua, suas tradições e múltiplas manifestações, sua criatividade e seu potencial de desenvolvimento econômico, enfrentando as práticas concentradoras e restritivas dos grandes conglomerados internacionais da mídia e da internet.

O Brasil deve promover e exaltar a participação da mulher na construção do País e reconhecer em nossas antepassadas indígenas, africanas e europeias relevante papel na constituição da Nação e na formação da identidade do povo brasileiro.

A luta sem trégua contra o preconceito racial no Brasil se impõe pela valorização da herança e contribuição africana na formação da cultura e da identidade nacional brasileira e pela celebração da mestiçagem como traço decisivo de nosso legado civilizatório. Devemos repudiar qualquer tentativa de se introduzir no Brasil modelos importados de sociedades que institucionalizaram o racismo em suas relações sociais.

O combate à corrupção deve ser um objetivo permanente da sociedade e do Estado, mas não se pode paralisar o País a pretexto de se eliminar um mal que é endêmico nas economias de todo o mundo.

O Brasil precisa voltar a crescer. Esta é a questão central. Não há como sanear as finanças públicas sem que a economia cresça e a arrecadação tributária aumente. Não há como se negar que o Brasil precisa de reformas que corrijam distorções, eliminem privilégios corporativos, facilitem a empregabilidade e o funcionamento da economia. Mas não haverá equilíbrio da Previdência se não houver emprego e arrecadação. Não haverá reforma que convença o empreendedor privado a investir se não houver perspectiva de demanda. E para o Brasil voltar a crescer, o primeiro consenso a ser alcançado é que todos se convençam disso. Nenhum homem ou mulher de boa vontade irá se opor a algum sacrifício se isso significar esperança para si e futuro para seus filhos. Mas todos precisam abrir mão de alguma coisa. São inaceitáveis reformas que descarreguem o peso do ajuste sobre os ombros dos mais fracos e protejam os interesses de grupos elitistas que concentram o patrimônio nacional.

O Brasil é um País rico, principalmente em recursos humanos. Se todos puderem compartilhar do desenvolvimento dessa riqueza ele será mais próspero e feliz. Ninguém é contra que os mais capazes e talentosos se enriqueçam. Ninguém é contra que quem empreenda tenha a justa recompensa pelo seu esforço. Mas o Brasil não precisa, não deve e não pode ser tão desigual. Esse é o grande acordo que precisa se estabelecer na sociedade brasileira. É em torno desse ideal transcendente de grandeza nacional e de justiça que devem se unir os brasileiros de todas as classes, profissões, origens, condições sociais e credos.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Um projeto de Brasil

Meu novo artigo semanal:


Em relação ao esgarçamento das estruturas republicanas, das mais fraturadas são aquelas que representam o voto popular, por onde a sociedade expressa, bem ou mal, a sua participação nas questões decisivas aos destinos do País.

Já o governo Temer, nascido de uma óbvia conspiração que envolve múltiplos interesses, incluindo a grande mídia hegemônica como agente proeminente, associada aos objetivos de rapina do capital financeiro, do rentismo parasitário, encontra-se absolutamente encurralado pelas suas próprias circunstâncias de ilegitimidade.

As agressões ao regime de Direito Democrático sempre foram uma constante ao longo dos vários períodos das instituições republicanas, inclusive durante esses vinte e oito anos da Nova República, após a promulgação da Constituição de 1988.

Quanto ao constitucional processo de impeachment do presidente da República, tem sido usado várias vezes, muito menos observada a letra da carta magna, e bem mais por razões particularistas de grupos políticos derrotados nos pleitos eleitorais presidenciais.

Criou-se uma cultura, no tecido social, na mídia hegemônica, de que a associação de fatores de natureza econômica, externa e ou interna, com dificuldades, menores ou mais graves, na base de sustentação dos governos são fatores justificáveis para a derrubada do governante.

Assim foi que entronizou-se o ilegítimo Temer, via um leque de poderosos grupos econômicos e políticos que não aceitaram, porque simplesmente não queriam, a reeleição da ex-Presidente.

Formou-se uma espécie de “jurisprudência política” de que qualquer mandatário pode ser apeado do poder conferido pelo voto popular, desde que as circunstâncias assim o permitam.

Carlos Lacerda, justiça se lhe faça, golpista contumaz, conspirador nato, fez escola na política nacional.

No século XXI essa anomalia antidemocrática agravou-se com a revolução midiática, as redes sociais e a alucinógena pós-verdade.

Com a sociedade fragmentada em tempestades de ódios, o País necessita, além da autoestima perdida, do sentimento democrático vilipendiado, de um projeto estratégico de desenvolvimento.

Do sentido elevado de nação e brasilidade, em uma gravíssima crise institucional fruto de crônicos males Históricos que se repetem, como esse golpe do Temer, contrários ao País, ao povo brasileiro.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

O entulho autoritário

Meu novo artigo semanal:


Rejeitado pela maioria dos brasileiros, quase 90% da população, o ilegítimo governo Temer transformou-se em um verdadeiro entulho autoritário, como se falava sobre os atos, legislações e decretos tirados da cartola pelo regime ditatorial, com o intuito de sobreviver à crescente impopularidade perante a opinião pública que o atingia.

Sim, porque o interino ocupante da cadeira presidencial sempre foi na verdade um preposto, ou um capataz, dos interesses de um poderoso consórcio corporativo que promoveu o golpe em curso no País, cujos objetivos centrais estão associados aos interesses do capital financeiro especulativo, do rentismo parasitário.

Associado a uma mídia hegemônica golpista, que já não é mais fonte de informação, mesmo que parcial, transformada no principal partido da nação, com poderes de tipo fascista, combinada ao processo espúrio da globalização do capital parasitário, de uma governança mundial de tipo neoliberal extremada e sectária, responsável, em grande parte, pelas tragédias econômicas, sociais e humanitárias que estão abalando os povos.

Venderam a ideia de que esse modelo corresponde ao novo estágio de uma economia planetária integrada. O que assistimos não é uma inserção da nação em uma economia global, mas a destruição dos pilares centrais das estruturas produtivas brasileiras, a rapinagem da capacidade produtiva erguida desde o governo Getúlio Vargas, que a possibilitou crescer como uma das maiores economias do planeta.

As reformas trabalhista e previdenciária, assalto aos direitos do povo brasileiro, não são reformas mas a entrega de filões aos grupos privados internacionais.

Desejam, através de um Estado de exceção de tipo policial, o que não conseguiram pela via eleitoral, especialmente no auge da doutrina neoliberal nos governos do ex-presidente FHC.

O governo Temer seria o instrumento dessas políticas antinacionais e antissociais, impossíveis de serem levadas a cabo nas circunstâncias de um regime democrático e pelas vias legais do voto popular. Mas a conspirata não deu certo e o governo Temer virou um tremendo lixo autoritário.

Assim é fundamental a constituição de uma ampla frente democrática, em defesa da nação, que supere a farsa golpista e reconduza o País aos caminhos de uma nação democrática, socialmente justa e soberana.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Espírito de Vichy

Meu novo artigo semanal:


Tropas nazistas alemãs marcham sobre Paris e franceses choram humilhados



A crise brasileira vai atingindo tal estágio que já ameaça o seu futuro como nação soberana. Até porque as fraturas econômicas, geopolíticas e institucionais são visíveis a olho nu, enquanto forças políticas resolvem tratá-las como elementos conjunturais, adotando táticas exclusivistas, só convenientes aos seus projetos eleitorais em 2018.

Essas rupturas estão abalando o tecido institucional, ao ponto de levar de roldão o País, na ausência de qualquer perspectiva, como uma nau desgovernada sem tripulação.

A História nos ensina sempre, através de inúmeros exemplos, que a primeira vítima, nesses casos, é o Estado de Direito democrático que já se encontra extremamente agredido.

Depois, sucede a tormenta econômica absoluta, em seguida o caos social, assim como a integridade da soberania sob ataques das grandes potências mundiais no saque das nossas riquezas naturais, além do surgimento de algum tresloucado aventureiro de ocasião.

Segmentos das grandes elites nativas guiam-se pelo espírito de Vichy, como afirmou o professor Mangabeira Unger, evocando as elites econômicas e políticas francesas na capitulação vergonhosa, criminosa, diante da Alemanha nazista durante a 2a Grande Guerra mundial.

Entregando a França de mão beijada às hordas hitleristas, salva pela indômita luta da Resistência Francesa, a altivez do general Charles De Gaulle, depois eleito presidente.

Mangabeira Unger diz que quem sempre se identificou, inveteradamente, com a nação, foi o Brasil real; ou seja, as grandes maiorias do povo trabalhador e mestiço, síntese, por aqui, do excepcional sincretismo, da rica fusão dos africanos, índios, portugueses notadamente, posteriormente incorporadas por outros imigrantes que para cá vieram, dizia Darcy Ribeiro.

O Brasil está dividido, sem norte, alento e autoestima, em consequência de uma pauta política de figuras com objetivos antinacionais, outros, movidos, exclusivamente, por agendas minoritárias. Não defendem os anseios das grandes maiorias do Brasil real, nem os interesses soberanos da nação.

Além de um governo Temer ilegítimo e profundamente impopular, com suas reformas antissociais, sua genética vocação entreguista. Nesse caos é fundamental construir uma alternativa política ampla, democrática e patriótica que possibilite reencontrar os rumos do País.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Os Sete Pilares

Meu novo artigo semanal:


Em um Oriente Médio conflagrado por disputas políticas, religiosas, econômicas e geopolíticas, insurgência de organizações fundamentalistas terroristas financiadas por algumas nações em função de disputas por lideranças regionais, mas manipuladas por interesses imperialistas, ressurge, como no passado colonial, a presença nefasta da diplomacia e dos serviços de inteligência britânicos.

Durante a 1a Grande Guerra mundial destacou-se como sofisticado agente do serviço secreto inglês Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como T. E. Lawrence que ficou mundialmente famoso com o filme Lawrence da Arábia na década de 60, conduzido pelo diretor inglês David Lean, ganhador de 7 Oscars da academia de cinema de Hollywood.

Apesar do grande sucesso de crítica e público, ótima interpretação do ator britânico Peter O’Toole, o filme, um clássico do cinema, lança mais estereótipos sobre os árabes, como um povo inculto, bárbaro e desorganizado.

Ignorando toda sua contribuição na engenharia, matemática, filosofia, astronomia, arquitetura, sem a qual o mundo ocidental levaria séculos para dominar princípios de civilização avançada, cultural e tecnológica.

Que o digam os povos da península Ibérica, os espanhóis e os portugueses, estes últimos grandes desbravadores na época das imortais aventuras das Descobertas Marítimas, que equivale hoje em dia às viagens espaciais, atualmente estagnadas.

Lawrence além de membro do serviço de inteligência era um excelente arqueólogo, linguista, geógrafo, poeta, escritor, pensador. Sua missão, unir os povos árabes na guerra contra o império turco otomano, depois fragmentados pelo colonialismo britânico, que o deixou amargurado.

Da sua experiência surgiu a obra prima “Os Sete Pilares da Sabedoria” que, a exemplo do chinês Sun Tzu, serve até hoje como livro de referência filosófica, militar, política e deveria ser lido nos dias sombrios da globalização financeira, especialmente no Brasil.

Diz Lawrence: “a experiência, a vivência, sem a reflexão, corre o risco de repetir-se, incorrendo-se nos mesmos erros. A reflexão é da ordem do intelecto, o pensamento sem ação é vazio, a ação sem pensamento é vã. Sensatez exige quase a anulação da emoção e a elevação do pensamento estratégico. Já o exercício da intuição também ajuda”. E por aí vai T. E. Lawrence.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Hora de grandeza

Meu novo artigo semanal:


Qualquer nação de certo porte e dimensão como o Brasil, que é a sétima economia mundial, com dimensões continentais e uma população de 210 milhões de habitantes, só pode alcançar um protagonismo baseado em amplos pactos políticos, que articulem consensos entre as maiorias da sociedade nacional.

A nação vive um doloroso processo de desorientação, com substancial perda de autoestima e identidade própria, fruto de uma crescente marcha de autoritarismo onde predominam os interesses do Mercado financeiro internacional, do rentismo parasitário.

A agenda de privatizações do patrimônio nacional e abate de históricas conquistas trabalhistas adquiridas há décadas tem sido um atestado das verdadeiras intenções de um Estado de exceção de tipo policial, cujas estratégias podem-se especular mas ainda não são de todo conhecidas.

Na História do Brasil, que é um verdadeiro milagre geopolítico, econômico e civilizacional, dadas as insistentes tentativas de desconstruí-lo, a superação dos impasses aconteceram quando forças políticas consequentes deixaram de lado, momentaneamente, a busca de vantagens políticas táticas e colocaram em primeiro plano os interesses nacionais.

Até porque na atual quadra da crise nacional inexistem saídas que contemplem uma única organização partidária, ao contrário, a criminalização da vida política leva de roldão todas as siglas para o fundo do poço, e é esse exatamente um dos objetivos daqueles alinhados à escalada autoritária em curso, sob a liderança do Mercado.

Dessa maneira, é fundamental um amplo pacto político que indique um outro rumo ao País através de um novo projeto nacional institucional e de desenvolvimento estratégico que reconfigure um novo ciclo da vida do País.

É evidente que se esgotou uma etapa da nação, inaugurada desde a promulgação da Constituição de 1988, que vem se arrastando num quadro de sucessivas crises, mostrando que a solução dos gravíssimos problemas não vão acontecer nos marcos do atual contexto da conjuntura brasileira.

Muito menos sob o predomínio das políticas econômicas do capital financeiro que hegemonizam há tempos a orientação econômica da nação, ou mesmo nas condições de um governo Temer ilegítimo e isolado da sociedade nacional. É hora de grandeza política em defesa da nação e da democracia, ameaçadas.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Dois Brasis

Meu novo artigo semanal:


Desde 2013 vem à tona uma grave crise multilateral que vive o País, especialmente com a eclosão das grandes manifestações de rua que tomaram conta da nação, incentivadas pela grande mídia monopolista associada do Mercado financeiro global.

Mas a seríssima crise política, que cresceu e avantajou-se desde lá, reflete também os crônicos problemas estruturais que se acumulam no Brasil, quer seja no âmbito da economia e todas suas variáveis, quanto nas graves questões sociais.

Assim, sem a perspectiva, por parte das elites políticas, de um caminho que contemple um projeto de nação abrangente, tanto em relação às grandes maiorias sociais quanto à resolução dos rumos essenciais, o País, fragilizado, com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, vê-se dividido, como dizia Machado de Assis, entre o Brasil oficial e o Brasil real.

O Brasil oficial compreende parcelas da população que se estendem das classes dominantes à classe média e mais alguns estratos esclarecidos, infelizmente descolados do Brasil real.

O País real é o Brasil profundo de quase 200 milhões de habitantes que, embora avaliados em pesquisas de opinião pública, continuam não sendo protagonistas das suas vidas, do seu destino político como cidadãos brasileiros, em uma nação profundamente desigual e socialmente injusta. Um dos fatores da crise atual é esse abismo entre as elites, em geral, e as verdadeiras aspirações do povo brasileiro.

Imerso em gravíssima crise econômica, à mercê dos interesses do capital financeiro internacional, do rentismo parasitário, dos objetivos das grandes potências, de um governo Temer sem qualquer legitimidade, a nação patina no limbo da desorientação pela ausência de um projeto factível que proponha rumos ao conjunto dos brasileiros.

A crise multilateral que vivemos resulta também da nova realidade geopolítica mundial, além das consequências danosas da globalização financeira que atingiu a nação em cheio em pouco mais de duas décadas, desnorteando a perspectiva dos povos, assim como o Brasil.

A crise política reflete essas enormes disfunções onde a incontornável e insubstituível luta democrática precisa ser associada a um novo projeto nacional de desenvolvimento estratégico que galvanize perspectivas e esperanças, tanto materiais como espirituais, para o povo brasileiro.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

O triunfo da emoção

Meu novo artigo semanal:


A crise brasileira já atingiu as raias do paroxismo. Ela não foi deflagrada agora, veio à tona em 2013 com as manifestações de rua, como tempestades de ansiedades difusas cobertas ao vivo por essa grande mídia global hegemônica que dá o tom da atual aventura autoritária.

E que foram denunciadas depois pelo ex-agente da NSA, serviço de espionagem dos EUA, Edward Snowden, como uma edição tupiniquim das “primaveras árabes” que desestabilizaram nações na região pautadas por interesses norte-americanos.

Mas quem se encontra por trás de todos os fatos desencadeados é um consórcio, que envolve além das estratégias hegemônicas dos EUA no Brasil, o monopólio midiático global.

A grande mídia, arquiteta das interpretações escatológicas da vida brasileira, ligada aos interesses do rentismo, associou-se a corporações que cresceram nos últimos anos graças à prática dum tipo de um falso republicanismo onde prevalece o esquartejamento do Estado, que se sobrepõe aos interesses estratégicos da nação.

E motivações explícitas vendem a ideia através do monopólio midiático, que o mal do País é a democracia, via campanha sistemática, de lavagem cerebral e fulminante contra a política.

Assim a democracia parlamentar, e todos os partidos, sem exceção, seriam o tumor maligno do País. Para isso contam com o concurso das forças retrógradas e grupos ultristas de vários matizes que soprados pela grande mídia dão o tom nas redes sociais.

É a tempestade perfeita: a atividade política seria então uma universidade de criminosos a ser extirpada da vida social, substituída pelo Mercado rentista, consórcios aliados e, no poder, um “insuspeito apolítico”.

A nação movida a surtos psicóticos de ódio é refém da máxima de propaganda explicitada no filme da cineasta Leni Riefenstahl, predileta do nazismo hitlerista, O Triunfo da Vontade: “a emoção deve se sobrepor à razão”.

Urge o esforço de amplas forças políticas num pacto que defenda o que ainda resta do Estado de Direito além da luta em defesa dos interesses nacionais, da soberania do País, solapados à luz do dia.

Com a nação à deriva impõem-se soluções democráticas e patrióticas, sem aventureirismos particularistas. O Brasil está à beira do precipício. Ou será o primado da vida democrática ou o triunfo fascista da emoção sobre a lucidez da razão.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O retorno à demência

Meu novo artigo semanal:


Mudaram as formas de comunicação através da revolução tecnológica mas, paradoxalmente, regredimos aos parâmetros políticos, sociais, institucionais, de décadas atrás. Na aparência a civilização atingiu novos patamares, mais sofisticados e civilizados. Mas só nas aparências.

O capital financeiro mundial passou a ditar como nunca os destinos dos povos e das nações.

A Europa encontra-se em grave crise onde é abundante a desorientação geral, o recurso à violência, o desemprego, a perda das Históricas conquistas trabalhistas dos cidadãos. Por lá continuam as vagas intermináveis de refugiados, vítimas da destruição de seus Países por meio das guerras, que não são provocadas por eles, mas fruto de intervenções das grandes potências em busca de riquezas naturais, que lhes pertencem, em seus territórios.

O terrorismo que assola a Europa é consequência de uma gama de fatores malignos e não por geração espontânea, brotada do nada ou como pretendem alguns: um choque de civilizações distintas.

A desertificação de Países, alguns de cultura milenar, em consequência dos saques de riquezas naturais ou motivos geomilitares estratégicos, explica a tragédia europeia e dos povos do Oriente Médio. O Papa Francisco tem sido uma voz lúcida na denúncia dessa diáspora criminosa.

Tudo isso em parceria com a grande mídia que já não é mais informativa, mesmo que parcial, é um verdadeiro condutor de propaganda do capital rentista e da desinformação dos povos.

A desorientação tem sido, quase, geral, onde forças políticas procuram algum sentido no caos, tal qual o demente Nero fazendo poesia com o incêndio de Roma por ele provocado.

Aqui, as coisas não são diferentes com o ilegítimo, interino presidente Michel Temer, que lembra o ator de filmes de terror Boris Karloff, com seus gestos manuais desconexos e a única coisa que o segura no poder: promover as reformas antinacionais, antipopulares, ao gosto da grande mídia, do Mercado financeiro.

Enquanto essa grande mídia impõe a agenda pós-moderna, corporativa, macarthista, politicamente correta, da pós-verdade, o brasileiro tem seus direitos elementares ameaçados, o País subtraído no papel de grande nação solidária no cenário internacional. Urge um projeto nacional, que una as grandes maiorias, e um novo rumo de desenvolvimento para o Brasil.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O grande órfão

Meu novo artigo semanal:


Rejeitado por 96% da população brasileira, o ilegítimo presidente interino Michel Temer continua na senda da sua única função, aprovar as reformas antinacionais e antipopulares no País.

O seu governo desastrado possui a condescendência e cumplicidade da grande mídia hegemônica nativa, uma das principais promotoras do Estado de Exceção que vivemos.

De tal maneira que desde algum tempo o Brasil é um País absolutamente à deriva, sem norte, sul, leste ou oeste.

Sem dúvida, essa é uma das maiores, senão a maior, crise política e institucional da nossa História. Que acontece no momento em que a nação alcançou o protagonismo como 7a economia mundial. Mas nada é por acaso.

Desde 2013 o País tem sido vítima de tempestades difusas, onde as redes sociais são usadas, a exemplo das famosas primaveras árabes, para a desestabilização do tecido social, fartamente denunciadas por Edward Snowden, ex-agente dos serviços de inteligência dos EUA.

O Brasil tem sido alvo preferencial do capital financeiro que compõe a chamada Governança Mundial, com as chamadas reformas previdenciária e trabalhista, quanto ao desmonte do parque industrial, agrícola, além das indústrias estratégicas de Defesa nacional.

Entre os objetivos do Mercado financeiro, das grandes potências, está a tentativa de impedir que a nação brasileira continue a ser um dos grandes protagonistas na emergência da nova ordem mundial multipolar.

Nesse sentido, tudo transformou-se em instrumento de desestabilização de qualquer forma de projeto nacional, com as instituições da República absolutamente sem rumo, numa visão corporativa das suas funções, destituídas assim de um caminho nacional.

Envolvida em uma discussão dicotômica, a política brasileira vê-se envolta num labirinto kafkaniano, em um processo propositalmente atabalhoado, onde não existe o sentido da identidade nacional que possibilite a união das grandes maiorias em torno de um projeto de desenvolvimento democrático estratégico do País.

Esse desnorteamento, a ausência de caminhos, é que faz com que o Brasil seja, por enquanto, o grande órfão global. Cabe aos segmentos progressistas, democráticos e patrióticos a reversão dessa desorientação proposital, no sentido de retomar o sentido Histórico de nação desenvolvida e solidária, que é o seu destino de grande País.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

A crise nacional

Meu novo artigo semanal:


A atual crise nacional possui múltiplas faces, política, econômica, social, institucional. Mas em todos esses aspectos encontra-se presente um elemento importante: a ausência de perspectivas em relação ao quadro em que nos encontramos.

A gravidade do cenário brasileiro combina elementos conjunturais e outros de natureza estrutural, indicando que um determinado ciclo está chegando ao fim, ou já se esgotou completamente.

Qualquer tentativa de saída desse imbróglio e que não tenha como pressuposto a centralidade dos interesses nacionais, ou está fadada ao fracasso ou, então, é o aprofundamento da política de subalternidade econômica, diplomática, geopolítica que nos foi imposta.

O ilegítimo governo de Temer, um dos mais impopulares de toda a História do País, com 96% de rejeição segundo vários institutos de pesquisa, é sabido por todos nunca foi em momento algum protagonista de coisa alguma, trata-se de figura menor, bizarra, de um golpe orquestrado contra a democracia, os interesses nacionais e os Históricos direitos dos assalariados brasileiros.

Seu único papel é conduzir as reformas antinacionais e antissociais como a Trabalhista, a da Previdência e outras iniciativas de caráter entreguista do patrimônio nacional como a Petrobrás etc.

Trata-se de governo servil aos ditames do Mercado financeiro, acumpliciado e ao mesmo tempo refém da grande mídia hegemônica nativa. Esta sim, uma articuladora de peso no golpe em curso no País como de resto tem sido a sua trajetória ao longo de décadas na vida política nacional.

Esse contexto golpista de retrocessos democráticos, econômicos e sociais dá-se em meio ao aprofundamento de uma crise financeira internacional e no País provocando a recessão e o desemprego em níveis já escancarados.

O golpe só poderia ter acontecido num cenário de profunda instabilidade dos fundamentos econômicos, sem o que seria impossível plantar uma crise política de tal magnitude no Brasil.

É vital a constituição, através da política, de ampla frente democrática, patriótica de reconstrução nacional. É de Albert Einstein a opinião: nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou. Para encontrar novas respostas é necessário aprender a ver o mundo de uma maneira nova. Assim é fundamental encontrar outro rumo para o País.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Questão de Grandeza

Meu novo artigo semanal:


Sejam quais forem as dimensões das manifestações de rua nesta sexta-feira, decorrentes da greve geral convocada pelos sindicatos e organizações populares contra as reformas do governo Temer, muito especialmente a trabalhista e a da Previdência Social, uma coisa é certa, ela já está sendo profundamente vitoriosa.

Primeiro porque tratam-se de conquistas sociais Históricas, várias delas adquiridas desde a revolução de 1930 nos governos de Getúlio Vargas, e apesar de agredidas em governos de feição neoliberal, como o de Fernando Henrique Cardoso, através de reformas inspiradas pelos interesses do Mercado financeiro, persistem ainda os fundamentos essenciais dos direitos dos assalariados do País.

Segundo, e em decorrência, a greve geral tem o apoio da mais ampla e esmagadora maioria da população brasileira, que repudia a tentativa real e concreta de surrupiarem, de forma escancarada e à luz do dia, os seus direitos sociais mais elementares.

Terceiro porque a luta contra as reformas antipopulares do ilegítimo governo de Michel Temer possui um apoio maciço proporcional à espetacular rejeição ao seu governo, ou seja, mais de 96% da população.

E de nada adianta o apoio a essas reformas grotescas da parte do primeiro-ministro da Espanha Mariano Rajoy, dizendo que foram feitas reformas iguais por lá e que foram um sucesso.

Não para o povo espanhol, que amarga uma taxa de desemprego brutal onde mais de 40% da população jovem com idade de trabalho encontra-se desempregada, além de sofrer tremendas perdas em conquistas do Estado social desmantelado na Espanha.

Situação igual está sendo preparada aos franceses. Articularam um candidato bem vestido e jovem, Macron, construíram para ele um partido político, um cenário eleitoral ideal e desejam presenteá-lo com o poder. Trata-se porém de um legítimo banqueiro, candidato dos banqueiros e do Mercado financeiro.

Já o ilegítimo Temer é igualmente um representante do Mercado rentista e da grande mídia associada aos financistas. Sua única tarefa é conduzir as reformas antinacionais e antipopulares.

Assim é preciso canalizar a insatisfação ao governo Temer na articulação de uma ampla frente democrática e patriótica em defesa da nação e do povo brasileiro. Esse é o desafio, o tamanho da Grandeza que se impõe à luta política em curso.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Tempus fugit

Meu novo artigo semanal:


A prolongada crise nacional vai atingindo múltiplos aspectos da sociedade brasileira e nada indica que nesse rumo, ou na absoluta falta dele, as coisas vão chegar a um bom termo.

No plano econômico, mesmo com o denodado esforço da grande mídia hegemônica, a contínua queda dos indicadores econômicos aponta no sentido do agravamento da recessão, aumento galopante do desemprego, além do processo estrutural da desindustrialização do País.

No aspecto institucional, o que se observa é a afirmação de uma espécie de novo tipo de fascismo adequado às características e exigências do Mercado financeiro, e das oportunidades que usufruem as grandes empresas estrangeiras com o desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado.

No campo social são evidentes as ameaças, e concretizações destas, às Históricas conquistas trabalhistas adquiridas desde a revolução de 1930. De outro lado, tramitam no Congresso Nacional projetos que ameaçam a soberania e integridade nacional, como a venda criminosa de terras a grandes grupos estrangeiros, incluindo a Amazônia brasileira.

A nação já não vive um clima de legalidade democrática, encontra-se sob um verdadeiro Estado de Exceção, onde o poder executivo, a presidência da República, vítima de golpe de mão, não representa qualquer segmento da sociedade nacional, salvo os interesses do capital rentista, da mídia golpista e de aventureiros de ocasião cujos anseios estão a anos luz da grandeza que a nação exige.

O Congresso Nacional, salvo louváveis exceções já conhecidas, vai à deriva, abatido por si próprio tanto como pelos ataques cirúrgicos da grande mídia hegemônica, uma das protagonistas do golpe de Estado.

O açoitamento da política, caminho da participação social nos rumos do País, tem sido uma constante por essa mesma grande mídia hegemônica, que é recorrente na prática de arranjos autoritários para o País, como nos tempos atuais.

Por isso, tempus fugit: o tempo voa para que os democratas, patriotas e progressistas constituam um amplo pacto político, com intensa participação de variadas camadas sociais, que enseje a reconstrução nacional, a integridade do País, assegure os direitos trabalhistas dos cidadãos, aponte um novo rumo para a economia e o desenvolvimento, antes que alguma figura delirante empalme os destinos do Brasil.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O novo século

Meu novo artigo semanal:


O que acontece atualmente com o Brasil, com o golpe de Estado que entronizou no poder Michel Temer, é reflexo direto de uma encarniçada batalha geopolítica em curso.

O País é a 7a economia mundial e não chegou a tal escala de crescimento através de geração espontânea, como a falsa teoria de Lamarck, mas graças à condição peculiar de nação continental, detentora de múltiplas riquezas naturais como o petróleo, além de várias outras estratégicas como o Nióbio etc.

Possui imensa riqueza em águas, como a reserva aquífera da Amazônia, a maior do mundo. Uma situação geopolítica que o define, junto com suas dimensões geográficas, como um dos principais atores no atual tabuleiro de xadrez da arquitetura mundial.

Na verdade, há várias décadas o Brasil deixou de ser o País do futuro, definido pelo escritor austríaco Stefan Zweig, que aqui se exilou fugindo do nazismo na Europa.

Após a 2a Guerra Mundial a nação passou a trilhar, com idas e vindas, avanços e retrocessos, um protagonismo crescente, adquiriu sofisticada estrutura com quadros nos mais diversos estamentos do aparato estatal.

A economia brasileira foi atingindo, apesar dos percalços, a dimensão atual, e o caminho do desenvolvimento nacional mesclou a associação dos setores público e privado, característico dos Países em desenvolvimento.

No século XX, o século norte-americano, o Brasil não só sobreviveu às agruras da ação intervencionista dos EUA como chegou ao patamar que o define hoje como um dos integrantes dos BRICS. E a tendência de tornar-se em 2050 a 5a economia mundial, apesar das abissais desigualdades sociais, enorme déficit em infraestrutura etc.

Já disseram: se você controla o petróleo controla as nações... se controla o dinheiro controla o mundo.

O século XXI é o século do poder do Mercado financeiro global, da decadência agressiva dos EUA. Mas também da emergência geopolítica multipolar onde o Brasil é protagonista de nível médio.

O golpe de Estado, além de antidemocrático, tem a intenção de desconstruir a cadeia produtiva nacional, privada e estatal, pretende a subalternidade da nação frente às suas imensas possibilidades de ator geopolítico, de interlocutor progressista num mundo em rápida transformação. Por isso a necessidade de uma frente patriótica e democrática em defesa da reconstrução da nação.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Desenvolvimento e democracia

Meu novo artigo semanal:


O desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado, vem abatendo de chofre dezenas de milhares de postos de trabalho, muitos dos quais altamente qualificados, e atingiu no alvo a capacidade competitiva do País, provocando o desemprego generalizado como decorrência direta.

A nação vive uma onda autoritária seletiva que já é impossível escamoteá-la, em um brutal retrocesso que ameaça os valores democráticos mais elementares da sociedade.

Promove-se através de um governo profundamente ilegítimo, de Michel Temer, entronizado no poder via golpe de Estado, a desconstrução de Históricas conquistas trabalhistas.

Reformas como a da Previdência, a Trabalhista, atendem aos objetivos do capital especulativo e visam a privatização de setores fundamentais aos direitos dos assalariados brasileiros.

Assim o governo ilegítimo, com o apoio da grande mídia associada aos objetivos do Mercado rentista, que lucra espetacularmente com a crise nacional, comanda uma espécie de recolonização pós-modernosa da nação.

Ao tempo em que essa grande mídia-empresa oligopolizada, braço ideológico do Mercado Financeiro, propaga uma agenda substitutiva aos verdadeiros interesses nacionais, incitam pelos seus principais órgãos e pelas redes sociais, quase que diariamente, tempestades de intolerâncias e ódio com o objetivo claro de solapar a unidade das grandes maiorias do povo brasileiro.

A política econômica governamental, sob a falsa premissa de combate à inflação, encetada pelo governo ilegítimo, tem sido o eixo basilar de uma escalada recessiva que vai levando a nação ao fundo do poço alimentando os cofres do capital especulativo, os aventureiros rentistas em busca de lucros fabulosos e a curto prazo.

A criminalização da política, única via da participação popular nos destinos do país, é prova da aventura autoritária institucional galopante a que assistimos contra os princípios mais elementares da legalidade democrática. Já o Congresso Nacional encontra-se em séria crise de credibilidade.

Os vetores desse imbróglio rumam para um impasse imprevisível. Assim é vital a constituição de ampla frente patriótica, democrática, de reconstrução nacional, que assegure os direitos sociais, todos eles ameaçados. E retome, sob um novo pacto político, mais avançado, o desenvolvimento do Brasil.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Defesa da nação

Meu novo artigo semanal:


Ao final da Segunda Guerra mundial a humanidade viu-se frente a uma bipolarização global. De um lado um grande campo político, militar, territorial, que se estendia das imensidões da Ásia até grandes regiões da Europa Oriental e Central, sob a liderança da extinta União Soviética.

De outro lado, encontravam-se os Estados Unidos, que extremamente fortalecidos assumiam o papel de guardiães do sistema capitalista, “líder” do chamado mundo ocidental, já que as antigas potências coloniais, ou neocoloniais, praticamente ruíram após 1945.

O que sobrou de imponente do antigo passado colonial transformou-se em estertores decadentes de uma época, onde o maior exemplo foi o grande império britânico, o qual costumava afirmar “que nele o sol nunca se punha” porque sempre havia em qualquer rincão da Terra um pequeno ou grande território com a bandeira tremulando, representando os domínios de “Sua Majestade”.

Com a debacle da URSS, e o surgimento da unipolaridade mundial, a hegemonia dos Estados Unidos sobre os povos foi quase absoluta, a humanidade viu-se numa quadra de guerras intervencionistas que ainda persistem, apesar da reconfiguração geopolítica para um cenário de multilateralidade global.

A crise estrutural capitalista de 2008 provocou abalos no planeta, mudou a face da economia e da sociedade norte-americana, em clara decadência, indicou uma viragem geopolítica intensa e evidenciou os tentáculos do capital rentista com sua governança mundial sem território específico ou bandeira.

Os povos convivem com os malefícios imperiais dos EUA, em estado de exaustão, mas enfrentam um poderoso adversário, o capital especulativo, as instituições globais por ele cooptadas, sua mídia hegemônica. Embora cada vez mais contestado pelas sociedades, inclusive pela via eleitoral.

O golpe de Estado no Brasil, com Michel Temer no poder, a sistemática criminalização da vida política, o autoritarismo ululante, a destruição do parque produtivo nacional, público e privado, o desmantelamento dos Históricos direitos trabalhistas. Tudo isso faz parte da ofensiva do capital rentista, pirata e insaciável.

É essencial a formação de uma frente nacional e democrática em favor do País, de suas riquezas ameaçadas, contra o abate implacável das conquistas sociais, a tenaz defesa do Estado brasileiro.

terça-feira, 21 de março de 2017

Alvo em movimento

Meu novo artigo semanal:


O recente protagonismo do Brasil na geopolítica internacional iniciou, a grosso modo, com a modernização efetivada pela revolução de 1930 sob a liderança de Getúlio Vargas.

Que implantou além das leis trabalhistas, a CLT, a criação das indústrias de base decisivas ao impulso industrial do País.

Esforço que implicou na visão dos interesses nacionais. Durante a Segunda Guerra mundial Vargas, com a iminência do País em combate na Europa, firmou um pacto com os EUA, uma ponte aérea militar entre Natal, Rio Grande do Norte, e Dakar, na África. Em tremenda luta dos povos contra o nazifascismo.

A contrapartida americana foi o apoio à construção da Siderúrgica de Volta Redonda, e outros projetos.

Visando a soberania nacional, Getúlio exigiu a desativação das bases militares dos EUA ao final da guerra, especialmente no Nordeste como, por exemplo, os esquadrões aéreos de caça a submarinos alemães que infestavam o Atlântico Sul afundando navios de carga e passageiros.

O que indica autoridade política, estadismo, que surgem às nações em ocasiões estelares, dizia Stefan Zweig.

Juscelino impulsionou a economia nacional com a indústria automotora, cumpriu o sonho da interiorização estratégica do País com a fundação de Brasília.

Enfrentou adversários que pretendiam o País mero exportador de produtos agrícolas in natura, atrasado.

O Brasil, incluindo também as gestões do presidente Lula e Dilma Rousseff, acumulou conhecimento, tecnologia, a participação de empresas brasileiras estatais e privadas no comércio exterior.

Com o golpe de Temer, e o argumento do combate à corrupção, o País encontra-se sob virulenta ação do Mercado financeiro, de potências mundiais, da grande mídia, com o objetivo de sustar seu protagonismo como liderança global de porte médio.

Dificultar investimentos estratégicos em educação, saúde, infraestrutura, a superação das desigualdades sociais Históricas, além de abater os direitos trabalhistas, privatizar as empresas estatais, aniquilar setores privados, todos fundamentais à condição de ator internacional.

Como dizem Lourdes Casanova e Julian Kassum em recente publicação: o Brasil é hoje um alvo em movimento. Portanto, cabe a defesa da nação, sua originalidade cultural e civilizacional, o direito de um lugar ao sol entre os povos, a legitimidade democrática.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Brasil e Mercado

Meu novo artigo semanal:


O processo de acumulação do capital parasitário atingiu uma dimensão nunca vista antes.

Fez-se uma inaudita destruição dos direitos dos povos, das identidades culturais das nações, a desqualificação das elevadas conquistas e valores da humanidade ao longo dos séculos.

Constituíram-se acima do espírito do Direto, convenções internacionais, uma Governança Mundial onde o Mercado incorporou organizações globais e a grande mídia, tornando-as associadas aos seus objetivos de acumulação parasitária.

Um poder gigantesco, difícil de ser nomeado, sem fronteiras, bandeira ou território, mas que exerce uma ditadura econômica, ideológica sem precedentes.

Boa parte das políticas internacionais, e das nações, dão-se através de personalidades públicas, ou grupos partidários, que foram cooptados ou aderiram às estratégias do capital rentista.

Aos olhos dos povos tornou-se difícil distinguir matizes programáticas antes óbvias, salvo determinadas posições sobre assuntos pontuais que não ameaçam a hegemonia do capital rentista e às vezes fazem parte da sua “agenda social global”.

Mas é crescente a insubordinação mundial contra os efeitos terríveis da globalização financeira, como agora no Brasil vítima de um golpe que “emponderou” o governo Temer sob a proteção da grande mídia e estamentos identificados com o Mercado.

Que desejam criminalizar a única forma da sociedade participar dos destinos da nação, a via política democrática, assim como as conquistas sociais, trabalhistas, promover o desmonte estatal e privado, anular o protagonismo do País conquistado em décadas, como liderança global de porte médio.

Estudo divulgado no El País, maior jornal espanhol, indica que o Brasil em 2050 será a quinta economia global depois da China, Índia, EUA, Indonésia, pela ordem.

É uma conclusão que provoca insônia entre as nações mais ricas, ou seja, das grandes economias quatro delas serão de Países emergentes em poucos anos, inclusive o Brasil.

Assim, por posição estratégica, extensão continental, imensas riquezas, população, capacidade industrial, originalidade civilizacional e cultural, é certo constatar que a onda autoritária, antinacional que vivemos é temporária, menor que o País e o seu futuro, desde que tenhamos como norte a centralidade da questão nacional e os direitos do povo brasileiro.

quinta-feira, 9 de março de 2017

O que está em jogo

Meu novo artigo semanal:


É impossível entender o que acontece no Brasil se abstrairmos a geopolítica global, o processo de desconstrução de alguma coisa parecida com um projeto de Estado e a centralidade da questão nacional.

Porque o que se vem intentando é a total submissão do País ao Mercado financeiro, aos interesses estratégicos do EUA, por mais complicado que seja após as eleições presidenciais norte-americanas.

Além do alinhamento incondicional à ortodoxia neoliberal, que já não é praticada sequer nos EUA, grande parcela das elites brasileiras formada numa visão de subalternidade e dependência da nação, adotaram a política de completa subordinação ao capital financeiro, ao rentismo mundial.

O que assistimos no Brasil desde 2013 tem sido uma cortina de fumaça, com o apoio da grande mídia empresa associada ao Mercado financeiro, com o objetivo de sustar o ativo papel do Brasil nas relações multilaterais, no teatro da geopolítica mundial.

Para tanto fabricou-se uma “revolução colorida” como as que foram encetadas em várias partes do mundo, adequada às particularidades de um País de dimensões continentais, com um parque industrial complexo, uma população que supera duzentos milhões de habitantes, uma massa crítica intelectual desenvolvida, riquezas naturais imensas.

Busca-se retroceder o protagonismo do País, construído em décadas, a modernização implementada nas conquistas sociais do trabalhadores, destruir o parque industrial, comercial, empresarial, seja estatal, como a Petrobras, ou privado, desde que tenha relevância interna ou mundial.

A fragmentação do tecido social fomentada por tempestades de ódios difusos é uma rotina numa época em que é decisiva ampla unidade contra a globalização financeira neoliberal.

O Mercado vem procurando demonizar a crescente insubordinação dos povos contra as catastróficas resultantes da globalização financeira, da acumulação rentista em escala nunca antes vista, além da bancarrota dos Estados nações e respectivas sociedades.

À oposição ao governo Temer, e tudo que ele representa econômica, social, politicamente, também é essencial o combate aos que desejam conduzir o País à total subalternidade econômica e geopolítica. É fundamental ao povo brasileiro a união em torno de um projeto nacional, democrático de desenvolvimento estratégico e soberano.

sexta-feira, 3 de março de 2017

A crise da crise

Meu novo artigo semanal:


Uma das maiores neuras, na atualidade, da grande mídia hegemônica nativa, além da profunda crise que corrói o governo Temer, é a onda de notícias falsas divulgadas nas redes sociais.

Em relação às noticias falsas, fake em inglês, idioma que tem avançado tremendamente nos últimos anos sobre o patrimônio linguístico e riquíssimo do português brasileiro, dizia o escritor prêmio Nobel de literatura José Saramago, esse assunto, o dos fakes, tem mexido com os nervos da grande mídia empresa monopolista.

A grande mídia está perdendo o protagonismo de criar suas próprias versões sobre os rumos do País. Sim, porque o monopólio midiático associado ao Mercado financeiro deixou de ser imprensa que informa, mesmo que parcial e de grupos.

Essa mesma mídia passou a ser um dos centros definidores de poder no Brasil. Mas as notícias falsas, ou fakes, plantadas nas redes sociais por robôs digitais, estão se transformando em sérios concorrentes ao seu papel ideológico onipresente que produz suas próprias realidades. O feitiço volta-se contra o feiticeiro.

Já se disse que na luta pelo poder em tempo real, e não virtual, em qualquer parte do mundo, uns ganham e outros perdem. E quando algum campo político perde é porque outros atores ganharam, já que nos jogos de poder não há variações ilimitadas.

Com a deposição da presidente Dilma através de articulação do monopólio da informação, do Mercado financeiro, grupos adversários do patrimônio nacional, entronizaram no poder Michel Temer que adotou política econômica, desmonte das conquistas trabalhistas, catastróficas, diluvianas.

Rejeitado em grandes manifestações de rua que pipocaram no carnaval, o governo Temer transformou-se numa ponte para o caos, o nada. Há sinais de que o Mercado, grupos políticos, a grande mídia, desejam descartá-lo. Só não sabem exatamente como substituí-lo e por quem. Ainda.

O País que vive grave quadra institucional, econômica, social, entra em novos dias turbulentos. A crise dos poderes da República é dramática. Uma nação continental com imensas riquezas, vasto potencial industrial perigosamente à deriva.

Urge uma frente política ampla que aglutine as grandes maiorias sociais em torno de um projeto nacional de desenvolvimento estratégico, democrático e soberano que reverta o cenário em que se encontra a nação.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Pós-verdade

Meu novo artigo semanal:


Um dos fenômenos mais lúgubres destes tempos atuais é a onda da chamada pós-verdade cultuada como uma nova manifestação do pensamento humano.

A pós-verdade é porém a relativização da realidade objetiva em todos os sentidos, circunstâncias e em qualquer aspecto.

Mas, no entanto, trata-se de um conceito que tem origem e propósito definido, reflete uma tendência imposta através da hegemonia das ideias pela grande mídia empresa, intimamente associada ao mercado financeiro global.

Um dos maiores difusores da pós-verdade tem sido o megaespeculador do Mercado financeiro George Soros com o livro “A Era da Falibilidade” e fundações como a Open Society que agem abertamente contra a soberania dos povos via chamadas “Revoluções Coloridas”.

Para quem nada é real e tudo é permeável a qualquer “verdade” conforme o gosto e o interesse de grupos. Porém quem determina efetivamente o que deve ser e o que interessa ser relativo, posto em múltiplas dúvidas, onde jamais se chega a conclusão nenhuma, é o grande centro difusor ideológico de uma ditadura do pensamento único, ligado a uma governança mundial do capital financeiro.

De certa maneira é um desdobramento invertido do conceito de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, que dizia: é preciso repetir uma mentira de forma tão exaustiva e intensamente que ela se transforme em realidade junto à opinião pública.

A pós-verdade é a prevalência das “tempestades de emoções turbinadas” na análise dos fenômenos sociais e políticos, em detrimento da realidade objetiva, ou seja, todos têm razão e ao mesmo tempo a verdade não se encontraria em lugar nenhum.

Assim a confusão geral semeia e permite o exercício da hegemonia do poder pelo capital financeiro, o Mercado.

Já ao Brasil atual de Temer, que se encontra à deriva, noves fora pós-verdades viralizadas diuturnamente em todas as mídias, a única alternativa à grave crise política e econômica, estrutural, é a constituição de um projeto estratégico de desenvolvimento com base democrática, no protagonismo do Estado nacional e a união das grandes maiorias sociais.

Os Países de porte continental como o nosso, riquezas materiais abundantes, vasto lastro cultural, papel geopolítico Histórico, que constroem uma política soberana, estão trilhando essa opção incontornável. Não há outro caminho.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Cenário crítico

Meu novo artigo semanal:


Mergulhado em uma crise política gravíssima o País vê-se às voltas com uma estratégia econômica conscientemente recessiva cuja justificativa central, alegam, tem sido manter a inflação em baixa.

Com isso aprofunda-se a paralisia do desenvolvimento nacional, avança o desemprego e surgem os óbvios sinais de uma séria crise social que já se reflete na situação dramática da segurança pública nos Estados da federação.

Mas esse cenário deve se alastrar, infelizmente, para outros setores como saúde pública e educação, a paralisia nos investimentos em projetos de infraestrutura etc., em decorrência da aplicação pelo governo federal de uma política econômica conservadora e neoliberal cujas consequências em todo mundo mostram-se catastróficas e repudiadas por todos os lados.

Na verdade aplica-se a linha econômica dos governos Fernando Henrique Cardoso mas em um contexto histórico muito mais dramático, numa crise estrutural global e sistêmica do capitalismo iniciada em 2008 nos Estados Unidos e que depois alastrou-se pelo mundo.

Sem estratégias de qualquer espécie, o Brasil encontra-se como uma nau a vela dos tempos antigos: paralisada em meio a uma escassez de ventos que a impulsionem. A única coisa em movimento é a remuneração do capital financeiro que apresenta lucros recordes nos balanços publicados.

Sem protagonismo geopolítico regional ou global o Brasil vive um estado de torpor. Mostra-se em processo de regressão, de catatonia política.

As linhas monetaristas adotadas pelo governo Temer assemelham-se às do início do período das políticas neoliberais da década de 70 do século passado, das iniciativas neoliberais do presidente Ronald Reagan e da primeira ministra britânica Margaret Thatcher.

Mesmo assim mostram-se farsescas, como se fossem réplicas do auge das linhas gerais do liberalismo recauchutado que pontuou o final do século XX.

Onde se proclamava, hegemonicamente, através dessa mesma grande mídia atual, que a economia resolve por si própria todas as questões. Quem atrapalha é a intervenção do Estado nas relações institucionais ou nas políticas financeiras.

Como disse André Araújo “estão praticando um economês de quitanda... vamos chegar ao pico da crise com uma inflação na meta e a nação em crise social, à beira da guerra civil. Exemplo de miséria em País rico”.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

A crise

Meu novo artigo semanal:


As informações demonstram que a economia global pode estar se aproximando de um novo e mais elevado estágio da crise financeira mundial.

Os setores dinâmicos da produção, como a indústria, continuam em forte processo de estagnação, enquanto os ativos monetários estão sendo usados para socorrer os bancos, especialmente aqueles na área de “investimentos”, o que vale dizer para aplicações financeiras de curto prazo, do capital rentista.

O Brasil, assim como a América Latina, vem sendo conduzido a um novo estágio de subalternidade em sua dinâmica econômica, a partir de uma orientação política para esse fim que é, em última instância, quem na verdade dá os rumos ao processo econômico em qualquer País do mundo.

Enquanto em meio a essa crise global assistimos, desde 2008, novos jogos de guerra com invasões armadas, especialmente pelos Estados Unidos, cujos objetivos mais evidentes são a disputa por matérias primas, destacadamente o petróleo, a ocupação de espaços geopolíticos, há uma uma nova reconfiguração internacional rumo à multipolaridade que caminha a passos mais rápidos que se imaginava há alguns anos atrás.

Mesmo com os incentivos ao complexo industrial militar durante as últimas administrações da Casa Branca, de Clinton à família Bush, passando ao governo Obama, a economia dos Estados Unidos continua em situação catastrófica apesar dos intensos esforços dos comentaristas econômicos da grande mídia associada ao capital financeiro.

Mas o fato é que torna-se óbvio o enfraquecimento da economia dos EUA na medida que seu déficit na balança comercial atinge, desde 2000, 8,6 trilhões de dólares, sendo que o total chega a 10,5 trilhões de dólares.

Não há como entender as últimas eleições presidenciais norte-americanas, abstraindo a decadência industrial, o desemprego em massa, casas hipotecadas, a desesperança do cidadão comum dos EUA.

Ao tempo em que a Europa patina num caos político imprevisível, o Brasil atravessa grave crise multilateral com a hegemonia das políticas neoliberais do Mercado no País.

É um cenário assemelhado à crise capitalista de 1929, a ascensão nazifascista, a carnificina da 2a Guerra Mundial. Assim, para nós brasileiros é fundamental a retomada da economia produtiva, a defesa intransigente da paz, das liberdades democráticas e da soberania nacional.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Rumos

Meu novo artigo semanal:


O cientista político Mangabeira Unger disse, criticamente, em entrevista à BBC de Londres que o Brasil é hoje o País no mundo mais parecido com os Estados Unidos. Talvez tenha razão.

Mas essa “semelhança” não vem de algum plebiscito ou consulta aos cidadãos e cidadãs nacionais.

Pode refletir em primeiro lugar a ação avassaladora do Mercado sobre o imaginário da sociedade, principalmente através da grande mídia hegemônica nativa, associada ao capital financeiro e papel carbono do discurso ideológico que os ventos trazem da grande potência do Norte.

Já não há mais os déspotas insanos na América Latina apoiados pelos EUA, que proliferaram durante décadas no século XX como o sanguinário ditador Maximiliano Hernandez Martínez de El Salvador que, segundo testemunho de Gabriel Garcia Márquez, possuía pendores teosóficos além do defeito mais notável de ser inteiramente louco. Certa vez resolveu combater uma epidemia de sarampo cobrindo as luzes dos postes com papel celofane.

Ou como o médico François Duvalier, tirano do Haiti que governou aquele País com mão de ferro e seus Tontons Macutes (bicho papão em português) terrível polícia secreta que assassinou 60 mil opositores nessa heroica ilha devastada pela exploração dos homens e a má sorte com a natureza.

Nas décadas de 60 e 70 os EUA incitaram intervenções na América Latina de consequências trágicas em nome do combate ao comunismo durante a Guerra Fria.

Hoje os Estados Unidos mudaram o foco central para a África e o Oriente Médio promovendo guerras fratricidas, acarretando milhões de refugiados rumo às praias europeias, e grupos terroristas que agem por lá.

No Brasil atual as imposições dos EUA e do Mercado financeiro são mais sutis e mais eficientes porque através da hegemonia da grande mídia propaga a ditadura do pensamento único do Mercado global.

Já se disse, o Brasil precisa definir o que quer ser, e para isso necessita de um projeto nacional que una as maiorias da sociedade, supere os surtos autoritários que vivemos, à mercê de ingerências nativas, externas, contra a democracia e os interesses do povo brasileiro.

Realidade que beira ao limite da irracionalidade, do caos profundo, e sem rumos. Só será superada com o concurso de lideranças que pensem mais no País do que em justificáveis projetos pessoais ou de grupos afins.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

O Brasil

Meu novo artigo semanal:


Estamos diante de um quadro de crise geral, agravada pelas políticas recessionistas do governo Temer de ajustes fiscais, paralisia da atividade econômica, gerando até o momento 13 milhões de desempregados, empresas quebradas, desespero de famílias etc.

Tudo para trazer a inflação para “dentro da meta”, favorecer os rentistas enquanto o País avança a passos acelerados para o fundo do poço, já que ainda não chegamos lá.

Além disso o governo aumenta o sacrifício no mundo do trabalho modificando ferozmente as regras previdenciárias, aumentando a contribuição previdenciária, a idade mínima para as aposentadorias, sem falar nas iniciativas de vender empresas que representam patrimônio do Estado nacional.

Sabe-se igualmente que o objetivo é o desmantelamento do sistema público de saúde, a brutal precarização das conquistas trabalhistas adquiridas ao longo de muitas lutas, encetadas por governos nacional desenvolvimentistas cuja referência mais emblemática foi o período da revolução de 1930 com Getúlio Vargas e daí por diante.

Como afirma corretamente o empresário, escritor, analista de economia e política André Araújo, a gestão Temer sobressai pela adoção de um curso vicioso, jamais de uma estratégia econômica virtuosa.

Cuja linha assemelha-se à adotada pelos burocratas na União Europeia com trágico retrocesso econômico, social, industrial, para beneficiar a banca financeira ávida de mais lucros em época de crise.

É visão tão superada que nem os Estados Unidos continuam a adotá-la após a bancarrota do crash de 2008 que levou o mundo à pior debacle sistêmica desde a grande crise de 1929-1930. Temer além de subserviente, sua orientação é tão retrógrada que chega a ser mais realista que o rei. Só é útil ao rentismo e ponto.

A globalização que sofre a contestação efetiva em todo mundo já provou que só serve para enriquecer 1% de biliardários e levar à miséria os povos. Como se disse, é o único argumento pró globalização que resiste, noves fora a “bolha autista” e reacionária da grande mídia-empresa global associada ao Mercado.

O Brasil precisa seguir a linha da economia viva, dinâmica, produtiva, valorização do trabalho, a criatividade singular do seu povo, reconstruir a unidade social defenestrada por manobras geopolíticas desestabilizadoras, reafirmar a soberania ameaçada.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Aldeia global

Meu novo artigo semanal:


A revolução tecnológica aproximou as pessoas de tal maneira que os indivíduos percebem que o mundo ficou mais próximo. É como se houvesse sido realizada a profecia de Marshall McLuhan, guru da comunicação dos anos sessenta que vislumbrou o planeta como uma grande aldeia global.

O interessante é que seus adeptos eram, na época, rebeldes contra o sistema, desejavam mudar as sociedades. Talvez não fosse isso que o “profeta” queria dizer com suas ideias e palestras que reuniam multidões.

De fato a sua profecia aconteceu mas não no espírito que hoje nos pretendem vender, porque essa comunidade planetária de cidadãos encontra-se a serviço de uma acumulação financeira jamais vista na História da humanidade.

Primeiro porque essa tal de “aldeia global” não é de cidadãos livres com iguais direitos e deveres. Há uma efetiva hegemonia, mantida a ferro e fogo, especialmente por um império, imposta de todas as formas imagináveis a determinar o que é politicamente correto aos povos do mundo.

A ONG inglesa Oxfam diz que 1% de mega-bilionários detêm 99% da fortuna mundial, uma acumulação da riqueza inédita. Em resumo, da aldeia global gestou-se a globalização não da cidadania mas do capital financeiro, a ditadura feroz do Mercado rentista.

Umbilicalmente associada ao rentismo encontra-se a grande mídia-empresa global, cuja função essencial é o domínio absoluto do discurso sobre os fatos e acontecimentos, desprovida do papel da informação, mesmo que parcial ou de grupos. Cabe a ela declarar diuturnamente a morte das ideologias, com exceção de uma: a ideologia do grande capital, do Mercado financeiro.

Assim, por todos os cantos é o Mercado quem promove os golpes e as “primaveras coloridas” contra as nações que por desejo de autodeterminação pretendem constituir seus próprios caminhos como é o caso do Brasil.

Trata-se de uma governança mundial sob a guarda pretoriana dos EUA, agora em pânico com a eleição presidencial de um bilionário “outsider”, não indicado por Wall Street, totalmente imprevisível.

O ex-presidente dos EUA Franklin Roosevelt afirmava: “ser governado pelo dinheiro organizado é igual ou pior do que ser governado pelo crime organizado”. Mas o mundo vive tempos de resistência e transformações a olhos vistos. O Brasil precisa encontrar seu rumo nesse novo cenário global.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

O Mercado

Meu novo artigo semanal:


Apesar de explícita, a olho nu, a crise da Nova Ordem mundial sob a predominância do capital financeirizado de tipo neoliberal, continua a hegemonia das políticas do Mercado sobre as nações e os povos do planeta.

A decadência das diretivas de um brutal processo que impôs, em escala global, um pensamento desprovido de largos horizontes de perspectivas e causas transformadoras para a humanidade reduziu, de maneira ditatorial, as sociedades a um tipo de consumismo desenfreado.

Um consumismo que se mostra para além da satisfação das necessidades básicas das populações, ou mesmo o acesso aos novos instrumentos que a ciência e a tecnologia põem a serviço do bem estar dos indivíduos quer seja como ferramentas de trabalho ou de lazer, conquistas extremamente positivas ao desenvolvimento social ou individual.

Sem projetos ou causas pluralistas que galvanizem a reflexão a sociedade do século XXI vê-se reduzida a uma incessante procura de objetos mercadorias em permanente transformação, onde uma nova versão de um celular substitui velozmente a anterior, de tal forma que a mercadoria vira referência absoluta e aspiração de modo de vida às grandes multidões pelos quatro cantos da Terra, com óbvias exceções.

Não sem motivo atualmente crescem os transtornos psíquicos coletivos, sem que deles se tenha consciência, em um quadro geral de desertificação das ideias que impulsionam a consciência coletiva e individual dos cidadãos e cidadãs.

A espiritualidade, as causas universais, das nações, são combatidas aberta ou obliquamente, através da grande mídia empresa associada ao Mercado. De tal forma que o sentimento de pertencimento a uma comunidade ou povo é substituído por uma espécie de tribalismo do novo milênio, como uma busca fragmentada de renovadas identidades onde as pessoas buscam ser assimiladas.

A mercadoria passa a ser um deus, o princípio e o fim das coisas enquanto o Mercado financeiro exerce brutal domínio concentrando a renda, promovendo guerras, desigualdades globais, fomentando “diálogo entre mediocridades”.

E por tudo isso, além das guerras de rapina, crises econômicas, sociais estruturais, está em curso uma revolta objetiva contra a Nova Ordem mundial danosa. Mas será na reflexão de outro rumo real e palpável que a humanidade irá superar essa idade média pós moderna.